May 18, 2006

vanitas...

Nesta altura abrem-se as páginas de qualquer pasquim e aquilo que se lê ou está relacionado com o livro de Carrilho, ou com as escolhas de Scolari para a selecção. Normalmente para dizer mal de um e de outro e, no caso da selecção - assunto de importância estratégica para a Nação - para apresentar as diferentes escolhas que faria o comentador-jornalista-político-economista-almeida-chef.

Neste país dizer mal é O Desporto Nacional. Todos dizemos mal. De tudo e de todos. Dizemos mal do Governo, da Saúde, da Justiça, da Selecção, da Limpeza Pública, do Trânsito, do Cão da Vizinha, de Deus e do raio-que-nos-parta. E, fundamentados ou não, apresentamos soluções fabulosas (na verdadeira acepção da palavra) para tudo e mais alguma coisa. A "comunidade bloguista" é um bom exemplo disso.

É fácil e indolor, dizer mal. Infelizmente, muitas vezes não é inodoro.

O mais engraçado é observar os maledicentes, verdadeiros "especialistas dos grandes males da nação", serem totalmente incapazes de resolver os pequenos (por comparação) problemas com que se enfrentam diariamente no trabalho, em casa, no ambiente familiar, etc. Um qualquer Catedrático em Politiquês, no preciso momento em que rebenta um cano em casa nem se lembra da palavra "canalizador", quanto mais estancar a fuga. Se o filho tem problemas na escola culpa imediatamente o Sistema Escolar, sem pensar se pode fazer alguma coisa pelo rebento em casa, apoiando-o no estudo ou seja lá o que for.
Esta atitude observa-se em todas as classes sociais do país, desde o pedreiro que "sabe" de energia nuclear ao político que caiu na pasta de Obras Públicas de pára-quedas, mas ninguém lhe explicou como é que raio é que a pastita afinal se abre.

E, como bom tuga que sou, aqui estou eu a dizer mal.

lendo...

May 16, 2006

Isto de ser pai tem muito que se lhe diga. O meu filhote mais velho - 11 anos de disparates e de sentido de humor retorcido - foi uma semana para fora com os colegas da escola. Um desses disparates de "viagem de fim de curso" no 5º ano. Vai passar uma semana regalado algures em Espanha, segundo dizem com neve, cavalos and so on.

À parte as preocupações do costume - esperemos que não aconteça nada no percurso de camioneta, esperemos que a comida seja alguma coisa de jeito, esperemos que não cheire muito mal quando chegar - a grande verdade é que o puto me faz uma falta desgraçada.

Estou cheio de saudades!

May 12, 2006

a proposito da maternidade

De um lado, lembrou-se o Estado de encerrar meia-dúzia de maternidades onde apenas nasciam uma dezena de crianças por ano, com o argumento de racionalizar custos e recursos. Do outro lado da barricada, levantaram-se as vozes das populações, autarcas e demais atingidos pela medida, reclamando o direito de nascer na sua terra.

Não conheço o problema o suficiente para o poder debater seriamente. A não ser numa pequena questão.

Todos os governos sem excepção clamam que é necessário combater a desertificação do Interior. Cavaco lançou os projectos rodoviários, por exemplo, com esse argumento. Guterres continuou a obra dos governos anteriores com esse argumento. Sócrates defende as SCUT com esse mesmo argumento. Revelou-se que, afinal, as auto-estradas só ajudaram as populações a sair mais depressa do interior do país em direcção à orla costeira, muitas vezes marrando mortalmente umas nas outras.
A desertificação do Interior só se combate dando às populações aí residentes as mesmas condições que teriam no resto do país: condições de trabalho, condições salariais, condições de segurança, acesso a escolas e a outros equipamentos básicos para o seu bem-estar... como uma simples maternidade. Ou uma piscina.
Se um casal jovem, beirão, alentejano ou transmontano, decidir constituir família e se deparar com a ausência daquilo que lhe permite garantir o nascimento e crescimento saudável de um putativo rebento - seja a maternidade, o infantário ou um vendedor confiável de xanax - das duas uma: ou não procria, ou muda-se para Lisboa, para o Porto ou, com o azar costumeiro do portuga, para o Cacém.

Aquilo que a medida socratiana revela é, antes de mais, uma total falta de ideias para o país e para o seu futuro.

May 08, 2006

"crescei e multiplicai-vos..."

... disse o senhor... primeiro-ministro. "Se não o fizerdes, sentireis a minha ira, através de impostos ainda mais altos".
E o senhor, olhando com tristeza para o buraco financeiro onde a segurança social está enfiada, chorou. Depois, cansado que está dos primeiros sete dias de governo, a que o seu povo chama a criação, atirou aos fiéis a solução mais fácil. Taxem-se os inférteis.

Por muito que o governo queira, não é sobretaxando aqueles que não têm filhos, ou só um, que resolve qualquer problema de pouca natalidade nacional. Também não o consegue se recompensar aqueles que têm gene de coelhinho e crias à patada, seja através de subsídios - o abono de família ou outro - seja através de cheques-compra nas lojas Chicco.
Não sei se o PM já reparou, mas o problema não é apenas nacional: grassa através de todo o "primeiro mundo". As taxas de natalidade da Alemanha são tão baixas que os alemães já recebem um fundo especial do World Wildlife Fund; em França fornicam que nem taradinhos mas, como povo avançado que são, já descobriram "la pilule"; os belgas já quase nem existem, mas ninguém vai dar por isso de qualquer modo, portanto tanto faz.

O problema não tem origens económicas mas sim sociais. Tem a ver com o papel da mulher em casa e no local de trabalho. Tem a ver com os vários métodos contraceptivos. Tem a ver com novos modelos de família que se estão a formar na sociedade ocidental. Tem a ver com os valores sociais que nos regem. Tem a ver com a evolução social, com as alterações que sofreu no século XIX durante a revolução industrial e que se desenvolveram após ambas as guerras mundias. E por aí fora. É uma questão sociológica, relacionada com tudo isto e com os níveis de conforto e independência que aprendemos a ter direito.
Evidentemente que para os portugueses, para além de tudo isto, temos que adicionar a crónica falta de dinheiro, o sobreendividamento familiar, o mau sistema de ensino que obriga uma família a gastar rios de dinheiro seja em escolas particulares, infantários ou em livros que só dão para um dos rebentos "que para o ano já ensinam uma coisa diferente lá na escola", etc.

Por muito que o PM queira, nada disto se resolve por decreto, ou pela emissão de impostos ou subsídios especiais. Há soluções, mas todas elas são muito demoradas e, para nós, onerosas. Implica mexer nas regras do mercado de trabalho, nas leis de licença de parto, nos incentivos ao teletrabalho e assim sucessivamente.
Se querem pôr os portugueses - de preferência as portuguesas - a parir tem de se modificar a forma de pensar a organização da sociedade. Taxar é, como sempre, estúpido; estúpido.

May 05, 2006

leituras


Gosto de ler jornais. A sério. Gosto de folhear de trás para a frente e de frente para trás, gosto do cheiro da tinta e do som do papel enquanto se folheia. Ler, seja um jornal ou um livro, ou mesmo as páginas amarelas, é um acto intelectual e sensorial. 'Tá bem, ler o Tal & Qual é só sensorial.
Não gosto de ler seja o que for que implique algum tempo de leitura online. No monitor. Cansa-me. Cansa-me os olhos, as costas, a paciência e a beleza. Não posso agarrar no portátil e escolher as minhas posições de leitura preferidas no sofá, que já me valeram várias propostas para integrar um circo chinês.
Ler no computador só tem uma vantagem: não fico com tinta agarrada até aos cotovelos.

diario

"Querido Diário"... sempre adorei esta expressão. Vá-se lá saber porquê mas faz-me sempre lembrar a Margarida e as três sobrinhas.
Isto a propósito do blog. Deste blog, mais precisamente. O Porque Sim, sim. Não tenho tido tempo de escrever, de pensar em nada senão em trabalho. Ainda hoje estive numa reunião de três horas e meia de onde trouxe mais ou menos 182 quilos dele. Se os juntar à tonelada e meia que já tenho em atraso, a coisa torna-se preocupante. Isto só me aborrece porque não tenho tempo de "postar", o que deveria acontecer diariamente (hence this post's title). Pois pode-se dizer que têm sido umas duas ou três semanas de inferno. Se juntar a isto os problemas inerentes à gestão de uma empresa, as fricções com os colegas - detesto o termo "subordinados" - e a falta crónica de açúcar na agência, que me impede de consumir café às banheiras (daquelas em esmalte com 4 patinhas de leão), a coisa torna-se bastante grave.

Felizmente, também tem tido os seus lados positivos: consegui bater uma agência concorrente, bem boa por sinal, que andava a meter o delicado pézinho na minha coutada; saiu finalmente para os meios uma campanha que estava em preparação há 6 meses e não houve nada que corresse mal (esta é inédita); trabalhei finalmente em dupla - publicitês para equipa - com uma miudita meio amalucada que se revelou muito boa profissional (NR: tenho de ter algum cuidado com o que digo porque a miudita vem às vezes espreitar aqui dentro), criativa e, pareceu-me, responsável. Deu gozo.

Ah, é verdade! Soube hoje por telefone que a minha família ainda se lembra de mim. Pas mal.

May 03, 2006

nota #1

Não esquecer de terminar o contrato com a TV Cabo antes de começar o Mundial 2006.

May 01, 2006

you've got mail

Recebi um mail com o assunto - aquele campo do "subject" - intitulado "Sad to have a small penis". Assim. Pimba. Sem aviso prévio.
Recebo ocasionalmente uma série de mails do mesmo cariz educativo, normalamente intitulados "Viagra - the solution to your Problem!".
Das duas uma: ou os meus antigos relacionamentos andam a badalar por tudo quanto é mundo fora, ou o homem macho não é mais que um conjunto de complexos centrados na região imediatamente abaixo do Equador.

April 28, 2006

April 25, 2006

vinte-e-cinco


Devo confessar que nunca celebro o 25 de Abril. Quando o evento se deu era demasiado pequeno para perceber a sua dimensão (se bem que adorava colocar bombinhas de um escudo debaixo do Action Man para simular aquilo que se via nos filmes), agora sou demasiado cínico para ir em conversas.
Não gosto daquilo em que o "25 de Abril" - a expressão - se converteu, seja numa frase gasta do PCP (as conquistas do...), seja enquanto representação terminal da liberdade e democracia - estas ou se conquistam, e merecem, todos os dias ou correm o risco de morrer à míngua. Não sou apreciador da pompa e, principalmente, circunstância com que o dia é celebrado oficialmente: um discurso vazio e redondo do Presidente, uma parada empobrecida das Forças Armadas (a relembrar o Fevereiro soviético) ou as poses ridículas do Parlamento.

Gozo o feriado e já vou com sorte.

Mas há afirmações de um determinado personagem que me irritam particularmente. Alberto João Jardim, o soba da Madeira, tem o mau hábito de vilipendiar o dia da forma mais baixa, apesar de celebrar o feriado e dar ponte aos seus funcionários. Jardim esquece-se que, apesar de tudo, foi essa revolução que insulta que lhe permite ser o dirigentezinho que é, que lhe permite dizer as alarvidades que diz e ter os comportamentos que tem. Falasse ele ao poder do "contenente" desta forma no tempo da Outra Senhora e teria concerteza direito a um bilhetito de ida até ao escritório mais próximo da DGS, seguido de uma viagem gratuita a um qualquer Spa na Guiné ou em Angola.

É fácil ser demagogo e falar de barriga cheia.

April 24, 2006

passeios

Hoje fui a Portalegre... em trabalho, ok?
Meti-me na A2, saí na A-não-sei-quê para Évora, apanhei o IP2 em Estremoz em direcção a Portalegre e, mirabile visu, fui o caminho todo a deliciar-me com o verde dos campos alentejanos - pontilhado pelo amarelo e branco dos malmequeres e pelo violeta da alfazema (ou coisa que o valha) - com as vacasoscarneiroseosporcos e dei comigo a pensar:

"Publicidade... hã hã... design gráfico... yá... problemas com os meios... pois... devia era largar Lisboa, arranjar um monte, criar porcos ou lá que era aquilo à beira da presa e ter um tipo de vida verdadeiramente feliz".

É pena não perceber nada de horta.

ainda o carrilho

O sôr Manuel Maria, não contente com o ter faltado à sessão de câmara noticiada, enviou no passado Sábado um e-mail a todos(?) os funcionários da Câmara a justificar a sua ausência. Justifica-se a dita alimária com a necessidade de estar presente no Parlamento. Como não pôs os pés no Parlamento, deve pensar que os ditos funcionários são, no mínimo, parvos. Não contente com isso, a sua justificação tem a duração de um parágrafo, sendo o restante e-mail (cerca de duas páginas) usado para tentar a demonstrar a incompetência da presidência da CML.

A minha avó costumava dizer que as pessoas deviam ter vergonha na cara. O que diria a avó do sôr Manuel Maria?

April 21, 2006

moda

Ouvi de raspão, no outro dia, que "está na moda arrear nos políticos…". Isto a propósito da falta de Carrilho à sessão de Câmara que, presumivelmente, faria entrar mais 1600 funcionários para os quadros definitivos da CML.

Não sei se não deveríamos agradecer a falta do Manuel Maria…

Infelizmente, conheço bem os meadros da CêMêLê e, desde tomou posse, o sôr Manuel Maria, político denodado que quis presidir aos destinos da dita Câmara Municipal por se preocupar tanto com a cidade e seus cidadãos, raramente põe os pézitos na Câmara, seja nas sessões de Câmara, na Assembleia Municipal ou no seu gabinete. Não vai lá. Ponto. Talvez por ser um cargo menor, que não lhe dá visiblidade política. Talvez por ser inútil. Porque é uma chatice. Porque a Bárbara está à espera e é muito mais gira. Porque não lhe apetece.

O sôr Manuel Maria esquece-se de que é pago pelos seus concidadãos para lá ir. Para trabalhar e fazer o que puder pela cidade. Como é pago pelos mesmos para ir ao Parlamento. Para votar e trabalhar em prol da Nação. O sôr Manuel Maria, quando falta ao trabalho, transforma-se num aldrabão, que ludibria os seus concidadãos para lhe pagarem dois salários que não merece, que não faz nada para receber.

Não se pode despedir os políticos?

April 20, 2006

%

Há um ano atrás meio mundo deu na cabeça de Bagão Félix e, principalmente, de Santana Lopes, porque o défice das contas do Estado era de 5,2%. Bem acima do valor de 3% indicado pela União.

Agora o défice é de 6%. Ninguém se insurge. Os jornalistas estão caladinhos que nem ratos. O governador do Banco de Portugal perdeu o pio. Ninguém apelida o primeiro-ministro de incompetente, ou utiliza qualquer outro miminho para caracterizar o personagem.
O problema não é terem tratado Santana como se fosse atrasado mental, porque ele é retardado de certezinha absoluta. Não é isso que está em causa. Aquilo que importa é o princípio da equidade, que tem de ser aplicado por aqueles que fazem disso a sua profissão: os jornalistas e, acima de tudo, o governador do Banco de Portugal.

As preferências partidárias ou ideológicas não podem servir para desculpar ou encapotar a realidade dos factos: este PM é tão mau como os anteriores. E, consequentemente, tanto os nossos jornalistas como Constâncio são péssimos profissionais.

April 16, 2006

quo vadis, ecclesia...

Segundo o cardeal Francis Stafford, passar muitas horas a ver televisão, fazer buscas na Internet ou simplesmente ler o jornal são actividades consideradas pelo Vaticano como «novos pecados». Que é como quem diz, passar muito tempo a ler jornais, ver televisão e navegar na Internet diminui a fé cristã.

Como diria Stafford... "naturally". Se há fenómeno que a História demonstra, é que quanto mais informada for uma qualquer população, maior é o seu afastamento da Igreja. Quanto a mim há uma pequena subtileza: o afastamento é relativo à Igreja e não à fé, seja ela cristã ou outra.
Para a Igreja Católica, que não anda no negócio da religião há dois dias, sabe como será dramático se perder o seu público tradicional, europeu. A Igreja Católica é um fenómeno fundamentalmente europeu, espaço onde na realidade surgiu e se desenvolveu, e de onde partiu para o resto do mundo. Se desaparecer aqui, desaparece de todo. É portanto natural que tente, por todos os meios possíveis, restringir o acesso à informação e, simultaneamente, atrasar o mais possível a "sociedade da informação". Já o fez no passado e pretende continuar a fazê-lo no futuro. Provavelmente, se a Igreja tivesse levado a sua avante, o mundo ainda seria plano e repimpado no centro do universo, a mulher ainda deveria obediência ao homem, o homem branco (criado à imagem de deus) seria o único Homem, sendo as outras raças pouco mais que animais falantes, etc.

O conhecimento e a informação sempre foram inimigos das religiões, principalmente de uma religião centralizadora com tiques teocráticos como o catolicismo.

April 14, 2006

los jefes

A semana passada o nosso Primeiro lembrou-se de dar tolerância de ponto à função pública para esta Quinta-feira, não sei bem a que título. Talvez por tradição. Se formos ver bem a coisa, tendo em conta que estamos na Semana Santa talvez devesse ter dado tolerância para a semana toda.

Os nossos deputaditos, tradicionais e bons crentes, decidiram não pôr os pés no trabalho a partir de Quarta-feira. Chicos-espertos como os demais tugas, deram um saltito à Assembleia de manhã cedo para assinar o livro de ponto, e depois toca de dar às de Vila Diogo como se não fosse nada com eles. Até deu jeito porque assim, cedinho, evitam o trânsito na ponte e nas portagens junto à Via do Infante.

Aquilo que tanto o nosso Primeiro como os deputaditos se esqueceram foi que, como responsáveis pela governação do país, como funcionários eleitos pela populaça, deveriam dar o exemplo. Se no discurso político está na moda a produtividade, a responsabilização profissional e mais uma série de chavões bonitinhos, têm obrigatoriamente de dar este exemplo antes dos demais, dando pelo menos a aparência de denodo no seu trabalho e de esforço a "bem da nação".
Pelo contrário, com estas atitudes, dizem indirectamente aos portugueses, povo de si já esforçado e trabalhador por natureza, que a balda não faz mal.

Desculpem o termo, mas temos mesmo uns políticos de merda.

April 13, 2006

?


A legenda da foto poderia ser "Buckingham e St. James' ".

O "?" do título deve-se a uma dúvida existencial minha, que ao fim de 41 anos ainda não consegui resolver. Isto a propósito dos 80 anos da rainha Isabel II.
A dúvida é a seguinte: o que é melhor para um país, em especial um como o nosso? Uma república ou uma monarquia? Estou a ser muito sincero quando digo que é uma dúvida que tenho, porque sempre que penso no assunto encontro argumentos que defendem, e atacam, ambos os lados.

Se pusermos os protagonistas de lado - se por um lado basta a figurinha do Duarte Pio para acabar com a discussão, por outro lado "el bochechas" a fazer figuras tristes mundo afora também dá vontade de gritar "real real por el-rei de portugal" assim que se acorda - a discussão torna-se difícil. Se a república tem, por um lado, a virtude de nos permitir a ilusão de termos alguma coisa a dizer sobre quem queremos a dirigir a terreola, por outro temos sempre a sensação (real?) de estar a eleger um inútil sem poderes e de estarmos a alimentar a mesma cambada de inúteis até que morram (neste momento sustentamos quatro presidentes... para país nas lonas não está mau). Do outro lado da barricada temos a velhinha monarquia, que como virtude tem a poupança que se faz em eleições quinquenais e respectivas campanhas eleitorais, só sustentamos um inútil por geração e ao menos, de certa forma, a abencerragem sempre vai representando o País desde a sua fundação até hoje (863 anos de improbabilidade).




O argumento da "democracia" e do "desenvolvimento social" não cola. As monarquias representativas da Europa - Reino Unido, Espanha, Holanda, Suécia, Dinamarca, etc. - existem em países bastante mais democráticos e desenvolvidos que o nosso.
Sinceramente, a figurinha de Duarte Pio também não é argumento: se a aparência da família real tivesse alguma pertinência na questão o Reino Unido não era um reino. Era uma coudelaria.

Continuo na Dúvida.

April 12, 2006

que saudades eu ja tinha...


É giro ver a minha casa de cima, a uma distância à minha escolha. Também é giro perceber que tenho de limpar a porcaria do telhado, mas pronto... não podia ser tudo bom.
Aquilo que o Google Earth permite ver, além da minha alegre casinha e arredores, é a aridez em que este país se está a tornar. Não há verde! À volta de Lisboa, então, dá para deprimir um dromedário com 20 anos de companhia tuaregue no lombo. A construção civil, o famoso motor da economia, estraçalhou e continua a estraçalhar o país de Norte a Sul, indescriminadamente, sem que ninguém faça nada para travar ou ordenar a situação. Basta utilizar a linda ferramenta do universo Google para perceber o estado de miséria a que chegámos. Será que ninguém no Ministério da Administração Interna tem acesso à web? ou curiosidade? Invocar ignorância hoje em dia já não vale!