e prontos.
Preciso de um copywriter outra vez. De preferência um gajo, para ser menos complicado.
September 29, 2006
September 27, 2006
ocaso

Consegui comprar o Sol!!
Vi, li e reli. Não gostei. Nada mesmo. Em primeiro lugar o lado gráfico da questão - a aparência - que é aquilo que é a minha profissão, portanto posso opinar com alguma autoridade: é mau. É confuso, mal distribuido, tornando a leitura difícil e cansativa. Ainda por cima todo o grafismo é antiquado, a começar no logotipo dos anos 80 e acabando no tipo de papel. De permeio fica todo o resto, que me deu uma dor de cabeça monumental.
Em segundo lugar aquilo que interessa em qualquer meio de informação: a informação. Má. Mal escrita e curta. Um jornal semanário deve explorar e desenvolver as notícias, não tentar encaixar cada uma em meia coluna mais a foto e a assinatura do escriba. Por outro lado irritaram-me os títulos enganadores ou dúbios, que nos levam a pensar que o conteúdo da noticia é outro. Desagradou-me também o estilo sensacionalista, pouco sóbrio... mas isso posso ser só eu que não gosto género, tal como não gosto do Tal & Qual ou do Correio da Manhã.
Para já, não volto a comprar.
Hoje vou-me atirar ao Expresso e avaliar o novo formato. Com a esperança de conseguir ler notícias boas sem ser no meio do chão da sala. Se é só para mudar de poiso de leitura, então também não vale a pena.
September 26, 2006
September 24, 2006
vroom
A propósito da Semana da Mobilidade está, na secção de fóruns do Expresso Online, a ser colocada a questão do que custa trocar o automóvel particular pelos transportes públicos, referindo a perda de utentes (80 milhões!) que os vários serviços perderam entre 2001 e 2005.
A questão é velha e tem, quanto a mim, três respostas.
A primeira é óbvia: os nossos transportes colectivos são maus. Muito maus. Principalmente os das periferias das grandes cidades, onde se concentra a maior parte da população.
A segunda é igualmente óbvia: não há, junto aos terminais dos vários transportes públicos, o número suficiente de estacionamento para os automóveis. Como nem todas as pessoas moram ao lado da paragem de autocarro ou da estação de comboio, desistem e vão de carro até ao local de trabalho.
A terceira é óbvia, também, mas mais delicada: o tuga médio é um perfeito anormal. Prefere "mostrar o pópó" e gramar com duas horas de bicha que andar de comboio. A falta de educação e o comodismo determinam a utilização dos transportes públicos cá no burgo.
Há uma quarta razão, menos óbvia mas tão determinante como as anteriores: as autoridades - nomeadamente a PSP - é tão útil como penas numa vaca malhada. Se o Código diz expressamente que é proibido estacionar em cima do passeio, porque é que Lisboa tem mais carros nos passeios do que a circular na Avenida da República às sete da tarde? Falta de reboques? de blocos de multas? Ou pura e simplesmente laxismo e "deixa-andar"?
O que é certo é que é inútil, para resolver o problema do trânsito, alargar a IC19, a A5, fazer mais duas ou três pontes sobre o Tejo, construir uma VCI2 ou colocar portagens à entrada das cidades, como queria o anormal Presidente da Câmara que se tornou Primeiro Ministro.
Agora por isso... ele ainda anda por aí?
A questão é velha e tem, quanto a mim, três respostas.
A primeira é óbvia: os nossos transportes colectivos são maus. Muito maus. Principalmente os das periferias das grandes cidades, onde se concentra a maior parte da população.
A segunda é igualmente óbvia: não há, junto aos terminais dos vários transportes públicos, o número suficiente de estacionamento para os automóveis. Como nem todas as pessoas moram ao lado da paragem de autocarro ou da estação de comboio, desistem e vão de carro até ao local de trabalho.
A terceira é óbvia, também, mas mais delicada: o tuga médio é um perfeito anormal. Prefere "mostrar o pópó" e gramar com duas horas de bicha que andar de comboio. A falta de educação e o comodismo determinam a utilização dos transportes públicos cá no burgo.
Há uma quarta razão, menos óbvia mas tão determinante como as anteriores: as autoridades - nomeadamente a PSP - é tão útil como penas numa vaca malhada. Se o Código diz expressamente que é proibido estacionar em cima do passeio, porque é que Lisboa tem mais carros nos passeios do que a circular na Avenida da República às sete da tarde? Falta de reboques? de blocos de multas? Ou pura e simplesmente laxismo e "deixa-andar"?
O que é certo é que é inútil, para resolver o problema do trânsito, alargar a IC19, a A5, fazer mais duas ou três pontes sobre o Tejo, construir uma VCI2 ou colocar portagens à entrada das cidades, como queria o anormal Presidente da Câmara que se tornou Primeiro Ministro.
Agora por isso... ele ainda anda por aí?
September 22, 2006
há dias assim
Há dias em que não tenho pachorra nenhuma para as outras pessoas. Se na maior parte dos dias não tenho paciência para os portugueses em geral, noutros não tenho para ninguém independentemente da sua nacionalidade, cor ou credo. Principalmente aqueles que me rodeiam, que estão próximos fisicamente.
September 18, 2006
ide, senhores
Hoje fui ao Porto. Era para ir de Alfa: comprei ontem os bilhetitos online, levantei-me às 6:45, saí de casa às 7:45 prontinho para apanhar o quimbóio das 9:55 apontado a Campanhã. Cheguei à portagem de Carcavelos, assentei arraiais e, por muitos caminhos e atalhos que tentasse, só cheguei a Sta. Apolónia a tempo de ver o traseiro do comboio a bambolear-se gare afora. Dirigi-me à bilheteira para ver se era possível trocar os bilhetes para o Alfa seguinte mas "Não, desculpe, mas bilhetes comprados online não se trocam". Como eram dois deitei 72,00€ à linha. E a CP perdeu um cliente definitivamente.
Assim, peguei na minha parceira de viagem, enfiámo-nos no chaveco e eles aí vão de abalada. Duas horas e meia depois - por causa de um zigue em vez de um zague - entrei Ponte do Freixo adentro para ver um monumento ao mau-gosto e estupidez nacional: o Estádio do Dragão, tão estupidamente grande e feio como a Luz ou Alvalade. Mais ou menos: poucas coisas são tão feias como o Estádio de Alvalade com o seu ar de WC pós-moderno.
Por outro lado, depois de meia-dúzia de voltas orientadas pela minha parceira tripeirinha de gema (excelente cicerone se não fosse o facto de dizer "Esquerda!" quando é para ir para a direita e vice-versa), dei de caras na Boavista com um dos mais bonitos e surpreendentes edifícios que já vi nos últimos tempos: a Casa da Música. Parabéns ao autarca que arriscou e aprovou um edifício com aquelas características em pleno centro portuense.
Entretanto houve uma reunião e uma viagem de volta que me deixou os rins em papa, mas o ponto alto de todo o dia foi ver, a partir dos Carvalhos, a cara da dita parceira a rasgar-se num sorriso quase impossível e ouvir o sotaque a adensar-se a cada 25 metros.
Baleu.
Assim, peguei na minha parceira de viagem, enfiámo-nos no chaveco e eles aí vão de abalada. Duas horas e meia depois - por causa de um zigue em vez de um zague - entrei Ponte do Freixo adentro para ver um monumento ao mau-gosto e estupidez nacional: o Estádio do Dragão, tão estupidamente grande e feio como a Luz ou Alvalade. Mais ou menos: poucas coisas são tão feias como o Estádio de Alvalade com o seu ar de WC pós-moderno.
Por outro lado, depois de meia-dúzia de voltas orientadas pela minha parceira tripeirinha de gema (excelente cicerone se não fosse o facto de dizer "Esquerda!" quando é para ir para a direita e vice-versa), dei de caras na Boavista com um dos mais bonitos e surpreendentes edifícios que já vi nos últimos tempos: a Casa da Música. Parabéns ao autarca que arriscou e aprovou um edifício com aquelas características em pleno centro portuense.
Entretanto houve uma reunião e uma viagem de volta que me deixou os rins em papa, mas o ponto alto de todo o dia foi ver, a partir dos Carvalhos, a cara da dita parceira a rasgar-se num sorriso quase impossível e ouvir o sotaque a adensar-se a cada 25 metros.
Baleu.
September 16, 2006
às postas
Estou a postar num PC. Com Windows e tudo. O rato tem uma rodinha e dois botões. O teclado faz tlec-tlec-tlec sempre que carrego numa tecla. Tenho luzinhas acesas no teclado e um botãozinho com o símbolo do Windows. É uma experiência deprimente. As letras no monitor parecem do século passado, rígidas e pixelizadas. As cores são cruas. há um aviso no teclado que me preocupa e diverte simultaneamente: "!AVISO IMPORTANTE. Para o uso seguro e confortável do seu equipamento, ieia (sic) o Guia de segurança e conforto. www.hp.com/ergo". Irão as teclas revoltar-se contra mim e saltar em direcção aos meus olhos, só porque as pressiono?
Saudades do Mac......
Saudades do Mac......
expressamente
A semana passada tentei comprar o Expresso para ver o novo formato. Não havia. Esgotou. A razão? Um DVD com um filme simpático. Este fim-de-semana nem sequer tentei. Com DVD do lado do Expresso e a estreia do Sol - o tal que quando nasce é para todos - esgotou concerteza.
É um bocado deprimente. Um jornal que era bom agora esgota não por causa do conteúdo, dos jornalistas ou da necessidade de informação, mas sim porque tem um dêvêdêzito agarrado.
Há muito tempo que não sou leitor assíduo do Expresso. Já fui mas curei-me. Agora, depois de ver o conteúdo do respectivo site, tenho a sensação que nunca mais comprarei a coisa. O Sol talvez, para conhecer; mas tenho a sensação que será acto único. O jornalismo em Portugal é paupérrimo e piora cada vez mais. Não há Sol que nos valha.
É um bocado deprimente. Um jornal que era bom agora esgota não por causa do conteúdo, dos jornalistas ou da necessidade de informação, mas sim porque tem um dêvêdêzito agarrado.
Há muito tempo que não sou leitor assíduo do Expresso. Já fui mas curei-me. Agora, depois de ver o conteúdo do respectivo site, tenho a sensação que nunca mais comprarei a coisa. O Sol talvez, para conhecer; mas tenho a sensação que será acto único. O jornalismo em Portugal é paupérrimo e piora cada vez mais. Não há Sol que nos valha.
September 12, 2006
cinco anos

Faz cinco anos (já!) que o WTC foi atingido por dois aviões. Depois de todo este tempo começam a surgir os filmes a là Hollywood retratando o ataque, como sempre, creio, de uma forma simplista e acéfala. Não vi nenhum mas o cinema americano tem-nos habituado regularmente às suas visões bidimensionais - e maniqueístas - da História.
À excepção de Gore Vidal, de Mark Curtis e de meia-dúzia de outros, pouco se tem falado sobre as causas históricas que levaram ao 11 de Setembro, à exacerbada violência islâmica e ao mapa político mundial dos dias de hoje. Nada justifica aquilo que se passou há cinco anos - nada pode, humanamente, justificar um acto de guerra, seja ela clássica ou terrorista - mas um país que está em estado de guerra permanente quase desde a sua fundação não pode esperar passar incólume ao lado da História. Só em Hollywood é que as coisas se passam assim.
September 09, 2006
criação
Li há pouco, no Quarta República (o link está praí algures do lado direito do monitor) que o papa ia reunir com os jovens para discutir o criacionismo, ideia que o iluminado presidente americano tem defendido - intelligent design, acho que é o nome que lhe dão lá para aquelas bandas - e que já encontrou eco deste lado do oceano, nomeadamente em Itália e na Sérvia, através das respectivas ministras da Educação.
Segundo a mais ou menos fiável Wikipedia Intelligent design is the concept that "certain features of the universe and of living things are best explained by an intelligent cause, not an undirected process such as natural selection."Its leading proponents, all of whom are affiliated with the Discovery Institute, say that intelligent design is a scientific theory that stands on equal footing with, or is superior to, current scientific theories regarding the evolution and origin of life.
Não me apetece traduzir a coisa toda, mas espremendo dá qualquer coisa como "a evolução tem por trás uma acção e uma vontade inteligente", isto é, Deus existe porque senão o Universo era uma desgraça pegada. Diz ainda que a teoria é resultado da prática científica e deve ser encarado como uma teoria científica.
Pah. Para ser uma teoria científica deveria haver investigação credível por trás e provas que consubstanciassem a dita teoria. Que não há, nem uma coisa nem outra.
O problema de toda e qualquer religião é que não há provas da existência de qualquer deus: seja Jeová, Shiva, Quetzacoatl ou aquela pedrinha sagrada adorada por uma tribo perdida no meio da selva do Burkina Faso. Nicles. Zerinho. Pêva. Como ainda por cima o ser humano tem considerado, ao longo da História, como deuses o fogo, a chuva, o sol nascente, o sol poente, a lua, o boi, a vaca e a tal pedrinha entre outros, a teoria da existência de deus torna-se bastante inverosímil. Pelo menos para um ateu empedernido como eu.
Era mais inteligente que os religiosos deste mundo se limitassem a confiar na fé, no medo, na esperança e na imaginação das pessoas e deixassem de tentar provar "científicamente" algo que não tem de ser provado. Nem pode.
Segundo a mais ou menos fiável Wikipedia Intelligent design is the concept that "certain features of the universe and of living things are best explained by an intelligent cause, not an undirected process such as natural selection."Its leading proponents, all of whom are affiliated with the Discovery Institute, say that intelligent design is a scientific theory that stands on equal footing with, or is superior to, current scientific theories regarding the evolution and origin of life.
Não me apetece traduzir a coisa toda, mas espremendo dá qualquer coisa como "a evolução tem por trás uma acção e uma vontade inteligente", isto é, Deus existe porque senão o Universo era uma desgraça pegada. Diz ainda que a teoria é resultado da prática científica e deve ser encarado como uma teoria científica.
Pah. Para ser uma teoria científica deveria haver investigação credível por trás e provas que consubstanciassem a dita teoria. Que não há, nem uma coisa nem outra.
O problema de toda e qualquer religião é que não há provas da existência de qualquer deus: seja Jeová, Shiva, Quetzacoatl ou aquela pedrinha sagrada adorada por uma tribo perdida no meio da selva do Burkina Faso. Nicles. Zerinho. Pêva. Como ainda por cima o ser humano tem considerado, ao longo da História, como deuses o fogo, a chuva, o sol nascente, o sol poente, a lua, o boi, a vaca e a tal pedrinha entre outros, a teoria da existência de deus torna-se bastante inverosímil. Pelo menos para um ateu empedernido como eu.
Era mais inteligente que os religiosos deste mundo se limitassem a confiar na fé, no medo, na esperança e na imaginação das pessoas e deixassem de tentar provar "científicamente" algo que não tem de ser provado. Nem pode.
September 07, 2006
pensar

Hoje foi dia de ouvir. Ouvi muito, muitas opiniões diversas, concordantes, opostas. Algumas próximas das minhas, outras muito muito longe.
Como sempre falei pouco. Prefiro ouvir a falar. É mais económico, mais cómodo, mais prático e, acima de tudo, ouvir dá-me elementos para pensar. Food for thought.
Agora, depois de ter ouvido, penso. Com a muleta ilustrada ao lado. Em silêncio. Quase.
Acho que penso com as mãos, ao contrário dos meus parceiros de espécie. Penso com a mão ocupada com o cigarro. Penso a encestar a bolinha de basket (basquete?). Penso bem numa coisa enquanto faço outra, como agora enquanto blogo. Penso de forma irrequieta, talvez para provar que existo enquanto penso. Sempre em privado.
Quando acabar de pensar, decido. Definitivamente. Raramente volto atrás depois de me decidir. E imponho a minha decisão. Faz parte daquilo que faço. Faz parte daquilo que sou.
September 04, 2006
fui

Fui às Janelas Verdes ver a Colecção Rau. É o que dá estar de férias: arrasta-se os putos gritões ao MNAA para ver uma exposição com obras desde o Quattrocento até ao Fauvismo. Eles chateiam-se de morte durante os primeiros dois minutos, berram pela Playstation e começam a interessar-se depois duma explicação ao seu nível, e eu passei duas horitas encantado com coisas que só conhecia dos livros de estudo.
Valeu.
indy

Parece que O Independente se finou. É pena.
Apesar de não pegar no jornal praticamente desde os tempos do Cavaquistão - e de não o levar muito a sério desde que Miguel Esteves Cardoso saiu - continuo a achar que fazia falta um jornal do seu género: um pouquinho mais à direita que o resto da imprensa nacional e com tradição de jornalismo de investigação.
Desses tempos recordo a K ou a Grande Reportagem que, apesar de não serem da mesma "família" editorial, eram revistas bastante boas, ou o Semanário, outro jornal que faleceu por falta de leitores e de, por arrasto, receita publicitária. Resta-nos a Visão, que é o que é, o Expresso, que parece que vai perder parte do conteúdo escrito para dar mais ênfase à imagem - e para isso prefiro a televisão - e o Tal e Qual, que é aquilo que merecemos.
August 25, 2006
vacanças

A partir deste momento estou oficialmente de férias. Quer isto dizer que: os clientes ligam só 3 vezes ao dia; só me chateiam da agência por telefone; vou poder dormir até os meus filhos me deixarem (ao contrário do período normal de trabalho, em que durmo até querer).
Seja como for, vai saber muito bem.
August 24, 2006
fora de orbita

Plutão foi-se. Passou de planeta a planeta anão. Despromovido de oficial a sargento. Coitadinho.
Agora, sempre que tiver de recitar a lengalenga planetária aos meus filhos, vou de certeza engasgar-me muitas vezes quando chegar ao fim: mercúriovénusterramartejúpitersaturnouranoneptunoplu... chiça! não... este já não é. Agora é anãozinho.
August 22, 2006
praxis
Aqui há uns anos uma caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros foi praxada, diz ela, de forma violenta e humilhante. Agora avança com um processo contra o dito instituto.
Nem vale a pena saber quais foram as praxes praticadas, porque o fim da praxe é sempre a humilhação do caloiro. Todos os rituais iniciáticos têm essa função e a praxe é apenas mais um deles. Não sei se os iniciados da Maçonaria têm de simular actos sexuais com um poste eléctrico ou não (alguns se calhar gostariam), mas a ideia é a mesma. Após a praxe, ritual ou seja lá o que for, o iniciado passa a pertencer ao Clube dos Amigos Disney e no ano seguinte chateia o crânio ou qualquer outra peça anatómica a um novo desgraçado neófito.
Antes de continuar devo dizer que nunca fui praxado: no meu estabelecimento de ensino - o IADE - não havia essa tradição e na única vez em que corri o risco de o ser - ao ir a Farmácia ter com uma amiga - resolvi o problema explicando aos "praxadores", com auxiliares visuais, que se tentassem alguma gracinha iriam passar o resto da vida a corar sempre que vissem um pepino ou uma beringela.
Esclarecido o detalhe, continuemos.
Se na Maçonaria ou na Opus Dei podem fazer o que quiserem aos candidatos a idiotas terminais, no Ensino a coisa é ligeiramente diferente. Os primeiros aderem ao Clube voluntariamente. Os segundos são obrigados a educar-se para terem um futuro.
Para além disso, o hábito da praxe num estabelecimento de ensino público é mais grave ainda, tendo em conta que o Estado supostamente deveria dar o exemplo do tipo de sociedade e de comportamento quer para o país.
Para aqueles que dizem a plenos pulmões "...mas a praxe é uma tradição" é bom relembrar que a pena de morte, as vergastadas a bordo, os autos-de-fé e o Carlos do Carmo também eram, e não é por isso que devam ser aceites hoje em dia (principalmente o Carlos do Carmo).
Espero que a ex-caloira tenha sucesso no seu processo, e espero que um dia o disparate da praxe desapareça de vez.
Nem vale a pena saber quais foram as praxes praticadas, porque o fim da praxe é sempre a humilhação do caloiro. Todos os rituais iniciáticos têm essa função e a praxe é apenas mais um deles. Não sei se os iniciados da Maçonaria têm de simular actos sexuais com um poste eléctrico ou não (alguns se calhar gostariam), mas a ideia é a mesma. Após a praxe, ritual ou seja lá o que for, o iniciado passa a pertencer ao Clube dos Amigos Disney e no ano seguinte chateia o crânio ou qualquer outra peça anatómica a um novo desgraçado neófito.
Antes de continuar devo dizer que nunca fui praxado: no meu estabelecimento de ensino - o IADE - não havia essa tradição e na única vez em que corri o risco de o ser - ao ir a Farmácia ter com uma amiga - resolvi o problema explicando aos "praxadores", com auxiliares visuais, que se tentassem alguma gracinha iriam passar o resto da vida a corar sempre que vissem um pepino ou uma beringela.
Esclarecido o detalhe, continuemos.
Se na Maçonaria ou na Opus Dei podem fazer o que quiserem aos candidatos a idiotas terminais, no Ensino a coisa é ligeiramente diferente. Os primeiros aderem ao Clube voluntariamente. Os segundos são obrigados a educar-se para terem um futuro.
Para além disso, o hábito da praxe num estabelecimento de ensino público é mais grave ainda, tendo em conta que o Estado supostamente deveria dar o exemplo do tipo de sociedade e de comportamento quer para o país.
Para aqueles que dizem a plenos pulmões "...mas a praxe é uma tradição" é bom relembrar que a pena de morte, as vergastadas a bordo, os autos-de-fé e o Carlos do Carmo também eram, e não é por isso que devam ser aceites hoje em dia (principalmente o Carlos do Carmo).
Espero que a ex-caloira tenha sucesso no seu processo, e espero que um dia o disparate da praxe desapareça de vez.
August 21, 2006
do "Público"
"Acidente ferroviário em Espanha não terá feito vítimas portuguesas"
Ah... então está bem.
Ah... então está bem.
cultura

O Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Cascais e, principalmente, o Arqº Souto Moura criaram as condições para uma parte das obras de Paula Rêgo ficarem cá pelo burgo. Tal como o que se passou com a colecção Berardo, esta é uma iniciativa a aplaudir com as mãozinhas e os pézinhos, como bons primatas que somos.
Este é o tipo de intervenção que o Estado deve ter na Cultura: não só conservar o património existente - castelos, museus e tascas que sirvam cozido - mas também adicionar e enriquecer o mais possível esse mesmo património. É muito bonito apoiar um, dois ou três realizadores de cinema, meia-dúzia de companhias de teatro e coisas desse tipo mas, a longo prazo, é inútil. Se o Estado se concentrar em criar espaços museológicos ricos em conteúdo, estimulando assim a criatividade artística, se restaurar e suportar os custos inerentes a ter um teatro "em pé", permitindo que as companhias se instalem com custos apenas inerentes à produção, se criar espaços para ópera, música ou qualquer outra expressão artística acaba por resolver mais de metade dos problemas culturais da santa terrinha e, mais importante ainda, acaba com o clientelismo existente nos meios culturais e com a tendência para a "pedinchice" dos artistas autóctones.
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