Morreu Slobodan Milosevic. Faz três anos que se deu a invasão do Iraque. Hugo Chavez, presidente da Venezuela, mimoseou Bush com uns epítetos divertidos: bêbedo, cobarde, assassino, genocida, etc.
Estes factos parecem não ter relação nenhuma, a não ser que se tenha uma mentezinha turtuosa como a minha. Milosevic estava sentadinho no banco dos réus por genocídio e outros crimes menores, entre os quais o roubo de chupa-chupas às crianças da Bósnia. Na verdade, estava em tribunal por ter iniciado uma guerra e a ter perdido, pura e simplesmente. Se formos olhar com atenção, todos os lados dessa guerra cometeram atrocidades do mesmo tipo. Talvez em escalas diferentes, mas idênticas na forma.
A guerra é isso mesmo: um conjunto mais ou menos regulamentado de atrocidades. Morre-se à patada de um lado e do outro; as populações de ambos os lados são torturadas, violadas e dizimadas. A consequência da guerra é sempre a mesma e não há volta a dar a isso. A Europa "civilizada", que há 67 anos gerou o maior morticínio da História, parece ter-se esquecido deste pormenor.
Não estou, obviamente, a tentar justificar ou menorizar os crimes de Milosevic. Pelo contrário: a Sérvia tentou, através de uma guerra injustificada, travar o desmembramento da sua federação, atacando todos os povos que quiseram sair e obter a independência.
Por outro lado, olhando pelo mesmo prisma, a guerra desencadeada pelos EUA contra o Iraque é igualmente injustificada e criminosa. Todos os pressupostos enunciados por Bush y sus hermanos para justificar a invasão do Iraque se provaram ser uma mentira pegada. Nem armas de destruição maciça, nem ameaça regional, nem o raio que os parta. Nada. Nicles. Zerinho. O governo dos Estados Unidos invadiram o Iraque porque sim. Porque podiam. Porque havia lá petróleo (pensavam) fácil. Porque o papá Bush tinha falhado da primeira vez.
Ainda olhando pelo mesmo prisma, Bush é tão criminoso como Milosevic e só não está sentadinho no mesmo banco onde este esteve apenas porque ganhou. E porque a Europa é hipócrita, acomodada e fraca.
Chavez pode ser um demagogo perfeito, e o seu discurso é para consumo interno mas... pode ter uma pontinha de razão.
March 20, 2006
March 13, 2006
ok... ok... eu comento o novo presidente

Ou, mais exactamente, os comentários acerca do novo presidente.
Apesar de ter ouvido aqui e ali alguns comentários interessantes, outros inteligentes (e alguns que eram as duas coisas), a maior parte dos comentários que tenho ouvido-lido-visto pura e simplesmente falam da condição humilde do PR, ou então da forma como el presidente y su muchacha se vestem.
Mas qu'é que raio é que isso interessa? Aparte as cerimónias oficiais com dignitários estrangeiros, que podem dar, lá fora, uma imagem antiquada do país, a forma como o casal presidencial se veste é irrelevante. Desde que não saiam nus do Palácio de Belém - o que poderia originar uma guerra civil ou um sucídio colectivo do povo português - não interessa minimamente se vestem Tenente, Buchinho ou Loja das Meias. Vai dar ao mesmo, porque aquilo que realmente interessa são as acções e o discurso que sairem da presidência, que podem dar estabilidade ou gerar confusão na sociedade - o que aconteceu com Sampaio e Mª Ritta, que vestiam moderadamente bem.
Para além disso, num país que tem como jet-set uma cambada de imbecis que vestem como se fossem bolos de noiva, quem é que tem a menor moral para apontar o dedo? É preciso ter pachorra.
March 10, 2006
W. H. Auden, Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crèpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crèpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
March 09, 2006
ah não!

O Governo teve uma daquelas ideias que não cabem na cabeça de ninguém. Segundo a sua proposta, será obrigatório que todos os lugares eleitos por lista - parlamento, autarquias, etc. - tenham pelo menos 1/3 (um terço, 33,3333333...%) de mulheres. Por lei. Obrigatoriamente. Trás!
Gira esta.
Obviamente que deveríamos de ter mais mulheres a participar na governação do país. Quanto mais não seja porque os homens geraram a cagada em que nos encontramos. Logicamente, havendo mais mulheres que homens na sociedade em geral, estas deveriam ter uma representação superior à dos homens. Tendo em conta que as mulheres hoje em dia representam a maioria dos estudantes universitários, deveriam ascender mais facilmente ao poder. Mas...
Mas a realidade é que a nossa sociedade ainda é tendencialmente machista. A maioria dos homens ainda acha - ainda que secretamente - que o lugar da fêmea é na cozinha, com os filhos. Soluções por decreto como estas só servem para mascarar a realidade. É uma solução fácil, que não muda nada mas fica bem no papel. Difícil, mas eficaz, é pôr em prática as soluções que resolveriam o problema na sua raiz: criar infantários acessíveis a todas as famílias, criar um sistema escolar que não abandone as crianças durante meio dia, obrigar as empresas à equidade salarial entre sexos, etc.
Medidas como esta, por decreto, não só não resolvem nada como abrem caminho a outros disparates do género: se 5% da população portuguesa é negra, 5% dos deputados devem ser negros; se 15% da população é homossexual, 15% do Governo deve vestir cor-de-rosa; se 8% da população é muçulmana, 8% dos presidentes de câmara devem pôr-se de cu pró ar cinco vezes ao dia, se 80% da população não gosta de trabalhar, 80% dos governantes deve... ah não! esta paridade já existe.
A paridade social só surgirá, de facto, quando a sociedade portuguesa evoluir no seu todo, à custa de um melhoramento social e educacional, não como resultado de decretos avulsos.
March 07, 2006
posta restante
Ultimamente custa-me postar. A política anda morna, não vi a entrega dos Óscares e não gosto de futebol. Há, portanto, pouco folclore a comentar.
Não sou como o José Pacheco Pereira ou qualquer outro cronista encartado, que conseguem comentar até A Partida dos Chatos para a Índia. A maior parte daquilo que se passa nesta abençoada terrinha já nem comentário merece: quase que apetece dizer que mais valia meter metade da população no Campo Pequeno e chaciná-los a todos. Mas se dissesse isso tinha de pagar direitos ao Otelo Saraiva de Carvalho.
Para ser franco, falta-me a pachorra; ou fui invadido pelo desânimo. É apenas uma fase, eu sei: qualquer acordo fresco e fofo e presto verdadeira atenção àquilo que me rodeia, e vejo imediatamente meia-dúzia de coisas que me merecem um comentário ou uma piada. Até lá, arrasto-me.
Não sou como o José Pacheco Pereira ou qualquer outro cronista encartado, que conseguem comentar até A Partida dos Chatos para a Índia. A maior parte daquilo que se passa nesta abençoada terrinha já nem comentário merece: quase que apetece dizer que mais valia meter metade da população no Campo Pequeno e chaciná-los a todos. Mas se dissesse isso tinha de pagar direitos ao Otelo Saraiva de Carvalho.
Para ser franco, falta-me a pachorra; ou fui invadido pelo desânimo. É apenas uma fase, eu sei: qualquer acordo fresco e fofo e presto verdadeira atenção àquilo que me rodeia, e vejo imediatamente meia-dúzia de coisas que me merecem um comentário ou uma piada. Até lá, arrasto-me.
February 28, 2006
uma primeira vez para tudo...
Bom. Pela primeira vez nestas minhas andanças na blogolândia, vou dirigir um post a alguém. Uma "alguém" que me desafiou a aumentar a lista de estranhos hábitos que postei há pouco tempo. Começaram por ser dez, mas como como reclamei a coisa já vai em vinte. É melhor despachar-me senão a Cruella vai pôr-me a escrever até ao Ano Novo.
Podia levar isto no gozo e pura e simplesmente debitar duas dezenas dos disparates que me acompanham no dia-a-dia, fruto do hábito de quatro décadas de vida. Ou então, devido ao respeito e consideração que ganhei pela desafiadora, levar isto um bocadinho mais a sério. Para isso, há que afirmar o óbvio: todos os estranhos hábitos que tenho, seja chegar tarde a todo o lado, ou só sair de casa de banhinho tomado, advêm pura e simplesmente das minhas piores falhas de carácter. Listar estas últimas é mais fácil que listar vinte hábitos mais ou menos estranhos, porque são bastante menos. Quase todas as minhas manias que irritam os outros provêm de dois simples defeitos graves: egoísmo e imaturidade.
O egoísmo faz-me ignorar - ou não dar importância - à maior parte das pessoas que me rodeia. Daí nunca me lembrar do nome de ninguém, ou não querer saber se estão à minha espera, ou seja o que for. Inconscientemente, tudo aquilo que não se passa no Planeta João não me interessa minimamente. É a mesma razão - ou uma das razões - que faz com que não saia da agência, seja a que horas for, sem dar uma voltita na web ou antes de jogar um bocadinho no computador.
A imaturidade tem efeitos semelhantes, levando-me a pensar sempre que o despertador toca "... o mundo não vai acabar antes das onze de certeza... só mais dez minutos...", ou a mandar tudo às urtigas até às quatro da tarde e ir passear para a praia (no Inverno). Também tem um lado divertido, claro, que me permite deitar a língua de fora aos taxistas no Marquês de Pombal depois de uma particular alarvidade ao volante. Ou a buzinar e a dizer adeus às patrulhas da GNR-BT pacatamente parqueadas na berma da estrada.
A única circunstância atenuante que posso invocar é que conheço bem os meus defeitos e tento, sempre que me apercebo disso, corrigir as minhas atitudes. Claro que falho redondamente a maioria das vezes, mas ando a tratar-me. É pena as ampolas já não fazerem efeito.
Peço-te desculpa, Sílvia, porque o teu desafio não gerou um post divertido e levezinho. Mas, como tenho intenção de voltar a trabalhar contigo, talvez venhas a presenciar muitas das minhas manias. Com sorte, as mais inofensivas.
Podia levar isto no gozo e pura e simplesmente debitar duas dezenas dos disparates que me acompanham no dia-a-dia, fruto do hábito de quatro décadas de vida. Ou então, devido ao respeito e consideração que ganhei pela desafiadora, levar isto um bocadinho mais a sério. Para isso, há que afirmar o óbvio: todos os estranhos hábitos que tenho, seja chegar tarde a todo o lado, ou só sair de casa de banhinho tomado, advêm pura e simplesmente das minhas piores falhas de carácter. Listar estas últimas é mais fácil que listar vinte hábitos mais ou menos estranhos, porque são bastante menos. Quase todas as minhas manias que irritam os outros provêm de dois simples defeitos graves: egoísmo e imaturidade.
O egoísmo faz-me ignorar - ou não dar importância - à maior parte das pessoas que me rodeia. Daí nunca me lembrar do nome de ninguém, ou não querer saber se estão à minha espera, ou seja o que for. Inconscientemente, tudo aquilo que não se passa no Planeta João não me interessa minimamente. É a mesma razão - ou uma das razões - que faz com que não saia da agência, seja a que horas for, sem dar uma voltita na web ou antes de jogar um bocadinho no computador.
A imaturidade tem efeitos semelhantes, levando-me a pensar sempre que o despertador toca "... o mundo não vai acabar antes das onze de certeza... só mais dez minutos...", ou a mandar tudo às urtigas até às quatro da tarde e ir passear para a praia (no Inverno). Também tem um lado divertido, claro, que me permite deitar a língua de fora aos taxistas no Marquês de Pombal depois de uma particular alarvidade ao volante. Ou a buzinar e a dizer adeus às patrulhas da GNR-BT pacatamente parqueadas na berma da estrada.
A única circunstância atenuante que posso invocar é que conheço bem os meus defeitos e tento, sempre que me apercebo disso, corrigir as minhas atitudes. Claro que falho redondamente a maioria das vezes, mas ando a tratar-me. É pena as ampolas já não fazerem efeito.
Peço-te desculpa, Sílvia, porque o teu desafio não gerou um post divertido e levezinho. Mas, como tenho intenção de voltar a trabalhar contigo, talvez venhas a presenciar muitas das minhas manias. Com sorte, as mais inofensivas.
February 24, 2006
abençoada variz
Segundo as notícias de hoje, Alberto João Jardim não vai poder participar no desfile de Carnaval da Madeira, por causa das varizes. Haverá uma abençoada variz que o impeça de presidir ao Governo Regional?
February 23, 2006
tempus fugit
Pois. Isto de estar cheio de trabalho reflecte-se na "postagem". Não tenho tempo nem para me coçar, nem para postar.
Raio de vida.
Ainda por cima, na próxima posta tenho de responder a um desafio que me fizeram há quatro ou cinco posts atrás: revelar os meus 10 maiores hábitos estranhos (ai...).
Raio de vida.
Ainda por cima, na próxima posta tenho de responder a um desafio que me fizeram há quatro ou cinco posts atrás: revelar os meus 10 maiores hábitos estranhos (ai...).
February 20, 2006
February 17, 2006
intelectuais

Vinha hoje no pópó para o emprego - atrasado como nunca - a ouvir um CD que me fez lembrar uma crónica do António Mega Ferreira de há umas semanas atrás. A musiquita em questão era a 40ª sinfonia de Mozart (KV 550 em Sol Menor, só p'ra dar um ar intelectual) e fez-me lembrar o sôr Mega porque a crónica em questão referia-se aos 250 anos de aniversário do compositor. Através de uma série de argumentos aparentemente inabaláveis, o Grande Mega demonstra como Mozart se tornou um produto kitsch. Popularucho.
Sinceramente não me recordo do artigo na íntegra, mas entre a evocação de sinfonias menos conhecidas do grande público, o assobiar popular da abertura da Júpiter (41ª), as caixas de bonbons e o "horroroso" Amadeus de Milos Forman, ficámos a conhecer a espessura cultural do irmão Mega.
Se há coisa que me irrita são os nossos pseudo-intelectuais e sua propensão para pensar que a "Cultura" é propriedade sua, de compreensão inatingível pelo vulgar cidadão. Para isso acham importante saber onde nasceu o compositor/autor/pintor/senhora-da-limpeza, saber quantas sinfonias compôs ou qual a direcção predilecta da pincelada do artista, ou qual o seu número de sapato ou de cueca.
Da última vez que pensei no assunto, há mais ou menos 20 anos, cheguei à conclusão que a Cultura deve ser aberta a todos e não um produto hermético propriedade de meia-dúzia de iluminados. Cheguei também à conclusão que quaisquer que sejam os meios que se utilizem para fazer chegar os produtos culturais ao grande público, estes são válidos. Por isso, por fantasioso e incorrecto que seja, o Amadeus de Forman é de louvar. Bem como a interpretação de Gary Oldman enquanto Beethoven - num filme obscuro que relata a 3ª sinfonia. O mesmo faz a "Paixão de Shakespeare", que impinge o texto inteiro de Romeu e Julieta de uma forma acessível para qualquer um.
Eu, porque sou um apreciador de música, conheço a 40ª e a 41ª. Também conheço a 35ª ou a 23ª. E se me perguntarem posso afirmar que prefiro Karl Bohm a Karajan para dirigir Mozart. Mas isto sou eu, que me interesso por música e porque a oiço em qualquer sítio - no carro, na casa de banho ou no trabalho. Mas também aprecio U2, ou Ella Fitzgerald, ou os Stones ou, raramente, Marisa. Isto não faz de mim intelectual ou o raio que me parta: apenas uma pessoa que gosta de música e, vá-se lá saber porquê, de banda desenhada e de chouriço de sangue.
O Grande Mega perdeu mais uma grande oportunidade para estar calado.
February 14, 2006
maniqueismo
Há dois ou três posts atrás utilizei a palavra "pretos" para definir pessoas de uma determinada raça. Anátema! Houve logo um amigo meu que me fez o reparo, rotulando-me de bárbaro: "Ao menos 'negros', João".
Confesso que nunca penso antes de definir alguém como "preto" ou "branco". Não o considero um insulto, nem muito menos uma forma simples de catalogar as pessoas. É pura e simplesmente um termo enraizado na nossa língua, como qualquer outro. Tal como não me considero "branco" - posso ser rosado, arroxeado com frio, beige, amarelado depois de uma valente comezaina, acastanhado no Verão, etc. - também não considero os pretos... pretos. São na melhor das hipóteses castanhos. Alguns mais claros, outros mais escuros, uns de traços fisionómicos típicos da raça mais carregados, outros menos, e pronto. Basicamente são pessoas. E como pessoas que são não tenho de estar com subterfúgios linguísticos "politicamente correctos" para os definir rapidamente, numa frase.
Por outro lado desconfio de termos como "negro", ou o muito americano "african american", ou qualquer outro que revele condescendência e algum sentido de superioridade encapotada. Um preto é um preto, tal como um branco é um branco, e isso não é motivo de orgulho ou pesar. É apenas um tom de pele que revela, no máximo, a adaptabilidade do ser humano ao meio ambiente. O resto é racismo. E semântica.
Confesso que nunca penso antes de definir alguém como "preto" ou "branco". Não o considero um insulto, nem muito menos uma forma simples de catalogar as pessoas. É pura e simplesmente um termo enraizado na nossa língua, como qualquer outro. Tal como não me considero "branco" - posso ser rosado, arroxeado com frio, beige, amarelado depois de uma valente comezaina, acastanhado no Verão, etc. - também não considero os pretos... pretos. São na melhor das hipóteses castanhos. Alguns mais claros, outros mais escuros, uns de traços fisionómicos típicos da raça mais carregados, outros menos, e pronto. Basicamente são pessoas. E como pessoas que são não tenho de estar com subterfúgios linguísticos "politicamente correctos" para os definir rapidamente, numa frase.
Por outro lado desconfio de termos como "negro", ou o muito americano "african american", ou qualquer outro que revele condescendência e algum sentido de superioridade encapotada. Um preto é um preto, tal como um branco é um branco, e isso não é motivo de orgulho ou pesar. É apenas um tom de pele que revela, no máximo, a adaptabilidade do ser humano ao meio ambiente. O resto é racismo. E semântica.
February 10, 2006
estranhos hábitos
O Hmémnon desafiou-me a partilhar 5 estranhos hábitos meus. Não costumo embarcar neste tipo de coisas mas... vamos lá então.
(só um detalhe: não sei se são estranhos, mas que irritam muito boa gente, lá isso irritam.)
Um - nunca chego a horas seja onde for. O meu atraso já não é um hábito, é uma tradição.
Dos - nunca me lembro do nome das pessoas, a não ser que as conheça há já algum tempo. É muito normal uma conversa comigo começar com "Olá está bom?... aaaaahhhhentão o que tem feito?".
Trois - nunca saio de casa sem beber um café. Posso estar três quartos de hora atrasado mas sem cafeína é que não.
Quator - nunca leio traduções de livros dos quais compreenda a língua original. Passo por pedante mas não quero saber.
Five - nunca saio de casa sem tomar duche. Se só eu puder salvar o Mundo mas não houver água, podem dizer adeus à espécie humana.
Garanto que foi difícil escolher só cinco...
(só um detalhe: não sei se são estranhos, mas que irritam muito boa gente, lá isso irritam.)
Um - nunca chego a horas seja onde for. O meu atraso já não é um hábito, é uma tradição.
Dos - nunca me lembro do nome das pessoas, a não ser que as conheça há já algum tempo. É muito normal uma conversa comigo começar com "Olá está bom?... aaaaahhhhentão o que tem feito?".
Trois - nunca saio de casa sem beber um café. Posso estar três quartos de hora atrasado mas sem cafeína é que não.
Quator - nunca leio traduções de livros dos quais compreenda a língua original. Passo por pedante mas não quero saber.
Five - nunca saio de casa sem tomar duche. Se só eu puder salvar o Mundo mas não houver água, podem dizer adeus à espécie humana.
Garanto que foi difícil escolher só cinco...
February 09, 2006
Não me apetece muito comentar a onda de estupidez asinina que corre em muitos países muçulmanos a propósito de uns quantos cartoons dinamarqueses. A intolerância, xenofobia, ignorância e outros epítetos do género são habituais nessas sociedades, portanto não vale a pena. O mundo islâmico regrediu muito desde a "nossa" Idade Média e vai levar muito tempo até aderir a outros tipos de organização social.
Não me apetece também comentar a propriedade da publicação de uns quantos cartoons. A sociedade europeia é, na sua generalidade, democrática e em democracia existe liberdade de expressão absoluta. Se os nossos cartonistas gozam com o Papa, se os Monty Pithon gozam desbragadamente com Cristo, porque não podem os dimarqueses gozar com o Mafamede? Fim da questão.
Poderia no entanto comentar as atitudes "politicamente correctas" dos nossos (e não só) políticos. Mas seria um comentário longo, onde teria de abordar o adormencimento da sociedade europeia; onde teria de comentar o comodismo aburguesado das sociedades europeias em geral; onde teria de comentar também...
Não comento.
Não me apetece também comentar a propriedade da publicação de uns quantos cartoons. A sociedade europeia é, na sua generalidade, democrática e em democracia existe liberdade de expressão absoluta. Se os nossos cartonistas gozam com o Papa, se os Monty Pithon gozam desbragadamente com Cristo, porque não podem os dimarqueses gozar com o Mafamede? Fim da questão.
Poderia no entanto comentar as atitudes "politicamente correctas" dos nossos (e não só) políticos. Mas seria um comentário longo, onde teria de abordar o adormencimento da sociedade europeia; onde teria de comentar o comodismo aburguesado das sociedades europeias em geral; onde teria de comentar também...
Não comento.
assino por baixo
Um abaixo-assinado interessante este. Não concordo com a totalidade do texto mas, no essencial, está correcto.
February 03, 2006
carissimos irmaos, estamos aqui reunidos...

Há duas senhoras, homossexuais assumidas de mão dada e tudo, que se querem casar. No Registo Civil. Papel passado e tudo. Não as deixam: "Pouca vergonha é esta?!" gritam os conservadores do costume. O tuga médio, no seu habitual laissez-faire, não está nem aí para o assunto e discute ferozmente o Sporting-Benfica como se não houvesse amanhã.
Como o tuga médio, também não estou nem aí para o casamento destas raparigas em particular, ou para qualquer outra boda de qualquer casal "alternativo". Não me diz respeito. Seja o que for o que dois adultos consentâneos quiserem fazer com a sua vida particular não me diz respeito nem me interessa particularmente. Mas não percebo.
Enquanto os heterossexuais andam a arranjar trinta-e-um estratagemas para acabarem com o casamento, vêm os homossexuais tentar casar-se a todo o custo. Para quê? O casamento enquanto tradição judaico-cristã quase sacrossanta está, na melhor das hipóteses, moribundo. Tornou-se praticamente uma formalidade que é possível extinguir sem apresentar razões ou argumentos válidos. O divórcio banalizou-se de tal forma nos últimos trinta anos que já não é minimamente estigmatizado pela sociedade, tornando-se tão corriqueiro como tirar a carta de condução.
A única razão que me ocorre para este desejo matrimonial é a aceitação, e legitimação, da relação homossexual pela sociedade dita "normal", através de um acto legal. Não me parece que seja necessário. Talvez seja mais útil exigir ao poder central que crie leis eficazes que protejam os direitos, patrimoniais e outros, das uniões de facto, sem haver diferenciação destas para as relações matrimoniais "oficiais", e fazer com que estas regras que regem as uniões de facto não distingam entre heterossexualidade e homossexualidade.
Quanto à aceitação social, esta já é quase plena na sociedade portuguesa actual. Haverá sempre uns cromos que acharão as relações homossexuais anti-natura, mas infelizmente também costumam achar que as relações entre pretos e brancos, e outras, também o são. Não é a oficialização pelo casamento que extermina os cromos. Infelizmente, nem o Raid.
February 01, 2006
passaram-se
A blogosfera nacional anda em polvorosa. Eléctrica. Doida (leia-se com sotaque gay). Tudo porque Vasco Pulido Valente se juntou à comunidade. Uau!
No seu primeiro post revelou-nos, em jeito de crítica ao sistema, como foi a sua experiência de deputado da nação. Quanto a mim apenas revelou como, durante não sei quanto tempo, andou a desperdiçar o erário público e a ser um perfeito inútil. Um deputado consumado como tantos outros. Preferia não ter sabido: perdi-lhe mais um bocadito de respeito.
Que VPV passe a utilizar um blog como meio de comunicação é perfeitamente lógico: é mais uma forma de transmitir as suas ideias, crónicas, opiniões e habitual verborreia. Que a restante comunidade blogueira rejubile como umas virgens em noite de núpcias, já não entendo. É só mais um, a juntar a muitos outros. Não dá mais prestígio aos anónimos que postam todos os dias, nem menos. Não dá mais "peso" ao meio em si, porque é apenas mais um em cerca de 100 milhões.
Às vezes levamo-nos demasiado a sério.
No seu primeiro post revelou-nos, em jeito de crítica ao sistema, como foi a sua experiência de deputado da nação. Quanto a mim apenas revelou como, durante não sei quanto tempo, andou a desperdiçar o erário público e a ser um perfeito inútil. Um deputado consumado como tantos outros. Preferia não ter sabido: perdi-lhe mais um bocadito de respeito.
Que VPV passe a utilizar um blog como meio de comunicação é perfeitamente lógico: é mais uma forma de transmitir as suas ideias, crónicas, opiniões e habitual verborreia. Que a restante comunidade blogueira rejubile como umas virgens em noite de núpcias, já não entendo. É só mais um, a juntar a muitos outros. Não dá mais prestígio aos anónimos que postam todos os dias, nem menos. Não dá mais "peso" ao meio em si, porque é apenas mais um em cerca de 100 milhões.
Às vezes levamo-nos demasiado a sério.
January 31, 2006
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