June 21, 2006
Passos Perdidos
Santana Lopes vai regressar ao Parlamento. Para quem "andava por aí", agora parece que vai "andar por ali". A inutilidade mantém-se.
June 19, 2006
non, ou a va gloria de mudar de canal

Não tenho nada contra o futebol. Nadinha mesmo. É um jogo como qualquer outro jogo de equipa, seja vólei, hóquei ou a estafeta quatro-por-cem.
Não tenho, também, nada contra os adeptos de futebol. Os normais. Na sua grande maioria são pessoas absolutamente normais que vibram com um desporto que apreciam. Há meia-dúzia de anormais nas claques organizadas, mas meia-dúzia de anormais há em todo o lado.
Por outro lado, compreedo em parte o fenómeno sociológico e antropológico que faz do futebol aquilo que é, bem como as reacções que provoca nas pessoas. Não vale a pena discursar sobre psicologia de massas, tribalismo e outras teorias do género. O ser humano é assim e "mai'nada".
Tenho, no entanto, muito contra o excesso de cobertura jornalística destes eventos. Que os meios de comunicação privados, nomeadamente as televisões, o façam, compreendo perfeitamente: audiências, share-ratings, aluguer de espaço publicitário e, acima de tudo, muito eurinho que dá um jeitão para pagar ao pessoal e os impostos no fim do mês. Agora que a RTP 1, estação obrigada ao conceito de serviço público, preencha 90% do seu tempo de antena ao Mundial não cabe na cabeça de ninguém, por muito tarado pelo futebol que seja. Ainda por cima que, à custa do dinheiro de todos nós, leve para a Alemanha jornalistas, equipas de filmagem, comentadores de desporto profissionais, amadores e o Marcelo Rebelo de Sousa é um perfeito escândalo.
O português médio (1,75m, barrigudo e ultimamente com menos pilosidade facial) acha bem, claro. Portugal é (!) a Selecção. Os portugueses só se podem rever na Selecção, que lá vai fazendo uns brilharetes: o resto do país é de um marasmo tal que só assim poderia ser. Mas se o português médio (1,75m, barrigudo e ultimamente com menos pilosidade facial) parasse 5 minutos para pensar veria o disparate completo que isto é, tal como foi construir dez estádios de futebol em 2004, para agora estarem ao abandono.
A mim, vale-me a Fox na TV Cabo. Vou ver o Deadwood.
June 14, 2006
sto. antonio
June 08, 2006
post asinino

Não, não é um post sobre os nossos políticos. Poderia ser, mas não é.
Gosto de burros. Gosto de andar de burro. Gosto da teimosia. Gosto do zurrar: ao contrário do relinchar do cavalo, que soa sempre um bocado histérico e gay, o zurrar é som de animal, profundo e agressivo.
Gosto do olhar do burro, meigo e inteligente: o olhar do cavalo demonstra, pelo contrário, um grau de inteligência de um galinácio e é sempre um pouco tresloucado, como se o raio do bicho se fosse passar a qualquer momento.
O cavalo é alto, esguio, pernas compridas, veloz e, como é lógico, o ser humano elegeu-o a animal nobre enquanto que o burro é atarracado, zurra, resistente como uma mula e teimoso como um burro e, azar dos diabos, passou a besta de carga.
Andar em cima de um cavalo enobrece-nos. Ficamos altivos e distintos. Num burro arrastamos com os pés no chão e ficamos, no mínimo, um bocado ridículos. Campónios. É a diferença entre Quixote e Pança: um vai de cavalo e o outro de burro.
Gosto de andar de cavalo, apesar do desconforto. Tenho prazer em controlar o animal, gosto da passada larga e veloz, do som dos cascos na terra e do resfolegar do bicho. Gosto do movimento controlado e às vezes do descontrolado. Mas gosto mais de burros.
Serpa

É o meu apelido. Mas também é o local escolhido pela General Electric para instalar a maior central fotovoltaica do mundo.
Nós somos assim. Ou não temos nada ou temos a maior coisa do mundo, seja lá ela qual for. Quase não tivemos Renascimento, mas tivemos o maior império marítimo do mundo. Não tivemos Revolução Industrial, mas tivemos a maior exploração de volfrâmio do mundo e arredores. And so on and so forth.
Agora, não investimos pêva em produção de energia mas vamos ter a maior central fotovoltaica do mundo. Pimba!
Piada à parte, acho bem que se invista - ou que se permita que se invista - neste tipo de projectos. Pena ser uma empresa americana a fazê-lo, e não uma iniciativa nacional, mas do mal o menos.
Tendo em conta que a GE só aposta em projectos lucrativos, podíamos aprender qualquer coisinha e começarmos, nós próprios, a investir em energia. Eólica, fotovoltaica ou qualquer outra. Porque parece que pode vir a ser lucrativo e porque bem que precisamos. Basta olhar para a factura mensal do "pitról" para perceber que qualquer coisa que se faça neste campo, por pequena que seja, ajuda.
O Estado, essa grande teta donde todos mamamos, podia também investir em energia através da carga fiscal que coloca sobre, por exemplo, os veículos automóveis: popó híbrido paga só 25% do IA e 19% de IVA - era a corrida ao Toyota Prius ou ao Honda Civic; transportadora com veículo a gás natural ou a xixi de cachorro quente só paga 15% de IRC - era ver a frota a renovar do dia p'ra noite. E assim sucessivamente.
Pode não resolver o problema, mas era um passo. O primeiro.
June 06, 2006
ai jesus
Vem aí o Verão. O Estio. Um calor danado. Que faz reparar em certos pormenores que não faz sentido reparar no Inverno. A ver.
As nossas Câmara Municipais, povoadas por indigentes, energúmenos e outros deficientes mentais decidiram embelezar tudo quanto é rotunda, praceta, placa triangular e espacinho entre pedras com relvados. Luxuriantes. Verdes. Sedosos.
Qualquer pessoa com um quintal de três metros quadrados sabe que a relva só quer uma coisa na vida: água.
Muita.
Para piorar a questão, as CM (L, S, C ou outra povoação à escolha) decidiram colocar rega automática nas ditas rotundaspracetasebermas. Às três da tarde. Pela torreira do sol. É giro porque assim o calor evapora 60% da água e o desperdício é muito maior. Mais ganha a EPAL - há que garantir os postos de trabalho concerteza.
Isto num país que se debate com falta de água crónica. Que tende a piorar de ano para ano.
Bailha-me DeusNoxoXenhor.
As nossas Câmara Municipais, povoadas por indigentes, energúmenos e outros deficientes mentais decidiram embelezar tudo quanto é rotunda, praceta, placa triangular e espacinho entre pedras com relvados. Luxuriantes. Verdes. Sedosos.
Qualquer pessoa com um quintal de três metros quadrados sabe que a relva só quer uma coisa na vida: água.
Muita.
Para piorar a questão, as CM (L, S, C ou outra povoação à escolha) decidiram colocar rega automática nas ditas rotundaspracetasebermas. Às três da tarde. Pela torreira do sol. É giro porque assim o calor evapora 60% da água e o desperdício é muito maior. Mais ganha a EPAL - há que garantir os postos de trabalho concerteza.
Isto num país que se debate com falta de água crónica. Que tende a piorar de ano para ano.
Bailha-me DeusNoxoXenhor.
June 03, 2006
June 01, 2006
post reciclado
Em 2004, por alturas do Euro, postei o que vem a seguir. Acho que este ano se vai aplicar da mesma forma
Gaunt:
Methinks I am a prophet new inspir'd,
And thus expiring do foretell of him:
His rash fierce blaze of riot cannot last,
For violent fires soon burn out themselves;
Small showers last long, but sudden storms are short;
He tires betimes that spurs too fast betimes;
With eager feeding food doth choke the feeder;
Light vanity, insatiate cormorant,
Consuming means, soon preys upon itself.
This royal throne of kings, this scept'red isle,
This earth of majesty, this seat of Mars,
This other Eden, demi-paradise,
This fortress built by Nature for herself
Against infection and the hand of war,
This happy breed of men, this little world,
This precious stone set in the silver sea,
Which serves it in the office of a wall,
Or as a moat defensive to a house,
Against the envy of less happier lands;
This blessed plot, this earth, this realm, this England,
This nurse, this teeming womb of royal kings,
Fear'd by their breed, and famous by their birth,
Renowned for their deeds as far from home,
For Christian service and true chivalry,
As is the sepulchre in stubborn Jewry
Of the world's ransom, blessed Mary's Son;
This land of such dear souls, this dear dear land,
Dear for her reputation through the world,
Is now leas'd out-I die pronouncing it-
Like to a tenement or pelting farm.
England, bound in with the triumphant sea,
Whose rocky shore beats back the envious siege
Of wat'ry Neptune, is now bound in with shame,
With inky blots and rotten parchment bonds;
That England, that was wont to conquer others,
Hath made a shameful conquest of itself.
Ah, would the scandal vanish with my life,
How happy then were my ensuing death!
William Shakespeare, Richard II
O senhor que diz estas palavras - através da pena de Shakespeare - é um tal de John of Gaunt, Duque de Lancaster, pai de uma senhora que deu à luz a Ínclita Geração, após a sua união com D. João I.
A única coisa que os portugueses herdaram deste espírito foi uma compulsão incompreensível para pendurar bandeiras nas varandas do T2 sempre que se joga à bola.
Gaunt:
Methinks I am a prophet new inspir'd,
And thus expiring do foretell of him:
His rash fierce blaze of riot cannot last,
For violent fires soon burn out themselves;
Small showers last long, but sudden storms are short;
He tires betimes that spurs too fast betimes;
With eager feeding food doth choke the feeder;
Light vanity, insatiate cormorant,
Consuming means, soon preys upon itself.
This royal throne of kings, this scept'red isle,
This earth of majesty, this seat of Mars,
This other Eden, demi-paradise,
This fortress built by Nature for herself
Against infection and the hand of war,
This happy breed of men, this little world,
This precious stone set in the silver sea,
Which serves it in the office of a wall,
Or as a moat defensive to a house,
Against the envy of less happier lands;
This blessed plot, this earth, this realm, this England,
This nurse, this teeming womb of royal kings,
Fear'd by their breed, and famous by their birth,
Renowned for their deeds as far from home,
For Christian service and true chivalry,
As is the sepulchre in stubborn Jewry
Of the world's ransom, blessed Mary's Son;
This land of such dear souls, this dear dear land,
Dear for her reputation through the world,
Is now leas'd out-I die pronouncing it-
Like to a tenement or pelting farm.
England, bound in with the triumphant sea,
Whose rocky shore beats back the envious siege
Of wat'ry Neptune, is now bound in with shame,
With inky blots and rotten parchment bonds;
That England, that was wont to conquer others,
Hath made a shameful conquest of itself.
Ah, would the scandal vanish with my life,
How happy then were my ensuing death!
William Shakespeare, Richard II
O senhor que diz estas palavras - através da pena de Shakespeare - é um tal de John of Gaunt, Duque de Lancaster, pai de uma senhora que deu à luz a Ínclita Geração, após a sua união com D. João I.
A única coisa que os portugueses herdaram deste espírito foi uma compulsão incompreensível para pendurar bandeiras nas varandas do T2 sempre que se joga à bola.
a copa

Portugal não vai ganhar o Mundial. Não é preciso ser o Prof. Karamba para chegar a esta brilhante conclusão: há equipas melhores, melhor organizadas, com melhores jogadores, e há o Brasil.
Se a minha previsão se confirmar o que vai acontecer aos portugueses a partir do fim do Mundial? Agora estão eufóricos, esperançosos, acreditando piamente que no minuto final do último jogo vão ser reconhecidos pelo mundo inteiro como um grande povo, capaz de grandes glórias e de grandes feitos. Quando isso não se concretizar vão voltar à sua mansa depressão diária e ao costumeiro pessimismo.
Continuando no meu papel nostradâmico, prevejo que a Alemanha não vai ganhar o Mundial. Os alemães sabem que têm uma boa selecção, que já ganharam por divesas vezes e que desta "pode ser que...". Mas no dia seguinte à Final vão voltar à sua vidinha, de BMW ou de Volkswagen, alegres por saberem que são "donos" da terceira maior economia mundial, que o DeutscheBank é "seu", que a Mercedes continuará a ser a marca de automóveis padrão, etc. Têm orgulho nisso e sabem o que fazer para continuarem a ter o nível de vida que têm: não serem displicentes, trabalhar o mais e o melhor possível, exigirem aos seus governos (nacional e federal) que, por muito corruptos que sejam, encontrem soluções para que o país ande para a frente e se desenvolva.
Nós, tugas de alma e coração, não queremos fazer absolutamente nada para mudar a nossa sorte. Preferimos apostar em pequenos momentos efémeros - seja o Mundial, o Europeu ou a "bandeira mais bonita do terceiro mundo" - para elevar o nosso ego, o que não dá trabalho nenhum, em vez de assumirmos que somos ineficazes, preguiçosos, ineficientes, desorganizados, aldrabões e ignorantes. Profissionalmente e politicamente.
Se mudarmos de atitude talvez a "febre do futebol" abrande.
May 31, 2006
novo dicionario da lingua portuguesa, revisto e editado.
Via Quarta República (link ao lado):
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um projecto de resolução apresentado pelo PSD na Assembleia da República pretende instituir o dia 06 de Junho como o "Dia Nacional do Cão", um animal que, diz o partido, vive junto do Homem desde a pré-história. No projecto, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados do PSD consideram importante instituir no calendário oficial um dia "dedicado à sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães" tem na vida do Homem, dia "que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas crianças e nos jovens". Por esse motivo, sugerem os social-democratas, o "Dia Nacional do Cão" deveria ser o mais próximo possível do "Dia da Criança", que se comemora a 01 de Junho...
No post anterior questionava-me sobre um possível sinónimo de "bandalho". Acho que com este devo ir à procura de novo sinónimo para "bandalheira".
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um projecto de resolução apresentado pelo PSD na Assembleia da República pretende instituir o dia 06 de Junho como o "Dia Nacional do Cão", um animal que, diz o partido, vive junto do Homem desde a pré-história. No projecto, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados do PSD consideram importante instituir no calendário oficial um dia "dedicado à sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães" tem na vida do Homem, dia "que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas crianças e nos jovens". Por esse motivo, sugerem os social-democratas, o "Dia Nacional do Cão" deveria ser o mais próximo possível do "Dia da Criança", que se comemora a 01 de Junho...
No post anterior questionava-me sobre um possível sinónimo de "bandalho". Acho que com este devo ir à procura de novo sinónimo para "bandalheira".
May 30, 2006
"Deputados alteram agenda parlamentar para assistir ao jogo Portugal-México", diz um título do Público Online de hoje. "'Não prejudicamos os trabalhos da Assembleia da República. Ao transferir o plenário para de manhã e realizando as comissões depois do jogo, cumpriremos toda a nossa agenda de trabalhos', sublinhou o vice-presidente da bancada parlamentar socialista José Junqueiro", lê-se mais à frente.
Acho óptimo. Acho tão bem que talvez devêssemos todos seguir o exemplo dos nossos estimados deputados e, a partir de agora, deveremos chegar ao nosso superior hierárquico/chefe de repartição e afirmar loquazmente "Ó chefe! amanhã não venho da parte da tarde, mas não há azar porque de manhã ligo para quem tenho de telefonar e venho depois de jantar tratar da papelada, e assim o trabalho não sofre!".
Poderemos até levar o exemplo mais longe e passar a trabalhar apenas nos meses mais frios do ano durante doze horas por dia, e depois ficamos com 4 ou 5 meses quentinhos livres para trabalhar pró bronze.
Aposto se procurar em qualquer dicionário de sinónimos o significado do termo "Bandalho" vem lá de certezinha a expressão "deputado português".
Acho óptimo. Acho tão bem que talvez devêssemos todos seguir o exemplo dos nossos estimados deputados e, a partir de agora, deveremos chegar ao nosso superior hierárquico/chefe de repartição e afirmar loquazmente "Ó chefe! amanhã não venho da parte da tarde, mas não há azar porque de manhã ligo para quem tenho de telefonar e venho depois de jantar tratar da papelada, e assim o trabalho não sofre!".
Poderemos até levar o exemplo mais longe e passar a trabalhar apenas nos meses mais frios do ano durante doze horas por dia, e depois ficamos com 4 ou 5 meses quentinhos livres para trabalhar pró bronze.
Aposto se procurar em qualquer dicionário de sinónimos o significado do termo "Bandalho" vem lá de certezinha a expressão "deputado português".
May 26, 2006
coisas da terra
Vi há pouco nas notícias que uma Sra. Judoca (Telma Monteiro) se sagrou campeã europeia de judo. Trés Bien.
A notícia quase passou despercebida de pequenina que era. As notícias GRANDES falam das derrotas da selecção de futebol sub-21, das esperanças da selecção de futebol sobre-21, da contratação de um qualquer cromo da bola para o Benfica, do novo treinaddor do Benfica... isto é, da Bola.
Desporto em Portugal é Bola. Podemos ter bons judocas, velejadores, atiradores, pilotos, voleibolistas ou o diabo a sete, mas é redondinha que conta. O resto é paisagem.
Porquê? É uma questão de popularidade? De vontade das Massas? Eu que não ligo pêva ao desporto - seja ele qual for - tenho uma certa dificuldade em perceber porque é que se faz uma festarola enorme porque uma qualquer equipa da bola ganha uma competição, e a conquista de um título por uma senhora de roupão danada para a pancadaria é olimpicamente ignorada.
A notícia quase passou despercebida de pequenina que era. As notícias GRANDES falam das derrotas da selecção de futebol sub-21, das esperanças da selecção de futebol sobre-21, da contratação de um qualquer cromo da bola para o Benfica, do novo treinaddor do Benfica... isto é, da Bola.
Desporto em Portugal é Bola. Podemos ter bons judocas, velejadores, atiradores, pilotos, voleibolistas ou o diabo a sete, mas é redondinha que conta. O resto é paisagem.
Porquê? É uma questão de popularidade? De vontade das Massas? Eu que não ligo pêva ao desporto - seja ele qual for - tenho uma certa dificuldade em perceber porque é que se faz uma festarola enorme porque uma qualquer equipa da bola ganha uma competição, e a conquista de um título por uma senhora de roupão danada para a pancadaria é olimpicamente ignorada.
May 23, 2006
geografia
No meu tempo era chato à brava estudar Geografia. Na primária, além das regiões de Portugal Continental, como o Minho e Trás-os-Montes, tinham de se aprender as linhas férreas de Angola, os rios de Moçambique e as ilhas de Cabo Verde. O facto de Portugal ser um império era uma seca. Depois, a meio da primária, deu-se o 25 de Abril e Portugal encolheu. Foi lavado a uma temperatura demasiado elevada.
Como para os professores, alegremente em auto-gestão, a matéria também soava a salazarenta, deixaram-se as linhas férreas e outros meios de transporte como os fluviais e a matéria simplificou-se muito.
Mas se nessa altura a disciplina era difícil de empinar, agora a coisa complica-se sobremaneira. Hoje qualquer aluno entra na sala de aula desprevenido e, pimba!, leva com um novo país no crânio: "Meninos, esqueçam a aula de ontem e escrevam nos vossos caderninhos pautados que nasceu um novo país - o Montenegro: os seus habitantes, os mon-te-ne-gri-nos...". Já não bastava o Alto Volta, o Congo, a Birmânia e mais meia-dúzia deles terem mudado de nome, como ainda por cima surgem Bielorússias (fronteira com a Valvolinalândia), Estónias e Checas assim sem mais nem menos. Imaginem o desânimo do pobre rapaz que faltou, com gripe, a uma semana de aulas e se vê defrontado com todo um novo mundo político e geográfico.
Isto para não falar dessa pobre classe trabalhadora, os comentadores políticos, que se vêem a braços com dezenas de novos primeiro-ministros, presidentes, ministros, sobas e toda a sua História para analisar, decorar e, no fim, dizerem o seu chorrilho de banalidades sobre um sítio que não lhes interessa a mínima.
Devia-se criar uma regra qualquer, que estabelecesse períodos específicos para declarações de independência, talvez sob a égide da ONU, para facilitar a vida a todos os estudantes, jornalistas e ao Nuno Rogeiro.
Como para os professores, alegremente em auto-gestão, a matéria também soava a salazarenta, deixaram-se as linhas férreas e outros meios de transporte como os fluviais e a matéria simplificou-se muito.
Mas se nessa altura a disciplina era difícil de empinar, agora a coisa complica-se sobremaneira. Hoje qualquer aluno entra na sala de aula desprevenido e, pimba!, leva com um novo país no crânio: "Meninos, esqueçam a aula de ontem e escrevam nos vossos caderninhos pautados que nasceu um novo país - o Montenegro: os seus habitantes, os mon-te-ne-gri-nos...". Já não bastava o Alto Volta, o Congo, a Birmânia e mais meia-dúzia deles terem mudado de nome, como ainda por cima surgem Bielorússias (fronteira com a Valvolinalândia), Estónias e Checas assim sem mais nem menos. Imaginem o desânimo do pobre rapaz que faltou, com gripe, a uma semana de aulas e se vê defrontado com todo um novo mundo político e geográfico.
Isto para não falar dessa pobre classe trabalhadora, os comentadores políticos, que se vêem a braços com dezenas de novos primeiro-ministros, presidentes, ministros, sobas e toda a sua História para analisar, decorar e, no fim, dizerem o seu chorrilho de banalidades sobre um sítio que não lhes interessa a mínima.
Devia-se criar uma regra qualquer, que estabelecesse períodos específicos para declarações de independência, talvez sob a égide da ONU, para facilitar a vida a todos os estudantes, jornalistas e ao Nuno Rogeiro.
May 18, 2006
vanitas...
Nesta altura abrem-se as páginas de qualquer pasquim e aquilo que se lê ou está relacionado com o livro de Carrilho, ou com as escolhas de Scolari para a selecção. Normalmente para dizer mal de um e de outro e, no caso da selecção - assunto de importância estratégica para a Nação - para apresentar as diferentes escolhas que faria o comentador-jornalista-político-economista-almeida-chef.
Neste país dizer mal é O Desporto Nacional. Todos dizemos mal. De tudo e de todos. Dizemos mal do Governo, da Saúde, da Justiça, da Selecção, da Limpeza Pública, do Trânsito, do Cão da Vizinha, de Deus e do raio-que-nos-parta. E, fundamentados ou não, apresentamos soluções fabulosas (na verdadeira acepção da palavra) para tudo e mais alguma coisa. A "comunidade bloguista" é um bom exemplo disso.
É fácil e indolor, dizer mal. Infelizmente, muitas vezes não é inodoro.
O mais engraçado é observar os maledicentes, verdadeiros "especialistas dos grandes males da nação", serem totalmente incapazes de resolver os pequenos (por comparação) problemas com que se enfrentam diariamente no trabalho, em casa, no ambiente familiar, etc. Um qualquer Catedrático em Politiquês, no preciso momento em que rebenta um cano em casa nem se lembra da palavra "canalizador", quanto mais estancar a fuga. Se o filho tem problemas na escola culpa imediatamente o Sistema Escolar, sem pensar se pode fazer alguma coisa pelo rebento em casa, apoiando-o no estudo ou seja lá o que for.
Esta atitude observa-se em todas as classes sociais do país, desde o pedreiro que "sabe" de energia nuclear ao político que caiu na pasta de Obras Públicas de pára-quedas, mas ninguém lhe explicou como é que raio é que a pastita afinal se abre.
E, como bom tuga que sou, aqui estou eu a dizer mal.
Neste país dizer mal é O Desporto Nacional. Todos dizemos mal. De tudo e de todos. Dizemos mal do Governo, da Saúde, da Justiça, da Selecção, da Limpeza Pública, do Trânsito, do Cão da Vizinha, de Deus e do raio-que-nos-parta. E, fundamentados ou não, apresentamos soluções fabulosas (na verdadeira acepção da palavra) para tudo e mais alguma coisa. A "comunidade bloguista" é um bom exemplo disso.
É fácil e indolor, dizer mal. Infelizmente, muitas vezes não é inodoro.
O mais engraçado é observar os maledicentes, verdadeiros "especialistas dos grandes males da nação", serem totalmente incapazes de resolver os pequenos (por comparação) problemas com que se enfrentam diariamente no trabalho, em casa, no ambiente familiar, etc. Um qualquer Catedrático em Politiquês, no preciso momento em que rebenta um cano em casa nem se lembra da palavra "canalizador", quanto mais estancar a fuga. Se o filho tem problemas na escola culpa imediatamente o Sistema Escolar, sem pensar se pode fazer alguma coisa pelo rebento em casa, apoiando-o no estudo ou seja lá o que for.
Esta atitude observa-se em todas as classes sociais do país, desde o pedreiro que "sabe" de energia nuclear ao político que caiu na pasta de Obras Públicas de pára-quedas, mas ninguém lhe explicou como é que raio é que a pastita afinal se abre.
E, como bom tuga que sou, aqui estou eu a dizer mal.
May 16, 2006
Isto de ser pai tem muito que se lhe diga. O meu filhote mais velho - 11 anos de disparates e de sentido de humor retorcido - foi uma semana para fora com os colegas da escola. Um desses disparates de "viagem de fim de curso" no 5º ano. Vai passar uma semana regalado algures em Espanha, segundo dizem com neve, cavalos and so on.
À parte as preocupações do costume - esperemos que não aconteça nada no percurso de camioneta, esperemos que a comida seja alguma coisa de jeito, esperemos que não cheire muito mal quando chegar - a grande verdade é que o puto me faz uma falta desgraçada.
Estou cheio de saudades!
À parte as preocupações do costume - esperemos que não aconteça nada no percurso de camioneta, esperemos que a comida seja alguma coisa de jeito, esperemos que não cheire muito mal quando chegar - a grande verdade é que o puto me faz uma falta desgraçada.
Estou cheio de saudades!
May 12, 2006
a proposito da maternidade
De um lado, lembrou-se o Estado de encerrar meia-dúzia de maternidades onde apenas nasciam uma dezena de crianças por ano, com o argumento de racionalizar custos e recursos. Do outro lado da barricada, levantaram-se as vozes das populações, autarcas e demais atingidos pela medida, reclamando o direito de nascer na sua terra.
Não conheço o problema o suficiente para o poder debater seriamente. A não ser numa pequena questão.
Todos os governos sem excepção clamam que é necessário combater a desertificação do Interior. Cavaco lançou os projectos rodoviários, por exemplo, com esse argumento. Guterres continuou a obra dos governos anteriores com esse argumento. Sócrates defende as SCUT com esse mesmo argumento. Revelou-se que, afinal, as auto-estradas só ajudaram as populações a sair mais depressa do interior do país em direcção à orla costeira, muitas vezes marrando mortalmente umas nas outras.
A desertificação do Interior só se combate dando às populações aí residentes as mesmas condições que teriam no resto do país: condições de trabalho, condições salariais, condições de segurança, acesso a escolas e a outros equipamentos básicos para o seu bem-estar... como uma simples maternidade. Ou uma piscina.
Se um casal jovem, beirão, alentejano ou transmontano, decidir constituir família e se deparar com a ausência daquilo que lhe permite garantir o nascimento e crescimento saudável de um putativo rebento - seja a maternidade, o infantário ou um vendedor confiável de xanax - das duas uma: ou não procria, ou muda-se para Lisboa, para o Porto ou, com o azar costumeiro do portuga, para o Cacém.
Aquilo que a medida socratiana revela é, antes de mais, uma total falta de ideias para o país e para o seu futuro.
Não conheço o problema o suficiente para o poder debater seriamente. A não ser numa pequena questão.
Todos os governos sem excepção clamam que é necessário combater a desertificação do Interior. Cavaco lançou os projectos rodoviários, por exemplo, com esse argumento. Guterres continuou a obra dos governos anteriores com esse argumento. Sócrates defende as SCUT com esse mesmo argumento. Revelou-se que, afinal, as auto-estradas só ajudaram as populações a sair mais depressa do interior do país em direcção à orla costeira, muitas vezes marrando mortalmente umas nas outras.
A desertificação do Interior só se combate dando às populações aí residentes as mesmas condições que teriam no resto do país: condições de trabalho, condições salariais, condições de segurança, acesso a escolas e a outros equipamentos básicos para o seu bem-estar... como uma simples maternidade. Ou uma piscina.
Se um casal jovem, beirão, alentejano ou transmontano, decidir constituir família e se deparar com a ausência daquilo que lhe permite garantir o nascimento e crescimento saudável de um putativo rebento - seja a maternidade, o infantário ou um vendedor confiável de xanax - das duas uma: ou não procria, ou muda-se para Lisboa, para o Porto ou, com o azar costumeiro do portuga, para o Cacém.
Aquilo que a medida socratiana revela é, antes de mais, uma total falta de ideias para o país e para o seu futuro.
May 08, 2006
"crescei e multiplicai-vos..."
... disse o senhor... primeiro-ministro. "Se não o fizerdes, sentireis a minha ira, através de impostos ainda mais altos".
E o senhor, olhando com tristeza para o buraco financeiro onde a segurança social está enfiada, chorou. Depois, cansado que está dos primeiros sete dias de governo, a que o seu povo chama a criação, atirou aos fiéis a solução mais fácil. Taxem-se os inférteis.
Por muito que o governo queira, não é sobretaxando aqueles que não têm filhos, ou só um, que resolve qualquer problema de pouca natalidade nacional. Também não o consegue se recompensar aqueles que têm gene de coelhinho e crias à patada, seja através de subsídios - o abono de família ou outro - seja através de cheques-compra nas lojas Chicco.
Não sei se o PM já reparou, mas o problema não é apenas nacional: grassa através de todo o "primeiro mundo". As taxas de natalidade da Alemanha são tão baixas que os alemães já recebem um fundo especial do World Wildlife Fund; em França fornicam que nem taradinhos mas, como povo avançado que são, já descobriram "la pilule"; os belgas já quase nem existem, mas ninguém vai dar por isso de qualquer modo, portanto tanto faz.
O problema não tem origens económicas mas sim sociais. Tem a ver com o papel da mulher em casa e no local de trabalho. Tem a ver com os vários métodos contraceptivos. Tem a ver com novos modelos de família que se estão a formar na sociedade ocidental. Tem a ver com os valores sociais que nos regem. Tem a ver com a evolução social, com as alterações que sofreu no século XIX durante a revolução industrial e que se desenvolveram após ambas as guerras mundias. E por aí fora. É uma questão sociológica, relacionada com tudo isto e com os níveis de conforto e independência que aprendemos a ter direito.
Evidentemente que para os portugueses, para além de tudo isto, temos que adicionar a crónica falta de dinheiro, o sobreendividamento familiar, o mau sistema de ensino que obriga uma família a gastar rios de dinheiro seja em escolas particulares, infantários ou em livros que só dão para um dos rebentos "que para o ano já ensinam uma coisa diferente lá na escola", etc.
Por muito que o PM queira, nada disto se resolve por decreto, ou pela emissão de impostos ou subsídios especiais. Há soluções, mas todas elas são muito demoradas e, para nós, onerosas. Implica mexer nas regras do mercado de trabalho, nas leis de licença de parto, nos incentivos ao teletrabalho e assim sucessivamente.
Se querem pôr os portugueses - de preferência as portuguesas - a parir tem de se modificar a forma de pensar a organização da sociedade. Taxar é, como sempre, estúpido; estúpido.
E o senhor, olhando com tristeza para o buraco financeiro onde a segurança social está enfiada, chorou. Depois, cansado que está dos primeiros sete dias de governo, a que o seu povo chama a criação, atirou aos fiéis a solução mais fácil. Taxem-se os inférteis.
Por muito que o governo queira, não é sobretaxando aqueles que não têm filhos, ou só um, que resolve qualquer problema de pouca natalidade nacional. Também não o consegue se recompensar aqueles que têm gene de coelhinho e crias à patada, seja através de subsídios - o abono de família ou outro - seja através de cheques-compra nas lojas Chicco.
Não sei se o PM já reparou, mas o problema não é apenas nacional: grassa através de todo o "primeiro mundo". As taxas de natalidade da Alemanha são tão baixas que os alemães já recebem um fundo especial do World Wildlife Fund; em França fornicam que nem taradinhos mas, como povo avançado que são, já descobriram "la pilule"; os belgas já quase nem existem, mas ninguém vai dar por isso de qualquer modo, portanto tanto faz.
O problema não tem origens económicas mas sim sociais. Tem a ver com o papel da mulher em casa e no local de trabalho. Tem a ver com os vários métodos contraceptivos. Tem a ver com novos modelos de família que se estão a formar na sociedade ocidental. Tem a ver com os valores sociais que nos regem. Tem a ver com a evolução social, com as alterações que sofreu no século XIX durante a revolução industrial e que se desenvolveram após ambas as guerras mundias. E por aí fora. É uma questão sociológica, relacionada com tudo isto e com os níveis de conforto e independência que aprendemos a ter direito.
Evidentemente que para os portugueses, para além de tudo isto, temos que adicionar a crónica falta de dinheiro, o sobreendividamento familiar, o mau sistema de ensino que obriga uma família a gastar rios de dinheiro seja em escolas particulares, infantários ou em livros que só dão para um dos rebentos "que para o ano já ensinam uma coisa diferente lá na escola", etc.
Por muito que o PM queira, nada disto se resolve por decreto, ou pela emissão de impostos ou subsídios especiais. Há soluções, mas todas elas são muito demoradas e, para nós, onerosas. Implica mexer nas regras do mercado de trabalho, nas leis de licença de parto, nos incentivos ao teletrabalho e assim sucessivamente.
Se querem pôr os portugueses - de preferência as portuguesas - a parir tem de se modificar a forma de pensar a organização da sociedade. Taxar é, como sempre, estúpido; estúpido.
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