July 18, 2007

lá vai lisboa…


E assim se passou mais um dia de eleições na capital: a adesão popular foi maciça - 26% de eleitores é muito eleitor para votar naqueles candidatos; a adesão dos militantes do PS foi de arromba - de tal modo que tiveram de os trazer de autocarro de Sta. Comba Dão; e lá ficou Lisboa, na mesma, sem uma única ideiazita daquilo que se quer para a urbe.

O costume. Diga-se de passagem que daqui a dois anos é que é à séria: isto agora foi só para arrancar de lá o Carmona.

Na noite eleitoral ouviram-se os mais ridículos discursos de vitória, além dos discursos do PSD e do CDS. Infelizmente, do meu ponto de vista, todos perderam:

- Costa perdeu porque nem mobilizou os cidadãos nem conseguiu uma maioria, o que seria expectável depois do Desastre Carmona e tendo do seu lado uma maioria governamental estável

- Carmona perdeu porque passou de presidente a vereador, ou seja, passou de cavalo para burro

- Roseta perdeu porque convenceu apenas 21 000 pessoas de um universo de cerca de 600 000

- Sá Fernandes perdeu porque, apesar de todo o mediatismo a que teve direito durante a sua vereação, não cresceu nem um votito

- Lisboa perdeu porque, mais uma vez, fica tudo na mesma.

July 11, 2007

mundo de aventuras


Contactar com o mundo cultural tuga é uma experiência divertida. Divertida mas aterradora. Comprei na Fnac, não para mim, dois livrinhos de Lindsay Clarke: A Guerra de Tróia e O Regresso de Tróia. Basicamente são a Ilíada e a Odisseia sem o versejar, o que deve ser simpático. A 17,95 € o tomo, é bom que sejam simpáticos.

Hoje tive contacto mais directo com os ditos livritos e, após a chamada de atenção da proprietária, cheguei à conclusão que a D. Irene Daun e Lorena e o Sr. Nuno Daun e Lorena (tradutores), acompanhados pelo Sr. Nataniel Oliveira (o revisor) são uns perfeitos anormais. Desde o mapa inicial, onde Tróia é “Tr ia”, Atenas é “ tenas” e onde nos são apresentadas as originais cidades de “ ulis” e “C lidon”, a frases maravilhosas como "(...) Afrodite estava demasiado deliciada com o seu triunfo para sentir incomodada com maldade das suas divinas (...)” - parágrafo que sugere que o livro deveria ser acompanhado por um Kit de Artigos e Preposições, para tornar a experiência literária verdadeiramente interactiva - todo o livro é um conjunto de mau português, erros ortográficos e disparates inenarráveis, o que o(s) torna perfeitamente ilegíveis.

Moral da história: não volto a comprar nada que tenha a chancela da Bertrand. Nadinha. Nicles. Ao mesmo tempo reforça-se a minha inclinação para não ler nada traduzido em português: não vale a pena. Em terceiro lugar, não vale a pena comprar livros em Portugal: a mesma obra na Amazon UK, já com portes, vale 11,00 €.

June 18, 2007

post aéreo


Ota ou Alcochete? Poceirão ou Montijo? Arroz de Gambas ou Cozido à Portuguesa? Já que toda a gente opina sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, porque não hei de eu fazê-lo? Mas como sou um ignorante inenarrável, primeiro tive de ir ao mapita ver onde raio ficam a Ota e Alcochete. Aquilo que vi no Google Maps e no Google Earth - e já agora no mapa do ACP - leva-me a tecer uma primeira consideração: se o aeroporto é de Lisboa (e não do Porto, de Leiria ou de Salvaterra de Magos) Alcochete serve muito melhor o seu propósito: é mais próximo da cidade, tem melhores acessibilidades tanto à cidade como à maior região turística do país - o Algarve - e à Extremadura Espanhola, o que não é propriamente de desprezar.

Por outro lado, ouvi umas coisitas nas notícias que dão nova vantagem a Alcochete: os terrenos de Alcochete são do Estado, permitindo poupar uma fortuna em expropriações; a construção do dito é também bastante mais fácil do ponto de vista da Engenharia, o que permite poupar mais uns cobres (cerca de 30% do custo global ou, em números a sério, 500 milhões de euros); como consequência do ponto anterior, é substancialmente mais rápido construir em Alcochete.

Se considerarmos as opiniões dos especialistas, que afirmam que um novo aeroporto é urgentérrimo, e considerarmos também a crua realidade, que Portugal é um país pobre como Job, onde é que está a dúvida? Nos problemas ambientais? Um aeroporto é sempre um crime ambiental, nem que fosse construído no meio do Trancão.

Quanto à solução Portela-mais-Um... Bom... andamos há décadas a dizer que ter um aeroporto no meio da cidade é um convite ao desastre, portanto para quê continuar a insistir na asneira? Para além disso, já que se vai gastar uma fortuna quase pornográfica para aterrar aviões, porque não pensar a longo prazo (contra o costume) em vez de se arranjar mais uma solução de desenrasca?

Só tenho uma dúvidazinha: quais são os interesses imobiliários que se movem por trás de cada uma das propostas?

May 28, 2007

travel book


"Viajava havia horas sob o sol abrasador do deserto. Tinha atravessado a ponte sobre o rio que marcava a fronteira entre a civilização e a inclemência da Natureza, entre a Pátria e esta Terra de Ninguém, encontrando-me agora na paisagem semi-lunar e desértica, sem vivalma nem traço de progresso, imaginando-me sempre a perder o Norte no emaranhado de dunas, ficando sem gasolina e à mercê deste ambiente inóspito e desumano.
Felizmente, após esta hercúlea travessia, surge o verde "ouëd" do Allgarve: progressista, urbanisticamente desenvolvido, de paisagens luxuriantes, com todas as amenidades e confortos do século XXI…

Sobrevivi."

(post inspirado na falta de gasolina que me fez rir no fim-de-semana)

ryuichi sakamoto II

ryuichi sakamoto

May 24, 2007

idiota


Segundo Almeida Santos, não se deve construir um aeroporto a Sul do Tejo porque alguém se pode lembrar de dinamitar a ponte.

A estupidez não tem limites?

deserto de ideias


Ontem, refastelado no sofá a olhar para o quadradinho da TV e a ouvir os inanes dislates do nosso pseudo-jornalismo, compreendi repentinamente porque é que o rali Paris-Dakar passou a Lisboa-Dakar: porque o Sahara começa imediatamente além-Tejo!… pelo menos segundo o nosso Governo.

Segundo Mário Lino, será necessário redesenhar Atlas e Compêndios de Geografia. Será preciso rever tratados internacionais e acordos fronteiriços. Será, ainda, necessário explicar devagarinho e com desenhos a todos os bejenses, setubalenses, eborenses e algarvios que nasceram no meio do deserto e que não são portugueses mas sim tuaregues, sem direito a automóvel mas com direito a camelo e cinco mulheres. Também teremos de rever a História de Portugal, retirando a D. João I a glória da conquista do Norte de África e dá-la a D. Afonso Henriques e a Geraldo, o sem-pavor.

Ou então, para facilitar a coisa, deixamos estar tudo como está e pura e simplesmente mandamos o dito ministro dar uma volta ao deserto... político.

May 23, 2007

autoridade

Um professor decidiu gozar com o nosso doutor/engenheiro/arquitecto Primeiro-Ministro. Uma zelosa directora regional de educação, militante do PS, achou que o melhor era punir o infractor exemplarmente, não fosse tornar-se hábito gozar com o Sr. Sousa (o Sócrates).

Típico de uma República das Bananas, não de uma democracia.
Basta olhar para um cartoon americano para ver como se goza com um presidente - personagem bastante "gozável", por sinal. Ou olhar para a tradição inglesa, que goza com monarcas, primeiro-ministros e vulgares ministros há 3 séculos da forma mais mordaz possível.

Mas a senhora achou que fazer pouco do Sr. Sousa era demais. Perigoso até!
Deviam ter explicado à senhora que em democracia se pode - e deve - satirizar os governantes. Faz parte. É saudável. E legítimo. Para além disso, o Nosso Primeiro é um personagem digno de ser gozado à tripa-forra, com a sua posesinha de tirano de pacotilha, os seus ares moralistas de virgem incomodada e o seu discurso de quem é superior a tudo e todos.
Claro que com a trapalhada da Independente, expôs-se ao ridículo, quer de populares quer de "sôres" professores. Já não bastava usar um qualquer apelido do meio do nome - Sócrates - para fugir ao estigma do canalizador - José Sousa - como também se chega à conclusão que é tão engenheiro como o dito canalizador. Evidentemente, goza-se!

Voltando à senhora directora regional, há que punir também. Se quem tem autoridade e poder não os sabe exercer, então há que lhe retirar essas faculdades.

May 21, 2007

bairro alto



Fim-de-semana com os filhotes impõe, sempre, um "banho de cultura". Logo, após um salto a esse antro literário que é a BD Mania - onde se gastam rios de dinheiro num ápice - toca de calcorrear as ruas do Bairro, para lhes mostrar o que é a verdadeira Lisboa: aquela Lisboa que não é asséptica como a Expo ou cosmopolita como a Avenida, mas a Lisboa dos bairros, das aldeolas dentro da cidade, das pessoas, dos cheiros e dos barulhos, das lojecas inúteis e dos cafés e tascas malcheirosos, das paredes decoradas com cartazes, graffitis e desenhos que levam qualquer pai a engasgar-se no momento da explicação.
















A Lisboa que o pai conheceu principalmente de noite, diga-se, mas que tem um encanto formidável de dia. Principalmente pelos contrastes, entre a loja da Fátima Lopes e a mercearia da D. Joaquina; entre o Sr. Horácio vestido com o mesmo casaco desde 1963 e o puto urbano-depressivo com aquela cara de auto-confiança para consumo externo... entre o condomínio de luxo com parqueamento privado e os estendais cobertos de roupa interior esticados nos varandins.


Foi uma tarde divertida, mas tenho de os ensinar a não utilizar tanto o dedo indicador. Pode ter consequências violentas.




























































































May 18, 2007


A equipa do Instituto Gulbenkian de Ciências, liderada por Mónica Bettencourt Dias, fizeram uma importante descoberta no campo da Biologia Molecular - que honestamente não percebo minimamente e só me interessa marginalmente. Aquilo que acho relevante é constatar que, tendo as condições mínimas de trabalho, os portugueses têm a capacidade de serem tão profissionais e válidos, como quaisquer outros. Nos dias que correm, é uma notícia reconfortante.

iraque 2007


De tudo aquilo que poderia dizer, a imagem só me suscita um comentário: Monumento à Estupidez.

May 15, 2007

atitude


Antes de mais, devo afirmar o seguinte: Votei duas vezes em Fernando Seara nas autárquicas e, mirabile visu, não sou do Benfica. Devo também acrescentar que vejo Seara como um Presidente de Câmara eficaz, sério e, surpreendentemente para um político nacional, discreto.

Deste modo, não é surpresa nenhuma que Seara tenha recusado candidatar-se à CML. É uma atitude coerente com a postura que tem adoptado como Presidente da CMS e creio que deveria de ser a atitude da maioria dos políticos do burgo.

António Costa poderia seguir o exemplo dado que, para além de ser Ministro de Estado e da Administração Interna, tem a seu cargo alguns dossiers complicados como, por exemplo, o PRACE. Não faz sentido que um ministro que não é contestado, que tem a seu cargo uma reforma importante e que é um dos mais influentes ministros do Governo, vá abandonar o seu mandato a meio para iniciar uma candidatura a uma Câmara Municipal, por muito importante que esta seja.

A crítica estende-se, obviamente, a Marques Mendes, que não deveria solicitar a um seu correlegionário em funções oficiais que as abandonasse em favor de uma putativa vitória eleitoral num outro "palco" mais elevado... e mediático.

Já era altura dos nossos politicozitos perceberem que os cargos oficiais são compromissos perante aqueles que os elegeram - e que são para levar até ao fim - e não poleiros transitórios ou trampolins para vôos mais altos.

May 11, 2007

josef koudelka




Portugal, França e Irlanda, década de 70.

May 09, 2007

+ lisboa


Segundo o Público, Helena Roseta vai candidatar-se como independente à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, entregando para tal o seu cartão de militante do Partido Socialista.

Se bem me lembro, foi uma péssima Presidente de Câmara de Cascais, o que não augura nada de bom para a capital. Por outro lado, se Roseta é socialista e militante do partido, que diferença faz entregar o cartão de militante? Deixa de ser socialista? o PS deixa de a apoiar? Estará a passar um atestado de estupidez aos lisboetas?

Há uma expressão popular que define muito bem a nossa politiquice: "baralhar e voltar a dar"...

May 08, 2007

boletim meteorologico


Segundo a Comissão Europeia, a nossa economia crescerá 1,8% em 2007 e 2,0% em 2008. Uma revisão em alta da evolução do PIB nacional que, aparentemente, é uma boa notícia.

Só aparentemente, porque se atentarmos noutros dados, as notícias são uma miséria. Em 2007 seremos ultrapassados por Malta, relativamente ao PIB per capita, e em 2008 pela Estónia e pela República Checa - o que nos atira para o 20º lugar de uma União a 27 estados.

Apesar de não ver estes rankings como a tabela da Primeira Liga, creio que são uma prova incontestável da inépcia da nossa "classe dirigente", por um lado, e da maioria dos portugueses, por outro. Da classe dirigente pelas razões óbvias: a corrupção, o eleitoralismo, a incompetência óbvia, o umbiguismo, etc. Dos portugueses, porque a maioria não está disposta a fazer os sacrifícios necessários para trabalhar mais e melhor, como não está disposta em sacrificar algumas "conquistas de Abril" para permitir ao país avançar mais depressa e melhor.

Daqui a 50 anos, quando as ilhas Feroë aderirem à União, estaremos orgulhosamente em 184º lugar no ranking, concerteza.

May 03, 2007

CML


Não gosto, por regra, de aplicar dois pesos e duas medidas seja a que situações forem. É uma questão de coerência... e muitas vezes de teimosia. Neste caso em particular devo seguir a mesma regra: se os presidentes de Câmara de Felgueiras, Oeiras, Salvaterra de Magos e Setúbal são arguidos em processos judiciais e não se demitem ou suspendem os seus cargos, por que carga d'água haveria de Carmona Rodrigues de o fazer? Se a lei da república lhe permite que permaneça em funções neste caso, porque haveria de se demitir? Não faria sentido de todo.

Apesar disto, vejo os vereadores e responsáveis do PS, PCP e BE vociferarem contra Carmona. É pena não seguirem a mesma regra que eu, tendo em conta que os referidos arguidos são do PS, ou têm o apoio do PS, do PCP e do BE.

Política à portuguesa, concerteza.

Frank Capa: Gerra Civil de Espanha

Frank Capa: D Day

April 05, 2007

resposta


O original nem merece resposta. Este é genial.