Bom. Pela primeira vez nestas minhas andanças na blogolândia, vou dirigir um post a alguém. Uma "alguém" que me desafiou a aumentar a lista de estranhos hábitos que postei há pouco tempo. Começaram por ser dez, mas como como reclamei a coisa já vai em vinte. É melhor despachar-me senão a Cruella vai pôr-me a escrever até ao Ano Novo.
Podia levar isto no gozo e pura e simplesmente debitar duas dezenas dos disparates que me acompanham no dia-a-dia, fruto do hábito de quatro décadas de vida. Ou então, devido ao respeito e consideração que ganhei pela desafiadora, levar isto um bocadinho mais a sério. Para isso, há que afirmar o óbvio: todos os estranhos hábitos que tenho, seja chegar tarde a todo o lado, ou só sair de casa de banhinho tomado, advêm pura e simplesmente das minhas piores falhas de carácter. Listar estas últimas é mais fácil que listar vinte hábitos mais ou menos estranhos, porque são bastante menos. Quase todas as minhas manias que irritam os outros provêm de dois simples defeitos graves: egoísmo e imaturidade.
O egoísmo faz-me ignorar - ou não dar importância - à maior parte das pessoas que me rodeia. Daí nunca me lembrar do nome de ninguém, ou não querer saber se estão à minha espera, ou seja o que for. Inconscientemente, tudo aquilo que não se passa no Planeta João não me interessa minimamente. É a mesma razão - ou uma das razões - que faz com que não saia da agência, seja a que horas for, sem dar uma voltita na web ou antes de jogar um bocadinho no computador.
A imaturidade tem efeitos semelhantes, levando-me a pensar sempre que o despertador toca "... o mundo não vai acabar antes das onze de certeza... só mais dez minutos...", ou a mandar tudo às urtigas até às quatro da tarde e ir passear para a praia (no Inverno). Também tem um lado divertido, claro, que me permite deitar a língua de fora aos taxistas no Marquês de Pombal depois de uma particular alarvidade ao volante. Ou a buzinar e a dizer adeus às patrulhas da GNR-BT pacatamente parqueadas na berma da estrada.
A única circunstância atenuante que posso invocar é que conheço bem os meus defeitos e tento, sempre que me apercebo disso, corrigir as minhas atitudes. Claro que falho redondamente a maioria das vezes, mas ando a tratar-me. É pena as ampolas já não fazerem efeito.
Peço-te desculpa, Sílvia, porque o teu desafio não gerou um post divertido e levezinho. Mas, como tenho intenção de voltar a trabalhar contigo, talvez venhas a presenciar muitas das minhas manias. Com sorte, as mais inofensivas.
February 28, 2006
February 24, 2006
abençoada variz
Segundo as notícias de hoje, Alberto João Jardim não vai poder participar no desfile de Carnaval da Madeira, por causa das varizes. Haverá uma abençoada variz que o impeça de presidir ao Governo Regional?
February 23, 2006
tempus fugit
Pois. Isto de estar cheio de trabalho reflecte-se na "postagem". Não tenho tempo nem para me coçar, nem para postar.
Raio de vida.
Ainda por cima, na próxima posta tenho de responder a um desafio que me fizeram há quatro ou cinco posts atrás: revelar os meus 10 maiores hábitos estranhos (ai...).
Raio de vida.
Ainda por cima, na próxima posta tenho de responder a um desafio que me fizeram há quatro ou cinco posts atrás: revelar os meus 10 maiores hábitos estranhos (ai...).
February 20, 2006
February 17, 2006
intelectuais

Vinha hoje no pópó para o emprego - atrasado como nunca - a ouvir um CD que me fez lembrar uma crónica do António Mega Ferreira de há umas semanas atrás. A musiquita em questão era a 40ª sinfonia de Mozart (KV 550 em Sol Menor, só p'ra dar um ar intelectual) e fez-me lembrar o sôr Mega porque a crónica em questão referia-se aos 250 anos de aniversário do compositor. Através de uma série de argumentos aparentemente inabaláveis, o Grande Mega demonstra como Mozart se tornou um produto kitsch. Popularucho.
Sinceramente não me recordo do artigo na íntegra, mas entre a evocação de sinfonias menos conhecidas do grande público, o assobiar popular da abertura da Júpiter (41ª), as caixas de bonbons e o "horroroso" Amadeus de Milos Forman, ficámos a conhecer a espessura cultural do irmão Mega.
Se há coisa que me irrita são os nossos pseudo-intelectuais e sua propensão para pensar que a "Cultura" é propriedade sua, de compreensão inatingível pelo vulgar cidadão. Para isso acham importante saber onde nasceu o compositor/autor/pintor/senhora-da-limpeza, saber quantas sinfonias compôs ou qual a direcção predilecta da pincelada do artista, ou qual o seu número de sapato ou de cueca.
Da última vez que pensei no assunto, há mais ou menos 20 anos, cheguei à conclusão que a Cultura deve ser aberta a todos e não um produto hermético propriedade de meia-dúzia de iluminados. Cheguei também à conclusão que quaisquer que sejam os meios que se utilizem para fazer chegar os produtos culturais ao grande público, estes são válidos. Por isso, por fantasioso e incorrecto que seja, o Amadeus de Forman é de louvar. Bem como a interpretação de Gary Oldman enquanto Beethoven - num filme obscuro que relata a 3ª sinfonia. O mesmo faz a "Paixão de Shakespeare", que impinge o texto inteiro de Romeu e Julieta de uma forma acessível para qualquer um.
Eu, porque sou um apreciador de música, conheço a 40ª e a 41ª. Também conheço a 35ª ou a 23ª. E se me perguntarem posso afirmar que prefiro Karl Bohm a Karajan para dirigir Mozart. Mas isto sou eu, que me interesso por música e porque a oiço em qualquer sítio - no carro, na casa de banho ou no trabalho. Mas também aprecio U2, ou Ella Fitzgerald, ou os Stones ou, raramente, Marisa. Isto não faz de mim intelectual ou o raio que me parta: apenas uma pessoa que gosta de música e, vá-se lá saber porquê, de banda desenhada e de chouriço de sangue.
O Grande Mega perdeu mais uma grande oportunidade para estar calado.
February 14, 2006
maniqueismo
Há dois ou três posts atrás utilizei a palavra "pretos" para definir pessoas de uma determinada raça. Anátema! Houve logo um amigo meu que me fez o reparo, rotulando-me de bárbaro: "Ao menos 'negros', João".
Confesso que nunca penso antes de definir alguém como "preto" ou "branco". Não o considero um insulto, nem muito menos uma forma simples de catalogar as pessoas. É pura e simplesmente um termo enraizado na nossa língua, como qualquer outro. Tal como não me considero "branco" - posso ser rosado, arroxeado com frio, beige, amarelado depois de uma valente comezaina, acastanhado no Verão, etc. - também não considero os pretos... pretos. São na melhor das hipóteses castanhos. Alguns mais claros, outros mais escuros, uns de traços fisionómicos típicos da raça mais carregados, outros menos, e pronto. Basicamente são pessoas. E como pessoas que são não tenho de estar com subterfúgios linguísticos "politicamente correctos" para os definir rapidamente, numa frase.
Por outro lado desconfio de termos como "negro", ou o muito americano "african american", ou qualquer outro que revele condescendência e algum sentido de superioridade encapotada. Um preto é um preto, tal como um branco é um branco, e isso não é motivo de orgulho ou pesar. É apenas um tom de pele que revela, no máximo, a adaptabilidade do ser humano ao meio ambiente. O resto é racismo. E semântica.
Confesso que nunca penso antes de definir alguém como "preto" ou "branco". Não o considero um insulto, nem muito menos uma forma simples de catalogar as pessoas. É pura e simplesmente um termo enraizado na nossa língua, como qualquer outro. Tal como não me considero "branco" - posso ser rosado, arroxeado com frio, beige, amarelado depois de uma valente comezaina, acastanhado no Verão, etc. - também não considero os pretos... pretos. São na melhor das hipóteses castanhos. Alguns mais claros, outros mais escuros, uns de traços fisionómicos típicos da raça mais carregados, outros menos, e pronto. Basicamente são pessoas. E como pessoas que são não tenho de estar com subterfúgios linguísticos "politicamente correctos" para os definir rapidamente, numa frase.
Por outro lado desconfio de termos como "negro", ou o muito americano "african american", ou qualquer outro que revele condescendência e algum sentido de superioridade encapotada. Um preto é um preto, tal como um branco é um branco, e isso não é motivo de orgulho ou pesar. É apenas um tom de pele que revela, no máximo, a adaptabilidade do ser humano ao meio ambiente. O resto é racismo. E semântica.
February 10, 2006
estranhos hábitos
O Hmémnon desafiou-me a partilhar 5 estranhos hábitos meus. Não costumo embarcar neste tipo de coisas mas... vamos lá então.
(só um detalhe: não sei se são estranhos, mas que irritam muito boa gente, lá isso irritam.)
Um - nunca chego a horas seja onde for. O meu atraso já não é um hábito, é uma tradição.
Dos - nunca me lembro do nome das pessoas, a não ser que as conheça há já algum tempo. É muito normal uma conversa comigo começar com "Olá está bom?... aaaaahhhhentão o que tem feito?".
Trois - nunca saio de casa sem beber um café. Posso estar três quartos de hora atrasado mas sem cafeína é que não.
Quator - nunca leio traduções de livros dos quais compreenda a língua original. Passo por pedante mas não quero saber.
Five - nunca saio de casa sem tomar duche. Se só eu puder salvar o Mundo mas não houver água, podem dizer adeus à espécie humana.
Garanto que foi difícil escolher só cinco...
(só um detalhe: não sei se são estranhos, mas que irritam muito boa gente, lá isso irritam.)
Um - nunca chego a horas seja onde for. O meu atraso já não é um hábito, é uma tradição.
Dos - nunca me lembro do nome das pessoas, a não ser que as conheça há já algum tempo. É muito normal uma conversa comigo começar com "Olá está bom?... aaaaahhhhentão o que tem feito?".
Trois - nunca saio de casa sem beber um café. Posso estar três quartos de hora atrasado mas sem cafeína é que não.
Quator - nunca leio traduções de livros dos quais compreenda a língua original. Passo por pedante mas não quero saber.
Five - nunca saio de casa sem tomar duche. Se só eu puder salvar o Mundo mas não houver água, podem dizer adeus à espécie humana.
Garanto que foi difícil escolher só cinco...
February 09, 2006
Não me apetece muito comentar a onda de estupidez asinina que corre em muitos países muçulmanos a propósito de uns quantos cartoons dinamarqueses. A intolerância, xenofobia, ignorância e outros epítetos do género são habituais nessas sociedades, portanto não vale a pena. O mundo islâmico regrediu muito desde a "nossa" Idade Média e vai levar muito tempo até aderir a outros tipos de organização social.
Não me apetece também comentar a propriedade da publicação de uns quantos cartoons. A sociedade europeia é, na sua generalidade, democrática e em democracia existe liberdade de expressão absoluta. Se os nossos cartonistas gozam com o Papa, se os Monty Pithon gozam desbragadamente com Cristo, porque não podem os dimarqueses gozar com o Mafamede? Fim da questão.
Poderia no entanto comentar as atitudes "politicamente correctas" dos nossos (e não só) políticos. Mas seria um comentário longo, onde teria de abordar o adormencimento da sociedade europeia; onde teria de comentar o comodismo aburguesado das sociedades europeias em geral; onde teria de comentar também...
Não comento.
Não me apetece também comentar a propriedade da publicação de uns quantos cartoons. A sociedade europeia é, na sua generalidade, democrática e em democracia existe liberdade de expressão absoluta. Se os nossos cartonistas gozam com o Papa, se os Monty Pithon gozam desbragadamente com Cristo, porque não podem os dimarqueses gozar com o Mafamede? Fim da questão.
Poderia no entanto comentar as atitudes "politicamente correctas" dos nossos (e não só) políticos. Mas seria um comentário longo, onde teria de abordar o adormencimento da sociedade europeia; onde teria de comentar o comodismo aburguesado das sociedades europeias em geral; onde teria de comentar também...
Não comento.
assino por baixo
Um abaixo-assinado interessante este. Não concordo com a totalidade do texto mas, no essencial, está correcto.
February 03, 2006
carissimos irmaos, estamos aqui reunidos...

Há duas senhoras, homossexuais assumidas de mão dada e tudo, que se querem casar. No Registo Civil. Papel passado e tudo. Não as deixam: "Pouca vergonha é esta?!" gritam os conservadores do costume. O tuga médio, no seu habitual laissez-faire, não está nem aí para o assunto e discute ferozmente o Sporting-Benfica como se não houvesse amanhã.
Como o tuga médio, também não estou nem aí para o casamento destas raparigas em particular, ou para qualquer outra boda de qualquer casal "alternativo". Não me diz respeito. Seja o que for o que dois adultos consentâneos quiserem fazer com a sua vida particular não me diz respeito nem me interessa particularmente. Mas não percebo.
Enquanto os heterossexuais andam a arranjar trinta-e-um estratagemas para acabarem com o casamento, vêm os homossexuais tentar casar-se a todo o custo. Para quê? O casamento enquanto tradição judaico-cristã quase sacrossanta está, na melhor das hipóteses, moribundo. Tornou-se praticamente uma formalidade que é possível extinguir sem apresentar razões ou argumentos válidos. O divórcio banalizou-se de tal forma nos últimos trinta anos que já não é minimamente estigmatizado pela sociedade, tornando-se tão corriqueiro como tirar a carta de condução.
A única razão que me ocorre para este desejo matrimonial é a aceitação, e legitimação, da relação homossexual pela sociedade dita "normal", através de um acto legal. Não me parece que seja necessário. Talvez seja mais útil exigir ao poder central que crie leis eficazes que protejam os direitos, patrimoniais e outros, das uniões de facto, sem haver diferenciação destas para as relações matrimoniais "oficiais", e fazer com que estas regras que regem as uniões de facto não distingam entre heterossexualidade e homossexualidade.
Quanto à aceitação social, esta já é quase plena na sociedade portuguesa actual. Haverá sempre uns cromos que acharão as relações homossexuais anti-natura, mas infelizmente também costumam achar que as relações entre pretos e brancos, e outras, também o são. Não é a oficialização pelo casamento que extermina os cromos. Infelizmente, nem o Raid.
February 01, 2006
passaram-se
A blogosfera nacional anda em polvorosa. Eléctrica. Doida (leia-se com sotaque gay). Tudo porque Vasco Pulido Valente se juntou à comunidade. Uau!
No seu primeiro post revelou-nos, em jeito de crítica ao sistema, como foi a sua experiência de deputado da nação. Quanto a mim apenas revelou como, durante não sei quanto tempo, andou a desperdiçar o erário público e a ser um perfeito inútil. Um deputado consumado como tantos outros. Preferia não ter sabido: perdi-lhe mais um bocadito de respeito.
Que VPV passe a utilizar um blog como meio de comunicação é perfeitamente lógico: é mais uma forma de transmitir as suas ideias, crónicas, opiniões e habitual verborreia. Que a restante comunidade blogueira rejubile como umas virgens em noite de núpcias, já não entendo. É só mais um, a juntar a muitos outros. Não dá mais prestígio aos anónimos que postam todos os dias, nem menos. Não dá mais "peso" ao meio em si, porque é apenas mais um em cerca de 100 milhões.
Às vezes levamo-nos demasiado a sério.
No seu primeiro post revelou-nos, em jeito de crítica ao sistema, como foi a sua experiência de deputado da nação. Quanto a mim apenas revelou como, durante não sei quanto tempo, andou a desperdiçar o erário público e a ser um perfeito inútil. Um deputado consumado como tantos outros. Preferia não ter sabido: perdi-lhe mais um bocadito de respeito.
Que VPV passe a utilizar um blog como meio de comunicação é perfeitamente lógico: é mais uma forma de transmitir as suas ideias, crónicas, opiniões e habitual verborreia. Que a restante comunidade blogueira rejubile como umas virgens em noite de núpcias, já não entendo. É só mais um, a juntar a muitos outros. Não dá mais prestígio aos anónimos que postam todos os dias, nem menos. Não dá mais "peso" ao meio em si, porque é apenas mais um em cerca de 100 milhões.
Às vezes levamo-nos demasiado a sério.
January 31, 2006
January 29, 2006
January 24, 2006
blog
Diz-me Hmémnon comentando um post meu:
"João, olha que o que se escreve nos blogues só fica impune se o visado assim o entender... informa-te bem. Mesmo isto dos niks e afins, no momento da verdade, de nada serve. De qualquer das formas, vamos a eles. Sem medos!"
Sinceramente, esta questão nunca me ocorreu. Apesar de ter nascido num ano em que ainda Salazar estava no poder, cresci na realidade em democracia. Toda a minha "cultura" é democrática e, a meu ver, uma das maiores qualidades da democracia é a liberdade de expressão. Não a liberdade de expressão a todo o custo, onde se pode afirmar todo o tipo de barbaridades, mas a liberdade de expressão responsável - contida quanto baste de modo a respeitar os direitos do outro.
Por outro lado, aquilo que me atrai na "blogosfera" é a total liberdade de expressão dos seus intervenientes. É óbvio que não me interessam os blogs onde se expressam ideias idiotas, não fundamentadas ou pura e simplesmente alarves, mas pelo contrário interessam-me aqueles onde são expressas opiniões minimamente informadas e, acima de tudo, construtivas e que me obriguem a confrontar as minhas próprias ideias.
Talvez por tudo isto leio muito mais posts do que aqueles que escrevo. Mas tudo aquilo que escrevo é totalmente desbragado ou, para ficar com as bragas no sítio, completamente livre. Não me preocupo com conteúdo (apesar de me preocupar com a forma), mas tenho o cuidado mínimo de não ofender seja quem for - a não ser o José Castello Branco. De outra forma não valeria a pena. Apesar de ter chamado idiota a Vital Moreira no post anterior, por exemplo, não quero dizer que o homem seja um idiota permanentemente - não lhe chamei "idiota chapado"; só "idiota". Mas as afirmações que "postou" e que citei foram particularmente idiotas. Por isso o disse, de forma simplista.
Assim continuarei a dizer mal (e bem) sempre que me apetecer. Continuarei a despejar as minhas opiniões e, felizmente, a ser colocado no meu humilde lugar pelos meus colegas "bloguistas". Usando o meu verdadeiro nome. E, como aconselha Hmémnon, a ir-me a eles!
"João, olha que o que se escreve nos blogues só fica impune se o visado assim o entender... informa-te bem. Mesmo isto dos niks e afins, no momento da verdade, de nada serve. De qualquer das formas, vamos a eles. Sem medos!"
Sinceramente, esta questão nunca me ocorreu. Apesar de ter nascido num ano em que ainda Salazar estava no poder, cresci na realidade em democracia. Toda a minha "cultura" é democrática e, a meu ver, uma das maiores qualidades da democracia é a liberdade de expressão. Não a liberdade de expressão a todo o custo, onde se pode afirmar todo o tipo de barbaridades, mas a liberdade de expressão responsável - contida quanto baste de modo a respeitar os direitos do outro.
Por outro lado, aquilo que me atrai na "blogosfera" é a total liberdade de expressão dos seus intervenientes. É óbvio que não me interessam os blogs onde se expressam ideias idiotas, não fundamentadas ou pura e simplesmente alarves, mas pelo contrário interessam-me aqueles onde são expressas opiniões minimamente informadas e, acima de tudo, construtivas e que me obriguem a confrontar as minhas próprias ideias.
Talvez por tudo isto leio muito mais posts do que aqueles que escrevo. Mas tudo aquilo que escrevo é totalmente desbragado ou, para ficar com as bragas no sítio, completamente livre. Não me preocupo com conteúdo (apesar de me preocupar com a forma), mas tenho o cuidado mínimo de não ofender seja quem for - a não ser o José Castello Branco. De outra forma não valeria a pena. Apesar de ter chamado idiota a Vital Moreira no post anterior, por exemplo, não quero dizer que o homem seja um idiota permanentemente - não lhe chamei "idiota chapado"; só "idiota". Mas as afirmações que "postou" e que citei foram particularmente idiotas. Por isso o disse, de forma simplista.
Assim continuarei a dizer mal (e bem) sempre que me apetecer. Continuarei a despejar as minhas opiniões e, felizmente, a ser colocado no meu humilde lugar pelos meus colegas "bloguistas". Usando o meu verdadeiro nome. E, como aconselha Hmémnon, a ir-me a eles!
January 23, 2006
perolas da blogosfera
Diz Vital Moreira no seu Causa Nossa:
"Uma vitória fraca
A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (basta reler os bloggers e colunistas do campo cavaquista de há umas semanas). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia..."
"Despromoção
O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção..."
Pela qualidade do post, tendencioso como poucos, só posso depreender o seguinte: o senhor Vital Moreira é um idiota de primeira água.
A "vitória fraca" a que se refere Vital Moreira é a primeira vitória de sempre (que me lembre) de um candidato à primeira volta, que não numa reeleição. Nem Soares nem Sampaio o conseguiram. Quanto à afirmação "vitória à tangente"... que dizer? O segundo candidato mais votado ficou a 30% de distância. 30%! Após uma campanha onde todos os candidatos apenas disseram mal de um, em vez de dizerem aquilo que pensavam fazer se ganhassem, numa campanha onde jogaram 4 contra 1, mesmo assim o candidato eleito conseguiu maioria absoluta. Com 6% mais que o actual governo de maioria absoluta.
O segundo post - "Despromoção" - é inqualificável. "Um presidente maior que o país...?" "Um aristocrata...?" Os únicos epítetos que me lembro para classificar estas afirmações fariam corar uma prostituta com 15 anos de passeio! Afirmações como estas desprestigiam, e envergonham, qualquer pessoa de esquerda com um mínimo de bom-senso.
"Uma vitória fraca
A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (basta reler os bloggers e colunistas do campo cavaquista de há umas semanas). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia..."
"Despromoção
O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção..."
Pela qualidade do post, tendencioso como poucos, só posso depreender o seguinte: o senhor Vital Moreira é um idiota de primeira água.
A "vitória fraca" a que se refere Vital Moreira é a primeira vitória de sempre (que me lembre) de um candidato à primeira volta, que não numa reeleição. Nem Soares nem Sampaio o conseguiram. Quanto à afirmação "vitória à tangente"... que dizer? O segundo candidato mais votado ficou a 30% de distância. 30%! Após uma campanha onde todos os candidatos apenas disseram mal de um, em vez de dizerem aquilo que pensavam fazer se ganhassem, numa campanha onde jogaram 4 contra 1, mesmo assim o candidato eleito conseguiu maioria absoluta. Com 6% mais que o actual governo de maioria absoluta.
O segundo post - "Despromoção" - é inqualificável. "Um presidente maior que o país...?" "Um aristocrata...?" Os únicos epítetos que me lembro para classificar estas afirmações fariam corar uma prostituta com 15 anos de passeio! Afirmações como estas desprestigiam, e envergonham, qualquer pessoa de esquerda com um mínimo de bom-senso.
the end
Acabaram-se as eleições por três anos. Saldo? Um grande vencedor, Cavaco Silva, com uma votação à primeira volta de todo inédita, e um vencedor menor, Manuel Alegre, que provou ser melhor aposta para a Esquerda que Soares; um grande vencido, Mário Soares, que parece só ter percebido ontem às 20:00h que a sua personalidade não vale tanto como pensava, e um pequeno vencido, Louçã, que pelos vistos não vale tanto como o Bloco.
O destaque do dia? A falta de cultura, democrática e não só, e de educação do primeiro-ministro. Há profissões onde a arrogância não tem lugar, de todo.
Daqui a três anos e meio - espero - estaremos a discutir novas eleições. Boas férias.
O destaque do dia? A falta de cultura, democrática e não só, e de educação do primeiro-ministro. Há profissões onde a arrogância não tem lugar, de todo.
Daqui a três anos e meio - espero - estaremos a discutir novas eleições. Boas férias.
January 21, 2006
Hi-Ho... Hi-Ho.., and off to vote we go...
Domingo lá vamos cumprir o dever de cidadania, colocar a cruz no quadrado de eleição, dobrar o papelito em quatro e depositá-lo na urna.
Das vinte e quatro palavras escritas no páragrafo anterior, a que me parece ser usada com maior propriedade é a última: urna.
Urna porque o português quando vota já sabe, depois de trinta anos de hábito, que votar é um acto morto, praticamente sem objectivo. Os candidatos prometem tudo a todos, indescriminadamente, apenas para "caçar" o voto, sem pensarem por um minuto se há a menor possibilidade de cumprirem a promessa. Fê-lo Sócrates. E Durão. E Guterres. E assim sucessivamente. Fazem-no SoaresCavacoAlegreJerónimoeLouçã. Sem se preocuparem com aquilo que disseram a partir do primeiro minuto após a investidura. Fizeram-no todos (que me lembre) os políticos desde que há eleições.
Urna também porque, fossem quais fossem as aspirações dos portugueses (se é que as têm), as suas escolhas eleitorais não têm permitido que o país se desenvolva de acordo com as suas potencialidades. Não me venham os apoiantes de Cavaco gritar que durante o seu consulado o país cresceu como nunca: Cavaco fez o mínimo dos mínimos, apesar desse desenvolvimento comparativo, e ainda por cima apostando em quase todos os sectores errados, revelando uma estreiteza de vistas digna de um muar.
Domingo vamos votar em quatro ou cinco candidatos, dos quais pelo menos três - já que Alegre é deputado há trinta anos - são enormemente responsáveis pelo estado (lastimável) em que está o país.
Andamos 10 milhões a carregar a urna.
Das vinte e quatro palavras escritas no páragrafo anterior, a que me parece ser usada com maior propriedade é a última: urna.
Urna porque o português quando vota já sabe, depois de trinta anos de hábito, que votar é um acto morto, praticamente sem objectivo. Os candidatos prometem tudo a todos, indescriminadamente, apenas para "caçar" o voto, sem pensarem por um minuto se há a menor possibilidade de cumprirem a promessa. Fê-lo Sócrates. E Durão. E Guterres. E assim sucessivamente. Fazem-no SoaresCavacoAlegreJerónimoeLouçã. Sem se preocuparem com aquilo que disseram a partir do primeiro minuto após a investidura. Fizeram-no todos (que me lembre) os políticos desde que há eleições.
Urna também porque, fossem quais fossem as aspirações dos portugueses (se é que as têm), as suas escolhas eleitorais não têm permitido que o país se desenvolva de acordo com as suas potencialidades. Não me venham os apoiantes de Cavaco gritar que durante o seu consulado o país cresceu como nunca: Cavaco fez o mínimo dos mínimos, apesar desse desenvolvimento comparativo, e ainda por cima apostando em quase todos os sectores errados, revelando uma estreiteza de vistas digna de um muar.
Domingo vamos votar em quatro ou cinco candidatos, dos quais pelo menos três - já que Alegre é deputado há trinta anos - são enormemente responsáveis pelo estado (lastimável) em que está o país.
Andamos 10 milhões a carregar a urna.
January 18, 2006
a idade da razao
Apesar de ter tentado não comentar demasiado esta campanha eleitoral, houve um pormenor que me desagradou ao longo de toda ela: a utilização da idade de Mário Soares como factor inibidor da sua candidatura.
Mário Soares tem, segundo creio, 81 anos. Oitenta e um. E ?! Apesar de não gostar do personagem, de nunca ter votado nele e de discordar da maior parte das suas ideias, sempre que o oiço falar encontro mais clareza e corência no seu discurso do que na maior parte dos disparates ditos pelos políticos de quarenta ou cinquenta. Quem dera ao António José Seguro ter, aos trinta e tal, a mesma inteligência e capacidade para articular um discurso coerente como Soares ao fim de oito décadas de vida.
A sociedade ocidental tem, desde os anos 50, um horror à "obscenidade" da velhice. Os velhos só têm lugar em lares, asilos e no Natal dos Hospitais. Toda a sua experiência acumulada, toda a sabedoria adquirida ao longo dos anos é vista como obsoleta, inútil e indesejada. Este é um dado sociológico que explica o Botox, o silicone e a Lili Caneças. Mas usar a idade como factor redutor em política é de todo em todo ridículo. Uma das grandes vantagens de Soares, e em certa medida de Alegre, nesta eleição é precisamente a sua idade e experiência, e tudo aquilo que poderia advir disso, como serem factores de equilíbrio por já não terem nada a provar, por terem ideias bem cimentadas e estáveis - não "indo em modas" como se costuma dizer -, por, pela experiência que têm, poder avaliar os problemas de um modo mais ponderado.
Podem-se usar todos os argumentos que se quiser para não votar em Soares - como eu uso - mas a idade não é um argumento que deva ser utilizado nesta eleição.
Mário Soares tem, segundo creio, 81 anos. Oitenta e um. E ?! Apesar de não gostar do personagem, de nunca ter votado nele e de discordar da maior parte das suas ideias, sempre que o oiço falar encontro mais clareza e corência no seu discurso do que na maior parte dos disparates ditos pelos políticos de quarenta ou cinquenta. Quem dera ao António José Seguro ter, aos trinta e tal, a mesma inteligência e capacidade para articular um discurso coerente como Soares ao fim de oito décadas de vida.
A sociedade ocidental tem, desde os anos 50, um horror à "obscenidade" da velhice. Os velhos só têm lugar em lares, asilos e no Natal dos Hospitais. Toda a sua experiência acumulada, toda a sabedoria adquirida ao longo dos anos é vista como obsoleta, inútil e indesejada. Este é um dado sociológico que explica o Botox, o silicone e a Lili Caneças. Mas usar a idade como factor redutor em política é de todo em todo ridículo. Uma das grandes vantagens de Soares, e em certa medida de Alegre, nesta eleição é precisamente a sua idade e experiência, e tudo aquilo que poderia advir disso, como serem factores de equilíbrio por já não terem nada a provar, por terem ideias bem cimentadas e estáveis - não "indo em modas" como se costuma dizer -, por, pela experiência que têm, poder avaliar os problemas de um modo mais ponderado.
Podem-se usar todos os argumentos que se quiser para não votar em Soares - como eu uso - mas a idade não é um argumento que deva ser utilizado nesta eleição.
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