September 29, 2004

Já somos 10 milhões

Portugal é um país fantástico. Segundo as notícias de hoje, há 10 milhões de telemóveis em Portugal. Pode-se então depreender que até os recém-nascidos já têm telemóvel.

O que nos leva a aderir tão facilmente ao supérfluo?
Vivemos num país onde se ganha menos que na Grécia (e não estou a falar do Euro 2004), onde o endividamento das famílias é aterrador ou onde os índices de pobreza estão quase ao nível do Burundi, mas gastamos dinheiro onde menos falta faz (nota para os menores de 20 anos: sim, é possível viver sem telemóvel ou SMS!). Não me refiro apenas aos telemóveis, mas a tudo aquilo que representa um pequeno sinal exterior de riqueza, como trocar de Fiat Uno de 3 em 3 anos ou comprar a malita Luís Vuitão.

Evidentemente que este é um problema de formação. E de Educação. E que não tem solução até o nosso sistema educativo "crescer".

September 28, 2004

estamos feitos

O PS foi a votos. E, claro, elegeu o candidato favorito. Com uma margem enorme, ainda por cima. Até agora, tudo bem: é o processo democrático, as pessoas escolhem quem querem... yada yada yada. Isto não é bem verdade: os militantes do PS escolheram entre os candidatos que se lhes foram apresentados, nada mais. E escolheram o mal menor.

João Soares, politicamente, é uma nódoa. É verdade que foi dos menos maus presidentes da CML. E tem (algumas) ideias. Mas, para além de ser inapresentável, tem o estigma de ser o filho-do-papá.
Manuel Alegre tem ideias. Muitas. A maior parte delas boas. Mas não é credível como primeiro-ministro.
José Sócrates, por outro lado, fala bem. Tem nome de filósofo. Veste Armani. Tem um discurso politicamente correcto. Foi ministro. Sofrível. É relativamente novo. Estava ganho o Congresso.

Aquilo de que os militantes do PS não se aperceberam foi que estavam a eleger o Santana Lopes de esquerda. O homem não tem uma ideia original, nem um projecto para o país: simplesmente, quer governar. À semelhança da maior parte dos políticos nesta terrinha, quer o poder apenas pelo poder, não fazendo a mínima ideia do que fazer com esse poder para beneficiar os portugueses.

Temos a Santa Trindade a governar os partidos políticos: Santana, Sócrates e Portas. Junte-se-lhes o Francisco Louçã e temos o quadro da Anunciação completo.

Estamos pouco lixa....

September 27, 2004

fotografias intimas

Um artigo do suplemento 'Computadores' do Público revela que novas tecnologias permitem que as ecografias aos fetos tenham muito mais definição. Isto é uma excelente notícia para todos os pais, principalmente aqueles que têm uma imaginação demasiado activa, como eu.

Tendo já passado por pai duas vezes, lembro-me perfeitamente de ir ao ginecologista ver as ditas filmagens e fotografias e, sinceramente, não via nada do que o sôdotôr dizia serem aquelas manchas. O senhor lá punha sonda em cima da barriguita inchada da mãe, devidamente besuntada de gel, dizendo "vêm o pé?... aquilo é um olho... vê-se perfeitamente que é um menino (saiu menina)" e eu lá via umas manchas difusas a lembrar a televisão em 1972, quando a antena caía para trás do aparelho.

Já anteriormente, quando amigas minhas apareciam inchadas que nem o Hidenburg com as fotografiazitas nas mão, babadas de orgulho, a afirmarem a pés juntos que ali se viam perfeitamente os braços, as costas e a cor dos cabelos do infante, eu só via uma imagem semelhante a um teste de Rorschach - aquele teste psiquiátrico em que as manchas parecem sempre borboletas mas onde nos filmes os criminosos vêem sempre coisas delirantes, na maior parte das vezes mulheres nuas, o cão da vizinha ou a vizinha nua e o cão em actos pouco próprios. Como não sei ficar calado, saía-me sempre uma alarvidade do género "coitado do puto... parece um peixe fora d'água... vê-se mesmo que sai ao pai", o que me custou uma série de jantares à borla (por outro lado, safei-me duma enormidade de baptizados, portanto o saldo é a meu favor).

Não pretendo diminuir a importância destes desenvolvimentos tecnológicos, que permitem detectar malformações do feto cada vez mais cedo, ou quaisquer outros problemas para a criança ou para a progenitora, mas por outro lado também faz um pouco de falta aquela surpresa após nove meses de espera - um pouco como a expectativa das prendas de Natal para os miúdos (e para mim).
Pena não podermos ter o melhor dos dois mundos.

September 25, 2004

descobriram o que eu sou

Já não sei como, fui dar ao Political Compass, um site que tenta definir, de uma forma simplista, a que espectro político se pertence. Claro que a mim calhou-me "Esquerdista Libertário". Claro que o site, e o teste, são americanos, logo não podia dar outra coisa. Se o Francisco Louçã lá for têm, provavelmente, de redesenhar o gráfico todo.

O mais engraçado disto tudo é que não me considero "de esquerda". Nem "de direita". Como a maioria dos portugueses, estou bem no "centrão", sem nunca saber muito bem em quem votar nas eleições legislativas (em relação às outras a minha atitude é diferente: nas presidenciais não voto por uma questão de princípio e nas autárquicas voto na pessoa, não no partido). O problema se calhar é meu, que não me revejo completamente nem nos ideais socialistas ou sociais democratas, nem nos liberais (muito menos nos comunistas ou neo-liberais). Mas, de certo modo, o problema não é só meu: os partidos políticos, de modo a garantirem o mais possível a sua permanência no poder (olhó tacho), esquecem-se hoje de defender ideais e princípios, tentando apenas apresentar ao eleitor promessas de circunstância que permitam o maior número de votos nas próximas eleições. A triste consequência disto é que ninguém tem uma ideia para o país. Séria. A longo prazo. Vivemos, politicamente, em pequenos ciclos quadrianuais que tentam cumprir o mínimo para garantir o voto da reeleição. Parece que não temos partidos políticos, mas sim associações de pedintes.

Enquanto isto temos a Saúde que temos, a Educação que (não) temos, o Défice que temos (e de que maneira!) e a Desorganização que temos - esta podíamos exportar; seria, em conjunto com a cortiça, o produto mais famoso de Portugal. Teria, evidentemente, de ser exportada em pequenas porções, talvez em latas como as sardinhas e o atum, porque para os outros países, levarem com doses grandes poderia ser fatal. Imaginem a latita verde-rubra com grandes letras douradas a dizer "Dis-organization - The Genuine Product from Portugal - valid through December 2008". Acabava de vez com o défice comercial crónico.

September 24, 2004

seja ministro! emprego vitalicio garantido


bullion
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Celeste Cardona foi para a Caixa Geral de Depósitos. E? Qual é o problema? Hã? Não estava já lá o António Guterres? E outros que tais? Não é assim mesmo que deve ser, se sempre assim foi?

Infelizmente, sempre assim foi. Desde o tempo da Outra Senhora. Mas não devia de ser. Quer queiramos quer não, o ordenado da Srª ex-Ministra - simbólico concerteza... uma ninharia - vai sair do meu bolso. E dos restantes dez milhões de bolsos dos cidadãos portugueses. Além de ser um péssimo exemplo da parte do Estado, para os cidadãos em geral e para as empresas privadas.
Os políticos - bem como as pessoas normais - já deveriam de ter percebido que as empresas públicas não são uma coutada sua, nem os Estado é um tacho para dele se servirem indescriminadamente.

Aqui há uns tempos atrás alguém me disse que o ideal era importarmos políticos, porque os nossos não servem. Parece-me uma excelente ideia! Talvez com um primeiro-ministro holandês, um ministro das finanças alemão e um ministro da cultura francês tivessemos alguma hipótese de nos desenvolvermos, e atingir a famosa convergência. Para não ficar mal, podíamos deixar um lugar para um português... talvez o ministro-sem-pasta.

September 23, 2004

fogareiros

Quando eu era pequenino (e adolescente), os táxis eram pretos e verde-alface. Feios como poucos. Nessa altura (em pequenino) fui a Londres pela primeira vez, tendo ficado fascinado com os táxis deles: eram grandes, espaçosos, confortáveis e originais. Os nossos, pelo contrário, eram pretos e verdes alface, velhos, malcheirosos e fumarentos. Uma espécie de fogareiros mal-cheirosos. Os taxistas londrinos eram corteses, suportavam o nosso inglês de praia com uma paciência infinita e quando se pedia para ir de Buckingham até Oxford Street não nos davam uma visita guiada até Wembley. Os nossos taxistas eram uma espécie de fogareiros mal-cheirosos, que tentavam sempre oferecer-nos uma visita guiada aos Jerónimos durante o percurso Portela-Moscavide.

Agora que cresci um bocadito (pouco), continuo a achar nossos taxistas mal-educados, desonestos na sua maioria e... uma espécie de fogareiros mal-cheirosos. Mas sinto falta dos táxis preto e verde-alface. É certo que não é das combinações de cores mais felizes, mas eram originais, viam-se a três quarteirões de distância e eram uma particularidade nossa, diferente de todos os outros países. Os nova-iorquinos têm os Yellow Cab, os londrinos o típico táxi fora de moda e nós tínhamos os fogareiros pretos e verde-alface.

Creme? Quem é que se lembrou de pintar os táxis de creme?
Deve ser a cor mais idiota para pintar um táxi: é neutra, não se distingue da massa de trânsito em circulação numa cidade e ainda por cima é feio como o raio. Além de que é tão original como o bife com batatas.

Não podemos ter os fogareiros pretos e verde alface outra vez?

dia sem... respeito


taxi
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Parece que ontem foi o dia europeu sem carros. Sinceramente não dei por nada; enquanto andava a trabalhar o trânsito continuava a ser o granel do costume, nem mais nem menos; não vi autocarros extra na estrada; Lisboa não estava em nada semelhante a Pequim na década de '70, com bicicletas e riquexós aos molhos.

Dá-me a ideia que uma cidade como Lisboa, Porto ou qualquer uma da periferia destas aderir ao dia europeu sem carros é um insulto descomunal aos seus habitantes, fixos ou flutuantes.

Lisboa tem um único serviço de transportes públicos que funciona bem: o metro (o Porto também já tem metro mas não vale a pena falar disso... os portuenses são um povo sensível); tudo o resto é de uma miséria franciscana. Os autocarros, por outro lado, são inacreditavelmente maus, sujos e antiquados, com uma noção de horários próxima da ficção científica. Os eléctricos... basta dizer que o Eça de Queiroz reconhecê-los-ia num relance. Quanto aos comboios suburbanos, estão dimensionados para uma poulação urbana de 150 000 almas, quando só a área metropolitana de Lisboa tem 2 000 000 de habitantes. Além disso, dois termos que nunca se encontram em conjunto são "estação de comboio" e "parque de estacionamento": como é que passaria pela cabeça de alguém sujeitar-se a deixar o carro a um quilómetro da estação num parque sem guarda, apanhar uma molha fantástica até ao comboio, chegar à gare de destino e desesperar por um autocarro que o leve ao trabalho, se pode ir confortavelmente de pópó até ao centro e estacionar impunemente em cima do passeio à porta do emprego?

É muito bonito apoiar o dia europeu apeado, ou tentar sensibilizar as pessoas para deixarem o carocha à porta de casa e utilizarem os transportes públicos, porque as cidades estão saturadas, porque é melhor para o ambiente, porque isto ou aquilo... mas, se não forem criadas as condições necessárias que satisfaçam o comodismo natural das pessoas, não vale a pena celebrar seja o que fôr, ou gastar rios de dinheiro em campanhas de sensibilização.

September 16, 2004

cristo


ChristOfStJohn
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Revi agora a Paixão de Cristo (ou A Paixão do Cristo, no original).
O filme impressionou-me imenso, não pela violência demonstrada no ecrã, mas por saber que as pessoas são capazes de tal violência.

vamos para a escola

E assim começa mais um ano escolar.
Como todos os outros, começa na maior das balbúrdias. Umas escolas abrem, outras não. Umas não têm professores e estão abertas, outras têm professores e estão fechadas (aqui as combinações são inúmeras). Há professores que sabem onde foram colocados mas não querem ir para lá, há outros que não sabem para onde vão mas que estão desejosos de ir. Há escolas que não têm as menores condições para leccionar mas abrem na mesma, há outras que têm condições mas não têm o pessoal necessário. Há professores que queriam ser biólogos mas não podem logo os putos é que pagam, e há maus biólogos que têm vocação para professores mas não há hipótese de sobreviverem com aqueles salários. Há de tudo, até potenciais bons alunos que vão ser profissionais (e pessoas) medíocres por causa de tudo isto e muito mais.
Como todos os responsáveis deste país sabem teorizar e não sabem pôr em prática as suas ideias, a nossa educação anda neste lindo estado.
O mais trágico é que a solução para a educação é simples e fácil de pôr em prática. Basta querer e fazer bem feito - conceito quase extraterrestre nesta terra de boas intenções.
Consequências? Daqui a 20 anos, estaremos na cauda da Europa na mesma, logo atrás daqueles países que entraram agora, onde não há dinheiro, nem telemóveis ou vias verdes, mas onde há sistemas educativos que formam profissionais competentes e pessoas educadas, com sentido cívico e humano.

September 15, 2004

cruz


the cross
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Ontem à noite (ou hoje de madrugada, conforme o ponto de vista) vi um programa, salvo erro na SIC Notícias, sobre o Ku Klux Klan e outras organizações do mesmo género, nos Estados Unidos. O programa era demasiado extenso, e a hora demasiado adiantada, para poder fazer um comentário completo mas, por alto, creio que se pode dizer o seguinte: tarados há em toda a parte; pessoas que prevertem conceitos religiosos para servirem as suas causas extremistas, também. Não há diferença nenhuma entre um tarado muçulmano, cristão ou de outra qualquer crença. Falar hoje no "mundo árabe" como sinónimo de extremismo é o mesmo que definir o ocidente através destes grupos de extrema-direita. Seria o mesmo que catalogar os franceses pela bitola do sr. Le Pen. Ou os portugueses pelo presidente da câmara de Marco de Canaveses.

September 13, 2004

Estradas

Notícia dos diários nacionais: mais uma dezena e meia de mortos nas estradas na passada semana, ou coisa que o valha.
Muito honestamente, já nem percebo porque é que isto é notícia. Notícia seria "Esta Semana Não Houve Mortos nem Feridos nas Nossas Estradas.
Dá-me a ideia que o português, assim que entra no automóvel, transforma-se num lémingue: estes vêm uma falésia e atiram-se; nós entramos no carro e atiramo-nos para cima uns dos outros.
O mais engraçado é tentar atribuir culpas a esta situação. É certo que o portuga médio, no seu pópó, é de uma falta de educação e civismo inenarrável. A partir do momento em que faz o exame de condução esquece o significado de todas as regras e sinais e atira-se à estrada como se esta lhe pertencesse e fosse o único a circular nela. Limites de velocidade tornam-se um conceito tão vago como a teoria de relatividade de Einstein. Sempre que vê um semáforo torna-se imediatamente daltónico. Provavelmente pensa que aqueles tracitos no chão são obra de artistas de graffiti (esses camelos que deviam andar a trabalhar para viver, os animais). E assim sucessivamente.
Claro que isto é em parte verdade: a educação dos portugueses - e respectivo civismo - deixa muito a desejar. Mas a atitude das autoridades ajuda muito ao estado lamentável a que chegámos: se a BT circulasse nas estradas, mostrando-se e dando o exemplo, o comportamento dos condutores mudava concerteza, dado que sempre que se vê um carro da Brigada na auto-estrada, o condutor nacional passa sempre a circular 30 Km/h abaixo do limite, numa atitude tipicamente portuguesa; o facto da autoridade preferir ir para trás da moita com o radar (e se calhar aproveitar para mais qualquer coisa) não é minimamente dissuasor, tendo em conta que o condutor conhece bem a falta de meios crónica das autoridades e, portanto, arrisca; o facto do carrito da Brigada usar as luzinhas do tejadilho, a sirene e o excesso de velocidade para chegar mais depressa à área de serviço "porque aqui não há moitas, pá" não ajuda muito a que os condutores respeitem as autoridades, e não tomem aquela atitude fabulosa do "da-sse! s'os gajos podem avacalhar, toca de dar gás qu'eu também sou filho de Deus".
Também ajudaria um pouco se as nossas estradas e auto-estradas fossem pensadas. Só pensadas. Por exemplo, não cabe na cabeça de ninguém que uma via de aceleração de entrada numa auto-estrada, tenha 20 metros. É um convite ao desastre. Ou, por outro lado, que a maior parte da sinalização esteja caída, pintada por cima ou atrás da moita (não me perguntem o que é que a BT faz lá com ela). Há que rever os limites de velocidade, adequando-os ao ritmo de vida e automóveis actuais. Há que construir vias como deve de ser. Há que colocar e manter a sinalização necessária. E, acima de tudo, há que dar meios e formação aos agentes de autoridade.

September 10, 2004

9/11

Faz amanhã três anos que o World Trade Center, o Pentágono e os EUA no seu todo foram atacados. E por consequência, todo o mundo ocidental.

Nestes três anos, o mundo assistiu a uma enorme recrudescência da violência, tanto da parte dos atacados como da parte dos atacantes: o difícil é perceber qual é que é qual. Os EUA foram sem dúvida atacados, de uma forma perfeitamente bárbara. O Ocidente, e os seus valores, foram-no igualmente. Mas estes, de igual forma, são co-responsáveis por estes ataques: o Ocidente permite que Israel desrepeite qualquer regra humana de forma irresponsável, o que faz com que os “atacantes” reajam; o Ocidente explora economicamente, há séculos e de de forma desumana, quase todos os outros países à face do planeta; o Ocidente impõe as suas regras ao resto do mundo sobranceiramente; o Ocidente considera-se, sem dúvida, superior a todos os outros. De que é que raio é que estávamos à espera?

Não me parece que a resposta correcta ao terrorismo seja por intermédio da força, ou pela colocação no poder desses países “de segunda” de um qualquer fantoche às ordens do Sistema. Deste modo, só iremos prolongar e piorar uma situação já de si insustentável. Também não me parece que quem governa os países ocidentais compreenda a profundidade do problema ou que saiba qual a solução correcta.

Talvez estejam à espreita mais nine-eleven’s, com consequências bastante mais graves... Allah queira que não.

Obrigado, Bill


adsvw
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September 09, 2004

Governo

Desculpem lá mas... desde que saiu o Dr. Durão para Bruxelas, já foi empossado novo Governo da República?
É que ainda não se deu por nada. Será sorte a mais?

Europa

O Público de hoje publica um artigo bastante interessante, intitulado "Os Dois Lados do Atlântico Estão Cada Vez Mais Distantes" (http://jornal.publico.pt/2004/09/09/Mundo/I06.html), revelando alguns factos que, apesar de não serem grande novidade, fazem no entanto levantar um pouco as sobrancelhas.

Em primeiro lugar, creio que mostra que, apesar das semelhanças aparentes, as sociedades americana e europeia evoluiram de uma forma divergente, principalmente a partir de 1945, sendo hoje difícil encontrar hoje pontos em comum que não sejam apenas superficiais.

De seguida, creio haver sinais de que a "Europa", para os europeus, começa a deixar de ser apenas um espaço geográfico mais ou menos abstracto, ou uma associação económica de nações estanques, começando a surgir uma "identidade europeia" no cidadão comum, pelo menos naquilo que toca às relações com os outros, sejam americanos, chineses ou filipinos.

Demonstra também que, apesar de haver alguma nostalgia quanto ao poderio passado das diversas nações, para os europeus o futuro passa por uma Europa forte, exercendo uma alternativa de poder (político e não só) em relação à superpotência vigente. Não sei é se as pessoas se apercebem que este desejo leva a uma perca ainda maior das suas independências nacionais (será que ainda há alguma?), pois isto obriga a transferir para a "Europa" muitas competências que ainda estão nas mãos dos estados, como a Defesa e os Negócios Estrangeiros.
Talvez os europeus, na sua generalidade, se tenham curado dos traumas causados pelas duas Guerras Mundiais. Apesar de, quanto a mim, o declínio europeu não se ter iniciado com a guerra de 1914/18 mas sim uma década antes, quando os EUA se tornaram o maior produtor de aço no mundo, o efeito devastador das guerras do séc. XX deixou marcas profundas nas sociedades europeias, que só agora, passados 60 anos, começam a desaparecer.

Aquilo que mais me surpreende no artigo é o que está implícito do lado americano: há algum receio destes perante o crescimento europeu - de repente somos 400 milhões, mais maltês menos maltês - e que este crescimento acabe por relegar a América para uma posição secundária.

Olha se fossemos chineses...

September 08, 2004

Life's little instructions

Sing in the shower. Treat everyone you meet like you want to be treated. Watch a sunrise at least once a year. Leave the toilet seat in the down position. Never refuse homemade brownies. Plant a tree on your birthday. Learn three clean jokes. Return borrowed vehicles with the gas tank full. Compliment three people every day. Never waste an opportunity to tell someone you love them. Leave everything a little better than you found it. Keep it simple. Think big thoughts but relish small pleasures. Become the most positive and enthusiastic person you know. Floss your teeth. Ask for a raise when you feel you’ve earned it. Be forgiving of yourself and others. Overtip breakfast waitresses. Say “thank” you a lot”. Say “please” a lot. Avoid negative people. Buy whatever kids are selling on card tables in their front yards. Wear polished shoes. Remember other people’s birthdays. Commit yourself to constant improvement. Carry jumper cables in your trunk. Have a firm handshake. Send lots of Valentine cards. Sign them “Someone who thinks you’re terrific”. Look people in the eye. Be the first to say “Hello”. Use the good silver. Return all things you borrow. Make new friends but cherish old ones. Keep secrets. Sing in a choir. Plant flowers every spring. Have a dog. Always accept an outstretched hand. Stop blaming others. Take responsibility for every area of your life. Wave at kids on school buses. Be there when people need you. Feed a stranger’s expired parking meter. Don’t expect life to be fair. Never underestimate the power of love. Drink champagne for no reason at all. Live your life as an exclamation, not an explanation. Don’t be afraid to say “I made a mistake”. Don’t be afraid to say “I don’t know”. Compliment even small improvements. Keep your promises (no matter what). Marry only for love. Rekindle old friendships. Count your blessings. Call your mother.

Palavroes

Há palavras que deviam, pelo som que produzem, ser consideradas palavrões do pior. É o caso de Unguento. Ou de Lipoaspiração. Qualquer pessoa se sente insultada quando lhe dizem "vá mas é fazer uma lipoaspiração, sua besta". Paquiderme está na mesma classe. Ou Ufano. O português pode ser (para mim é) uma língua lindíssima, mas é muito agressiva. Insultar alguém em francês é quase impossível, dada a delicadeza da língua - quando nos dizem, com aquele sotaque suave, "va t'enculer, toi", nunca nos sentimos tão agredidos como com o seu equivalente portuga. Em italiano qualquer coisa soa bem, nem que seja uma alarvidade inenarrável. O inglês, graças há indústria cinematográfica de Hollywood, transformou os insultos em vírgulas (um bocado como o tripeiro), logo não se dá conta deles. Mas o português tem uma gama fantástica de insultos, quase tão grande como todo o seu vocabulário.

Dietas


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Este cartoon, retirado da New Yorker, faz-me pensar o seguinte: porque é que raio nos preocupamos com a nossa a aparência? e com a dos outros?
Tendo em conta que meço 1,80m e peso 66 Kg, o termo "Adónis" não se me aplica - "fio de azeite", "pau-de-virar-tripas" e outros mimos do género talvez, mas o primeiro é que não. Mas para quê preocupar-me com isso? Valho mais, acho eu, pelo conteúdo da minha caixa craneana do que pela embalagem que apresento. Mas a sociedade exalta a aparência como se fosse a única coisa que interessa. Claro que não é de hoje: as senhoras do tempo de Rubens só eram consideradas interessantes se pesassem tanto como um pequeno elefante marinho (e com as mesmas pregas); nos anos 90 as mulheres queriam-se tão magras que qualquer relacionamento com elas só poderia durar cerca de 3 dias, até morrerem de inanição (se calhar era essa a ideia). Os mesmos exemplos aplicam-se aos homens: essa estória do homem só ser homem a cheirar a cavalo sempre foi uma treta. Desde o sapatito de fivela e salto alto à là D. José I aos cremes esfoliantes da perfumaria do Colombo, há de tudo.
É certo que a aparência exterior dá alguns indicativos de saúde, de qualidade genética e outros atributos importantes quando se está a considerar a hipótese de acasalar, sejamos pavões ou seres humanos. Mas será que o ideal é pensar vir a ter uma filha linda, loira e a pintar o monitor com corrector, ou ser medianamente atraente (como a maior parte de nós) e capaz de seguir o enredo d' O Primo Basílio sem gastar a ponta do dedo indicador?

September 04, 2004

Sintra


sintra
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Sintra é dos sítios mais agradáveis deste país. Tem bom ambiente, monumentos, os travesseiros da Periquita, bosques, a Pena e o Castelo dos Mouros, as queijadas da Sapa, o eléctrico do início do século XX, bons museus (finalmente!) e pessoas simpáticas. Foi, por mérito próprio, elevada a Património Mundial pela UNESCO. Mas Sintra não é o único monumento do respectivo Concelho: um pouco mais perto de Lisboa, existe o Cacém, esse fantástico monumento à estupidez e à falta de planeamento, ao caos urbanístico e ao "deixa-andar" dos nossos governantes.
É um país tão pequeno, este em que vivemos, mas tão diverso e cheio de contrastes...

O barco do amor

O Barco do Amor era uma série televisiva perfeitamente asinina, do início dos anos 80; mas não era nada comparada com o disparate que se vive neste país relacionado com o Barco do Aborto. Se olharmos para o problema friamente, a atitude do Governo está absolutamente correcta: o aborto não é legal em Portugal, logo o barco não atraca nem opera. Case closed.

Infelizmente, o problema não é assim tão simples. Todos os anos centenas de portuguesas recorrem ao aborto nas condições mais deploráveis, algumas não sobrevivendo ao "processo". Todos os anos alguns médicos cobram somas divertidas para fazer aquilo que a lei e o seu código proíbem. Todos os anos as autoridades fecham os olhos a uma actividade recorrente. Quer queiramos quer não, seja por razões económicas, sociais ou outras, o aborto é praticado regularmente nesta terra.
Diz hoje um jornal que "a linha telefónica de apoio que a organização holandesa Women On Waves (WOW) disponibiliza desde sábado passado já recebeu perto de 100 pedidos de ajuda de mulheres portuguesas interessadas em interromper a gravidez"; diz ainda uma das entrevistadas que "Entre 90 a 100 foram pedidos de ajuda de mulheres interessadas em interromper a gravidez. Mas também recebemos pedidos de informação na área da educação sexual e reprodutiva, manifestações de apoio e alguns protestos".
Não me parece que seja necessário dizer muito mais. A não ser o seguinte: a proibição do aborto é uma medida hipócrita, indefensável em qualquer sociedade moderna e aberta. Sem dúvida que o aborto em si é um acto abominável... um crime, onde uma vida (quase) humana é morta. Mas não tenho a menor dúvida que também é um acto de desespero, que provavelmente não termina com o aborto em si, mas sim começando nesse momento.