July 30, 2008
July 16, 2008
allgarve

Pela primeira vez blogo - ou posto - fora de Lisboa. Estou plantado em pleno Algarve, para mal dos meus pecados mas para bem da minha cabeça e dos meus laços familiares. Nada senão praia, piscina e alegre ronronar ao sol. A estada faz-se em pleno centro de Vilamoura, coração do dito "turismo de qualidade", onde estou acompanhado de ingleses com sotaque das Midlands, espanhóis que tentam ganhar aos americanos no concurso de obesos e meia-dúzia de alemães que devem ter deixado o Audi a lavar e trouxeram o Fiat Punto do jardineiro.
Não estou a ser mauzinho ou elitista, mas sim a tentar demonstrar um ponto de vista:
O Allgarve não existe, nem sequer o Algarve como destino turístico de jeito. Da minha varanda de 4 estrelas vejo um mar azul imenso e uma Quarteira imensa, que me permite não ter saudades da linha de Sintra, a recordar desta forma o glorioso Cacém. Ontem dei uma saltada a Albufeira e senti-me completamente em casa... na Amadora. Aposto que com um bocadinho de esforço encontro aqui Sto. António dos Cavaleiros.
Evidentemente que eu estou aqui em pleno Allgarve porque não tenho dinheiro para ir para mais lado nenhum; quanto aos turistas de qualidade, já para lá foram. Talvez os encontre para o ano... longe do Cacém.
June 19, 2008
homo sapiens? ha!
Sempre que há um campeonato da bola fico boquiaberto com os portugueses. Um campeonato, não... todo o fenómeno da bola: primeiro era o Figo que era o melhor jogador do mundo; depois veio o Special Mourinho One, o maior treinador do mundo; depois o Cristiano Ronaldo, o melhor "artista da bola" do mundo. Já para não falar do Benfica de 60, do Porto de 90 ou do Eusébio de sempre.
O que é que raio tem de tão especial um jogo de pontapé na bola e no adversário para criar tal fervor primário no Homo Lusitaniensis? Há uma tal de Vanessa Fernandes que corre, nada e pedala que nem um demónio e... pouco se fala. Há um senhor Obikwelu que corre como quem quer apanhar uma chita para o jantar e... nada. Há uns quantos físicos, psicólogos, matemáticos e astrónomos que se destinguem pelo mundo fora e parece que temos vergonha deles. Há poetas, romancistas, pintores e músicos que todo o mundo conhece e cá, coitados, são obliterados por todos. Há um senhor que escreve frases enormes sem vírgulas pontos finais ou travessões que ganhou um prémiozito dado pelos suecos bem-hajam esses herdeiros dos barbáricos viquingues e só se discute a sua filiação no PCP ou a sua vidita pacata numa ilha que é só cinza tomem lá para aprender seus castelhanos velhacos.
Quando é que finalmente aprendemos que o país, a vida e o futuro não andam para a frente a pontapé na bola, mas sim com esforço e trabalho?
O que é que raio tem de tão especial um jogo de pontapé na bola e no adversário para criar tal fervor primário no Homo Lusitaniensis? Há uma tal de Vanessa Fernandes que corre, nada e pedala que nem um demónio e... pouco se fala. Há um senhor Obikwelu que corre como quem quer apanhar uma chita para o jantar e... nada. Há uns quantos físicos, psicólogos, matemáticos e astrónomos que se destinguem pelo mundo fora e parece que temos vergonha deles. Há poetas, romancistas, pintores e músicos que todo o mundo conhece e cá, coitados, são obliterados por todos. Há um senhor que escreve frases enormes sem vírgulas pontos finais ou travessões que ganhou um prémiozito dado pelos suecos bem-hajam esses herdeiros dos barbáricos viquingues e só se discute a sua filiação no PCP ou a sua vidita pacata numa ilha que é só cinza tomem lá para aprender seus castelhanos velhacos.
Quando é que finalmente aprendemos que o país, a vida e o futuro não andam para a frente a pontapé na bola, mas sim com esforço e trabalho?
fim
Acabou-se. Portugal perdeu com a Alemanha nos qualquer-coisa-de-final do Euro 2008. Acabou-se a festa. Com sorte, acaba-se também a dormência que se tem vivido nesta terrinha graças a 11 macacos e uma bolita redonda.
Talvez o tuga agora perceba que o futebol não interessa. Nada mesmo. As pequeninas alegrias oferecidas pelo esférico dissipam-se rapidamente, efémeras, e a realidade nua e crua volta à ordem do dia: um mau governo, a inflação, o desemprego, a taxa de juro e o barril do petróleo.
Se se dedicasse tanto tempo a discutir e a resolver estes problemas - pelo menos aqueles que ainda estão nas nossas mãos resolver - como se dedica a escalpelizar a táctica do 4-4-2 ou o passe de Deco, talvez fossemos mais parecidos com a Finlândia: não vão ao Euro, mas vivem decentemente.
Talvez o tuga agora perceba que o futebol não interessa. Nada mesmo. As pequeninas alegrias oferecidas pelo esférico dissipam-se rapidamente, efémeras, e a realidade nua e crua volta à ordem do dia: um mau governo, a inflação, o desemprego, a taxa de juro e o barril do petróleo.
Se se dedicasse tanto tempo a discutir e a resolver estes problemas - pelo menos aqueles que ainda estão nas nossas mãos resolver - como se dedica a escalpelizar a táctica do 4-4-2 ou o passe de Deco, talvez fossemos mais parecidos com a Finlândia: não vão ao Euro, mas vivem decentemente.
May 16, 2008
às vezes m'avergonho

O senhor Tyler Brulé - criador de duas revistas que provam que a imprensa está bem viva, a Monocle e a Wall Paper - escreve no Financial Times o seguinte sobre a inefável campanha de publicidade "Portugal, Europe's West Coast":
Portugal recently attempted to fashion itself as 'Europe's West Coast'. I'm not sure what the Irish and Norwegians made of this claim, but it left me wondering whether Portugal was selling itself as the potential home of a Euro-Google/Nike/Microsoft or a land that might soon be filled with malls and washed-up celebrities. The ad campaign never delivered much of an answer.
Enquanto publicitário, reconheço que a última frase do texto é correctíssima: a campanha afirma mas não justifica, o que faz com que a sua eficácia seja nula.
Enquanto português, infelizmente tenho que reconhecer que o restante texto acerta em cheio. Quando um americano se refere à West Coast refere-se normalmente ao estado da Califórnia, o mais rico, populoso e considerado o melhor para viver em todos os EUA. Vêm normalmente à ideia Silicon Valley, a IBM, a Apple, a Microsoft ( a Oeste mas a Norte, em Seattle), Hollywood, o estilo de vida descontraído de São Francisco ou o glamoroso de Los Angeles.
A única semelhança entre Portugal e a Califórnia é a posição relativa nos respectivos continentes: a Oeste. De resto estamos nos antípodas, sendo um país pobre, pouco inovador, mental e socialmente conservador, sem produções tecnológica e artística relevantes no continente europeu.
Claro que somos gozados.
em bom português, vão à merda

O Parlamento aprovou hoje o Acordo Ortográfico, ignorando todos aqueles que se expressaram contra ele. O que não me espanta de todo, dada a característica autista deste governozito.
Aparentemente agora vamos todos passar a escrever uma nova língua por decreto, não tendo em conta aquilo que é fundamental na evolução de qualquer língua: os hábitos e costumes dos seus falantes. A desculpa é que há que harmonizar a língua com o país com maior número de utilizadores, o Brasil, por questões de peso internacional do português, por questões económicas e editoriais e, para meu espanto, para adaptar a língua ao modo como esta se fala. Se formos adaptá-la à forma como o português é falado no Brasil, ficamos com tantas grafias como aquele país tem Estados. E vamos ter tantas grafias como quantos países falam português - pelo menos oficialmente.
Segundo este ponto de vista vou poder escrever "Cê acha?" se acordar sertanejo ou "Qué isto?" se me der para o lado de Huambo. Aquilo que não vou poder fazer é dizer "faCto" (porque eu digo o C) ou escrever "correCtamente".
A língua internacional com maior importância no mundo é o inglês e eu não vejo estes disparates acontecer no seio dos países que a falam: qualquer inglês percebe que "aluminum" é "aluminium" e todos os australianos - aborígenes e tudo - sabem que "colour" e "color" é muitas vezes uma questão racial. Estas diferenças ortográficas não impedem que um autor inglês tenha sucesso no mercado americano ou vice-versa, porque aquilo que importa realmente fazer para vender livros é feito pelos editores de ambos os lados do Atlântico (atlantico?): promoção das obras, esforço de marketing, etc.
O facto de agora todos irmos escrever mal português não vai criar um mercado de 200 milhões de leitores para os nossos editores, porque estes vão continuar a não gastar um cêntimo no esforço de venda de uma obra, vão continuar a não procurar parcerias do outro lado do oceano e assim sucessivamente.
Pelo que me diz respeito, vou continuar a escrever português correCtamente, a procurar edições anteriores ao acordo dos autores portugueses e a refugiar-me na leitura de autores estrangeiros na língua original ou, se não a entender, a traduções noutra língua que não a minha, o que é pena.
PS: este acordo não me surpreende de todo, vindo de um governo cujo Primeiro Ministro tem um vocabulário de 200 palavras, a mor das vezes mal aplicadas.
May 12, 2008
a oriente nada de novo

Um museu novinho em folha. Em Lisboa. Ena! Ena!... Eia! E de borla, ainda por cima. Claro está que resevei umas horitas de Domingo para lá dar um salto.
Primeira conclusão: o museu tem dezenas de peças bastante interessantes.
Segunda conclusão: as peças pareceriam muito mais interessantes se se vissem.
Terceira conclusão: quem quer que seja que planeou as exposições é deficiente de pai e mãe.
Assim que entramos no edifício somos confrontados com uma recepção agradável e um espaço de loja onde as peças estão bem apresentadas. Depois de se deambular por ali sobe-se a escada para a primeira exposição - a presença portuguesa no Oriente - e acabou-se. Pimba! Entramos num espaço escuro, com peças mal iluminadas, sem decrições que ajudem o incauto ignorante destas cousas do Oriente. Chega-se ao ponto de haver textos enormes colados nas paredes sem nenhuma luzita ou pirilampo num raio de três metros. Ou então peças tridimensionais - estatuetas ou outra coisa - iluminadas apenas por cima, o que faz com que o relevo do topo anule toda a restante peça.
No terceiro andar encontra-se a exposição "As Religiões do Oriente" onde, mirabile visu, as peças já têm as tão desejadas legendas. O problema é que algumas destas estão junto à respectiva peça, a um metro e meio de distância e, logicamente, ilegíveis. Ou então temos uma vitrina de 5 metros de comprimento repleta de peças e uma legenda descrevendo tudo apenas numa ponta, o que faz com que qualquer visitante pareça o Tio Patinhas na Sala das Preocupações a correr de um lado para o outro.
Foi giro.
May 09, 2008
May 07, 2008
crónica de uma morte anunciada
Este blog está a definhar, a caminhar lentamente para uma morte certa. Não porque não haja temas sobre os quais escrever ou por falta de imaginação "literária", mas porque o seu autor — eu — cada vez tem menos paciência para isto. Por "isto" entanda-se o mundo feito de vacuidades dos blogs; entenda-se também o estado em que anda esta terrinha miserável, feita de pessoas pequeninas e cada vez mais viradas para si próprias. Por vezes até falta de paciência para mim próprio.
Quando comecei o blog fi-lo sem nenhum propósito em particular, apenas porque havia blogs e já agora porque não — neste caso porque sim. Agora essa razão não chega e sinceramente não encontro outra que me leve a continuar a martirizar o teclado, a não ser aquela que John Donne expressou:
No man is an Island, entire of itself;
every man is a piece of the Continent,
a part of the main.
Infelizmente também disse:
Any man's death diminishes me, because
I am involved in Mankind; And therefore
never send to know for whom the bell tolls;
it tolls for thee.
Como dizia uma rapariga que eu cá sei... a bere.
Quando comecei o blog fi-lo sem nenhum propósito em particular, apenas porque havia blogs e já agora porque não — neste caso porque sim. Agora essa razão não chega e sinceramente não encontro outra que me leve a continuar a martirizar o teclado, a não ser aquela que John Donne expressou:
No man is an Island, entire of itself;
every man is a piece of the Continent,
a part of the main.
Infelizmente também disse:
Any man's death diminishes me, because
I am involved in Mankind; And therefore
never send to know for whom the bell tolls;
it tolls for thee.
Como dizia uma rapariga que eu cá sei... a bere.
April 29, 2008
April 24, 2008
April 18, 2008
a prazo
Faz-me confusão esta ideia que o PSD tem de ter um líder para derrotar Sócrates em 2009; que se isso não acontecer vai desta para melhor.
Não faz sentido. O PSD - ou qualquer outro partido - precisa de um líder sério, estável, coerente e elegível (isto é, carismático, articulado, que "fique bem na fotografia", etc.). Se preencher esses requisitos, pode perfeitamente sofrer uma ou mais derrotas eleitorais e manter-se no lugar, pode continuar a defender o seu programa eleitoral de forma consistente, representando de alguma forma a estabilidade política a que todos ansiamos.
Não faz sentido. O PSD - ou qualquer outro partido - precisa de um líder sério, estável, coerente e elegível (isto é, carismático, articulado, que "fique bem na fotografia", etc.). Se preencher esses requisitos, pode perfeitamente sofrer uma ou mais derrotas eleitorais e manter-se no lugar, pode continuar a defender o seu programa eleitoral de forma consistente, representando de alguma forma a estabilidade política a que todos ansiamos.
ai a crise...

Quando Guterres fugiu votei Barroso: a mão tremeu-me no momento de pôr a cruz no boletim, talvez adivinhando o que se passaria dois anos depois. Quando Santana foi a votos abstive-me: a alternativa socialista era demasiado má para lhe dar a minha cruz (o que ainda considero correcto). Se Menezes for a votos em 2009 - ou outro da sua laia - provavelmente nunca mais voto PSD na vida.
Infelizmente, o PSD, ou outro partido de centro direita, faz falta neste país. Faz falta um partido que seja uma alternativa de poder credível, e que seja uma oposição eficaz mesmo que as condições para exercer essa oposição sejam extremamente difíceis. O CDS não pode preencher esse espaço: é demasiado conservador, populista e está cheio de "menezezinhos" ou algo parecido. O actual PSD padece do mesmo mal.
A ironia é que o PSD tem inúmeras pessoas de qualidade: Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Leonor Beleza, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, António Capucho, etc. Não têm de se candidatar, liderar ou ir a votos (pode não ser a sua ambição ou não terem o perfil correcto) mas podem e devem dar uma orientação séria ao partido, criar um programa que possa ser apresentado ao país, sufragado e suportado durante um período alargado de tempo, quer tenha êxito à primeira ou não. Não pelo PSD: pelo país.
finalmente, boas notícias
April 09, 2008
March 19, 2008
March 18, 2008
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