July 31, 2007

ingmar e michelangelo



E assim ficamos mais pobres...

July 25, 2007

Manuel Alegre

Não sou socialista, nem me revejo no movimento "Manuel Alegre" das últimas presidenciais, mas quando vejo palavras e ideias pertinentes, devo concordar com elas.

De um artigo do Público, na íntegra:

Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.

Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.

Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.

Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.

Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.

Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.

O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.

Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.

António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.

Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.

Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.

Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.

Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

July 18, 2007

lá vai lisboa…


E assim se passou mais um dia de eleições na capital: a adesão popular foi maciça - 26% de eleitores é muito eleitor para votar naqueles candidatos; a adesão dos militantes do PS foi de arromba - de tal modo que tiveram de os trazer de autocarro de Sta. Comba Dão; e lá ficou Lisboa, na mesma, sem uma única ideiazita daquilo que se quer para a urbe.

O costume. Diga-se de passagem que daqui a dois anos é que é à séria: isto agora foi só para arrancar de lá o Carmona.

Na noite eleitoral ouviram-se os mais ridículos discursos de vitória, além dos discursos do PSD e do CDS. Infelizmente, do meu ponto de vista, todos perderam:

- Costa perdeu porque nem mobilizou os cidadãos nem conseguiu uma maioria, o que seria expectável depois do Desastre Carmona e tendo do seu lado uma maioria governamental estável

- Carmona perdeu porque passou de presidente a vereador, ou seja, passou de cavalo para burro

- Roseta perdeu porque convenceu apenas 21 000 pessoas de um universo de cerca de 600 000

- Sá Fernandes perdeu porque, apesar de todo o mediatismo a que teve direito durante a sua vereação, não cresceu nem um votito

- Lisboa perdeu porque, mais uma vez, fica tudo na mesma.

July 11, 2007

mundo de aventuras


Contactar com o mundo cultural tuga é uma experiência divertida. Divertida mas aterradora. Comprei na Fnac, não para mim, dois livrinhos de Lindsay Clarke: A Guerra de Tróia e O Regresso de Tróia. Basicamente são a Ilíada e a Odisseia sem o versejar, o que deve ser simpático. A 17,95 € o tomo, é bom que sejam simpáticos.

Hoje tive contacto mais directo com os ditos livritos e, após a chamada de atenção da proprietária, cheguei à conclusão que a D. Irene Daun e Lorena e o Sr. Nuno Daun e Lorena (tradutores), acompanhados pelo Sr. Nataniel Oliveira (o revisor) são uns perfeitos anormais. Desde o mapa inicial, onde Tróia é “Tr ia”, Atenas é “ tenas” e onde nos são apresentadas as originais cidades de “ ulis” e “C lidon”, a frases maravilhosas como "(...) Afrodite estava demasiado deliciada com o seu triunfo para sentir incomodada com maldade das suas divinas (...)” - parágrafo que sugere que o livro deveria ser acompanhado por um Kit de Artigos e Preposições, para tornar a experiência literária verdadeiramente interactiva - todo o livro é um conjunto de mau português, erros ortográficos e disparates inenarráveis, o que o(s) torna perfeitamente ilegíveis.

Moral da história: não volto a comprar nada que tenha a chancela da Bertrand. Nadinha. Nicles. Ao mesmo tempo reforça-se a minha inclinação para não ler nada traduzido em português: não vale a pena. Em terceiro lugar, não vale a pena comprar livros em Portugal: a mesma obra na Amazon UK, já com portes, vale 11,00 €.

June 18, 2007

post aéreo


Ota ou Alcochete? Poceirão ou Montijo? Arroz de Gambas ou Cozido à Portuguesa? Já que toda a gente opina sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, porque não hei de eu fazê-lo? Mas como sou um ignorante inenarrável, primeiro tive de ir ao mapita ver onde raio ficam a Ota e Alcochete. Aquilo que vi no Google Maps e no Google Earth - e já agora no mapa do ACP - leva-me a tecer uma primeira consideração: se o aeroporto é de Lisboa (e não do Porto, de Leiria ou de Salvaterra de Magos) Alcochete serve muito melhor o seu propósito: é mais próximo da cidade, tem melhores acessibilidades tanto à cidade como à maior região turística do país - o Algarve - e à Extremadura Espanhola, o que não é propriamente de desprezar.

Por outro lado, ouvi umas coisitas nas notícias que dão nova vantagem a Alcochete: os terrenos de Alcochete são do Estado, permitindo poupar uma fortuna em expropriações; a construção do dito é também bastante mais fácil do ponto de vista da Engenharia, o que permite poupar mais uns cobres (cerca de 30% do custo global ou, em números a sério, 500 milhões de euros); como consequência do ponto anterior, é substancialmente mais rápido construir em Alcochete.

Se considerarmos as opiniões dos especialistas, que afirmam que um novo aeroporto é urgentérrimo, e considerarmos também a crua realidade, que Portugal é um país pobre como Job, onde é que está a dúvida? Nos problemas ambientais? Um aeroporto é sempre um crime ambiental, nem que fosse construído no meio do Trancão.

Quanto à solução Portela-mais-Um... Bom... andamos há décadas a dizer que ter um aeroporto no meio da cidade é um convite ao desastre, portanto para quê continuar a insistir na asneira? Para além disso, já que se vai gastar uma fortuna quase pornográfica para aterrar aviões, porque não pensar a longo prazo (contra o costume) em vez de se arranjar mais uma solução de desenrasca?

Só tenho uma dúvidazinha: quais são os interesses imobiliários que se movem por trás de cada uma das propostas?

May 28, 2007

travel book


"Viajava havia horas sob o sol abrasador do deserto. Tinha atravessado a ponte sobre o rio que marcava a fronteira entre a civilização e a inclemência da Natureza, entre a Pátria e esta Terra de Ninguém, encontrando-me agora na paisagem semi-lunar e desértica, sem vivalma nem traço de progresso, imaginando-me sempre a perder o Norte no emaranhado de dunas, ficando sem gasolina e à mercê deste ambiente inóspito e desumano.
Felizmente, após esta hercúlea travessia, surge o verde "ouëd" do Allgarve: progressista, urbanisticamente desenvolvido, de paisagens luxuriantes, com todas as amenidades e confortos do século XXI…

Sobrevivi."

(post inspirado na falta de gasolina que me fez rir no fim-de-semana)

ryuichi sakamoto II

ryuichi sakamoto

May 24, 2007

idiota


Segundo Almeida Santos, não se deve construir um aeroporto a Sul do Tejo porque alguém se pode lembrar de dinamitar a ponte.

A estupidez não tem limites?

deserto de ideias


Ontem, refastelado no sofá a olhar para o quadradinho da TV e a ouvir os inanes dislates do nosso pseudo-jornalismo, compreendi repentinamente porque é que o rali Paris-Dakar passou a Lisboa-Dakar: porque o Sahara começa imediatamente além-Tejo!… pelo menos segundo o nosso Governo.

Segundo Mário Lino, será necessário redesenhar Atlas e Compêndios de Geografia. Será preciso rever tratados internacionais e acordos fronteiriços. Será, ainda, necessário explicar devagarinho e com desenhos a todos os bejenses, setubalenses, eborenses e algarvios que nasceram no meio do deserto e que não são portugueses mas sim tuaregues, sem direito a automóvel mas com direito a camelo e cinco mulheres. Também teremos de rever a História de Portugal, retirando a D. João I a glória da conquista do Norte de África e dá-la a D. Afonso Henriques e a Geraldo, o sem-pavor.

Ou então, para facilitar a coisa, deixamos estar tudo como está e pura e simplesmente mandamos o dito ministro dar uma volta ao deserto... político.

May 23, 2007

autoridade

Um professor decidiu gozar com o nosso doutor/engenheiro/arquitecto Primeiro-Ministro. Uma zelosa directora regional de educação, militante do PS, achou que o melhor era punir o infractor exemplarmente, não fosse tornar-se hábito gozar com o Sr. Sousa (o Sócrates).

Típico de uma República das Bananas, não de uma democracia.
Basta olhar para um cartoon americano para ver como se goza com um presidente - personagem bastante "gozável", por sinal. Ou olhar para a tradição inglesa, que goza com monarcas, primeiro-ministros e vulgares ministros há 3 séculos da forma mais mordaz possível.

Mas a senhora achou que fazer pouco do Sr. Sousa era demais. Perigoso até!
Deviam ter explicado à senhora que em democracia se pode - e deve - satirizar os governantes. Faz parte. É saudável. E legítimo. Para além disso, o Nosso Primeiro é um personagem digno de ser gozado à tripa-forra, com a sua posesinha de tirano de pacotilha, os seus ares moralistas de virgem incomodada e o seu discurso de quem é superior a tudo e todos.
Claro que com a trapalhada da Independente, expôs-se ao ridículo, quer de populares quer de "sôres" professores. Já não bastava usar um qualquer apelido do meio do nome - Sócrates - para fugir ao estigma do canalizador - José Sousa - como também se chega à conclusão que é tão engenheiro como o dito canalizador. Evidentemente, goza-se!

Voltando à senhora directora regional, há que punir também. Se quem tem autoridade e poder não os sabe exercer, então há que lhe retirar essas faculdades.

May 21, 2007

bairro alto



Fim-de-semana com os filhotes impõe, sempre, um "banho de cultura". Logo, após um salto a esse antro literário que é a BD Mania - onde se gastam rios de dinheiro num ápice - toca de calcorrear as ruas do Bairro, para lhes mostrar o que é a verdadeira Lisboa: aquela Lisboa que não é asséptica como a Expo ou cosmopolita como a Avenida, mas a Lisboa dos bairros, das aldeolas dentro da cidade, das pessoas, dos cheiros e dos barulhos, das lojecas inúteis e dos cafés e tascas malcheirosos, das paredes decoradas com cartazes, graffitis e desenhos que levam qualquer pai a engasgar-se no momento da explicação.
















A Lisboa que o pai conheceu principalmente de noite, diga-se, mas que tem um encanto formidável de dia. Principalmente pelos contrastes, entre a loja da Fátima Lopes e a mercearia da D. Joaquina; entre o Sr. Horácio vestido com o mesmo casaco desde 1963 e o puto urbano-depressivo com aquela cara de auto-confiança para consumo externo... entre o condomínio de luxo com parqueamento privado e os estendais cobertos de roupa interior esticados nos varandins.


Foi uma tarde divertida, mas tenho de os ensinar a não utilizar tanto o dedo indicador. Pode ter consequências violentas.




























































































May 18, 2007


A equipa do Instituto Gulbenkian de Ciências, liderada por Mónica Bettencourt Dias, fizeram uma importante descoberta no campo da Biologia Molecular - que honestamente não percebo minimamente e só me interessa marginalmente. Aquilo que acho relevante é constatar que, tendo as condições mínimas de trabalho, os portugueses têm a capacidade de serem tão profissionais e válidos, como quaisquer outros. Nos dias que correm, é uma notícia reconfortante.

iraque 2007


De tudo aquilo que poderia dizer, a imagem só me suscita um comentário: Monumento à Estupidez.

May 15, 2007

atitude


Antes de mais, devo afirmar o seguinte: Votei duas vezes em Fernando Seara nas autárquicas e, mirabile visu, não sou do Benfica. Devo também acrescentar que vejo Seara como um Presidente de Câmara eficaz, sério e, surpreendentemente para um político nacional, discreto.

Deste modo, não é surpresa nenhuma que Seara tenha recusado candidatar-se à CML. É uma atitude coerente com a postura que tem adoptado como Presidente da CMS e creio que deveria de ser a atitude da maioria dos políticos do burgo.

António Costa poderia seguir o exemplo dado que, para além de ser Ministro de Estado e da Administração Interna, tem a seu cargo alguns dossiers complicados como, por exemplo, o PRACE. Não faz sentido que um ministro que não é contestado, que tem a seu cargo uma reforma importante e que é um dos mais influentes ministros do Governo, vá abandonar o seu mandato a meio para iniciar uma candidatura a uma Câmara Municipal, por muito importante que esta seja.

A crítica estende-se, obviamente, a Marques Mendes, que não deveria solicitar a um seu correlegionário em funções oficiais que as abandonasse em favor de uma putativa vitória eleitoral num outro "palco" mais elevado... e mediático.

Já era altura dos nossos politicozitos perceberem que os cargos oficiais são compromissos perante aqueles que os elegeram - e que são para levar até ao fim - e não poleiros transitórios ou trampolins para vôos mais altos.

May 11, 2007

josef koudelka




Portugal, França e Irlanda, década de 70.