December 05, 2005
coisas...
Porque é que quando durmo pouco na noite anterior, passo o santo dia a fazer xixi? Será que a próstata incha de sono?
November 28, 2005
nota ao post anterior
No post anterior atrevi-me a falar da questão do aeroporto - não da Ota em si, mas de um putativo novo aeroporto. Creio que deixei claro porque acho perfeitamente asinino manter a Portela. Aquilo que não ficou claro foi a minha opinião quanto à localização, e acho que o devo fazer.
Um aeroporto a Sul do Tejo (a Sul mas apenas a 40/50 km) pode dinamizar toda a região industrial de Setúbal, Sines, etc., bem como facilitar a circulação turística do Alentejo e por aí fora.
Mas como é lógico, há uma condição sine qua non para esta escolha geográfica: há que requalificar, modernizar, aumentar e, acima de tudo, estabelecer uma nova estratégia para o aeroporto das Pedras Rubras. Nenhum novo aeroporto, a meu ver, deve retirar importância ao aeroporto do Porto (digam este bocado muito depressa), tendo em contas as aspirações (válidas e realistas) desta cidade relativamente à sua importância dentro do norte da Península Ibérica. Ao colocarmos um novo aeroporto a Norte de Lisboa estamos inevitavelmente a subalternizar o aeroporto do Porto e, indirectamente, a própria cidade. Se esta aspira a liderar economicamente a região norte da Península estamos a retirar-lhe uma mais-valia importante.
Daí achar que o aeroporto de Lisboa deve ficar a Sul ou a Este da cidade.
PS: eu sei que o aeroporto do Porto se chama Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas embirro um bocado com esta mania de rebaptizar locais que já têm nome enraizados, como Aeroporto das Pedras Rubras, Praça do Areeiro ou Ponte Salazar. Um dia falo disto.
Um aeroporto a Sul do Tejo (a Sul mas apenas a 40/50 km) pode dinamizar toda a região industrial de Setúbal, Sines, etc., bem como facilitar a circulação turística do Alentejo e por aí fora.
Mas como é lógico, há uma condição sine qua non para esta escolha geográfica: há que requalificar, modernizar, aumentar e, acima de tudo, estabelecer uma nova estratégia para o aeroporto das Pedras Rubras. Nenhum novo aeroporto, a meu ver, deve retirar importância ao aeroporto do Porto (digam este bocado muito depressa), tendo em contas as aspirações (válidas e realistas) desta cidade relativamente à sua importância dentro do norte da Península Ibérica. Ao colocarmos um novo aeroporto a Norte de Lisboa estamos inevitavelmente a subalternizar o aeroporto do Porto e, indirectamente, a própria cidade. Se esta aspira a liderar economicamente a região norte da Península estamos a retirar-lhe uma mais-valia importante.
Daí achar que o aeroporto de Lisboa deve ficar a Sul ou a Este da cidade.
PS: eu sei que o aeroporto do Porto se chama Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas embirro um bocado com esta mania de rebaptizar locais que já têm nome enraizados, como Aeroporto das Pedras Rubras, Praça do Areeiro ou Ponte Salazar. Um dia falo disto.
November 27, 2005
voos
Não percebo nada de aviões. Ou de avionetas. Helicópteros então são um mistério absoluto, classificados na minha turtuosa mentezinha ao lado de mitos como dragões e arroz solto e seco. Mas o senso comum diz-me que haver um aeroporto no meio de uma cidade de quase um milhão de habitantes é um convite (sem RSVP) ao desastre do outro mundo. Assim, não percebo pelo menos metade desta polémica em torno da Ota. É mais ou menos óbvio que, qualquer que seja a sua capacidade, a Portela não pode existir enquanto aeroporto, aeródromo ou pista de aeromodelismo. Por muito que se diga que a sua desactivação vai afectar a cidade, o turismo e os pastéis de belém, basta considerar que as consequências de qualquer acidente vão afectar Lisboa e os seus habitantes muito mais do que a dita ida do aeroporto para Monção ou coisa que o valha.
Aquilo que se pode, e deve, discutir, é se a Ota é a melhor localização para um aeroporto internacional. Pormenores técnicos à parte, os quais nem tento perceber, parece-me que seria melhor ter o aeroporto a Sul do Tejo, e não a Norte. Por questões sociológicas e de desenvolvimento regional. A Norte existe Pedras Rubras, ainda válido como aeroporto. A Sul não há nada. Também não há, é certo, infraestruturas viárias credíveis que permitam que o fluxo de tráfego gerado por um aeroporto internacional ocorra ordenadamente, por exemplo (basta ver as filas matinais de acesso à ponte sobre o Tejo). Mas talvez valesse a pena considerar estes factores - o desenvolvimento global do país - principalmente porque estamos a falar de um investimento milionário.
Aquilo que se pode, e deve, discutir, é se a Ota é a melhor localização para um aeroporto internacional. Pormenores técnicos à parte, os quais nem tento perceber, parece-me que seria melhor ter o aeroporto a Sul do Tejo, e não a Norte. Por questões sociológicas e de desenvolvimento regional. A Norte existe Pedras Rubras, ainda válido como aeroporto. A Sul não há nada. Também não há, é certo, infraestruturas viárias credíveis que permitam que o fluxo de tráfego gerado por um aeroporto internacional ocorra ordenadamente, por exemplo (basta ver as filas matinais de acesso à ponte sobre o Tejo). Mas talvez valesse a pena considerar estes factores - o desenvolvimento global do país - principalmente porque estamos a falar de um investimento milionário.
November 19, 2005
profissionalismo
Um estudo da Markteste, relativo à cobertura jornalística dos vários candidatos na TV, revela os seguintes dados:
1. Jerónimo de Sousa: 227 notícias, 8:12:38 h:m:s
2. Francisco Louçã: 189 notícias, 6:52:04 h:m:s
3. Mário Soares: 156 notícias, 6:19:51 h:m:s
4. Manuel Alegre: 104 notícias, 5:00:35 h:m:s
5. Cavaco Silva: 85 notícias 3:44:29 h:m:s
Assim se percebe facilmente o grau de imparcialidade, e por consequência de profissionalismo, dos jornalistas nacionais. Além de não compreenderem que é mais importante (e nobre) informar do que opinar, nem sequer conseguem colocar as suas convicções no saco quando o fazem.
Maus. Somos realmente muito maus naquilo tudo, ou quase, que fazemos.
1. Jerónimo de Sousa: 227 notícias, 8:12:38 h:m:s
2. Francisco Louçã: 189 notícias, 6:52:04 h:m:s
3. Mário Soares: 156 notícias, 6:19:51 h:m:s
4. Manuel Alegre: 104 notícias, 5:00:35 h:m:s
5. Cavaco Silva: 85 notícias 3:44:29 h:m:s
Assim se percebe facilmente o grau de imparcialidade, e por consequência de profissionalismo, dos jornalistas nacionais. Além de não compreenderem que é mais importante (e nobre) informar do que opinar, nem sequer conseguem colocar as suas convicções no saco quando o fazem.
Maus. Somos realmente muito maus naquilo tudo, ou quase, que fazemos.
November 17, 2005
competitividade versus anormalidade
Segundo o Diário de Notícias (não me apetece pôr o link), a nossa Ministra da Educação teve uma ideia brilhante. Passo a citar:
"Os conselhos pedagógicos das escolas terão o poder de fazer passar de ano, numa 'avaliação extraordinária', estudantes repetentes que se encontrem em vias de voltar a reprovar. A medida (...) vem definir um conjunto de estratégias para combater o insucesso e o abandono escolar no ensino básico, que leva a que, anualmente, entre 15 e 17 mil alunos deixem a escola sem terminarem o 9.º ano."
Como disse, uma brilhante ideia. Uma ideia polidinha, bonitinha, feita à medida da limpeza das estatísticas que demonstram o país de broncos que somos. Prosseguindo este brilhante raciocínio, talvez fosse melhor passar todos os alunos administrativamente até ao 12º ano ou, melhor ainda, assim que uma criança nasce o Registo Civil oferece a Cédula Pessoal e o Diploma dos Liceus, ficando Portugal visto como o país com a melhor instrução do mundo inteiro (e arredores).
O problema é que Portugal padece, na realidade, de uma falta de Educação confrangedora. Falta de Educação essa que nos coloca atrás do Burkina Faso em termos de competitividade e que faz com que sejamos preteridos sempre que uma multinacional se deseja estabelecer nas redondezas, fazendo também com que as empresas portuguesas tenham uma capacidade de crescimento e internacionalização idênticas às empresas do Butão.
Esta falta de Educação, além daquilo que implica em termos empresariais, tem consequências civilizacionais bem mais graves, fazendo com que poucos cidadãos compreendam um texto escrito - seja notícia ou programa eleitoral - ou um simples discurso de político-de-vão-de-escada, implicando uma democracia coxa e pouco participativa.
Isto simplificando o problema.
Aquilo que a Sra. D. Ministra devia de fazer é exactamente o inverso: subir o grau de exigência do ensino, formar professores dignos desse nome, criar mecanismos de assistência a alunos com dificuldades de aprendizagem, reformar os estabelecimentos de ensino a nível de equipamentos, avaliar com rigor professores e escolas... mas tudo isto é difícil, leva tempo a concretizar e, muito honestamente, as estatísticas iriam ficar na mesma durante mais algum tempo.
Algo me diz que a ministra também passou administrativamente no curso...
"Os conselhos pedagógicos das escolas terão o poder de fazer passar de ano, numa 'avaliação extraordinária', estudantes repetentes que se encontrem em vias de voltar a reprovar. A medida (...) vem definir um conjunto de estratégias para combater o insucesso e o abandono escolar no ensino básico, que leva a que, anualmente, entre 15 e 17 mil alunos deixem a escola sem terminarem o 9.º ano."
Como disse, uma brilhante ideia. Uma ideia polidinha, bonitinha, feita à medida da limpeza das estatísticas que demonstram o país de broncos que somos. Prosseguindo este brilhante raciocínio, talvez fosse melhor passar todos os alunos administrativamente até ao 12º ano ou, melhor ainda, assim que uma criança nasce o Registo Civil oferece a Cédula Pessoal e o Diploma dos Liceus, ficando Portugal visto como o país com a melhor instrução do mundo inteiro (e arredores).
O problema é que Portugal padece, na realidade, de uma falta de Educação confrangedora. Falta de Educação essa que nos coloca atrás do Burkina Faso em termos de competitividade e que faz com que sejamos preteridos sempre que uma multinacional se deseja estabelecer nas redondezas, fazendo também com que as empresas portuguesas tenham uma capacidade de crescimento e internacionalização idênticas às empresas do Butão.
Esta falta de Educação, além daquilo que implica em termos empresariais, tem consequências civilizacionais bem mais graves, fazendo com que poucos cidadãos compreendam um texto escrito - seja notícia ou programa eleitoral - ou um simples discurso de político-de-vão-de-escada, implicando uma democracia coxa e pouco participativa.
Isto simplificando o problema.
Aquilo que a Sra. D. Ministra devia de fazer é exactamente o inverso: subir o grau de exigência do ensino, formar professores dignos desse nome, criar mecanismos de assistência a alunos com dificuldades de aprendizagem, reformar os estabelecimentos de ensino a nível de equipamentos, avaliar com rigor professores e escolas... mas tudo isto é difícil, leva tempo a concretizar e, muito honestamente, as estatísticas iriam ficar na mesma durante mais algum tempo.
Algo me diz que a ministra também passou administrativamente no curso...
November 12, 2005
November 11, 2005
involuçao
Segundo as notícias, os manuais escolares do estado do Kansas vão poder por em causa a teoria da evolução.
É daquelas notícias que, em tempos normais, me fariam rir a bandeiras despregadas e gozar com os americanos durante pelo menos três semanas. Em tempos normais.
Nestes tempos a notícia alarma-me um bocadito. A teoria da evolução, que Darwin postulou em mil oitocentos e troca o passo, em resultado das suas observações em Inglaterra e durantes as viagens do Beagle, tem vindo a ser (a)provada desde essa altura. Hoje em dia, graças aos avanços em matéria de genética, a teoria não só está mais que provada como há um novo campo de investigação que a demonstra inequivocamente. Como é então possível que seja posta em causa na nação que mais investe em investigação científica, que mais prémios Nobel ganha, que tem das universidades mais reputadas do mundo inteiro, que tem o mais generalizado acesso à internet e à informação em geral?
Que os Estados Unidos são um país de contrastes sociais, é óbvio. Mas são também uma referência para todo o mundo - e principalmente para a velha Europa, que os tenta emular em tudo. Este tipo de atitudes pode vir a ter ecos deste lado do mundo. Se a recrudescência religiosa começa a surgir lá, pode-se alastrar por aqui. E todos conhecemos aquilo que a Europa fez em nome da religião.
É daquelas notícias que, em tempos normais, me fariam rir a bandeiras despregadas e gozar com os americanos durante pelo menos três semanas. Em tempos normais.
Nestes tempos a notícia alarma-me um bocadito. A teoria da evolução, que Darwin postulou em mil oitocentos e troca o passo, em resultado das suas observações em Inglaterra e durantes as viagens do Beagle, tem vindo a ser (a)provada desde essa altura. Hoje em dia, graças aos avanços em matéria de genética, a teoria não só está mais que provada como há um novo campo de investigação que a demonstra inequivocamente. Como é então possível que seja posta em causa na nação que mais investe em investigação científica, que mais prémios Nobel ganha, que tem das universidades mais reputadas do mundo inteiro, que tem o mais generalizado acesso à internet e à informação em geral?
Que os Estados Unidos são um país de contrastes sociais, é óbvio. Mas são também uma referência para todo o mundo - e principalmente para a velha Europa, que os tenta emular em tudo. Este tipo de atitudes pode vir a ter ecos deste lado do mundo. Se a recrudescência religiosa começa a surgir lá, pode-se alastrar por aqui. E todos conhecemos aquilo que a Europa fez em nome da religião.
November 10, 2005
ciberespaço
Ele há coisas giras.
Os meus dois últimos posts, escritos com carinho, verve, audácia e uma verborreia insana estão, neste momento, num qualquer lar para posts abandonados, nos perdidos & achados da web pelo menos. Como disse, escrevi-os, postei-os e, confiante de que encontrariam o seguro caminho da sua casinha, abandonei-os à sua sorte. Para minha surpresa, da última vez que vim visitar o blog(ue) não lhes consegui pôr a vista em cima. Procurei por toda a parte, chamei-os pelo nome, fui às informações e autoridades e... nada. Zero. Nicles.
Paz às suas almitas.
Os meus dois últimos posts, escritos com carinho, verve, audácia e uma verborreia insana estão, neste momento, num qualquer lar para posts abandonados, nos perdidos & achados da web pelo menos. Como disse, escrevi-os, postei-os e, confiante de que encontrariam o seguro caminho da sua casinha, abandonei-os à sua sorte. Para minha surpresa, da última vez que vim visitar o blog(ue) não lhes consegui pôr a vista em cima. Procurei por toda a parte, chamei-os pelo nome, fui às informações e autoridades e... nada. Zero. Nicles.
Paz às suas almitas.
November 07, 2005
Canalha

Antes de mais, devo agradecer ao Às Duas por Três pelo link e pela notícia. A seguir devo dizer o seguinte do Sr. Alberto Costa, excelso ministro da república: ou é uma besta ignorante ou um gatuno de primeira água.
Pagar 3 254,00€ por mês mais subsídio de refeição pela actualização de um site deste calibre apenas permite formular estas duas hipóteses. 650 contos na moedinha antiga para actualizar um site que é só texto? Uma coisa que, em front end, se faz em menos de 5 minutos? Nem a gozar!
Há muitos designers, programadores e outros do ramo que fariam o site completo por um valor semelhante e ainda ofereciam o hosting, o registo de domínio e, tempos de crise como este, o belo do traseiro.
É incrível como o sentimento de impunidade dos políticos profissionais chegou tão longe, permitindo-se aldrabices deste tamanho todo...
October 30, 2005
EDP
Sou um privilegiado. Moro numa da zonas mais agradáveis de Portugal Continental: no Concelho de Sintra, onde acaba a estrada de Monserrate. Moro no meio de pinheiros, acácias, carvalhos, plátanos e castanheiros. Apesar de me encontrar a uma mera vintena e meia de quilómetros da Capital, o ambiente que me rodeia é aldeão, onde todos se conhecem e se reúnem no cafézito local para assistir ao Benfica x Porto entre gritos, apupos, palavrões, copos e risos.
Aldeola pequena e rústica, soube acolher uma enorme comunidade eslava sem atritos e já com laços de amizade. É comum, no decorrer dos jogos importantes, entre o habitual "passa a bola, cabrão!", ouvir um arrevesado "Fuóda-ze! passa o bola!". Aliás, no decorrer do café matinal tomado antes de enfrentar o trânsito caótico, apercebi-me de um diálogo entre dois ucranianos ou coisa que o valha, em que um afirmava qualquer coisa como "... zdradzvuitsie na voda zdarovia...", ao que o segundo respondeu, numa pose tipicamente lusa, "fuóóódaze...!", que diz tudo. Não me admiraria que a cultura que deixou no Império do Sol Nascente o comum "arigato", e deixou pelo mundo inteiro inúmeras formas do vocábulo "laranja", deixasse agora uma contribuição indelével no vocabulário eslavo, passando-se a ouvir de Kiev a Vladivostok expressões como "fuódaze na zdarovie, tovarich" ou coisa do género.
Voltando ao tema. Apesar de habitar uma terreola, esta encontra-se dentro do raio de acção da Metrópole, o que significa estradas do século XX (ou pelo menos do final do século XIX), TV Cabo, cobertura imaculada de rede de telemóvel, centro de saúde, correios, farmácia e toda a restante palafernália da Civilização. Com uma excepção. O serviço da EDP!
Numa terra onde, quando chove, o céu não chora como dizia o poeta, mas faz birras dignas da minha filha de sete anos, basta a cargazita d'água costumeira para ficarmos todos à luz da vela, petromax ou da porcaria da lanterna para qual me esqueço sempre de comprar as pilhas. Faz algum sentido que uma empresa que tem um lucro anual astronómico não se dedique a actualizar as centrais transformadoras, cablagens e restantes gigajogas que permitam ao comum mortal não ouvir um trovão e desatar a correr feito maníaco à procura do coto de vela que sobrou do apagão da semana anterior?
Valerá a pena falar de produtividade com estes exemplos?
Aldeola pequena e rústica, soube acolher uma enorme comunidade eslava sem atritos e já com laços de amizade. É comum, no decorrer dos jogos importantes, entre o habitual "passa a bola, cabrão!", ouvir um arrevesado "Fuóda-ze! passa o bola!". Aliás, no decorrer do café matinal tomado antes de enfrentar o trânsito caótico, apercebi-me de um diálogo entre dois ucranianos ou coisa que o valha, em que um afirmava qualquer coisa como "... zdradzvuitsie na voda zdarovia...", ao que o segundo respondeu, numa pose tipicamente lusa, "fuóóódaze...!", que diz tudo. Não me admiraria que a cultura que deixou no Império do Sol Nascente o comum "arigato", e deixou pelo mundo inteiro inúmeras formas do vocábulo "laranja", deixasse agora uma contribuição indelével no vocabulário eslavo, passando-se a ouvir de Kiev a Vladivostok expressões como "fuódaze na zdarovie, tovarich" ou coisa do género.
Voltando ao tema. Apesar de habitar uma terreola, esta encontra-se dentro do raio de acção da Metrópole, o que significa estradas do século XX (ou pelo menos do final do século XIX), TV Cabo, cobertura imaculada de rede de telemóvel, centro de saúde, correios, farmácia e toda a restante palafernália da Civilização. Com uma excepção. O serviço da EDP!
Numa terra onde, quando chove, o céu não chora como dizia o poeta, mas faz birras dignas da minha filha de sete anos, basta a cargazita d'água costumeira para ficarmos todos à luz da vela, petromax ou da porcaria da lanterna para qual me esqueço sempre de comprar as pilhas. Faz algum sentido que uma empresa que tem um lucro anual astronómico não se dedique a actualizar as centrais transformadoras, cablagens e restantes gigajogas que permitam ao comum mortal não ouvir um trovão e desatar a correr feito maníaco à procura do coto de vela que sobrou do apagão da semana anterior?
Valerá a pena falar de produtividade com estes exemplos?
October 23, 2005
Bloguices
A maior parte dos blogues, ou pelo menos a maior parte daqueles que frequento, são espaços de opinião e, acima de tudo, de discussão. Os "proprietários" postam e deixam um link em baixo - em cima, ao lado - para os visitantes opinarem ou dizerem disparates, havendo normalmente resposta ou justificação do autor. Não sendo este o caso, há um link de e-mail para o leitor enviar um comentário, saudação ou insulto.
Esta é a grande virtude do blogue relativamente aos media tradicionais: pode-se discutir em tempo real uma ideia, ler o que pensam os outros visitantes e, separando o trigo do inevitável joio, aprender qualquer coisita.
Quando me apercebi do fenómeno blog, lá para 2003, nunca me ocorreu consultar diariamente uma lista extensa de colunistas mais ou menos amadores, e muito menos me ocorreu criar e escrever num espaço deste tipo. Mas aos poucos apercebi-me daquilo que estava a perder, pelo menos enquanto leitor: uma visão multifacetada da realidade e da sociedade em que me insiro, opinativa e informada, que me permite aprender e manter-me informado praticamente sem o menor esforço - o que para um calão inveterado como eu não tem preço.
Há, claro, uma excepção: os blogues dos "políticos profissionais". Têm tudo o que os blogues têm (imagens, textos curtos, opiniões e disparates q.b.) menos aquilo que faz de um blogue um verdadeiro blogue: o espaço que permite a resposta, comentário, insulto ou disparate.
Isto acontece provavelmente porque o "político profissional" desta abençoada terrinha, pequenino de mente e de espírito, acha que não precisa de ouvir a opinião da "plebe", cheio que que está da sua razão e verdade. O Super Mário cabe inteiramente nesta categoria autista. Ao criticar e ridicularizar os candidatos concorrentes do Super Candidato sem permitir contestação ou direito de resposta reduziu-se à mais inútil forma de Comunicação da sociedade moderna: a publicidade.
Esta é a grande virtude do blogue relativamente aos media tradicionais: pode-se discutir em tempo real uma ideia, ler o que pensam os outros visitantes e, separando o trigo do inevitável joio, aprender qualquer coisita.
Quando me apercebi do fenómeno blog, lá para 2003, nunca me ocorreu consultar diariamente uma lista extensa de colunistas mais ou menos amadores, e muito menos me ocorreu criar e escrever num espaço deste tipo. Mas aos poucos apercebi-me daquilo que estava a perder, pelo menos enquanto leitor: uma visão multifacetada da realidade e da sociedade em que me insiro, opinativa e informada, que me permite aprender e manter-me informado praticamente sem o menor esforço - o que para um calão inveterado como eu não tem preço.
Há, claro, uma excepção: os blogues dos "políticos profissionais". Têm tudo o que os blogues têm (imagens, textos curtos, opiniões e disparates q.b.) menos aquilo que faz de um blogue um verdadeiro blogue: o espaço que permite a resposta, comentário, insulto ou disparate.
Isto acontece provavelmente porque o "político profissional" desta abençoada terrinha, pequenino de mente e de espírito, acha que não precisa de ouvir a opinião da "plebe", cheio que que está da sua razão e verdade. O Super Mário cabe inteiramente nesta categoria autista. Ao criticar e ridicularizar os candidatos concorrentes do Super Candidato sem permitir contestação ou direito de resposta reduziu-se à mais inútil forma de Comunicação da sociedade moderna: a publicidade.
October 22, 2005
heroísmo

Agora já vi tudo na vida!
Há coisas na política que me fazem corar de raiva, outras fazem-me sorrir de ironia e a maior parte faz-me levar as mãos à cabeça de desespero. Mas pela primeira vez desatei-me a rir que nem um maníaco, apenas por puro divertimento. Tudo à conta de um novo habitante da blogosfera: o Super-Bochechas!
Assim que abri a página desatei a imaginar o Super-Candidato a combater os males de Tugópolis e todos os Vilões com os seus super-poderes insuperáveis: o golpe da bochecha-de-longo-alcance, o ataque da arrastadeira-voadora e o particularmente violento e mortífero ataque da super-dentadura-postiça.
Não me parece uma forma muito inteligente de promover um candidato presidencial porque o cargo obriga a uma certa dignidade por representar o país, e porque nesta altura do campeonato os políticos já estão suficientemente descredibilizados sem ser necessário apresentarem-se como um bigoduço cozinheiro de pizzas, que colecciona moedas por desporto.
October 21, 2005
cavaquismo
Cavaco Silva anunciou hoje, formalmente, a sua candidatura a Belém. Informalmente, já o tinha feito há cinco ou seis anos durante o consulado de Guterres, com a famosa frase do "monstro". Não foi, portanto, uma surpresa. É, apesar de tudo, uma boa notícia para quem acha que o país ainda terá uma putativa salvação.
Confesso que nunca fui um cavaquista. À excepção da sua primeira eleição, onde obteve a primeira maioria absoluta, nunca mais votei no homem... embirrava com o estilo, com a forma crispada de falar, com a baba ao canto da boca em plena RTP, com os tiques de autoritarismo.
Hoje, mais velho e (espero) mais sensato, e olhando em retrospectiva, percebo que foi o melhor PM que Portugal teve desde o Marquês de Pombal. Durante os seus 12 anos de Governo Portugal cresceu como nunca, desenvolvendo-se quase ao ponto de se tornar um país europeu. Apesar dos muitos erros feitos - privilegiar a construção de infraestruturas em detrimento da educação e formação, por exemplo - é inegável que o homem fez o país crescer como nunca. Talvez por isso acho importante ir votar no senhor de novo (eu que nunca voto em presidenciais), para ver se há alguém, unzinho que seja, sério no Poder.
Confesso que nunca fui um cavaquista. À excepção da sua primeira eleição, onde obteve a primeira maioria absoluta, nunca mais votei no homem... embirrava com o estilo, com a forma crispada de falar, com a baba ao canto da boca em plena RTP, com os tiques de autoritarismo.
Hoje, mais velho e (espero) mais sensato, e olhando em retrospectiva, percebo que foi o melhor PM que Portugal teve desde o Marquês de Pombal. Durante os seus 12 anos de Governo Portugal cresceu como nunca, desenvolvendo-se quase ao ponto de se tornar um país europeu. Apesar dos muitos erros feitos - privilegiar a construção de infraestruturas em detrimento da educação e formação, por exemplo - é inegável que o homem fez o país crescer como nunca. Talvez por isso acho importante ir votar no senhor de novo (eu que nunca voto em presidenciais), para ver se há alguém, unzinho que seja, sério no Poder.
October 19, 2005
futurologia
O nosso PM referiu uma vacina que afinal não existe. Será que todos os outros assuntos de estado são tratados com a mesma ligeireza? Ou será que já foi atacado pela gripe das aves?
October 14, 2005
October 10, 2005
eleições
Primeira (e talvez única) nota sobre as Autárquicas: os discursos repugnantes de Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro após as respectivas vitórias nas urnas, e o "descuido" de Mário Soares à porta da assembleia de voto. Os três casos demonstram como a Democracia é relativa...
October 07, 2005
hi-ho
Lá vamos nós, Domingo, a uma hora confortável e de preferência com pouco tráfego, cumprir o ritual velhinho de trinta anos de introduzir uns pedacitos de papel dobrados em quatro numa caixita com uma ranhura no topo.
A partir das 19:00h do dito dia, uns senhores com ar solene vão abrir a dita caixinha e contar os papelitos (convém dizer que, apesar da caixita se chamar "urna", os senhores não são coveiros), ver a posição das cruzinhas nos papelitos, anunciar os resultados mesa de voto a mesa de voto, freguesia a freguesia, concelho a concelho, distrito a distrito. As televisões, cansadas de tufões, terramotos e explosões, vão acompanhar sofregamente este contar passo-a-passo, indicando valores de sondagens e estudos, questionando técnicos, políticos e outros personagens apropriados, vão fazendo previsões e projecções, analisar cenários e no fim de tudo, anunciar o que mais importa:
Quem afinal ganhou o tacho!
Pela minha parte, tendo em conta que ambos os candidatos à direcção do Concelho já foram autarcas (um o vigente, o outro em Lisboa), tenho a tarefa facilitada em relação à escolha. Assim, irei atirar o meu papelito para dentro da caixita a meio da tarde, e a partir daí é um Domingo como os outros: brincadeira com os miúdos, bezerrar, boa música e um bom livro e, acima de tudo, nada de TV sem ser o Canal Disney. No dia seguinte irei saber quem é o novo presidente da CMS, com a mesma indiferença que saberei qual é o valor do barril de petróleo. Ambos os dados são irrelevantes: o último porque é a gasolineira que decide o preço da gasolina e não a OPEP, e o primeiro porque sei à partida que qualquer que seja o candidato vencedor a incompetência será a mesma, a má gestão idêntica ao mais ínfimo pormenor, os interesses a defender serão os pessoais e não os da comunidade e, por fim, que nada mudará na gestão autárquica nos próximos quatro anos como não mudou nos últimos quarenta.
A partir das 19:00h do dito dia, uns senhores com ar solene vão abrir a dita caixinha e contar os papelitos (convém dizer que, apesar da caixita se chamar "urna", os senhores não são coveiros), ver a posição das cruzinhas nos papelitos, anunciar os resultados mesa de voto a mesa de voto, freguesia a freguesia, concelho a concelho, distrito a distrito. As televisões, cansadas de tufões, terramotos e explosões, vão acompanhar sofregamente este contar passo-a-passo, indicando valores de sondagens e estudos, questionando técnicos, políticos e outros personagens apropriados, vão fazendo previsões e projecções, analisar cenários e no fim de tudo, anunciar o que mais importa:
Quem afinal ganhou o tacho!
Pela minha parte, tendo em conta que ambos os candidatos à direcção do Concelho já foram autarcas (um o vigente, o outro em Lisboa), tenho a tarefa facilitada em relação à escolha. Assim, irei atirar o meu papelito para dentro da caixita a meio da tarde, e a partir daí é um Domingo como os outros: brincadeira com os miúdos, bezerrar, boa música e um bom livro e, acima de tudo, nada de TV sem ser o Canal Disney. No dia seguinte irei saber quem é o novo presidente da CMS, com a mesma indiferença que saberei qual é o valor do barril de petróleo. Ambos os dados são irrelevantes: o último porque é a gasolineira que decide o preço da gasolina e não a OPEP, e o primeiro porque sei à partida que qualquer que seja o candidato vencedor a incompetência será a mesma, a má gestão idêntica ao mais ínfimo pormenor, os interesses a defender serão os pessoais e não os da comunidade e, por fim, que nada mudará na gestão autárquica nos próximos quatro anos como não mudou nos últimos quarenta.
October 06, 2005
Subscribe to:
Posts (Atom)




