August 25, 2006

vacanças


A partir deste momento estou oficialmente de férias. Quer isto dizer que: os clientes ligam só 3 vezes ao dia; só me chateiam da agência por telefone; vou poder dormir até os meus filhos me deixarem (ao contrário do período normal de trabalho, em que durmo até querer).

Seja como for, vai saber muito bem.

August 24, 2006

fora de orbita


Plutão foi-se. Passou de planeta a planeta anão. Despromovido de oficial a sargento. Coitadinho.

Agora, sempre que tiver de recitar a lengalenga planetária aos meus filhos, vou de certeza engasgar-me muitas vezes quando chegar ao fim: mercúriovénusterramartejúpitersaturnouranoneptunoplu... chiça! não... este já não é. Agora é anãozinho.

gustav klimt

August 22, 2006

praxis

Aqui há uns anos uma caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros foi praxada, diz ela, de forma violenta e humilhante. Agora avança com um processo contra o dito instituto.
Nem vale a pena saber quais foram as praxes praticadas, porque o fim da praxe é sempre a humilhação do caloiro. Todos os rituais iniciáticos têm essa função e a praxe é apenas mais um deles. Não sei se os iniciados da Maçonaria têm de simular actos sexuais com um poste eléctrico ou não (alguns se calhar gostariam), mas a ideia é a mesma. Após a praxe, ritual ou seja lá o que for, o iniciado passa a pertencer ao Clube dos Amigos Disney e no ano seguinte chateia o crânio ou qualquer outra peça anatómica a um novo desgraçado neófito.

Antes de continuar devo dizer que nunca fui praxado: no meu estabelecimento de ensino - o IADE - não havia essa tradição e na única vez em que corri o risco de o ser - ao ir a Farmácia ter com uma amiga - resolvi o problema explicando aos "praxadores", com auxiliares visuais, que se tentassem alguma gracinha iriam passar o resto da vida a corar sempre que vissem um pepino ou uma beringela.
Esclarecido o detalhe, continuemos.

Se na Maçonaria ou na Opus Dei podem fazer o que quiserem aos candidatos a idiotas terminais, no Ensino a coisa é ligeiramente diferente. Os primeiros aderem ao Clube voluntariamente. Os segundos são obrigados a educar-se para terem um futuro.
Para além disso, o hábito da praxe num estabelecimento de ensino público é mais grave ainda, tendo em conta que o Estado supostamente deveria dar o exemplo do tipo de sociedade e de comportamento quer para o país.
Para aqueles que dizem a plenos pulmões "...mas a praxe é uma tradição" é bom relembrar que a pena de morte, as vergastadas a bordo, os autos-de-fé e o Carlos do Carmo também eram, e não é por isso que devam ser aceites hoje em dia (principalmente o Carlos do Carmo).
Espero que a ex-caloira tenha sucesso no seu processo, e espero que um dia o disparate da praxe desapareça de vez.

August 21, 2006

do "Público"

"Acidente ferroviário em Espanha não terá feito vítimas portuguesas"

Ah... então está bem.

cultura


O Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Cascais e, principalmente, o Arqº Souto Moura criaram as condições para uma parte das obras de Paula Rêgo ficarem cá pelo burgo. Tal como o que se passou com a colecção Berardo, esta é uma iniciativa a aplaudir com as mãozinhas e os pézinhos, como bons primatas que somos.

Este é o tipo de intervenção que o Estado deve ter na Cultura: não só conservar o património existente - castelos, museus e tascas que sirvam cozido - mas também adicionar e enriquecer o mais possível esse mesmo património. É muito bonito apoiar um, dois ou três realizadores de cinema, meia-dúzia de companhias de teatro e coisas desse tipo mas, a longo prazo, é inútil. Se o Estado se concentrar em criar espaços museológicos ricos em conteúdo, estimulando assim a criatividade artística, se restaurar e suportar os custos inerentes a ter um teatro "em pé", permitindo que as companhias se instalem com custos apenas inerentes à produção, se criar espaços para ópera, música ou qualquer outra expressão artística acaba por resolver mais de metade dos problemas culturais da santa terrinha e, mais importante ainda, acaba com o clientelismo existente nos meios culturais e com a tendência para a "pedinchice" dos artistas autóctones.

August 20, 2006

mitos

Devo admitir que tinha um bocado de receio dos 40 anos. Não pessoalmente, mas profissionalmente. A minha profissão - publicitário, criativo ou o que lhe quiserem chamar - está pejada de putos de vinte e poucos anos, a quem é dito assim que começam a trabalhar que a partir dos 35 anos estão queimados, têm de se dedicar à pesca ou outra profissão do género. Cresci profissionalmente sempre a ouvir isto, dito sempre com uma solenidade e certeza impressionantes.

Felizmente, nestas duas últimas semanas tive a garantia e o reconhecimento de que sou bom. Profissionalmente. Muito bom mesmo.
Apesar de estar cansado por três anos sem férias, por semanas de trabalho seguidas de 75 horas, por problemas administrativos ridículos que só consomem o neurónio.

Sabe bem saber que não se está acabado. Ainda.

August 17, 2006

todos os nomes

Hoje vai-se saber, ou não, quantos planetas tem o sistema solar: se nove, se doze.
Pessoalmente prefiro uma dúzia. É mais giro. Parece que o Criador disse, na sua voz tonitruante: "Sai uma dúzia de planetas pró sistema solar do canto, fáxavor!".

Também é giro - muito mais, até - ver como o bicho Homem necessita de classificar o Universo à sua volta: os planetas e os satélites, os bons e os maus, os crentes e os incréus, as batatas fritas e o ovo-a-cavalo. Precisamos de classificar para compreender e para reduzir tudo o que nos rodeia à nossa escala, para sermos o centro do nosso universo.

Pelo que se começa a compreender, a nuvem de Oort contém n corpos celestes com dimensão suficiente para serem considerados planetas, mas nós, pobres e pequeninos primatas, insistimos que planetas são só aqueles do nosso quintal psicológico: MercúrioVénusTerraMarteJúpiterSaturnoUranoNeptunoePlutão. Continuamos a afirmar - contra toda a lógica e todas as evidências - que este planetita insignificante é único num Universo que desafia a nossa imaginação.

Apesar de tudo aquilo que aprendemos até agora, queremos continuar a ser produto, e imagem, de um qualquer Criador. Únicos. Especiais.

Giros, nós...

chove


O termo silly season vai ter de ser rapidamente actualizado para algo um pouco mais forte. A grande notícia ontem e hoje é que... chove. E chovendo, os portugueses não podem ir para a praia.

Coitadinhos.

Como os incêndios (graças à chuva) estão a esmorecer, como o conflito no Líbano se está a banalizar e como os Estados Unidos não declararam guerra a ninguém nas últimas 48 horas, os media nacionais estão desesperados à procura de uma "cacha". Como não há mais nada de extraordinário - ou de óbvio e fácil de reportar - fala-se do tempo. Tal como quando duas pessoas dizem "que lindo dia, não acha?" quando não têm nada de interessante para dizer, os media também fazem conversa de circunstância com o mesmo tema.

Se houvesse pelo menos meia-dúzia de repórteres dignos desse nome na informação nacional talvez fosse interessante debruçarem-se, agora que estamos em período de acalmia, sobre as verdadeiras causas dos incêndios neste país, dos interesses que servem e porque razão é que as áreas ardidas não são coincidentes de ano para ano, por exemplo.

Se os profissionais da informação fossem verdadeiramente profissionais talvez pudessem brindar-nos com peças que expliquem as verdadeiras causas do conflito israelo-árabe, quem o alimenta e tem interesse na sua eternização.

Se... mas não. Chove.

August 11, 2006

August 09, 2006

the devil's dictionary II

POLITICIAN, n. An eel in the fundamental mud upon which the superstructure of organized society is reared. When he wriggles he mistakes the agitation of his tail for the trembling of the edifice. As compared with the statesman, he suffers the disadvantage of being alive.

the devil's dictionary

PORTUGUESE, n.pl. A species of geese indigenous to Portugal. They are mostly without feathers and imperfectly edible, even when stuffed with garlic.

August 08, 2006

Os portugueses em Agosto estupidificam-se.

Não só vão, os que podem, para o Algarve pagarem rios de dinheiro para serem maltratados pelos nativos e para enfrentarem condições idênticas de trânsito às do IC19 após a abertura do ano escolar, como, os que não podem, ficam na sua terreola e alegremente pegam-lhe fogo. Por incúria, por acidente ou de propósito.

Dá vontade de perguntar se o gene de Homem de Neandertal tem uma concentração maior aqui por estas bandas.

August 04, 2006

agosto

Mês nomeado em honra de César Augusto que, ao que se saiba, não era calão de todo. Mas neste cantinho à beira-mar plantado parece que é essa visão que temos do imperador.
Não se faz nada nesta terra em Agosto. Trabalhar é impossível: liga-se para alguém e a resposta é invariavelmente "o sotôr está de férias e só volta dia..."; querer uma factura paga é impossível porque "sabe, o meu colega está de férias e ele é que trata desse processo"; um qualquer serviço é improvável porque "temos metade do pessoal de férias, sabe como é...".

Pois sei. Uma miséria. 

August 03, 2006

i'm singin' in the rain, just singin'...

Hoje acordei de manhãzinha com chuva. Soube bem.

Lavou-me a alma.

August 01, 2006

desilusão

Hoje desiludi-me. À séria. Recebi uma notícia que me deixou completamente de rastos, por ser tão inesperada.
Não vou entrar em detalhes obviamente. Apesar de compreender completamente as razões da notícia, e de certa forma as aceitar por completo, bem como as motivações que a geraram, mesmo assim foi um gigantesco balde de água fria.
Porque tinha esperança. Porque acreditei.

Porque sim.

life...


Os astrónomos andam em pulgas porque pensam que o sistema solar da figura pode albergar um planeta do tipo "terrestre". E se houver, até pode haver vida. E se esta houver, até pode ser inteligente.

É bom saber que há a hipótese de haver vida inteligente em pelo menos um planeta em todo o Universo.

pois...

A Oriente temos os Judeus e os Muçulmanos que não se entendem.
Não vale a pena dizer-lhes que são o mesmo povo, com a mesma origem - o império canaanita - como não vale a pena explicar-lhes devagarinho que, mais profeta menos profeta, a religião que professam é a mesma.

É a estupidez humana em todo o seu esplendor.

A Ocidente temos o comício de Chão de Lagoa, no Jardinistão.
Não vale a pena explicar ao senhor Jardim que se não fosse o contenente, Cavaco e Guterres, bem como a cumplicidade do poder e do sistema partidário, a Madeira ainda hoje seria um ermo subdesenvolvido.

É outro lado da estupidez humana. Mais inofensivo talvez, mas por ser mais próximo de casa, mais irritante e igualmente trágico.

July 30, 2006

piratas


Fui ver. Gostei. Ri-me bastante e a filharada também. Uma boa tarde, portanto.

July 28, 2006

domenico ghirlandaio


Um quadro que, se fosse pintado hoje em dia, seria muuuuito polémico.