February 10, 2006

estranhos hábitos

O Hmémnon desafiou-me a partilhar 5 estranhos hábitos meus. Não costumo embarcar neste tipo de coisas mas... vamos lá então.

(só um detalhe: não sei se são estranhos, mas que irritam muito boa gente, lá isso irritam.)

Um - nunca chego a horas seja onde for. O meu atraso já não é um hábito, é uma tradição.

Dos - nunca me lembro do nome das pessoas, a não ser que as conheça há já algum tempo. É muito normal uma conversa comigo começar com "Olá está bom?... aaaaahhhhentão o que tem feito?".

Trois - nunca saio de casa sem beber um café. Posso estar três quartos de hora atrasado mas sem cafeína é que não.

Quator - nunca leio traduções de livros dos quais compreenda a língua original. Passo por pedante mas não quero saber.

Five - nunca saio de casa sem tomar duche. Se só eu puder salvar o Mundo mas não houver água, podem dizer adeus à espécie humana.

Garanto que foi difícil escolher só cinco...

February 09, 2006

Não me apetece muito comentar a onda de estupidez asinina que corre em muitos países muçulmanos a propósito de uns quantos cartoons dinamarqueses. A intolerância, xenofobia, ignorância e outros epítetos do género são habituais nessas sociedades, portanto não vale a pena. O mundo islâmico regrediu muito desde a "nossa" Idade Média e vai levar muito tempo até aderir a outros tipos de organização social.

Não me apetece também comentar a propriedade da publicação de uns quantos cartoons. A sociedade europeia é, na sua generalidade, democrática e em democracia existe liberdade de expressão absoluta. Se os nossos cartonistas gozam com o Papa, se os Monty Pithon gozam desbragadamente com Cristo, porque não podem os dimarqueses gozar com o Mafamede? Fim da questão.

Poderia no entanto comentar as atitudes "politicamente correctas" dos nossos (e não só) políticos. Mas seria um comentário longo, onde teria de abordar o adormencimento da sociedade europeia; onde teria de comentar o comodismo aburguesado das sociedades europeias em geral; onde teria de comentar também...

Não comento.

assino por baixo

Um abaixo-assinado interessante este. Não concordo com a totalidade do texto mas, no essencial, está correcto.

February 03, 2006

carissimos irmaos, estamos aqui reunidos...


Há duas senhoras, homossexuais assumidas de mão dada e tudo, que se querem casar. No Registo Civil. Papel passado e tudo. Não as deixam: "Pouca vergonha é esta?!" gritam os conservadores do costume. O tuga médio, no seu habitual laissez-faire, não está nem aí para o assunto e discute ferozmente o Sporting-Benfica como se não houvesse amanhã.

Como o tuga médio, também não estou nem aí para o casamento destas raparigas em particular, ou para qualquer outra boda de qualquer casal "alternativo". Não me diz respeito. Seja o que for o que dois adultos consentâneos quiserem fazer com a sua vida particular não me diz respeito nem me interessa particularmente. Mas não percebo.
Enquanto os heterossexuais andam a arranjar trinta-e-um estratagemas para acabarem com o casamento, vêm os homossexuais tentar casar-se a todo o custo. Para quê? O casamento enquanto tradição judaico-cristã quase sacrossanta está, na melhor das hipóteses, moribundo. Tornou-se praticamente uma formalidade que é possível extinguir sem apresentar razões ou argumentos válidos. O divórcio banalizou-se de tal forma nos últimos trinta anos que já não é minimamente estigmatizado pela sociedade, tornando-se tão corriqueiro como tirar a carta de condução.

A única razão que me ocorre para este desejo matrimonial é a aceitação, e legitimação, da relação homossexual pela sociedade dita "normal", através de um acto legal. Não me parece que seja necessário. Talvez seja mais útil exigir ao poder central que crie leis eficazes que protejam os direitos, patrimoniais e outros, das uniões de facto, sem haver diferenciação destas para as relações matrimoniais "oficiais", e fazer com que estas regras que regem as uniões de facto não distingam entre heterossexualidade e homossexualidade.
Quanto à aceitação social, esta já é quase plena na sociedade portuguesa actual. Haverá sempre uns cromos que acharão as relações homossexuais anti-natura, mas infelizmente também costumam achar que as relações entre pretos e brancos, e outras, também o são. Não é a oficialização pelo casamento que extermina os cromos. Infelizmente, nem o Raid.

February 01, 2006

passaram-se

A blogosfera nacional anda em polvorosa. Eléctrica. Doida (leia-se com sotaque gay). Tudo porque Vasco Pulido Valente se juntou à comunidade. Uau!
No seu primeiro post revelou-nos, em jeito de crítica ao sistema, como foi a sua experiência de deputado da nação. Quanto a mim apenas revelou como, durante não sei quanto tempo, andou a desperdiçar o erário público e a ser um perfeito inútil. Um deputado consumado como tantos outros. Preferia não ter sabido: perdi-lhe mais um bocadito de respeito.

Que VPV passe a utilizar um blog como meio de comunicação é perfeitamente lógico: é mais uma forma de transmitir as suas ideias, crónicas, opiniões e habitual verborreia. Que a restante comunidade blogueira rejubile como umas virgens em noite de núpcias, já não entendo. É só mais um, a juntar a muitos outros. Não dá mais prestígio aos anónimos que postam todos os dias, nem menos. Não dá mais "peso" ao meio em si, porque é apenas mais um em cerca de 100 milhões.

Às vezes levamo-nos demasiado a sério.

January 24, 2006

blog

Diz-me Hmémnon comentando um post meu:

"João, olha que o que se escreve nos blogues só fica impune se o visado assim o entender... informa-te bem. Mesmo isto dos niks e afins, no momento da verdade, de nada serve. De qualquer das formas, vamos a eles. Sem medos!"

Sinceramente, esta questão nunca me ocorreu. Apesar de ter nascido num ano em que ainda Salazar estava no poder, cresci na realidade em democracia. Toda a minha "cultura" é democrática e, a meu ver, uma das maiores qualidades da democracia é a liberdade de expressão. Não a liberdade de expressão a todo o custo, onde se pode afirmar todo o tipo de barbaridades, mas a liberdade de expressão responsável - contida quanto baste de modo a respeitar os direitos do outro.
Por outro lado, aquilo que me atrai na "blogosfera" é a total liberdade de expressão dos seus intervenientes. É óbvio que não me interessam os blogs onde se expressam ideias idiotas, não fundamentadas ou pura e simplesmente alarves, mas pelo contrário interessam-me aqueles onde são expressas opiniões minimamente informadas e, acima de tudo, construtivas e que me obriguem a confrontar as minhas próprias ideias.

Talvez por tudo isto leio muito mais posts do que aqueles que escrevo. Mas tudo aquilo que escrevo é totalmente desbragado ou, para ficar com as bragas no sítio, completamente livre. Não me preocupo com conteúdo (apesar de me preocupar com a forma), mas tenho o cuidado mínimo de não ofender seja quem for - a não ser o José Castello Branco. De outra forma não valeria a pena. Apesar de ter chamado idiota a Vital Moreira no post anterior, por exemplo, não quero dizer que o homem seja um idiota permanentemente - não lhe chamei "idiota chapado"; só "idiota". Mas as afirmações que "postou" e que citei foram particularmente idiotas. Por isso o disse, de forma simplista.

Assim continuarei a dizer mal (e bem) sempre que me apetecer. Continuarei a despejar as minhas opiniões e, felizmente, a ser colocado no meu humilde lugar pelos meus colegas "bloguistas". Usando o meu verdadeiro nome. E, como aconselha Hmémnon, a ir-me a eles!

January 23, 2006

perolas da blogosfera

Diz Vital Moreira no seu Causa Nossa:

"Uma vitória fraca
A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (basta reler os bloggers e colunistas do campo cavaquista de há umas semanas). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia..."

"Despromoção
O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção..."

Pela qualidade do post, tendencioso como poucos, só posso depreender o seguinte: o senhor Vital Moreira é um idiota de primeira água.

A "vitória fraca" a que se refere Vital Moreira é a primeira vitória de sempre (que me lembre) de um candidato à primeira volta, que não numa reeleição. Nem Soares nem Sampaio o conseguiram. Quanto à afirmação "vitória à tangente"... que dizer? O segundo candidato mais votado ficou a 30% de distância. 30%! Após uma campanha onde todos os candidatos apenas disseram mal de um, em vez de dizerem aquilo que pensavam fazer se ganhassem, numa campanha onde jogaram 4 contra 1, mesmo assim o candidato eleito conseguiu maioria absoluta. Com 6% mais que o actual governo de maioria absoluta.

O segundo post - "Despromoção" - é inqualificável. "Um presidente maior que o país...?" "Um aristocrata...?" Os únicos epítetos que me lembro para classificar estas afirmações fariam corar uma prostituta com 15 anos de passeio! Afirmações como estas desprestigiam, e envergonham, qualquer pessoa de esquerda com um mínimo de bom-senso.

the end

Acabaram-se as eleições por três anos. Saldo? Um grande vencedor, Cavaco Silva, com uma votação à primeira volta de todo inédita, e um vencedor menor, Manuel Alegre, que provou ser melhor aposta para a Esquerda que Soares; um grande vencido, Mário Soares, que parece só ter percebido ontem às 20:00h que a sua personalidade não vale tanto como pensava, e um pequeno vencido, Louçã, que pelos vistos não vale tanto como o Bloco.

O destaque do dia? A falta de cultura, democrática e não só, e de educação do primeiro-ministro. Há profissões onde a arrogância não tem lugar, de todo.

Daqui a três anos e meio - espero - estaremos a discutir novas eleições. Boas férias.

January 21, 2006

Hi-Ho... Hi-Ho.., and off to vote we go...

Domingo lá vamos cumprir o dever de cidadania, colocar a cruz no quadrado de eleição, dobrar o papelito em quatro e depositá-lo na urna.
Das vinte e quatro palavras escritas no páragrafo anterior, a que me parece ser usada com maior propriedade é a última: urna.

Urna porque o português quando vota já sabe, depois de trinta anos de hábito, que votar é um acto morto, praticamente sem objectivo. Os candidatos prometem tudo a todos, indescriminadamente, apenas para "caçar" o voto, sem pensarem por um minuto se há a menor possibilidade de cumprirem a promessa. Fê-lo Sócrates. E Durão. E Guterres. E assim sucessivamente. Fazem-no SoaresCavacoAlegreJerónimoeLouçã. Sem se preocuparem com aquilo que disseram a partir do primeiro minuto após a investidura. Fizeram-no todos (que me lembre) os políticos desde que há eleições.

Urna também porque, fossem quais fossem as aspirações dos portugueses (se é que as têm), as suas escolhas eleitorais não têm permitido que o país se desenvolva de acordo com as suas potencialidades. Não me venham os apoiantes de Cavaco gritar que durante o seu consulado o país cresceu como nunca: Cavaco fez o mínimo dos mínimos, apesar desse desenvolvimento comparativo, e ainda por cima apostando em quase todos os sectores errados, revelando uma estreiteza de vistas digna de um muar.

Domingo vamos votar em quatro ou cinco candidatos, dos quais pelo menos três - já que Alegre é deputado há trinta anos - são enormemente responsáveis pelo estado (lastimável) em que está o país.

Andamos 10 milhões a carregar a urna.

January 18, 2006

a idade da razao

Apesar de ter tentado não comentar demasiado esta campanha eleitoral, houve um pormenor que me desagradou ao longo de toda ela: a utilização da idade de Mário Soares como factor inibidor da sua candidatura.
Mário Soares tem, segundo creio, 81 anos. Oitenta e um. E ?! Apesar de não gostar do personagem, de nunca ter votado nele e de discordar da maior parte das suas ideias, sempre que o oiço falar encontro mais clareza e corência no seu discurso do que na maior parte dos disparates ditos pelos políticos de quarenta ou cinquenta. Quem dera ao António José Seguro ter, aos trinta e tal, a mesma inteligência e capacidade para articular um discurso coerente como Soares ao fim de oito décadas de vida.

A sociedade ocidental tem, desde os anos 50, um horror à "obscenidade" da velhice. Os velhos só têm lugar em lares, asilos e no Natal dos Hospitais. Toda a sua experiência acumulada, toda a sabedoria adquirida ao longo dos anos é vista como obsoleta, inútil e indesejada. Este é um dado sociológico que explica o Botox, o silicone e a Lili Caneças. Mas usar a idade como factor redutor em política é de todo em todo ridículo. Uma das grandes vantagens de Soares, e em certa medida de Alegre, nesta eleição é precisamente a sua idade e experiência, e tudo aquilo que poderia advir disso, como serem factores de equilíbrio por já não terem nada a provar, por terem ideias bem cimentadas e estáveis - não "indo em modas" como se costuma dizer -, por, pela experiência que têm, poder avaliar os problemas de um modo mais ponderado.

Podem-se usar todos os argumentos que se quiser para não votar em Soares - como eu uso - mas a idade não é um argumento que deva ser utilizado nesta eleição.

January 14, 2006

sexta-feira, 13

Uma das mais giras superstições do bicho humano ocidental é de que a Sexta-feira 13 é um dia aziago. Vá-se lá saber porquê, mas que é assim, é. Mesmo quem não acredita na treta sabe que é assim.
Não se sabe qual a origem desta superstição. Há inúmeras teorias, que vão desde a mitologia nórdica e de uma partida de Loki até à relação com o aprisionamento dos Cavaleiros Templários no século XIV, passando por lendas hindus. O que é engraçado é que o "civilizado" humano do século XXI ainda vai em cantigas.

Quem acredita a sério no azar do dia sofre de Parasquevidekatriafobia, o que já de si é um azar tremendo ter uma doença impronunciável: não dá jeito nenhum dizer à mesa "sabe, eu sou Parasquevidekatriafóbico", o que levará o interlocutor a replicar "ah sim? coitado. Isso dói?" enquanto pensa "o gajo podia dizer isto depois de engolir o arroz-doce. Lá vai mais uma fortuna para o 5 à Sec".

January 06, 2006

empresas

Temos de decidir, de uma vez por todas, que tipo de país queremos ter. Se queremos uma democracia ocidental, liberal e capitalista, óptimo. Se queremos um regime "socialista", proteccionista e fechado, óptimo também. Não é possível é ter um bocadinho de ambos os regimes.

Tendo em conta que estamos inseridos num espaço político ocidental e liberal, a UE, as nossas opções ficam mais limitadas. Foi uma escolha que fizemos há 20 anos atrás, conscientemente, e agora temos de a seguir. Dentro deste tipo de regime não há espaço, por muito que custe a Manuel Alegre, para intervencionismo directo do Estado no tecido empresarial. O Estado é (ou deveria de ser) apenas um regulador da Economia, gerando regras equitativas que permitam um mínimo de justiça social e de livre concorrência, e desenvolver a Educação e a Justiça, principalmente, que criem as condições necessárias ao desenvolvimento global do país.
Assim, esta estúpida questão da participação da Iberdrola no capital da EDP não faz o menor sentido. Como não faz sentido que o Estado tenha participação, ou Golden Shares, nas empresas nacionais. Este tipo de proteccionismo do Estado não serve para absolutamente nada, senão para criar postos de trabalho para políticos na reforma. Viram-se bem as capacidades de gestão empresarial do Estado entre 1975 e 85. Paupérrimas.

As economias em crescimento na Europa, como a Espanha ou a Irlanda, por exemplo, não se caracterizam por terem no seu território sedes de grandes corporações. Crescem apenas porque os seus governos criaram as condições económicas, judiciais e de formação da mão-de-obra necessárias à atracção de capital estrangeiro e permitindo simultaneamente que as empresas nacionais crescessem o suficiente para terem a massa crítica necessária não só para serem "engolidas", mas também para se expandirem noutros mercado.

Se o Estado quer que as empresas nacionais continuem "em mãos portuguesas" tem realmente de intervir onde já o deveria ter feito há três décadas atrás: reduzir o seu peso na economia, acabar com o seu despesismo inconsciente, emagrecer radicalmente a administração pública, organizar, agilizar e tornar a Justiça eficaz, efectivar a colecta de impostos, diminuir a carga fiscal para níveis realistas e investir forte e seriamente na Educação e na Formação Profissional.

A receita é simples. Nunca mais encontramos é um cozinheiro eficaz.

January 02, 2006

Na semana passada (ou na anterior, já não sei) comprei a Visão. Garanto que é uma efeméride, porque normalmente basta-me comprar o Público ocasionalmente, consultar as notícias online e olhar para a SIC Notícias nos intervalos dos jogos de Playstation do meu filho (e meus). Às vezes ainda faço o esforço de ver a BBC World mas é raro. Mas desta vez não tinha trazido nada para ler à hora de almoço, nem ninguém a quem sarrazinar o juízo durante a refeição e, para além disso, a capa da revista era apelativa: tinha o Bono como ilustração e um flash a indicar, em grande, "Edição Para Guardar". Achei giro. Comprei.

Levei uma semanita, mais ou menos, para ler toda a revista (um Expresso, por exemplo, ocupa-me pelo menos quinze dias mas tem a vantagem de arder bem na lareira) e ao fim da dita semanita percebi porque é que a edição era para guardar. Pelo menos durante duas décadas. Não por fazer uma revisão superficial do ano que passou, ou por ter uma necrologia completa de personalidades conhecidas, mas porque foi talvez o exemplar publicado com mais gralhas, erros ortográfico e letras desaparecidas que alguma vez vi. É um autêntico festival de falta de profissionalismo, principalmente numa época em que qualquer processador de texto ou programa de paginação tem um correctorzito ortográfico e gramatical.
Será que custa muito fazer uma revisão do texto a publicar?

December 26, 2005

burp

E assim se passou mais um Natal. Os miúdos abriram as prendas em menos de três segundos, deram meia-dúzia de gritos histéricos e atiraram-se à playstation para experimentar as novidades, alguém recebeu meias e pronto.

A minha parte preferida do Natal é o almoço do dia propriamente dito. Quatro pratos de Farrapo Velho (ou Roupa Velha ou outro nome perfeitamente idiota para um dos meus pratos preferidos) profusamente regados com um Douro simpático - CARM Grande Escolha creio... a partir de um certo ponto o rótulo fica um bocadito desfocado. Ainda hoje pareço uma minhoca que engoliu uma bola de basquete.

Pró ano há mais.

December 23, 2005

jingle bells

Este Natal é talvez o mais atípico da minha vida. Eu que faço sempre as compritas da praxe no dia 24 a seguir ao almoço, desta vez despachei-as no dia 15. Eu que normalmente ainda estou no dia 24 às 18:30 a pensar no-qu'é-que-raio-é-que-vou-dar-à-minha-mãe-e-porqu'é-que-ela-tinha-de-me-pôr-neste-mundo!, tive uma súbita inspiração, uma iluminação!, no dia 14 que me revelou o que comprar a todos sem a menor hipótese de falhar o alvo.

Moral da história: este é o Natal mais chato de sempre. Falta-lhe a adrenalina costumeira, que só acaba à meia-noite e vinte, quando ninguém exclama "pijamas, João?!" com um ar indignado. Como sou tão religioso como o bacalhau demolhado, este Natal perdeu grande parte do seu interesse. Hélas.

Boas Festas a todos.

December 21, 2005

mais debates

Confesso que não vi o debate Cavaco/Soares na íntegra. Não tenho pachorra. Desagrada-me ouvir Soares apenas a criticar, a dizer mal, a tentar denegrir o adversário sem fazer aquilo que devia fazer: falar sobre o seu projecto, as suas ideias, como vê Portugal agora e daqui a cinco anos e como pode contribuir para essa evolução. Dizer mal só por si é fácil: basta ter um computador, um blog e dois dedos para teclar (como eu). Um candidato à presidência necessita de algo mais.

Cavaco não tem carisma, é um facto. É de todo inapresentável em qualquer meio de comunicação, seja pela aparência seja pelo tom de voz. É fácil embirrar com o personagem. Mas é o único, até agora, que afirmou o que deve um presidente fazer e como o pode fazer. De forma inábel, é certo, porque o homem é tudo menos um comunicador mas, pelo menos, o seu discurso desarticulado e atrapalhado tem conteúdo.

Não admira que uma "sondagem à boca das urnas" (ou à boca do debate) desse um empate técnico sobre quem venceu o debate: Soares 25%; Cavaco 23%; Não Viu o Debate 51%. Um debate é uma discussão de ideias, de projectos, e até agora temos tido um candidato a apresentar ideias - boas ou más, exequíveis ou não, não interessa - e os restantes quatro a dizer porque é que o primeiro é mau. Não chega.

December 20, 2005

Porto


O Porto tem destas coisas. O melhor e o pior. Pena é terem gerado o Pinto da Costa.

Obrigado ao Cidade Surpreendente pela foto: vale a pena dar um saltito ao blog para ver o resto da Lello.