Aqui há uns anos uma caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros foi praxada, diz ela, de forma violenta e humilhante. Agora avança com um processo contra o dito instituto.
Nem vale a pena saber quais foram as praxes praticadas, porque o fim da praxe é sempre a humilhação do caloiro. Todos os rituais iniciáticos têm essa função e a praxe é apenas mais um deles. Não sei se os iniciados da Maçonaria têm de simular actos sexuais com um poste eléctrico ou não (alguns se calhar gostariam), mas a ideia é a mesma. Após a praxe, ritual ou seja lá o que for, o iniciado passa a pertencer ao Clube dos Amigos Disney e no ano seguinte chateia o crânio ou qualquer outra peça anatómica a um novo desgraçado neófito.
Antes de continuar devo dizer que nunca fui praxado: no meu estabelecimento de ensino - o IADE - não havia essa tradição e na única vez em que corri o risco de o ser - ao ir a Farmácia ter com uma amiga - resolvi o problema explicando aos "praxadores", com auxiliares visuais, que se tentassem alguma gracinha iriam passar o resto da vida a corar sempre que vissem um pepino ou uma beringela.
Esclarecido o detalhe, continuemos.
Se na Maçonaria ou na Opus Dei podem fazer o que quiserem aos candidatos a idiotas terminais, no Ensino a coisa é ligeiramente diferente. Os primeiros aderem ao Clube voluntariamente. Os segundos são obrigados a educar-se para terem um futuro.
Para além disso, o hábito da praxe num estabelecimento de ensino público é mais grave ainda, tendo em conta que o Estado supostamente deveria dar o exemplo do tipo de sociedade e de comportamento quer para o país.
Para aqueles que dizem a plenos pulmões "...mas a praxe é uma tradição" é bom relembrar que a pena de morte, as vergastadas a bordo, os autos-de-fé e o Carlos do Carmo também eram, e não é por isso que devam ser aceites hoje em dia (principalmente o Carlos do Carmo).
Espero que a ex-caloira tenha sucesso no seu processo, e espero que um dia o disparate da praxe desapareça de vez.