April 30, 2006
April 28, 2006
April 25, 2006
vinte-e-cinco

Devo confessar que nunca celebro o 25 de Abril. Quando o evento se deu era demasiado pequeno para perceber a sua dimensão (se bem que adorava colocar bombinhas de um escudo debaixo do Action Man para simular aquilo que se via nos filmes), agora sou demasiado cínico para ir em conversas.
Não gosto daquilo em que o "25 de Abril" - a expressão - se converteu, seja numa frase gasta do PCP (as conquistas do...), seja enquanto representação terminal da liberdade e democracia - estas ou se conquistam, e merecem, todos os dias ou correm o risco de morrer à míngua. Não sou apreciador da pompa e, principalmente, circunstância com que o dia é celebrado oficialmente: um discurso vazio e redondo do Presidente, uma parada empobrecida das Forças Armadas (a relembrar o Fevereiro soviético) ou as poses ridículas do Parlamento.
Gozo o feriado e já vou com sorte.
Mas há afirmações de um determinado personagem que me irritam particularmente. Alberto João Jardim, o soba da Madeira, tem o mau hábito de vilipendiar o dia da forma mais baixa, apesar de celebrar o feriado e dar ponte aos seus funcionários. Jardim esquece-se que, apesar de tudo, foi essa revolução que insulta que lhe permite ser o dirigentezinho que é, que lhe permite dizer as alarvidades que diz e ter os comportamentos que tem. Falasse ele ao poder do "contenente" desta forma no tempo da Outra Senhora e teria concerteza direito a um bilhetito de ida até ao escritório mais próximo da DGS, seguido de uma viagem gratuita a um qualquer Spa na Guiné ou em Angola.
É fácil ser demagogo e falar de barriga cheia.
April 24, 2006
passeios
Hoje fui a Portalegre... em trabalho, ok?
Meti-me na A2, saí na A-não-sei-quê para Évora, apanhei o IP2 em Estremoz em direcção a Portalegre e, mirabile visu, fui o caminho todo a deliciar-me com o verde dos campos alentejanos - pontilhado pelo amarelo e branco dos malmequeres e pelo violeta da alfazema (ou coisa que o valha) - com as vacasoscarneiroseosporcos e dei comigo a pensar:
"Publicidade... hã hã... design gráfico... yá... problemas com os meios... pois... devia era largar Lisboa, arranjar um monte, criar porcos ou lá que era aquilo à beira da presa e ter um tipo de vida verdadeiramente feliz".
É pena não perceber nada de horta.
Meti-me na A2, saí na A-não-sei-quê para Évora, apanhei o IP2 em Estremoz em direcção a Portalegre e, mirabile visu, fui o caminho todo a deliciar-me com o verde dos campos alentejanos - pontilhado pelo amarelo e branco dos malmequeres e pelo violeta da alfazema (ou coisa que o valha) - com as vacasoscarneiroseosporcos e dei comigo a pensar:
"Publicidade... hã hã... design gráfico... yá... problemas com os meios... pois... devia era largar Lisboa, arranjar um monte, criar porcos ou lá que era aquilo à beira da presa e ter um tipo de vida verdadeiramente feliz".
É pena não perceber nada de horta.
ainda o carrilho
O sôr Manuel Maria, não contente com o ter faltado à sessão de câmara noticiada, enviou no passado Sábado um e-mail a todos(?) os funcionários da Câmara a justificar a sua ausência. Justifica-se a dita alimária com a necessidade de estar presente no Parlamento. Como não pôs os pés no Parlamento, deve pensar que os ditos funcionários são, no mínimo, parvos. Não contente com isso, a sua justificação tem a duração de um parágrafo, sendo o restante e-mail (cerca de duas páginas) usado para tentar a demonstrar a incompetência da presidência da CML.
A minha avó costumava dizer que as pessoas deviam ter vergonha na cara. O que diria a avó do sôr Manuel Maria?
A minha avó costumava dizer que as pessoas deviam ter vergonha na cara. O que diria a avó do sôr Manuel Maria?
April 21, 2006
moda
Ouvi de raspão, no outro dia, que "está na moda arrear nos políticos…". Isto a propósito da falta de Carrilho à sessão de Câmara que, presumivelmente, faria entrar mais 1600 funcionários para os quadros definitivos da CML.
Não sei se não deveríamos agradecer a falta do Manuel Maria…
Infelizmente, conheço bem os meadros da CêMêLê e, desde tomou posse, o sôr Manuel Maria, político denodado que quis presidir aos destinos da dita Câmara Municipal por se preocupar tanto com a cidade e seus cidadãos, raramente põe os pézitos na Câmara, seja nas sessões de Câmara, na Assembleia Municipal ou no seu gabinete. Não vai lá. Ponto. Talvez por ser um cargo menor, que não lhe dá visiblidade política. Talvez por ser inútil. Porque é uma chatice. Porque a Bárbara está à espera e é muito mais gira. Porque não lhe apetece.
O sôr Manuel Maria esquece-se de que é pago pelos seus concidadãos para lá ir. Para trabalhar e fazer o que puder pela cidade. Como é pago pelos mesmos para ir ao Parlamento. Para votar e trabalhar em prol da Nação. O sôr Manuel Maria, quando falta ao trabalho, transforma-se num aldrabão, que ludibria os seus concidadãos para lhe pagarem dois salários que não merece, que não faz nada para receber.
Não se pode despedir os políticos?
Não sei se não deveríamos agradecer a falta do Manuel Maria…
Infelizmente, conheço bem os meadros da CêMêLê e, desde tomou posse, o sôr Manuel Maria, político denodado que quis presidir aos destinos da dita Câmara Municipal por se preocupar tanto com a cidade e seus cidadãos, raramente põe os pézitos na Câmara, seja nas sessões de Câmara, na Assembleia Municipal ou no seu gabinete. Não vai lá. Ponto. Talvez por ser um cargo menor, que não lhe dá visiblidade política. Talvez por ser inútil. Porque é uma chatice. Porque a Bárbara está à espera e é muito mais gira. Porque não lhe apetece.
O sôr Manuel Maria esquece-se de que é pago pelos seus concidadãos para lá ir. Para trabalhar e fazer o que puder pela cidade. Como é pago pelos mesmos para ir ao Parlamento. Para votar e trabalhar em prol da Nação. O sôr Manuel Maria, quando falta ao trabalho, transforma-se num aldrabão, que ludibria os seus concidadãos para lhe pagarem dois salários que não merece, que não faz nada para receber.
Não se pode despedir os políticos?
April 20, 2006
%
Há um ano atrás meio mundo deu na cabeça de Bagão Félix e, principalmente, de Santana Lopes, porque o défice das contas do Estado era de 5,2%. Bem acima do valor de 3% indicado pela União.
Agora o défice é de 6%. Ninguém se insurge. Os jornalistas estão caladinhos que nem ratos. O governador do Banco de Portugal perdeu o pio. Ninguém apelida o primeiro-ministro de incompetente, ou utiliza qualquer outro miminho para caracterizar o personagem.
O problema não é terem tratado Santana como se fosse atrasado mental, porque ele é retardado de certezinha absoluta. Não é isso que está em causa. Aquilo que importa é o princípio da equidade, que tem de ser aplicado por aqueles que fazem disso a sua profissão: os jornalistas e, acima de tudo, o governador do Banco de Portugal.
As preferências partidárias ou ideológicas não podem servir para desculpar ou encapotar a realidade dos factos: este PM é tão mau como os anteriores. E, consequentemente, tanto os nossos jornalistas como Constâncio são péssimos profissionais.
Agora o défice é de 6%. Ninguém se insurge. Os jornalistas estão caladinhos que nem ratos. O governador do Banco de Portugal perdeu o pio. Ninguém apelida o primeiro-ministro de incompetente, ou utiliza qualquer outro miminho para caracterizar o personagem.
O problema não é terem tratado Santana como se fosse atrasado mental, porque ele é retardado de certezinha absoluta. Não é isso que está em causa. Aquilo que importa é o princípio da equidade, que tem de ser aplicado por aqueles que fazem disso a sua profissão: os jornalistas e, acima de tudo, o governador do Banco de Portugal.
As preferências partidárias ou ideológicas não podem servir para desculpar ou encapotar a realidade dos factos: este PM é tão mau como os anteriores. E, consequentemente, tanto os nossos jornalistas como Constâncio são péssimos profissionais.
April 16, 2006
quo vadis, ecclesia...
Segundo o cardeal Francis Stafford, passar muitas horas a ver televisão, fazer buscas na Internet ou simplesmente ler o jornal são actividades consideradas pelo Vaticano como «novos pecados». Que é como quem diz, passar muito tempo a ler jornais, ver televisão e navegar na Internet diminui a fé cristã.
Como diria Stafford... "naturally". Se há fenómeno que a História demonstra, é que quanto mais informada for uma qualquer população, maior é o seu afastamento da Igreja. Quanto a mim há uma pequena subtileza: o afastamento é relativo à Igreja e não à fé, seja ela cristã ou outra.
Para a Igreja Católica, que não anda no negócio da religião há dois dias, sabe como será dramático se perder o seu público tradicional, europeu. A Igreja Católica é um fenómeno fundamentalmente europeu, espaço onde na realidade surgiu e se desenvolveu, e de onde partiu para o resto do mundo. Se desaparecer aqui, desaparece de todo. É portanto natural que tente, por todos os meios possíveis, restringir o acesso à informação e, simultaneamente, atrasar o mais possível a "sociedade da informação". Já o fez no passado e pretende continuar a fazê-lo no futuro. Provavelmente, se a Igreja tivesse levado a sua avante, o mundo ainda seria plano e repimpado no centro do universo, a mulher ainda deveria obediência ao homem, o homem branco (criado à imagem de deus) seria o único Homem, sendo as outras raças pouco mais que animais falantes, etc.
O conhecimento e a informação sempre foram inimigos das religiões, principalmente de uma religião centralizadora com tiques teocráticos como o catolicismo.
Como diria Stafford... "naturally". Se há fenómeno que a História demonstra, é que quanto mais informada for uma qualquer população, maior é o seu afastamento da Igreja. Quanto a mim há uma pequena subtileza: o afastamento é relativo à Igreja e não à fé, seja ela cristã ou outra.
Para a Igreja Católica, que não anda no negócio da religião há dois dias, sabe como será dramático se perder o seu público tradicional, europeu. A Igreja Católica é um fenómeno fundamentalmente europeu, espaço onde na realidade surgiu e se desenvolveu, e de onde partiu para o resto do mundo. Se desaparecer aqui, desaparece de todo. É portanto natural que tente, por todos os meios possíveis, restringir o acesso à informação e, simultaneamente, atrasar o mais possível a "sociedade da informação". Já o fez no passado e pretende continuar a fazê-lo no futuro. Provavelmente, se a Igreja tivesse levado a sua avante, o mundo ainda seria plano e repimpado no centro do universo, a mulher ainda deveria obediência ao homem, o homem branco (criado à imagem de deus) seria o único Homem, sendo as outras raças pouco mais que animais falantes, etc.
O conhecimento e a informação sempre foram inimigos das religiões, principalmente de uma religião centralizadora com tiques teocráticos como o catolicismo.
April 14, 2006
los jefes
A semana passada o nosso Primeiro lembrou-se de dar tolerância de ponto à função pública para esta Quinta-feira, não sei bem a que título. Talvez por tradição. Se formos ver bem a coisa, tendo em conta que estamos na Semana Santa talvez devesse ter dado tolerância para a semana toda.
Os nossos deputaditos, tradicionais e bons crentes, decidiram não pôr os pés no trabalho a partir de Quarta-feira. Chicos-espertos como os demais tugas, deram um saltito à Assembleia de manhã cedo para assinar o livro de ponto, e depois toca de dar às de Vila Diogo como se não fosse nada com eles. Até deu jeito porque assim, cedinho, evitam o trânsito na ponte e nas portagens junto à Via do Infante.
Aquilo que tanto o nosso Primeiro como os deputaditos se esqueceram foi que, como responsáveis pela governação do país, como funcionários eleitos pela populaça, deveriam dar o exemplo. Se no discurso político está na moda a produtividade, a responsabilização profissional e mais uma série de chavões bonitinhos, têm obrigatoriamente de dar este exemplo antes dos demais, dando pelo menos a aparência de denodo no seu trabalho e de esforço a "bem da nação".
Pelo contrário, com estas atitudes, dizem indirectamente aos portugueses, povo de si já esforçado e trabalhador por natureza, que a balda não faz mal.
Desculpem o termo, mas temos mesmo uns políticos de merda.
Os nossos deputaditos, tradicionais e bons crentes, decidiram não pôr os pés no trabalho a partir de Quarta-feira. Chicos-espertos como os demais tugas, deram um saltito à Assembleia de manhã cedo para assinar o livro de ponto, e depois toca de dar às de Vila Diogo como se não fosse nada com eles. Até deu jeito porque assim, cedinho, evitam o trânsito na ponte e nas portagens junto à Via do Infante.
Aquilo que tanto o nosso Primeiro como os deputaditos se esqueceram foi que, como responsáveis pela governação do país, como funcionários eleitos pela populaça, deveriam dar o exemplo. Se no discurso político está na moda a produtividade, a responsabilização profissional e mais uma série de chavões bonitinhos, têm obrigatoriamente de dar este exemplo antes dos demais, dando pelo menos a aparência de denodo no seu trabalho e de esforço a "bem da nação".
Pelo contrário, com estas atitudes, dizem indirectamente aos portugueses, povo de si já esforçado e trabalhador por natureza, que a balda não faz mal.
Desculpem o termo, mas temos mesmo uns políticos de merda.
April 13, 2006
?

A legenda da foto poderia ser "Buckingham e St. James' ".
O "?" do título deve-se a uma dúvida existencial minha, que ao fim de 41 anos ainda não consegui resolver. Isto a propósito dos 80 anos da rainha Isabel II.
A dúvida é a seguinte: o que é melhor para um país, em especial um como o nosso? Uma república ou uma monarquia? Estou a ser muito sincero quando digo que é uma dúvida que tenho, porque sempre que penso no assunto encontro argumentos que defendem, e atacam, ambos os lados.
Se pusermos os protagonistas de lado - se por um lado basta a figurinha do Duarte Pio para acabar com a discussão, por outro lado "el bochechas" a fazer figuras tristes mundo afora também dá vontade de gritar "real real por el-rei de portugal" assim que se acorda - a discussão torna-se difícil. Se a república tem, por um lado, a virtude de nos permitir a ilusão de termos alguma coisa a dizer sobre quem queremos a dirigir a terreola, por outro temos sempre a sensação (real?) de estar a eleger um inútil sem poderes e de estarmos a alimentar a mesma cambada de inúteis até que morram (neste momento sustentamos quatro presidentes... para país nas lonas não está mau). Do outro lado da barricada temos a velhinha monarquia, que como virtude tem a poupança que se faz em eleições quinquenais e respectivas campanhas eleitorais, só sustentamos um inútil por geração e ao menos, de certa forma, a abencerragem sempre vai representando o País desde a sua fundação até hoje (863 anos de improbabilidade).


O argumento da "democracia" e do "desenvolvimento social" não cola. As monarquias representativas da Europa - Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia, Dinamarca, etc. - existem em países bastante mais democráticos e desenvolvidos que o nosso.
Sinceramente, a figurinha de Duarte Pio também não é argumento: se a aparência da família real tivesse alguma pertinência na questão o Reino Unido não era um reino. Era uma coudelaria.
Continuo na Dúvida.
April 12, 2006
que saudades eu ja tinha...

É giro ver a minha casa de cima, a uma distância à minha escolha. Também é giro perceber que tenho de limpar a porcaria do telhado, mas pronto... não podia ser tudo bom.
Aquilo que o Google Earth permite ver, além da minha alegre casinha e arredores, é a aridez em que este país se está a tornar. Não há verde! À volta de Lisboa, então, dá para deprimir um dromedário com 20 anos de companhia tuaregue no lombo. A construção civil, o famoso motor da economia, estraçalhou e continua a estraçalhar o país de Norte a Sul, indescriminadamente, sem que ninguém faça nada para travar ou ordenar a situação. Basta utilizar a linda ferramenta do universo Google para perceber o estado de miséria a que chegámos. Será que ninguém no Ministério da Administração Interna tem acesso à web? ou curiosidade? Invocar ignorância hoje em dia já não vale!
April 11, 2006
bella italia
April 07, 2006
download in progress...

Esteve em Portugal um senhor de nome John Kennedy (sem F) que, em conjunto com as associações discográficas cá do burgo e com a Autoridade, declarou que se iriam iniciar processos criminais contra o download ilegal de musiquitas na web, à imagem do que fazem os Estados Unidos e outros países (quase) tão desenvolvidos como estes. Tendo em conta a celeridade da Justiça do país, dá gozo ouvir estas coisas.
Depois de muito sururu lá se percebeu que se vai processar quem faz upload, e não quem faz download. Como a Procura é que regula a Oferta, não me parece um meio lá muito eficaz de regular a coisa, mas quem sou eu...
Tendo em conta que não sou uploader mas apenas downloader (porque sou de boas famílias), estou-me perfeitamente obrando para o senhor K. e para a Autoridade.
Eu gosto de fazer download das músicas de que nunca compraria o CD: da Ágata para irritar o pessoal na agência; dos Godsmack porque a Segunda-feira de manhã é terrível de suportar; da Marisa para ver se vale a pena gastar dinheiro no CD; dos Madness porque gosto de sorrir, etc.
Por outro lado, gosto de comprar CD's daquela música que realmente aprecio, sejam os Depeche Mode, Beethoven, John Coltrane, o Trio Odemira ou o raio que o parta. Não sei se serei um consumidor atípico, que compra quando pode ter de borla, mas se as editoras querem vender discos, basta-lhes cortarem nas margens astronómicas que têm, acrescentar mais-valia ao CD que vendem - nem que seja um poster da Ágata em trajes menores em cada CD - e fazer as acções de marketing do costume. E não nos chateiem com a "Ótoridade".
April 04, 2006
apple

No passado dia 1 de Abril a Apple fez 30 aninhos. Não é propriamente uma efeméride ou uma data particularmente importante, mas se não fosse a Apple Macintosh ainda andávamos todos a escrever coisas à frente do famoso C:/, provavelmente em monitores preto-e-verde-para-não-cansar-o-olho e o rato não passaria de um mamífero roedor castanho-acinzentado.
Sem Apple Macintosh a Microsoft ter-se-ia ficado pelo MS-DOS e não teria "criado" o Windows, nem o Powerpoint - que existiu para Mac muitos antes de haver versão PC - nem o resto da parafrenália toda que hoje estamos habituados a ver num monitor de computador.
Sem Apple Macintosh não teríamos uma das melhores campanhas publicitárias feitas até hoje: "1984", da Chiat/Day.
Por isso tudo, parabéns.
March 30, 2006
carapaus à espanhola
Um energúmeno qualquer do CDS quer que o partido seja sexy, o PM quer mandar vir espanholas, a presidente da câmara de Felgueiras ri-se impunemente de uma Justiça ineficaz e corrupta, o presidente da câmara de Gondomar insulta alarvemente todos os seus adversários, o presidente da região autónoma da Madeira insulta, também de forma alarve e regularmente, o Governo e 99% dos portugueses, ao que se sabe a maioria dos autarcas deste país são absurdamente corruptos, tal como o são dirigentes desportivos, funcionários públicos, construtores civis, árbitros, juízes...
Não me surpreende nada o nível baixinho, rasteirinho, do debate na Assembleia, seja ele qual for. O que me surpreende é haver quem se surpreenda com isto. Porque "isto" é Portugal. Não no seu melhor mas no seu estado normal. O comentário "à espanhola", digno de Palma Cavalão e do Eusébiozinho como muitos notaram, significa simplesmente que não evoluímos nada desde o final do século XIX, quando Eça apontava os mesmos problemas na sociedade portuguesa que todos hoje apontam. E nesse século escrevia-se que esses mesmos problemas já vinham do tempo de D. João VI e, provavelmente, assim sucessivamente.
À época, atribuía-se este estado de coisas a uma monarquia decadente; há 40 anos atrás, a uma ditadura serôdia; hoje, a uma classe política corrupta. Mas se olharmos para o problema de frente, sem devaneios, vemos que o problema é simplesmente nosso. De todos. O problema está na nossa indiferença, seja profissional, seja na participação cívica, na decisão política, seja no âmbito familiar, seja lá onde for. Os políticos, sejam os monarcas reinantes de antanho (gira, esta), sejam os democratas de hoje, não são mais que um reflexo da generalidade dos portugueses, e estes são, infelizmente, um povo tacanho, de mente fechada, conservador, ignorante na sua grande maioria, com horror ao seu passado e um medo absoluto do futuro. Preferimos escondermo-nos atrás do soporífero do futebol e da novela acéfala a encarar os nossos problemas diários e a encontrar formas de os resolver. Extrapolando esta atitude do indivíduo para a comunidade, é fácil observá-la na forma como as empresas são geridas ou na forma como o Estado "gere" o país.
A solução? É mais do que óbvia, mas isso implica ignorar o Benfica x Barcelona, levantar o cu do sofá e fazer alguma coisa. Mas isso dá uma trabalhêra...
Não me surpreende nada o nível baixinho, rasteirinho, do debate na Assembleia, seja ele qual for. O que me surpreende é haver quem se surpreenda com isto. Porque "isto" é Portugal. Não no seu melhor mas no seu estado normal. O comentário "à espanhola", digno de Palma Cavalão e do Eusébiozinho como muitos notaram, significa simplesmente que não evoluímos nada desde o final do século XIX, quando Eça apontava os mesmos problemas na sociedade portuguesa que todos hoje apontam. E nesse século escrevia-se que esses mesmos problemas já vinham do tempo de D. João VI e, provavelmente, assim sucessivamente.
À época, atribuía-se este estado de coisas a uma monarquia decadente; há 40 anos atrás, a uma ditadura serôdia; hoje, a uma classe política corrupta. Mas se olharmos para o problema de frente, sem devaneios, vemos que o problema é simplesmente nosso. De todos. O problema está na nossa indiferença, seja profissional, seja na participação cívica, na decisão política, seja no âmbito familiar, seja lá onde for. Os políticos, sejam os monarcas reinantes de antanho (gira, esta), sejam os democratas de hoje, não são mais que um reflexo da generalidade dos portugueses, e estes são, infelizmente, um povo tacanho, de mente fechada, conservador, ignorante na sua grande maioria, com horror ao seu passado e um medo absoluto do futuro. Preferimos escondermo-nos atrás do soporífero do futebol e da novela acéfala a encarar os nossos problemas diários e a encontrar formas de os resolver. Extrapolando esta atitude do indivíduo para a comunidade, é fácil observá-la na forma como as empresas são geridas ou na forma como o Estado "gere" o país.
A solução? É mais do que óbvia, mas isso implica ignorar o Benfica x Barcelona, levantar o cu do sofá e fazer alguma coisa. Mas isso dá uma trabalhêra...
March 29, 2006
conversas
O cenário: um café "bemzoco" do Linhó.
A hora: 8:45 da manhã, depois de deixar os miúdos na escola.
Os personagens: três "tias", uma em fato-de-treino-porque-vou-já-a-seguir-para-o-Holmes, as outras duas em traje de tia (jean de etiqueta, camisa de etiqueta, camisola de etiqueta e sapato de etiqueta - desculpem mas não espreitei para ver se a cueca tinha etiqueta).
O diálogo:
Tia 1 (traje-de-Holmes): não sei o que hei-de fazer, é uma canseira...
Tia 2 (etiqueta): eu sei filha, eu sinto o mesmo...
Tia 3 (etiqueta): hmmm, hmmm (com as beiças enfiadas na meia de leite)...
Tia 1: é que parece que não faço mais nada... venho pô-los a esta hora estúpida, depois estou cá outra vez às quatro...
Tia 2: ...
Tia 3: parece que não temos vida própria, não é?
Tia 1: e o que se anda de automóvel... para lá... para cá... ainda é uma despesa!
(nota: a Tia mora na Beloura, a 500m da escola, fazendo o trajecto de Volvo XC70 diariamente)
Tia 2: e ir às festas? parece que há uma criança a fazer anos quase todo o santo fim-de-semana...
Tia 1: é verdade! nem ao fim-de-semana podemos fazer o que queremos...
Tia 2: arranje um homem...
Tia 3: um homem?!
Tia 2: um homem... um chofér (até devem escrever o cargo como o pronunciam)
Tia 1: só se fosse a tempo inteiro... para isso tinha de ser um casal.
Tia 3: e então?
Tia 1: se calhar... com a despesa de gasolina e com o que deixo de fazer, se calhar até compensa...
Tia 2: além disso, dava para fazerem mais umas coisas na casa. Sei lá... jardinagem ou coisa que o valha...
(...)
A partir daqui desliguei. A estupidez e possidonite eram de tal ordem que o café quase não se aguentou no estômago. Conheço grande parte das mães e dos pais que têm os filhos na dita escola e, tal como eu, tanto pai como mãe trabalham, correm de um lado para o outro a transportar os filhos durante a semana e ao fim de semana, ajudam-nos com os TPC, educam-nos... ou seja, têm a vida que escolheram no momento em que decidiram formar uma família. E, apesar de cansados, por vezes frustrados e outras vezes felizes da vida, andam em frente e não se queixam.
Ouvir aquelas três galinhas logo de manhã, por muito divertido que seja, dá vontade de fugir para outro planeta.
A hora: 8:45 da manhã, depois de deixar os miúdos na escola.
Os personagens: três "tias", uma em fato-de-treino-porque-vou-já-a-seguir-para-o-Holmes, as outras duas em traje de tia (jean de etiqueta, camisa de etiqueta, camisola de etiqueta e sapato de etiqueta - desculpem mas não espreitei para ver se a cueca tinha etiqueta).
O diálogo:
Tia 1 (traje-de-Holmes): não sei o que hei-de fazer, é uma canseira...
Tia 2 (etiqueta): eu sei filha, eu sinto o mesmo...
Tia 3 (etiqueta): hmmm, hmmm (com as beiças enfiadas na meia de leite)...
Tia 1: é que parece que não faço mais nada... venho pô-los a esta hora estúpida, depois estou cá outra vez às quatro...
Tia 2: ...
Tia 3: parece que não temos vida própria, não é?
Tia 1: e o que se anda de automóvel... para lá... para cá... ainda é uma despesa!
(nota: a Tia mora na Beloura, a 500m da escola, fazendo o trajecto de Volvo XC70 diariamente)
Tia 2: e ir às festas? parece que há uma criança a fazer anos quase todo o santo fim-de-semana...
Tia 1: é verdade! nem ao fim-de-semana podemos fazer o que queremos...
Tia 2: arranje um homem...
Tia 3: um homem?!
Tia 2: um homem... um chofér (até devem escrever o cargo como o pronunciam)
Tia 1: só se fosse a tempo inteiro... para isso tinha de ser um casal.
Tia 3: e então?
Tia 1: se calhar... com a despesa de gasolina e com o que deixo de fazer, se calhar até compensa...
Tia 2: além disso, dava para fazerem mais umas coisas na casa. Sei lá... jardinagem ou coisa que o valha...
(...)
A partir daqui desliguei. A estupidez e possidonite eram de tal ordem que o café quase não se aguentou no estômago. Conheço grande parte das mães e dos pais que têm os filhos na dita escola e, tal como eu, tanto pai como mãe trabalham, correm de um lado para o outro a transportar os filhos durante a semana e ao fim de semana, ajudam-nos com os TPC, educam-nos... ou seja, têm a vida que escolheram no momento em que decidiram formar uma família. E, apesar de cansados, por vezes frustrados e outras vezes felizes da vida, andam em frente e não se queixam.
Ouvir aquelas três galinhas logo de manhã, por muito divertido que seja, dá vontade de fugir para outro planeta.
March 28, 2006
circo
Uma reunião adiada, dois cafés fechados, uma outra empresa fechada antes das 17:00h.
E assim me apercebi que hoje o Benfica jogava com uns espanhóis quaisquer. Apercebi-me também porque temos o país que temos, ou porque está no estado que está.
Panem et circenses... não vale a pena dizer mais nada.
E assim me apercebi que hoje o Benfica jogava com uns espanhóis quaisquer. Apercebi-me também porque temos o país que temos, ou porque está no estado que está.
Panem et circenses... não vale a pena dizer mais nada.
March 22, 2006
primavera
Ontem foi o primeiro dia de Primavera. O meu filho fez onze anos. Comparando os dois acontecimentos, o primeiro não tem a menor importância.
Parabéns, Gui!
Parabéns, Gui!
choque civilizacional
(ainda relacionado com o post anterior, o choque tecnológico, o acesso à web e essas tretas todas)
Por muito que o primeiro-ministro discurse, por muito que Mariano Gago se torça, ainda não percebi para que serve o Choque Tecnológico e a quem se dirige. Aos Particulares? Às Empresas? A todos? Aos ingleses (para verem)?
Um Programa (com Pê Grande) deste tipo dirigido às empresas é um disparate: as empresas quando têm de investir em tecnologia fazem-no quando podem, quando devem e quando lhes apetece. O governo só tem de garantir uma carga fiscal (IRC, IVA, Taxa Social Única) baixa, que permita às empresas criarem reservas de capital que possam ser reinvestidas - seja em tecnologia, em recursos humanos ou em qualquer área necessária num dado momento da vida de empresa. Ponto. Não tem de fazer absolutamente mais nada. Criar incentivos (fiscais ou outros) para este tipo de investimento é em grande medida, como se provou no passado, premiar a incompetência e o oportunismo. Se um qualquer empresário quiser investir os ganhos da sua empresa em Ferraris ou disparate do género, fá-lo-à com ou sem incentivos e levará a empresa à falência de qualquer modo. O inverso é igualmente verdade.
O mesmo Programa (também com Pê grande) dirigido aos particulares menos sentido faz. O tuga médio fará com o PC novinho em folha e acesso à net em banda larga o mesmo que faz com o PC de 1984 com um modem a 56k: ignora o Word, o Excel e o Powerpoint e navega direitinho ao site pornográfico mais próximo. Não deixa o miúdo lá de casa procurar documentação de estudo na net, não vá o filho sair ao pai e navegar na mesma direcção, nem procura informar-se nem educar-se.
Porque o problema do tuga médio não é a dificuldade de acesso à tecnologia ou à informação (como se vê pela profusão de telemóveis), mas sim um problema de Educação. Ao Estado cabe, de novo, ter uma política fiscal eficaz e moderada (reduzindo o IVA, efectivando a colecta fiscal, etc.) e, através dos mecanismos reguladores da concorrência e do mercado, obrigar os operadores a praticar preços de acesso à internet razoáveis e acessíveis à realidade económica nacional. Por outro lado deve acabar com a total ineficácia do nosso sistema educativo, para que o tuga, esse estranho mamífero, navegue em direcções mais proveitosas.
Não vejo, sinceramente, onde é que está a falha no meu raciocínio. Por isso acho que o Choque Tecnológico não passa de mais uma das muitas medidas para (preencher com nacionalidade preferida) ver.
Por muito que o primeiro-ministro discurse, por muito que Mariano Gago se torça, ainda não percebi para que serve o Choque Tecnológico e a quem se dirige. Aos Particulares? Às Empresas? A todos? Aos ingleses (para verem)?
Um Programa (com Pê Grande) deste tipo dirigido às empresas é um disparate: as empresas quando têm de investir em tecnologia fazem-no quando podem, quando devem e quando lhes apetece. O governo só tem de garantir uma carga fiscal (IRC, IVA, Taxa Social Única) baixa, que permita às empresas criarem reservas de capital que possam ser reinvestidas - seja em tecnologia, em recursos humanos ou em qualquer área necessária num dado momento da vida de empresa. Ponto. Não tem de fazer absolutamente mais nada. Criar incentivos (fiscais ou outros) para este tipo de investimento é em grande medida, como se provou no passado, premiar a incompetência e o oportunismo. Se um qualquer empresário quiser investir os ganhos da sua empresa em Ferraris ou disparate do género, fá-lo-à com ou sem incentivos e levará a empresa à falência de qualquer modo. O inverso é igualmente verdade.
O mesmo Programa (também com Pê grande) dirigido aos particulares menos sentido faz. O tuga médio fará com o PC novinho em folha e acesso à net em banda larga o mesmo que faz com o PC de 1984 com um modem a 56k: ignora o Word, o Excel e o Powerpoint e navega direitinho ao site pornográfico mais próximo. Não deixa o miúdo lá de casa procurar documentação de estudo na net, não vá o filho sair ao pai e navegar na mesma direcção, nem procura informar-se nem educar-se.
Porque o problema do tuga médio não é a dificuldade de acesso à tecnologia ou à informação (como se vê pela profusão de telemóveis), mas sim um problema de Educação. Ao Estado cabe, de novo, ter uma política fiscal eficaz e moderada (reduzindo o IVA, efectivando a colecta fiscal, etc.) e, através dos mecanismos reguladores da concorrência e do mercado, obrigar os operadores a praticar preços de acesso à internet razoáveis e acessíveis à realidade económica nacional. Por outro lado deve acabar com a total ineficácia do nosso sistema educativo, para que o tuga, esse estranho mamífero, navegue em direcções mais proveitosas.
Não vejo, sinceramente, onde é que está a falha no meu raciocínio. Por isso acho que o Choque Tecnológico não passa de mais uma das muitas medidas para (preencher com nacionalidade preferida) ver.
modernices
O governo da república das bananas decidiu pôr em prática o famoso Choque Tecnológico e, de um dia para o outro, decidiu que o Imposto de Circulação Automóvel - vulgo o "selo do carro" ou "mais um tareco para pôr no vidro tenho de pensar em despendurar o crucifixo do retrovisor" - passa a ser adquirido única e exclusivamente através da net.
Ena!
Espero que a decisão não tenha sido do ministro das finanças, porque revela um problema grave em resolver a aritmética mais simples: se 80% dos portugueses têm carro, e se só 35% dos ditos tugas têm acesso à net, há 45% de desgraçados que vão pagar multas em barda.
Ena!
Espero que a decisão não tenha sido do ministro das finanças, porque revela um problema grave em resolver a aritmética mais simples: se 80% dos portugueses têm carro, e se só 35% dos ditos tugas têm acesso à net, há 45% de desgraçados que vão pagar multas em barda.
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