February 09, 2007

post inevitavel

Faltam dois dias para saber o que os portugueses pensam sobre duas coisas: o aborto e o referendo.
Não comento a escolha que for feita sobre o primeiro tema - eu tenho uma opinião, já expressada anteriormente, e os outros terão a sua, que é sem dúvida igualmente válida. Não discuto porque não acho discutível.

Por estranho que pareça, acho o segundo tema muito mais importante. O número de pessoas que acorrer ao voto no Domingo vai dizer se os portugueses acham que devem ser consultados sobre questões que alteram os seus padrões sociais, e que devem intervir activamente na sociedade que integram, ou se lhes basta depositar o papelito na urna de quatro em quatro anos.

Creio que se este referendo tiver a afluência do anterior, o referendo aborta em Portugal.

Spencer Platt


"Spencer Platt, fotógrafo americano da agência Getty Images, venceu o World Press Photo 2006. A imagem escolhida mostra, em primeiro plano, um grupo de libaneses a passear-se em Beirute num descapotável vermelho no meia da devastação, depois dos bombardeamentos da aviação israelita. Foto: Spencer Platt/Getty Images" (in Público).

Um bom retrato daquilo que é o ser humano.

January 31, 2007

apertar o cinto


O Cardeal Patriarca, magnanimamente, concorda com a Educação Sexual no ensino português. Desde que, claro, a castidade seja um dos valores salvaguardados no ensino da disciplina.

Aquilo que o senhor Cardeal se esquece é que a Educação Sexual é uma matéria factual, e não moral. Enquanto que a castidade, e o seu inverso, são questões sociais, morais e comportamentais, definidas pelos padrões de comportamento de uma determinada sociedade e reguladas pelos seus valores, a Educação Sexual trata de abelhas, coelhos e seres humanos: não passa, talvez, de um ramo aplicado da Biologia ou da Antropologia. Enfiar aqui a Castidade seria tão ridículo como explicar as práticas do Sado-Masoquismo.

January 23, 2007

nojo

Um político desiste das suas funções na CML porque não tem o dom da ubiquidade, e como é deputado à AR e a sua "paixão" é o Parlamento, escolhe este.
Uma semana depois deste anúncio, em público, com meia-dúzia de jornalistas sabujos a tentarem enfiar-lhe um microfone ou um telemóvel por uma narina acima, sabe-se que afinal o tal político foi nomeado - pelo Governo - Embaixador na UNESCO. E aceitou. Afinal a sua paixão pelo Parlamento era fugaz... uma espécie de one-night-stand.

Como o dito é Manuel Maria Carrilho, graças a Deus que vai para a UNESCO e não para o Parlamento. O que não quer dizer que a nossa classe política não meta nojo de qualquer modo.

January 22, 2007

January 11, 2007

quero um!


É um telemóvel. É um iPod. É lindo. Quero!

January 04, 2007

tv


No ano passado vi muito provavelmente menos televisão que em qualquer outro ano. Fosse por ter muito trabalho, falta de paciência ou outra razão qualquer. Mas foi também o ano em que vi mais séries de qualidade. De excelente qualidade, diga-se. São elas, por ordem crescente de qualidade - ou de prazer:

- Deadwood
- Rome
- House MD
- Grey's Anatomy

Entre as duas primeiras, não sei qual a melhor, sinceramente.

January 03, 2007

um génio por um génio


Miles Davis por Irving Penn

dois mil e qualquer coisa

É habitual nos fins-de-ano fazer-se o balanço do pobre ano que morre. Os jornais fazem-no, as televisões fazem-no e a D. Gertrudes normalmente também faz. Mentalmente mas faz. Um balanço, este, normalmente feito de contas de cabeça, a tentar descobrir para onde foi a pensão / ordenado mínimo / subsídio de desemprego.

2006 não foi um ano particularmente mau. Ou bom. Foi igual a tantos outros, provando mais uma vez que a espécie humana, em termos de inteligência, pouco acima está do gafanhoto. O argumento - que tem uma base científica nula - prova-se de qualquer modo pela execução bárbara de Saddam Hussein, pela entrada de mais dois estados para a União Europeia (já funcionava mal a quinze, quanto mais a 27), pela estúpida e contínua política de Israel relativamente à Palestina e assim sucessivamente. Prova-se pelos 3001 desgraçados americanos mortos numa guerra desencadeada por um anormal de cartilha e pela recusa das sociedades ocidentais (e não só) fazerem algo que seja para minorar os problemas ambientais que se acumulam cada vez mais.

Decididamente, o Ano do Cão não diz muito de favorável para o Homem - diz um bocadinho melhor para a Mulher, mas por pouco.

Bom Ano Novo.

December 23, 2006

xmas


Feliz Natal a todos!

December 20, 2006

pezinho


Problema 1
A minha filha tinha que ir ao concerto da escola, com a seguinte recomendação dos professores: "as meninas têm de ir de vestido e sapatos, os meninos de ..."

Problema 2
A minha filha. Senhora de um mau feitio olímpico.

Problema 3
Encontrar um par de sapatos que a satisfizesse em apenas um fim-de-semana.

Problema 4
Encontrar um par de sapatos que sirva à minha filha, rapariguita de 8 anos e 37 de pé!

Resolução do problema
Depois de percorrer quase todas as lojas do CascaiShopping - até a Fnac - a petiza foi realmente ao concerto de vestidinho (de ganga), peúga e com os sapatitos novos. Mais ou menos. São os da fotografia.

December 16, 2006

got milk?

Quando eu era miúdo o leite vinha em garrafas. De vidro. Com uma tampinha em folha de alumínio. Aquilo que acontecia era, invariavelmente, a tampinha entrar pelo bocal da garrafa numa posição que tornava impossível calcular a trajectória do leite quando se servisse, ou a garrafa estatelar-se no chão, desfazendo-se em milheres de gotas de leite e pedaços de vidro que faziam as donas de casa vociferarem como um marinheiro experiente.
Uns tempos depois a UCAL teve uma ideia de génio: pirâmides de plástico mole que faziam com que qualquer tentativa para beber leite se tornasse numa perfeita representação em miniatura do Ol' Faithful.
Hoje em dia temos os paralelipípedos da Vigor e quejandos, com uma tampinha de plástico que, quando se desenrosca, revela um bocal tapado e uma argolinha para o destapar. Com o pormenor, claro, da dita argolinha ser demasiado frágil para suportar qualquer puxão ficando na mão do desesperado consumidor de sumo-de-vaca.

As empresas leiteiras têm uma imaginação formidável: quarenta anos e várias gerações de consumidores completamente doidos de raiva.

tlebs

Este vale a pena assinar.

December 14, 2006

LX


Ontem no meio do zapping, semi-morto de sono, paro na RTP-N e vejo a galeria dos cromos: Maria José Nogueira Pinto, Ricardo Sá Fernandes, Ruben Carvalho, Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues. Era o PEC. Não o Pagamento Especial por Conta - que pago trimestralmente quer esteja com lucro ou não - mas sim o Prós e Contras. O programa não é mau, mas a apresentadora devia abster-se de fazer "àpartes" e dizer piadas.

Cromo 1 (MJNP): disse demasiadas vezes que viabilizou o orçamento de 2007 porque isto e aquilo; falou muito do Plano Baixa Chiado e acabou-se. Foi pouco

Cromo 2 (RSF): segundo este senhor, Lisboa era óptima em Outubro de 1755 e não devia mudar nada, a não ser acabar com os automóveis na cidade.

Cromo 3 (RC): tentou documentar-se bem, meteu água com os números do orçamento e de resto recitou a cartilha do PCP muito bem.

Cromo 4 (MMC): mal-educado, pedante, sem uma única ideia. Um autêntico puto mimado.

Cromo 5 (CR): defendeu-se como lhe cabia e como podia, justificou muito mal os casos gritantes de má gestão e descobriu, ao fim de um ano, que é melhor começar a arrumar a casa antes de iniciar a gestão da Cidade.

Moral da estória: se fosse munícipe, votava em Carmona Rodrigues. Ou mudava-me para Barcelona.

Moral da estória 2: Não há a menor ideia do que se quer para o futuro de Lisboa dentro das cabecinhas dirigentes. Nada. Zerinho.
Lisboa é uma cidade milenar - 2500 anos, mais século menos século - monumental, ribeirinha, com uma luz e orografia notáveis. O suficiente para a tornar um destino turísico de excelência. Está a meio caminho da América e da Europa-a-Sério, o que lhe dá condições de ser um centro empresarial óptimo. Tem condições climáticas e infra-estruturas que a tornam atractiva para o mercado residencial médio-elevado. E assim sucessivamente.
Com estas vantagens, e ignorando as desvantagens que também tem, qual é o futuro preconizado para a cidade? Alguém já tentou pensar nisso? É fácil dizer, alto e bom-som, "Nem mais um carro para Lisboa" como faz Sá Fernandes, mas e o resto?

É mais ou menos como o resto do país: governa-se o hoje, só.

December 12, 2006

ainda o peru

Ainda voltando à questão da Turquia... lateralmente.

Aquilo que me irrita nas reticências postas à entrada da Turquia na União - pelo menos aquelas que nunca são referidas - é pura e simplesmente eu não conseguir imaginar a Europa como um espaço geográfico povoado por pessoas brancas, cristãs, altas, loiras e assim sucessivamente. Só me agrada a Europa multicultural, multicolorida, enriquecida pela mistura e pelas diversas experiências de diversos povos. De algum modo agrada-me a tradição mediterrânica da Europa, de Portugal aos Balcãs, onde árabes, latinos,iberos, eslavos, turcomanos, germanos e outros animais de estimação se misturaram e aprenderam a viver em conjunto - mais ou menos. Agradam-me as misturas que se geraram com os impérios coloniais, permitindo uma coabitação cada vez melhor - ou cada vez menos má - entre pessoas de várias raças, credos e culturas.

Não me agrada a tradição germânica - germânico no sentido de Norte da Europa, da Escandinávia a parte de França - de exclusão e de purismo idiota.
A Europa daria um exemplo enorme ao integrar com normalidade a Turquia, demonstrando que aceita todas as culturas, raças e religiões desde que os valores comuns sejam respeitados: liberdade, democracia e todos esses chavões.

Peru


Mais uma vez a Europa deu com os pés à Turquia. Desta vez a propósito do acesso ao aeroporto de Chipre. Ou coisa do género: os pormenores não interessam, porque o que começa a dar a ideia é que o problema não são os direitos humanos, a disputa pela ilhota de Chipre ou se o banho turco é demasiado quente, mas sim porque a adesão fará 70 milhões de muçulmanos entrar para o Clube dos Amigos Disney.

Um Clube muito exclusivo reservado, ao que parece, a países cristãos. Não interessa se católicos, ortodoxos ou protestantes; o que interessa é serem cristãos.
Um Clube, também, onde o equilíbrio de forças entre os grandes está muito bem de saúde e que ficaria totalmente desequilibrado com a entrada dos tais s-e-t-e-n-t-a milhões de turcos de bigode.
Um Clube que não se importa de expandir as suas fronteiras até onde estas forem pacíficas ou muito pouco problemáticas, o que deixaria de ser verdade com a entrada da Turquia, que traz consigo o problema curdo, por assim dizer para dentro da sala de fumo do Clube.

Sei pouco sobre a Turquia. Sei que tem um sistema policial violento, sei que viola alguns Direitos Humanos, sei que tem problemas a Sul com os curdos e sei que ainda tem bastantes desigualdades sociais - que provocam bastante emigração o que chateia de morte os alemães.
Também sei que é uma democracia, que é uma sociedade laica e que mudou muito nos últimos 30 anos.
Se quiser fazer comparações parvas, posso dizer que o nosso maior aliado padece dos dois primeiros problemas, que o nosso mais antigo aliado tem o mesmo terceiro problema mas a Oeste e que nós próprios temos o mesmo quarto problema só que chateamos os franceses.
Também poderia dizer que alguns dos últimos ou dos próximos aderentes ao Clube padecem de todas estas maleitas.

Parece-me tudo isto um bocado de hipocrisia no sentido original do termo - em grego, por ironia.

December 06, 2006

jingle bells


Desde 15 de Novembro que não se pode entrar num Centro Comercial. Mesmo que se queira entrar e sair rapidamente "porque preciso mesmo daquele livro do Não-Sei-Quantos", fica-se preso numa enxurrada de gente a comprar as prendas de Natal. Em Novembro! O consumismo é uma coisa linda, principalmente para mim que vivo dele. Mas há limites.

Há duas semanas que amigos e conhecidos me perguntam, com expressões alucinadas, "o que é que vais dar aos teus filhos? Já sabes?! É que eu não faço a mínima ideia!!! Já têm TUDO!!!!". Quando digo que ainda não pensei minimamente no assunto invariavelmente respondem-me naquele tom de voz suave e apaziguador normalmente reservado aos terminalmente insanos.

Sinceramente não faço a mínima ideia daquilo que vou oferecer aos meus filhos e restante parentela. Nem me interessa pensar nisso agora, porque não é importante. Apesar do Natal ter para mim o mesmo significado que tem a festa anual dos pescadores de Remolares, habituei-me a vê-lo como uma reunião familiar, onde se come em conjunto, se conversa em conjunto e, invariavelmente, se discute em conjunto. E por acaso lá para a meia-noite trocam-se umas prendas. Mas o que é importante é a primeira parte: ver parentes que só se vêm uma vez por ano, relembrar que a tia Clara é uma cabra, manter o Jorge longe da garrafa de vinho porque o tapete da sala não aguenta outra limpeza a seco e assim sucessivamente. As prendas são um pormenor: são a cereja mas aquilo que importa é o bolo.
Para os miúdos, o importante é ter o pai o dia inteiro em casa e poderem saltar-lhe em cima, jogar à bola com ele, etc. Gostam da prenda, claro. Mas o resto é que interessa.

surpresa...


O meio em que trabalho é muito pequenino. Toda a gente se conhece, se vê e se fala. Eu, como já estou a ficar mais velhinho, conheço muita gente e ouço muita coisa.
Hoje ouvi (uma-account-que-conhece-um-criativo-que-é-muito-amigo-do-director) que andaram a dizer mal de mim. Malzinho. A história já me deve ter chegado um bocado distorcida, como é habitual nestas coisas do diz-que-disse, mas por muito que estivesse aquilo que ouvi era, para ser simplista, treta.

Ri-me. Já tenho a idade e a experiência para não ligar a miúdos. Mas como posso ser sacaninha quando me apetece, e como conheço muito bem o tal director d'outros carnavais, iremos concerteza almoçar e tirar os nabitos da púcara. E rir. E cobrar um favorzito ou outro que estas coisas pagam-se sempre.

Aquilo que justifica o título do post - a surpresa - é "quem" foi dizer mal. Apesar de não ser uma surpresa completa, é-o um bocadito porque, apesar de velhinho e tal, ainda tenho a ingenuidade de acreditar nas pessoas.

C'est la vie.

December 05, 2006

tempo

Não tenho tido tempo para postar. Nem para me coçar. Felizmente, cada vez há mais trabalho.

November 29, 2006

real life.

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suit on hire purchased in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.

Choose your future.
Choose life.

(Trainspotting)