June 24, 2006

escolaridade minima, post maximo

A capa desta semana da Visão pergunta como se avalia um professor.

Depende.

Directamente, a meu ver, um professor só pode ser avaliado por duas pessoas: o director ou reitor e o aluno. A avaliação deste, apesar de não ser totalmente inconsequente, acaba na maior parte dos casos por ser inútil porque, quer queira quer não, tem que gramar com o "prof". O responsável do estabelecimento escolar avalia mas, com o nosso sistema de colocação de professores, acaba por ser um acto quase tão inconsequente como o do aluno.
De certa forma os professores não são, hoje em dia, avaliados de todo. No ensino público, claro. A questão levantada pela Sra. Ministra não se coloca em relação ao ensino privado, porque neste existe uma "cadeia de comando" firmemente estabelecida, encabeçada por um responsável que não só avalia, mas a quem os pais podem pedir contas. Tive um bom exemplo disso no colégio dos meus filhos quando, ao fim de diversas reclamações de pais preocupados com o ensino de Português, a sra. professora foi liminarmente despachada no fim do segundo período.

A ideia dos pais "avaliarem" os professores não é de todo parva. Mas não directamente, porque isso traria inúmeras injustiças. Mas se os pais puderem escolher a escola para onde mandam o petiz, isso já são outros quinhentos. Mas esse não pode, nem deve ser o primeiro passo.
O primeiro passo é repensar seriamente o papel do Estado na Educação. Se tivermos os olhos minimamente abertos reparamos que o Estado gere mal tudo aquilo que gere directamente. Logo, há que retirar o Estado da Educação porque a Educação chegou a este estado (não resisti...). Quais devem ser as competências do Estado na Educação? A ver:

- Preparar um Programa comum a todos os estabelecimentos de ensino do país, de modo a garantir uniformidade no ensino, bem como igualdade de oportunidades em todo o território.

- Estabelecer um período mínimo para a validade deste Programa (10 anos, por exemplo), com uma avaliação contínua para garantir que cumpre as necessidades profissionais do país.

- Compilar e publicar (por exemplo online) os textos mínimos para o ensino das diversas disciplinas e deixar às escolas escolher quais os melhores livros para o "seu" ensino.

- Garantir as infraestruturas mínimas para a prática do ensino - o betão, mesmo, ginásios, paredes, a tarecada toda - de modo a haver uma estrutura escolar decente em todo o território.

- Nomear, através de concurso público, um director para cada estabelecimento de ensino, sendo esta nomeação por um período sempre superior a uma legislatura e com renovação automática se a sua avaliação for positiva.

- Atribuir um orçamento a cada estabelecimento, conforme as circunstâncias particulares de cada um, só podendo ser ultrapassado se houver contribuições financeiras de particulares (pais) ou privados (empresas), com os benefícios fiscais do costume.

- Inspeccionar continuamente e avaliar anualmente cada estabelecimento, sendo a direcção deste directamente responsabilizada por qualquer falha detectada, com as devidas consequências, claro.

E pronto.

A partir daqui é com a escola, que contrata o professor que quiser, que procura financiamentos onde quiser, que ensina como acha melhor os alunos que tem, etc. Havendo alguém que lidere a escola, que gira efectivamente (conceito alienígena em Portugal) os problemas de curto e médio-prazo, haverá também a quem responsabilizar (outro conceito Neptuniano).
Ao mesmo tempo o Estado pode corrigir deficiências territoriais canalizando mais fundos para zonas mais deprimidas do país, ou zonas socialmente mais complicadas ou coisa que o valha. Pode operar porque não desperdiça tanto dinheiro.

E os bons dos papás e mamãs acabam por ser os últimos "avaliadores" da escola, deslocando os putos ranhosos para onde lhes derem melhores garantias de um bom ensino.

Isto pondo o problema de uma forma simples.

June 22, 2006

filhos da...


Dei agora uma vista d'olhos ao Cidade Surpreendente e ia-me dando um treco. Uma coisinha má.
Então não é que os alarves (alarbes?) responsáveis pela Cidade do Porto transformaram a Avenida dos Aliados - na minha opinião uma das mais bonitas avenidas do país - num aborto de paralelo e cimento?
Até agora tenho apreciado, de certa forma, a actuação de Rui Rio à frente da CMP mas depois disto acho que o homem deve ser sodomizado por uma multidão em fúria.

Apesar de ter nascido no Porto, vivi e cresci em Lisboa. Mas algumas das minhas melhores recordações de infância são do Porto e nomeadamente dos Aliados, onde passeava com os meus pais e, se bem me lembro, a minha perspectiva era de muitos joelhos de muita gente e de muitas flores nos canteiros.

Depois disto ainda querem dar mais responsabilidades aos municípios? Cambada de labregos.

PS: Uma dúvida me assalta... porque é que os tripeiros não impediram este disparate?

good ol' will

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.

lendo...

June 21, 2006

Passos Perdidos

Santana Lopes vai regressar ao Parlamento. Para quem "andava por aí", agora parece que vai "andar por ali". A inutilidade mantém-se.

June 19, 2006

non, ou a va gloria de mudar de canal


Não tenho nada contra o futebol. Nadinha mesmo. É um jogo como qualquer outro jogo de equipa, seja vólei, hóquei ou a estafeta quatro-por-cem.

Não tenho, também, nada contra os adeptos de futebol. Os normais. Na sua grande maioria são pessoas absolutamente normais que vibram com um desporto que apreciam. Há meia-dúzia de anormais nas claques organizadas, mas meia-dúzia de anormais há em todo o lado.

Por outro lado, compreedo em parte o fenómeno sociológico e antropológico que faz do futebol aquilo que é, bem como as reacções que provoca nas pessoas. Não vale a pena discursar sobre psicologia de massas, tribalismo e outras teorias do género. O ser humano é assim e "mai'nada".

Tenho, no entanto, muito contra o excesso de cobertura jornalística destes eventos. Que os meios de comunicação privados, nomeadamente as televisões, o façam, compreendo perfeitamente: audiências, share-ratings, aluguer de espaço publicitário e, acima de tudo, muito eurinho que dá um jeitão para pagar ao pessoal e os impostos no fim do mês. Agora que a RTP 1, estação obrigada ao conceito de serviço público, preencha 90% do seu tempo de antena ao Mundial não cabe na cabeça de ninguém, por muito tarado pelo futebol que seja. Ainda por cima que, à custa do dinheiro de todos nós, leve para a Alemanha jornalistas, equipas de filmagem, comentadores de desporto profissionais, amadores e o Marcelo Rebelo de Sousa é um perfeito escândalo.
O português médio (1,75m, barrigudo e ultimamente com menos pilosidade facial) acha bem, claro. Portugal é (!) a Selecção. Os portugueses só se podem rever na Selecção, que lá vai fazendo uns brilharetes: o resto do país é de um marasmo tal que só assim poderia ser. Mas se o português médio (1,75m, barrigudo e ultimamente com menos pilosidade facial) parasse 5 minutos para pensar veria o disparate completo que isto é, tal como foi construir dez estádios de futebol em 2004, para agora estarem ao abandono.

A mim, vale-me a Fox na TV Cabo. Vou ver o Deadwood.

June 14, 2006

sto. antonio


Há poucas coisas melhores na vida: vinho tinto, pimento assado, batata cozida com casca, uma dúzia de sardinhas e muito azeite.
Há alturas em que ser português dá muito prazer.

June 08, 2006

post asinino


Não, não é um post sobre os nossos políticos. Poderia ser, mas não é.

Gosto de burros. Gosto de andar de burro. Gosto da teimosia. Gosto do zurrar: ao contrário do relinchar do cavalo, que soa sempre um bocado histérico e gay, o zurrar é som de animal, profundo e agressivo.
Gosto do olhar do burro, meigo e inteligente: o olhar do cavalo demonstra, pelo contrário, um grau de inteligência de um galinácio e é sempre um pouco tresloucado, como se o raio do bicho se fosse passar a qualquer momento.

O cavalo é alto, esguio, pernas compridas, veloz e, como é lógico, o ser humano elegeu-o a animal nobre enquanto que o burro é atarracado, zurra, resistente como uma mula e teimoso como um burro e, azar dos diabos, passou a besta de carga.
Andar em cima de um cavalo enobrece-nos. Ficamos altivos e distintos. Num burro arrastamos com os pés no chão e ficamos, no mínimo, um bocado ridículos. Campónios. É a diferença entre Quixote e Pança: um vai de cavalo e o outro de burro.

Gosto de andar de cavalo, apesar do desconforto. Tenho prazer em controlar o animal, gosto da passada larga e veloz, do som dos cascos na terra e do resfolegar do bicho. Gosto do movimento controlado e às vezes do descontrolado. Mas gosto mais de burros.

Serpa


É o meu apelido. Mas também é o local escolhido pela General Electric para instalar a maior central fotovoltaica do mundo.
Nós somos assim. Ou não temos nada ou temos a maior coisa do mundo, seja lá ela qual for. Quase não tivemos Renascimento, mas tivemos o maior império marítimo do mundo. Não tivemos Revolução Industrial, mas tivemos a maior exploração de volfrâmio do mundo e arredores. And so on and so forth.
Agora, não investimos pêva em produção de energia mas vamos ter a maior central fotovoltaica do mundo. Pimba!

Piada à parte, acho bem que se invista - ou que se permita que se invista - neste tipo de projectos. Pena ser uma empresa americana a fazê-lo, e não uma iniciativa nacional, mas do mal o menos.
Tendo em conta que a GE só aposta em projectos lucrativos, podíamos aprender qualquer coisinha e começarmos, nós próprios, a investir em energia. Eólica, fotovoltaica ou qualquer outra. Porque parece que pode vir a ser lucrativo e porque bem que precisamos. Basta olhar para a factura mensal do "pitról" para perceber que qualquer coisa que se faça neste campo, por pequena que seja, ajuda.
O Estado, essa grande teta donde todos mamamos, podia também investir em energia através da carga fiscal que coloca sobre, por exemplo, os veículos automóveis: popó híbrido paga só 25% do IA e 19% de IVA - era a corrida ao Toyota Prius ou ao Honda Civic; transportadora com veículo a gás natural ou a xixi de cachorro quente só paga 15% de IRC - era ver a frota a renovar do dia p'ra noite. E assim sucessivamente.

Pode não resolver o problema, mas era um passo. O primeiro.

June 06, 2006

ai jesus

Vem aí o Verão. O Estio. Um calor danado. Que faz reparar em certos pormenores que não faz sentido reparar no Inverno. A ver.

As nossas Câmara Municipais, povoadas por indigentes, energúmenos e outros deficientes mentais decidiram embelezar tudo quanto é rotunda, praceta, placa triangular e espacinho entre pedras com relvados. Luxuriantes. Verdes. Sedosos.
Qualquer pessoa com um quintal de três metros quadrados sabe que a relva só quer uma coisa na vida: água.

Muita.

Para piorar a questão, as CM (L, S, C ou outra povoação à escolha) decidiram colocar rega automática nas ditas rotundaspracetasebermas. Às três da tarde. Pela torreira do sol. É giro porque assim o calor evapora 60% da água e o desperdício é muito maior. Mais ganha a EPAL - há que garantir os postos de trabalho concerteza.

Isto num país que se debate com falta de água crónica. Que tende a piorar de ano para ano.

Bailha-me DeusNoxoXenhor.

June 03, 2006

!

Finalmente é fim-de-semana!

June 01, 2006

efemeride

Hoje é o meu Dia Mundial! (e dos meus filhos).

post reciclado

Em 2004, por alturas do Euro, postei o que vem a seguir. Acho que este ano se vai aplicar da mesma forma

Gaunt:
Methinks I am a prophet new inspir'd,
And thus expiring do foretell of him:
His rash fierce blaze of riot cannot last,
For violent fires soon burn out themselves;
Small showers last long, but sudden storms are short;
He tires betimes that spurs too fast betimes;
With eager feeding food doth choke the feeder;
Light vanity, insatiate cormorant,
Consuming means, soon preys upon itself.
This royal throne of kings, this scept'red isle,
This earth of majesty, this seat of Mars,
This other Eden, demi-paradise,
This fortress built by Nature for herself
Against infection and the hand of war,
This happy breed of men, this little world,
This precious stone set in the silver sea,
Which serves it in the office of a wall,
Or as a moat defensive to a house,
Against the envy of less happier lands;
This blessed plot, this earth, this realm, this England,
This nurse, this teeming womb of royal kings,
Fear'd by their breed, and famous by their birth,
Renowned for their deeds as far from home,
For Christian service and true chivalry,
As is the sepulchre in stubborn Jewry
Of the world's ransom, blessed Mary's Son;
This land of such dear souls, this dear dear land,
Dear for her reputation through the world,
Is now leas'd out-I die pronouncing it-
Like to a tenement or pelting farm.
England, bound in with the triumphant sea,
Whose rocky shore beats back the envious siege
Of wat'ry Neptune, is now bound in with shame,
With inky blots and rotten parchment bonds;
That England, that was wont to conquer others,
Hath made a shameful conquest of itself.
Ah, would the scandal vanish with my life,
How happy then were my ensuing death!

William Shakespeare, Richard II

O senhor que diz estas palavras - através da pena de Shakespeare - é um tal de John of Gaunt, Duque de Lancaster, pai de uma senhora que deu à luz a Ínclita Geração, após a sua união com D. João I.
A única coisa que os portugueses herdaram deste espírito foi uma compulsão incompreensível para pendurar bandeiras nas varandas do T2 sempre que se joga à bola.

a copa


Portugal não vai ganhar o Mundial. Não é preciso ser o Prof. Karamba para chegar a esta brilhante conclusão: há equipas melhores, melhor organizadas, com melhores jogadores, e há o Brasil.

Se a minha previsão se confirmar o que vai acontecer aos portugueses a partir do fim do Mundial? Agora estão eufóricos, esperançosos, acreditando piamente que no minuto final do último jogo vão ser reconhecidos pelo mundo inteiro como um grande povo, capaz de grandes glórias e de grandes feitos. Quando isso não se concretizar vão voltar à sua mansa depressão diária e ao costumeiro pessimismo.

Continuando no meu papel nostradâmico, prevejo que a Alemanha não vai ganhar o Mundial. Os alemães sabem que têm uma boa selecção, que já ganharam por divesas vezes e que desta "pode ser que...". Mas no dia seguinte à Final vão voltar à sua vidinha, de BMW ou de Volkswagen, alegres por saberem que são "donos" da terceira maior economia mundial, que o DeutscheBank é "seu", que a Mercedes continuará a ser a marca de automóveis padrão, etc. Têm orgulho nisso e sabem o que fazer para continuarem a ter o nível de vida que têm: não serem displicentes, trabalhar o mais e o melhor possível, exigirem aos seus governos (nacional e federal) que, por muito corruptos que sejam, encontrem soluções para que o país ande para a frente e se desenvolva.

Nós, tugas de alma e coração, não queremos fazer absolutamente nada para mudar a nossa sorte. Preferimos apostar em pequenos momentos efémeros - seja o Mundial, o Europeu ou a "bandeira mais bonita do terceiro mundo" - para elevar o nosso ego, o que não dá trabalho nenhum, em vez de assumirmos que somos ineficazes, preguiçosos, ineficientes, desorganizados, aldrabões e ignorantes. Profissionalmente e politicamente.

Se mudarmos de atitude talvez a "febre do futebol" abrande.

May 31, 2006

novo dicionario da lingua portuguesa, revisto e editado.

Via Quarta República (link ao lado):

Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um projecto de resolução apresentado pelo PSD na Assembleia da República pretende instituir o dia 06 de Junho como o "Dia Nacional do Cão", um animal que, diz o partido, vive junto do Homem desde a pré-história. No projecto, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados do PSD consideram importante instituir no calendário oficial um dia "dedicado à sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães" tem na vida do Homem, dia "que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas crianças e nos jovens". Por esse motivo, sugerem os social-democratas, o "Dia Nacional do Cão" deveria ser o mais próximo possível do "Dia da Criança", que se comemora a 01 de Junho...

No post anterior questionava-me sobre um possível sinónimo de "bandalho". Acho que com este devo ir à procura de novo sinónimo para "bandalheira".

May 30, 2006

"Deputados alteram agenda parlamentar para assistir ao jogo Portugal-México", diz um título do Público Online de hoje. "'Não prejudicamos os trabalhos da Assembleia da República. Ao transferir o plenário para de manhã e realizando as comissões depois do jogo, cumpriremos toda a nossa agenda de trabalhos', sublinhou o vice-presidente da bancada parlamentar socialista José Junqueiro", lê-se mais à frente.

Acho óptimo. Acho tão bem que talvez devêssemos todos seguir o exemplo dos nossos estimados deputados e, a partir de agora, deveremos chegar ao nosso superior hierárquico/chefe de repartição e afirmar loquazmente "Ó chefe! amanhã não venho da parte da tarde, mas não há azar porque de manhã ligo para quem tenho de telefonar e venho depois de jantar tratar da papelada, e assim o trabalho não sofre!".
Poderemos até levar o exemplo mais longe e passar a trabalhar apenas nos meses mais frios do ano durante doze horas por dia, e depois ficamos com 4 ou 5 meses quentinhos livres para trabalhar pró bronze.

Aposto se procurar em qualquer dicionário de sinónimos o significado do termo "Bandalho" vem lá de certezinha a expressão "deputado português".

life...

May 26, 2006

coisas da terra

Vi há pouco nas notícias que uma Sra. Judoca (Telma Monteiro) se sagrou campeã europeia de judo. Trés Bien.
A notícia quase passou despercebida de pequenina que era. As notícias GRANDES falam das derrotas da selecção de futebol sub-21, das esperanças da selecção de futebol sobre-21, da contratação de um qualquer cromo da bola para o Benfica, do novo treinaddor do Benfica... isto é, da Bola.

Desporto em Portugal é Bola. Podemos ter bons judocas, velejadores, atiradores, pilotos, voleibolistas ou o diabo a sete, mas é redondinha que conta. O resto é paisagem.

Porquê? É uma questão de popularidade? De vontade das Massas? Eu que não ligo pêva ao desporto - seja ele qual for - tenho uma certa dificuldade em perceber porque é que se faz uma festarola enorme porque uma qualquer equipa da bola ganha uma competição, e a conquista de um título por uma senhora de roupão danada para a pancadaria é olimpicamente ignorada.

May 23, 2006

geografia

No meu tempo era chato à brava estudar Geografia. Na primária, além das regiões de Portugal Continental, como o Minho e Trás-os-Montes, tinham de se aprender as linhas férreas de Angola, os rios de Moçambique e as ilhas de Cabo Verde. O facto de Portugal ser um império era uma seca. Depois, a meio da primária, deu-se o 25 de Abril e Portugal encolheu. Foi lavado a uma temperatura demasiado elevada.
Como para os professores, alegremente em auto-gestão, a matéria também soava a salazarenta, deixaram-se as linhas férreas e outros meios de transporte como os fluviais e a matéria simplificou-se muito.

Mas se nessa altura a disciplina era difícil de empinar, agora a coisa complica-se sobremaneira. Hoje qualquer aluno entra na sala de aula desprevenido e, pimba!, leva com um novo país no crânio: "Meninos, esqueçam a aula de ontem e escrevam nos vossos caderninhos pautados que nasceu um novo país - o Montenegro: os seus habitantes, os mon-te-ne-gri-nos...". Já não bastava o Alto Volta, o Congo, a Birmânia e mais meia-dúzia deles terem mudado de nome, como ainda por cima surgem Bielorússias (fronteira com a Valvolinalândia), Estónias e Checas assim sem mais nem menos. Imaginem o desânimo do pobre rapaz que faltou, com gripe, a uma semana de aulas e se vê defrontado com todo um novo mundo político e geográfico.
Isto para não falar dessa pobre classe trabalhadora, os comentadores políticos, que se vêem a braços com dezenas de novos primeiro-ministros, presidentes, ministros, sobas e toda a sua História para analisar, decorar e, no fim, dizerem o seu chorrilho de banalidades sobre um sítio que não lhes interessa a mínima.

Devia-se criar uma regra qualquer, que estabelecesse períodos específicos para declarações de independência, talvez sob a égide da ONU, para facilitar a vida a todos os estudantes, jornalistas e ao Nuno Rogeiro.