Finalmente, o Presidente da República (das bananas) caiu em si e acabou com a bandalheira de governo que temos.
Só espero que o PSD consiga no espaço de 1 ou 2 meses organizar um congresso sério, de onde saia um líder devidamente legitimado para concorrer às próximas eleições legislativas, não só para se bater pela vitória, mas também para podermos ter uma oposição credível durante os próximos 4 anos.
November 30, 2004
nado-morto
Este fim de semana o nosso ilustre Primeiro afirmou que o governo que lidera é como um bébé numa incubadora. Apesar de a analogia ser particularmente infeliz, poder-se-ia prolongá-la e afirmar que este governo é na realidade um nado-morto ou, se não quisermos ir tão longe, um verdadeiro aborto. Se for este o caso, poder-se-à afirmar que este governo é, à luz do código civil, ilegal e deve ser colocado num barquito e recambiado para a Holanda à força de corveta ou fragata.
O nosso Primeiro, ao fim de meros quatro meses de governação, já declara que estão todos contra ele, desde os media aos próprios correlegionários do partido. Parece-me um pouco prematuro: normalmente os políticos só utilizam estes argumentos no final do mandato, para justificar a inacção costumeira de um governo cansado de si próprio, sem soluções à vista.
Com este desnorte patente não se compreende como pode Jorge Sampaio manter este governo em funções. Já foi mau tê-lo empossado, mas continuar a insistir revela uma falta de coragem política insuportável.
O nosso Primeiro, ao fim de meros quatro meses de governação, já declara que estão todos contra ele, desde os media aos próprios correlegionários do partido. Parece-me um pouco prematuro: normalmente os políticos só utilizam estes argumentos no final do mandato, para justificar a inacção costumeira de um governo cansado de si próprio, sem soluções à vista.
Com este desnorte patente não se compreende como pode Jorge Sampaio manter este governo em funções. Já foi mau tê-lo empossado, mas continuar a insistir revela uma falta de coragem política insuportável.
November 27, 2004
xmas
E pronto. É agora. Já só tenho um mês. Menos até: faltam 26 dias para decidir quais são as inúmeras prendas de Natal que tenho de comprar.
Segundo as estações de televisão, as escolhas são múltiplas: Poison, Transformers, Sérgio Godinho espalmado em DVD, Barbie Cell Phone, Acqua di Giò, Macintosh iPod, Nokia, Hot Wheels, Notebooks, Harry Potter em 2D 3D Playstation Gameboy Advance ou Livro...
A minha vontade é comprar seja o que for e oferecer aleatoriamente, ficando a sogra com os Hot Wheels e o filho com o Sérgio-Godinho-em-DVD-ou-cassete (coitado).
O natal transformou-se numa sucursal da feira do relógio, em que todo o acontecimento culmina naquele momento em que terminam as doze badaladas do dia 24, e miúdos e graúdos se atiram selvaticamente para a base do pinheiro de plástico feito no Vietname, tentando agarrar o maior número de pacotes embrulhados em fita e papel de mau-gosto. Depois vêm os murmúrios do costume: "meias? outra vez?" ou "ó mãe! eu tinha dito pónei! não era burro com chapéu de palha!". Segue-se a fase dos negócios: "ficaste com o talão? sabes que detesto camisas amarelas às bolas"; "Filipa, se quiseres troco o meu canhão supersónico da guerra do golfo pelas tuas carta Yugi-Oh... queres?". Por fim, enquanto as crianças berram porque o Saddam de plástico já perdeu uma perna, os adultos atiram-se de novo ao Raposeira Meio-Doce e às rabanadas com um suspiro de alívio - "Finalmente... 365 dias de descanso até ao próximo...".
O Natal deveria de ser uma festa familiar, onde todos se reunem para pôr a conversa em dia, comentar as últimas da tia Luísa que fugiu para o Brasil com a amante ou pura e simplesmente estarem juntos, fazendo aquelas coisas pequenas que realmente fazem uma família (normalmente discussões intermináveis sobre temas mesquinhos, mas isso não vem ao caso). As prendas deveriam ser apenas uma graça, uma recordação da tradição do Natal e dos três Reis Magos, os primeiros a sentir a angústia do Natal: "ó Belchior, o que achas? Dou-lhe Mirra?", "Ah não, Baltasar! Mirra dou-lhe eu! Se quiseres dá-lhe aqueles coisos de cheiro... tu sabes... os pauzinhos indianos. Ou então faz o que fez o Gaspar... dá-lhe ouro e o puto que compre o que quiser...".
Pela minha parte, já sei o que vai acontecer: vou andar a adiar até dia 23 às oito da noite, indo depois completamente desesperado para o centro comercial, disposto a comprar quaquer coisa a qualquer preço. Se bem que este ano já não caio na asneira de comprar o monociclo - as pessoas não têm nenhum sentido de humor.
November 26, 2004
ele há coisas...
Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro Ministro... ouvi esta ontem nas notícias. O que vale é que a Sic Notícias repete os noticiários várias vezes seguidas, senão nunca teria decorado o título.
Quando este senhor estiver assoberbado de trabalho nomeia-se um Secretário Adjunto do Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro Ministro... e assim sucessivamente por toda a hierarquia abaixo, até chegarmos à Adjunta da Secretária Adjunta da Secretária da Senhora da Limpeza Adjunta da Senhora da Limpeza.
Era mais fácil chamarem-lhes Just Another Boy for a Needless Job.
Quando este senhor estiver assoberbado de trabalho nomeia-se um Secretário Adjunto do Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do Primeiro Ministro... e assim sucessivamente por toda a hierarquia abaixo, até chegarmos à Adjunta da Secretária Adjunta da Secretária da Senhora da Limpeza Adjunta da Senhora da Limpeza.
Era mais fácil chamarem-lhes Just Another Boy for a Needless Job.
November 25, 2004
idiotas há muitos
Hoje é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, ou coisa que o valha. Parece sempre haver um dia internacional de qualquer coisa: sida, anti-tabagismo, criança, focas bébé, etc.
Talvez este seja dos poucos que devia ser todos os dias, e não um só entre 365. Se há acto cobarde e baixo é um "macho" qualquer a arrear na respectiva senhora/mãe/filha/irmã/mulher-a-dias. Infelizmente, é dos factos mais recorrentes da nossa - e não só da nossa - sociedade. Desenganem-se aqueles que pensam que este é um gesto tipicamente latino: acontece em todo o lado, dentro de todas as culturas, classes sociais e culturais.
É triste ver estes pormenores sórdidos do ser humano.
Talvez este seja dos poucos que devia ser todos os dias, e não um só entre 365. Se há acto cobarde e baixo é um "macho" qualquer a arrear na respectiva senhora/mãe/filha/irmã/mulher-a-dias. Infelizmente, é dos factos mais recorrentes da nossa - e não só da nossa - sociedade. Desenganem-se aqueles que pensam que este é um gesto tipicamente latino: acontece em todo o lado, dentro de todas as culturas, classes sociais e culturais.
É triste ver estes pormenores sórdidos do ser humano.
November 24, 2004
quarenta
Ena! Agora que passa da meia-noite, tenho oficialmente quarenta anos. Quatro décadas. Oito lustros.
Nunca pensei cá chegar. Com os péssimos hábitos alimentares, a quantidade de cigarros fumados, pais e mães ultrajados e quilómetros de mota feitos de maneira completamente inconsciente, é um perfeito milagre ainda existir. Talvez agora devesse começar a ter juízo, mas depois dos hectolitros de vinho bebidos, dos mais de 219 000 cigarros fumados, dos inúmeros cozidos à portuguesa, bacalhaus cozidos com grão (é horrível pensar que se é, sozinho, responsável pela extinção de uma espécie inteira) e mousses de chocolate e dos vários lares desfeitos em lágrimas, o hábito - e o prazer - é forte demais para parar. Além disso, sem estes prazeres a vida deve ser uma seca desgraçada.
Sinceramente, não sou muito diferente de há 10 ou 15 anos atrás: continuo o mesmo inconsciente de sempre, na mesma infantil e irresponsável. Evidentemente que me sinto diferente. Vejo o mundo e as pessoas de forma diferente, o meu sentido de humor deixou de ser tão infantil, tornando-se mais mordaz e cínico, tenho menos paciência para a estupidez reinante, ou seja, sou menos ingénuo. Mas de resto, desculpem-me a sinceridade, cresci muito pouco.
Pelo menos até agora o saldo geral é bastante positivo: plantei umas quantas árvores e fiz dois filhos. É certo que não escrevi nenhum livro, mas devorei centenas. Principalmente, aprendi umas coisitas. Daqui para a frente, como sempre, é o desconhecido. Só espero plantar mais umas árvorezitas, filhos não me parece que caia nessa outra vez mas espero ler mais umas valentes resmas de livros e chacinar mais uns quantos bacalhaus. E, acima de tudo, aprender mais umas coisas porque aquilo de que mais me apercebi até hoje é das proporções olímpicas da minha ignorância.
Cheers.
Nunca pensei cá chegar. Com os péssimos hábitos alimentares, a quantidade de cigarros fumados, pais e mães ultrajados e quilómetros de mota feitos de maneira completamente inconsciente, é um perfeito milagre ainda existir. Talvez agora devesse começar a ter juízo, mas depois dos hectolitros de vinho bebidos, dos mais de 219 000 cigarros fumados, dos inúmeros cozidos à portuguesa, bacalhaus cozidos com grão (é horrível pensar que se é, sozinho, responsável pela extinção de uma espécie inteira) e mousses de chocolate e dos vários lares desfeitos em lágrimas, o hábito - e o prazer - é forte demais para parar. Além disso, sem estes prazeres a vida deve ser uma seca desgraçada.
Sinceramente, não sou muito diferente de há 10 ou 15 anos atrás: continuo o mesmo inconsciente de sempre, na mesma infantil e irresponsável. Evidentemente que me sinto diferente. Vejo o mundo e as pessoas de forma diferente, o meu sentido de humor deixou de ser tão infantil, tornando-se mais mordaz e cínico, tenho menos paciência para a estupidez reinante, ou seja, sou menos ingénuo. Mas de resto, desculpem-me a sinceridade, cresci muito pouco.
Pelo menos até agora o saldo geral é bastante positivo: plantei umas quantas árvores e fiz dois filhos. É certo que não escrevi nenhum livro, mas devorei centenas. Principalmente, aprendi umas coisitas. Daqui para a frente, como sempre, é o desconhecido. Só espero plantar mais umas árvorezitas, filhos não me parece que caia nessa outra vez mas espero ler mais umas valentes resmas de livros e chacinar mais uns quantos bacalhaus. E, acima de tudo, aprender mais umas coisas porque aquilo de que mais me apercebi até hoje é das proporções olímpicas da minha ignorância.
Cheers.
November 22, 2004
... that is the question
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?
Eis a famosa pergunta, que tanto tem inflamado políticos, comentadores, jornalistas e a D. Alzira-do-carrinho-das-castanhas-na-esquina-do-saldanha.
Muito honestamente, a pergunta não me faz confusão nenhuma: o português é claro, a questão é colocada directamente sobre três pontos óbvios e acaba num ponto de interrogação, o que torna o texto numa... pergunta.
Mas eu tenho outra. Já lá vamos.
Imaginem um petiz que entra para escola, 6 anitos redondos de nervos, e a stôra em vez de lhe dizer, na sua voz estridente de professora colocada à última da hora em Unhais de Cima, "Bom dia menino Francisco", lhe pergunta de chofre "Então, Chiquinho, quantos são 368 x 114?". Imaginem o resultado: puto a correr aos gritos, borradinho de medo, e, depois de chegado a casa, a mãe nunca mais o manda à escola; 50 anos depois encontraremos o Ti Francisco a pastar cabras nas serranias de Unhais.
O resultado da pergunta decidida pela classe política (os que deviam ter ficado em Unhais) tem exactamente o mesmo resultado: Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais... esperem lá um segundo. A-Carta-de-Direitos... sorry... never heard of... I'm just a hooligan, here for the Euro. Qual carta? Quais Direitos? Se são Fundamentais, protegem o Queijo da Serra?
Atão... agora decide-se primeiro qual a pergunta, e depois é que se ensina a tabuada? O novo quadro institucional da União Europeia? Qual quadro? que instituições? Já agora, qual União? Como é que a pergunta é elaborada sem se esclarecerem as pessoas primeiro? Sem se "sentir" quais são as verdadeiras preocupações dos cidadãos em relação à Constituição?
O alheamento do cidadão médio em relação à coisa europeia já é tal que qualquer trapalhada deste tipo só o afasta de vez dos assuntos europeus.
A minha pergunta, como simples cidadão, é simples: se me estão a pedir a opinião (coisa rara e inaudita) sobre três temas específicos, não haverá outros que sejam tão ou mais importantes, os quais suas excelências não querem ver discutidos entre mim e a D. Alzira?
Comecem pelo óbvio. Coloquem o texto completo do tratado (ou constituição ou lá que é) na net, publiquem-no no Correio da Manhã ou enviem-no pelo correio. Depois expliquem-no, todo, sem omitir aquele pedacito que diz, em letra muito pequena tipo apólice de seguro, "e os portugueses passam a ter de andar todos vestidos de camisolas xadrez verde e azul bébé". Expliquem aos portugueses porque é que a Europa precisa de uma Constituição (a Inglaterra é uma nação há mil anos e nunca precisou de um maço de papel almaço para defender os direitos dos seus cidadãos, ou para saber o seu lugar no mundo).
Depois é fácil elaborar a perguntita: Concorda que Portugal ratifique o Tratado da Constituição Europeia?
Não seria uma pergunta mais honesta, mais simples de entender, mais clara e, principalmente, curta? Não seria melhor que os portugueses votassem em consciência, cientes daquilo que o eldorado europeu lhes reserva? Não seria melhor que o cidadão médio sentisse que tinha feito uma vedadeira escolha?
Não seria bom que a classe política partilhasse de vez em quando as decisões com quem julgam que representam?
Eis a famosa pergunta, que tanto tem inflamado políticos, comentadores, jornalistas e a D. Alzira-do-carrinho-das-castanhas-na-esquina-do-saldanha.
Muito honestamente, a pergunta não me faz confusão nenhuma: o português é claro, a questão é colocada directamente sobre três pontos óbvios e acaba num ponto de interrogação, o que torna o texto numa... pergunta.
Mas eu tenho outra. Já lá vamos.
Imaginem um petiz que entra para escola, 6 anitos redondos de nervos, e a stôra em vez de lhe dizer, na sua voz estridente de professora colocada à última da hora em Unhais de Cima, "Bom dia menino Francisco", lhe pergunta de chofre "Então, Chiquinho, quantos são 368 x 114?". Imaginem o resultado: puto a correr aos gritos, borradinho de medo, e, depois de chegado a casa, a mãe nunca mais o manda à escola; 50 anos depois encontraremos o Ti Francisco a pastar cabras nas serranias de Unhais.
O resultado da pergunta decidida pela classe política (os que deviam ter ficado em Unhais) tem exactamente o mesmo resultado: Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais... esperem lá um segundo. A-Carta-de-Direitos... sorry... never heard of... I'm just a hooligan, here for the Euro. Qual carta? Quais Direitos? Se são Fundamentais, protegem o Queijo da Serra?
Atão... agora decide-se primeiro qual a pergunta, e depois é que se ensina a tabuada? O novo quadro institucional da União Europeia? Qual quadro? que instituições? Já agora, qual União? Como é que a pergunta é elaborada sem se esclarecerem as pessoas primeiro? Sem se "sentir" quais são as verdadeiras preocupações dos cidadãos em relação à Constituição?
O alheamento do cidadão médio em relação à coisa europeia já é tal que qualquer trapalhada deste tipo só o afasta de vez dos assuntos europeus.
A minha pergunta, como simples cidadão, é simples: se me estão a pedir a opinião (coisa rara e inaudita) sobre três temas específicos, não haverá outros que sejam tão ou mais importantes, os quais suas excelências não querem ver discutidos entre mim e a D. Alzira?
Comecem pelo óbvio. Coloquem o texto completo do tratado (ou constituição ou lá que é) na net, publiquem-no no Correio da Manhã ou enviem-no pelo correio. Depois expliquem-no, todo, sem omitir aquele pedacito que diz, em letra muito pequena tipo apólice de seguro, "e os portugueses passam a ter de andar todos vestidos de camisolas xadrez verde e azul bébé". Expliquem aos portugueses porque é que a Europa precisa de uma Constituição (a Inglaterra é uma nação há mil anos e nunca precisou de um maço de papel almaço para defender os direitos dos seus cidadãos, ou para saber o seu lugar no mundo).
Depois é fácil elaborar a perguntita: Concorda que Portugal ratifique o Tratado da Constituição Europeia?
Não seria uma pergunta mais honesta, mais simples de entender, mais clara e, principalmente, curta? Não seria melhor que os portugueses votassem em consciência, cientes daquilo que o eldorado europeu lhes reserva? Não seria melhor que o cidadão médio sentisse que tinha feito uma vedadeira escolha?
Não seria bom que a classe política partilhasse de vez em quando as decisões com quem julgam que representam?
November 20, 2004
cómicos
O PSD (Partido Sem Dono) vem afirmar, segundo o Público, que admite viabilizar uma proposta do PCP para que sejam suspensas as investigações e os julgamentos pela prática de aborto, porque "não colide" com compromissos assumidos com o CDS-PP sobre esta matéria e não altera a legislação em vigor.
Faz rir, não faz?
Portanto, lendo devagarinho, aquilo que se entende é: não alteramos a lei do aborto porque estamos de acordo que o aborto deve ser proibido, mas como temos consciência que é uma lei idiota e desajustada no tempo, tornamo-la impotente para punir seja quem fôr.
Mais uma vez os nossos políticos dão um exemplo fabuloso de que as leis neste país são para inglês ver, bem como tomam a atitude exemplar de querer agradar a todos, demonstrando que as convicções valem o que valem, principalmente em época pré-eleitoral.
Dá gozo viver num país onde todos os dias há novas razões para gozar com a cara dos governantes. O mais interessante é vê-los a debater a falta de confiança no sistema democrático e em quem o representa, demonstrando uma surpresa inenarrável por este estado de coisas. Dá vontade de criar um cartaz "tipo MRPP" com o título "És autista? junta-te a nós. Há sempre lugar para mais um na Assembleia da República".
Faz rir, não faz?
Portanto, lendo devagarinho, aquilo que se entende é: não alteramos a lei do aborto porque estamos de acordo que o aborto deve ser proibido, mas como temos consciência que é uma lei idiota e desajustada no tempo, tornamo-la impotente para punir seja quem fôr.
Mais uma vez os nossos políticos dão um exemplo fabuloso de que as leis neste país são para inglês ver, bem como tomam a atitude exemplar de querer agradar a todos, demonstrando que as convicções valem o que valem, principalmente em época pré-eleitoral.
Dá gozo viver num país onde todos os dias há novas razões para gozar com a cara dos governantes. O mais interessante é vê-los a debater a falta de confiança no sistema democrático e em quem o representa, demonstrando uma surpresa inenarrável por este estado de coisas. Dá vontade de criar um cartaz "tipo MRPP" com o título "És autista? junta-te a nós. Há sempre lugar para mais um na Assembleia da República".
November 18, 2004
enrola-me um, por favor
O nosso aterafadíssimo governo acaba de fazer mais uma: vai proibir o tabaco nos locais de trabalho, bares e discotecas, segundo o Público.
Sai mais uma medidinha politicamente correcta!
Já aqui me pronunciei sobre o fumo, mas creio que vale a pena reforçar a ideia. Tal como disse, tenho perfeita consciência da anormalidade que é o acto de fumar. Mas é uma escolha minha, que tenho direito de exercer enquanto fumar for legal e enquanto o nosso governozito continuar a arrecadar dinheiro com os impostos sobre os filtro, lights, 100's e afins.
Quanto à proibição de fumar no local de trabalho só tenho a dizer o seguinte: desculpem lá mas a empresa é minha, quem paga o aluguer do escritório sou eu e portanto vão-se catar. Não estou nem aí para as proibições sem sentido.
Quanto à proibição de fumar nos outros locais o caso é diferente: se bem me lembro, o consumo de drogas foi despenalizado, isto é, a autoridade perde o nome quando encontra um rapaz a chutar heroína que nem um turco. E vão-me chatear por estar a fumar? Devem estar a gozar, no mínimo.
Creio que um ministro da saúde digno desse nome se deveria dedicar a outras tarefas, menos fáceis e mediáticas, mas mais meritórias. Talvez pensar em reduzir listas de espera nos estabelecimentos de saúde públicos. Ou, em articulação com outros ministérios, criar soluções que coloquem mais profissionais de saúde no mercado. Ou, ainda, criar formas de financiar sustentadamente os hospitais e centros de saúde existentes, para não serem a miséria que são, digna de qualquer país subsaariano. Ou pensar na criação de uma rede de hospitais que verdadeiramente cubra todo o território nacional e toda a população. Ou acabar com o corporativismo na classe médica, que mina todo o sistema e impede, por exemplo, a atribuição de culpa nos casos de negligência.
São meros exemplos, que me ocorrem sempre que olho para o triste estado da nação.
Tão grave, ou mais, que o fumo exalado pelo portuga é o nível a que se deixou chegar o consumo de álcool, principalmente nas camadas mais jovens. Será por álcool derivar do árabe alkohul, que significa coisa subtil, que o governo não dá pelo problema? Tanto ou mais grave que o fumo é o consumo de drogas químicas "às resmas" que se verifica nas discotecas dos grandes centros. Será que este problema não merece a atenção do ilustre governante porque, sendo uma droga química, é problema do ministério da ciência e tecnologia?
Poupem-me...
O mais grave, quanto a mim, não é a medida em si. É aquilo que ela demonstra: temos um governo superficial, um governinho cinha jardim, que apenas se preocupa em ficar bem na fotografia, que não toma nenhuma medida de fundo por não ser mediático, por dar muito trabalho sem render votos, por exigir rigor e sacrifícios.
Com tanto eclipse e chuva de meteoritos, não haverá cataclismo natural que varra esta cáfila de imbecis do nosso panorama político? É que assim não vamos longe (nota para as vítimas do nosso sistema de educação: cáfila = a conjunto de camelos).
Sai mais uma medidinha politicamente correcta!
Já aqui me pronunciei sobre o fumo, mas creio que vale a pena reforçar a ideia. Tal como disse, tenho perfeita consciência da anormalidade que é o acto de fumar. Mas é uma escolha minha, que tenho direito de exercer enquanto fumar for legal e enquanto o nosso governozito continuar a arrecadar dinheiro com os impostos sobre os filtro, lights, 100's e afins.
Quanto à proibição de fumar no local de trabalho só tenho a dizer o seguinte: desculpem lá mas a empresa é minha, quem paga o aluguer do escritório sou eu e portanto vão-se catar. Não estou nem aí para as proibições sem sentido.
Quanto à proibição de fumar nos outros locais o caso é diferente: se bem me lembro, o consumo de drogas foi despenalizado, isto é, a autoridade perde o nome quando encontra um rapaz a chutar heroína que nem um turco. E vão-me chatear por estar a fumar? Devem estar a gozar, no mínimo.
Creio que um ministro da saúde digno desse nome se deveria dedicar a outras tarefas, menos fáceis e mediáticas, mas mais meritórias. Talvez pensar em reduzir listas de espera nos estabelecimentos de saúde públicos. Ou, em articulação com outros ministérios, criar soluções que coloquem mais profissionais de saúde no mercado. Ou, ainda, criar formas de financiar sustentadamente os hospitais e centros de saúde existentes, para não serem a miséria que são, digna de qualquer país subsaariano. Ou pensar na criação de uma rede de hospitais que verdadeiramente cubra todo o território nacional e toda a população. Ou acabar com o corporativismo na classe médica, que mina todo o sistema e impede, por exemplo, a atribuição de culpa nos casos de negligência.
São meros exemplos, que me ocorrem sempre que olho para o triste estado da nação.
Tão grave, ou mais, que o fumo exalado pelo portuga é o nível a que se deixou chegar o consumo de álcool, principalmente nas camadas mais jovens. Será por álcool derivar do árabe alkohul, que significa coisa subtil, que o governo não dá pelo problema? Tanto ou mais grave que o fumo é o consumo de drogas químicas "às resmas" que se verifica nas discotecas dos grandes centros. Será que este problema não merece a atenção do ilustre governante porque, sendo uma droga química, é problema do ministério da ciência e tecnologia?
Poupem-me...
O mais grave, quanto a mim, não é a medida em si. É aquilo que ela demonstra: temos um governo superficial, um governinho cinha jardim, que apenas se preocupa em ficar bem na fotografia, que não toma nenhuma medida de fundo por não ser mediático, por dar muito trabalho sem render votos, por exigir rigor e sacrifícios.
Com tanto eclipse e chuva de meteoritos, não haverá cataclismo natural que varra esta cáfila de imbecis do nosso panorama político? É que assim não vamos longe (nota para as vítimas do nosso sistema de educação: cáfila = a conjunto de camelos).
November 17, 2004
November 15, 2004
ficção
O Sporting venceu o Boavista 6-1. O Congresso do PSD foi como foi. Ambos os factos concorrem para o primeiro prémio na categoria "A Melhor História de Ficção". O primeiro, porque ver o Sporting a ganhar, por tais números, parece coisa do "That's Incredible". O segundo, porque não parece possível que depois do processo conturbado da ascenção de Santana Lopes à presidência do partido (e consequentemente à chefia do governo), depois do caso Marcelo e por causa do estado em que está o país e respectivo processo de governação, não se tenha levantado nenhuma voz dissonante no congresso, para além de Marques Mendes.
Parece que o PSD se está a habituar demasiado depressa ao tachito, aos jobs for the boys e a todas as amenidades decorrentes do partido estar confortavelmente sentado - nem que seja só por mais dois anos - na cadeirita do poder. Da forma que somos governados, a cadeira do poder qualquer dia passa a banco e deste a tapete ruço. Esperava ver, para além de Marques Mendes, todas as outras vozes críticas, como Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa ou José Pacheco Pereira, levantarem-se e apontarem o que está mal, o deve ser modificado e o que merece ser mantido e, principalmente, dizerem em que direcção deve o país ir e como pode o PSD contribuir para dar um empurrãozinho nessa direcção (ou então ajudarem a dar um empurrãozito dali para fora a esta Direcção).
Quanto ao Sporting, não posso fazer comentários: não percebo o suficiente futebol, nem leio A Bola, nem estou suficiente informado para comentar. Mas que quando vi a notícia arregalei os olhos, lá isso arregalei.
Parece que o PSD se está a habituar demasiado depressa ao tachito, aos jobs for the boys e a todas as amenidades decorrentes do partido estar confortavelmente sentado - nem que seja só por mais dois anos - na cadeirita do poder. Da forma que somos governados, a cadeira do poder qualquer dia passa a banco e deste a tapete ruço. Esperava ver, para além de Marques Mendes, todas as outras vozes críticas, como Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa ou José Pacheco Pereira, levantarem-se e apontarem o que está mal, o deve ser modificado e o que merece ser mantido e, principalmente, dizerem em que direcção deve o país ir e como pode o PSD contribuir para dar um empurrãozinho nessa direcção (ou então ajudarem a dar um empurrãozito dali para fora a esta Direcção).
Quanto ao Sporting, não posso fazer comentários: não percebo o suficiente futebol, nem leio A Bola, nem estou suficiente informado para comentar. Mas que quando vi a notícia arregalei os olhos, lá isso arregalei.
November 12, 2004
dores
Dizem os media nacionais que 39% dos trabalhadores têm dores nas costas. Por más posições de trabalho.
Se calhar também por estarem habituados a vergarem-se constantemente, a terem pouca espinha.
O trabalhador português médio prefere passar o tempo a ver a Quinta das Vacas Loucas (ou das Celebridades, como preferirem), em vez de perder um bocadinho desse tempo a informar-se sobre os seus direitos, a renovar os seus conhecimentos de forma a subir na carreira, a melhorar o seu grau cultural de maneira ser melhor trabalhador e, também, melhor pessoa. Prefere muitas vezes passar horas no escritório/loja/linha de montagem a reclamar contra o patronato, o sistema e as horas a que passam os episódios da Quinta, em vez de reclamar melhores condições, ou a ser melhor funcionário para justificar essa melhoria de condições.
Obviamente que o "patronato" prefere o status quo: é mais fácil e sai mais barato não investir em boas condições de trabalho para os seus assalariados. Principalmente porque estes nunca sabem ao que têm direito. Mas se "as massas" fizerem o pequeno esforço de informarem, quer o patrão queira, quer não, tem de dar essas condições mínimas de trabalho e de segurança.
Daí a importância dos sindicatos que, em vez de se consumirem em lutas internas pelo poder, ou de servirem meramente de trampolim para voos políticos mais altos, deveriam ajudar a formar e informar quem, teoricamente, defendem. Para as entidades empregadoras seria muito útil que assim fosse, porque uma empresa, seja qual for o seu ramo, só tem a lucrar com trabalhadores satisfeitos e bem formados, quer em termos de produtividade quer em termos de sobrevivência perante a concorrência a longo prazo.
Mas, como em tudo, continuamos a ser um povo de vistas curtas.
Se calhar também por estarem habituados a vergarem-se constantemente, a terem pouca espinha.
O trabalhador português médio prefere passar o tempo a ver a Quinta das Vacas Loucas (ou das Celebridades, como preferirem), em vez de perder um bocadinho desse tempo a informar-se sobre os seus direitos, a renovar os seus conhecimentos de forma a subir na carreira, a melhorar o seu grau cultural de maneira ser melhor trabalhador e, também, melhor pessoa. Prefere muitas vezes passar horas no escritório/loja/linha de montagem a reclamar contra o patronato, o sistema e as horas a que passam os episódios da Quinta, em vez de reclamar melhores condições, ou a ser melhor funcionário para justificar essa melhoria de condições.
Obviamente que o "patronato" prefere o status quo: é mais fácil e sai mais barato não investir em boas condições de trabalho para os seus assalariados. Principalmente porque estes nunca sabem ao que têm direito. Mas se "as massas" fizerem o pequeno esforço de informarem, quer o patrão queira, quer não, tem de dar essas condições mínimas de trabalho e de segurança.
Daí a importância dos sindicatos que, em vez de se consumirem em lutas internas pelo poder, ou de servirem meramente de trampolim para voos políticos mais altos, deveriam ajudar a formar e informar quem, teoricamente, defendem. Para as entidades empregadoras seria muito útil que assim fosse, porque uma empresa, seja qual for o seu ramo, só tem a lucrar com trabalhadores satisfeitos e bem formados, quer em termos de produtividade quer em termos de sobrevivência perante a concorrência a longo prazo.
Mas, como em tudo, continuamos a ser um povo de vistas curtas.
November 06, 2004
criancices
Hoje comprei um DVD para os meus filhos. Shrek 2.
Para ser completamente honesto, só em parte é que o comprei para eles: em grande parte comprei-o para eu o poder rever (vi-o no cinema, acompanhado de um balde de pipocas formato jumbo e uma coca-cola).
A maior parte dos meus amigos acha que eu sou completamente tontinho, por gostar do Finding Nemo, ou de ler o Harry Potter, ou de me desmanchar a rir com o velhinho Bugs Bunny - ou, como diria o Vasco Granja, o Pernalonga.
Na verdade, aquilo que me fascina nas estórias para crianças, é o processo imaginativo. Por isso é que não gostei assim muito dos filmes do Senhor dos Anéis: quando li a trilogia - mais o Hobbit, o Silmarillion, as Unfinished Tales e todos os outros - vi os livros; todo aquele universo de Tolkien era (e é) quase real, os elfos altos (sem orelhas ponteagudas) e sérios, os orcs deformados por fora e por dentro, Eressëa branca e luminosa. Claro que o filme não respeita a minha versão visual e, logo, foi uma desilusão.
Por vezes tenho pena dos adultos, que para o serem acham que devem ver Wim Wenders e ler Proust, apenas, esquecendo-se que por vezes faz falta trabalhar o musculozinho da imaginação e da criancice, aquele que nos permite sonhar e ser um bocadinho mais felizes (e menos chatos).
Para ser completamente honesto, só em parte é que o comprei para eles: em grande parte comprei-o para eu o poder rever (vi-o no cinema, acompanhado de um balde de pipocas formato jumbo e uma coca-cola).
A maior parte dos meus amigos acha que eu sou completamente tontinho, por gostar do Finding Nemo, ou de ler o Harry Potter, ou de me desmanchar a rir com o velhinho Bugs Bunny - ou, como diria o Vasco Granja, o Pernalonga.
Na verdade, aquilo que me fascina nas estórias para crianças, é o processo imaginativo. Por isso é que não gostei assim muito dos filmes do Senhor dos Anéis: quando li a trilogia - mais o Hobbit, o Silmarillion, as Unfinished Tales e todos os outros - vi os livros; todo aquele universo de Tolkien era (e é) quase real, os elfos altos (sem orelhas ponteagudas) e sérios, os orcs deformados por fora e por dentro, Eressëa branca e luminosa. Claro que o filme não respeita a minha versão visual e, logo, foi uma desilusão.
Por vezes tenho pena dos adultos, que para o serem acham que devem ver Wim Wenders e ler Proust, apenas, esquecendo-se que por vezes faz falta trabalhar o musculozinho da imaginação e da criancice, aquele que nos permite sonhar e ser um bocadinho mais felizes (e menos chatos).
feitios
Devo confessar uma coisa: sou das pessoas mais egoístas que existem. Pim. Sou assim e não há nada a fazer. Apesar da idade, acho que não tenho a menor hipótese de cura.
Ou pelo menos, assim pensava.
A verdade é que ultimamente tenho-me surpreendido enormemente. Ao longo da minha vida, tenho sido egoísta relativamente a pais, amigos, cães, mulheres, trabalho... tudo. Mas, para minha surpresa, não o consigo ser perante os meus filhos. Por eles tenho feito os maiores sacrifícios e engolido os maiores sapos (que não são assim tão maus... com ketchup tudo se engole). Foi uma surpresa. Uma enorme e excelente surpresa. Talvez isto signifique que, afinal, ainda há uma réstia de esperança para o bruto ofensivo que sou.
Afinal, a idade ajuda.
Ou pelo menos, assim pensava.
A verdade é que ultimamente tenho-me surpreendido enormemente. Ao longo da minha vida, tenho sido egoísta relativamente a pais, amigos, cães, mulheres, trabalho... tudo. Mas, para minha surpresa, não o consigo ser perante os meus filhos. Por eles tenho feito os maiores sacrifícios e engolido os maiores sapos (que não são assim tão maus... com ketchup tudo se engole). Foi uma surpresa. Uma enorme e excelente surpresa. Talvez isto signifique que, afinal, ainda há uma réstia de esperança para o bruto ofensivo que sou.
Afinal, a idade ajuda.
November 05, 2004
prontos...
Prontos... Bush ganhou. Acabou-se o suspense. Começou uma nova espera de quatro anos. À espera de melhores dias.
November 02, 2004
imagem
Não era a intenção de Henri Cartier-Bresson, de certeza, mas o título bem que poderia ser Europeus à espreita dos resultados das eleições dos EUA.
é hoje! é hoje!
É hoje que os americanos vão a votos. Não é hoje que se fica a saber quem ganha, infelizmente: se o verborreico e complicadíssimo Kerry, se o George W(ish I had a brain) Bush. Por um lado porque a contagem dos votos se prevê de novo complicada, por outro porque o processo eleitoral americano é muito estranho - pelo menos para mim. Para quem quiser tentar perceber o método eleitoral americano, vá ao Diário Digital. Sinceramente, não me parece um processo muito democrático, mas quem sou eu para estar com coisas?
Seja qual for o resultado, não me parece que venham a haver muitas diferenças na política americana nos próximos tempos. Se Bush ganhar, a política vai ser concerteza a mesma: autista e desligada do mundo real; se Kerry chegar ao poder, vai ter tanto nó para desatar (o Iraque, o estado da economia, o défice...) que vamos ter mais do mesmo durante algum tempito. Não me parece, no entanto, que seja indiferente quem ganhe, apesar do que disse antes: o simples facto de Kerry ganhar poderá trazer algum desanuviamento generalizado, que talvez se venha a reflectir na economia global, nos preços do petróleo e nas relações internacionais. Talvez.
Seja qual for o resultado, não me parece que venham a haver muitas diferenças na política americana nos próximos tempos. Se Bush ganhar, a política vai ser concerteza a mesma: autista e desligada do mundo real; se Kerry chegar ao poder, vai ter tanto nó para desatar (o Iraque, o estado da economia, o défice...) que vamos ter mais do mesmo durante algum tempito. Não me parece, no entanto, que seja indiferente quem ganhe, apesar do que disse antes: o simples facto de Kerry ganhar poderá trazer algum desanuviamento generalizado, que talvez se venha a reflectir na economia global, nos preços do petróleo e nas relações internacionais. Talvez.
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