September 09, 2004

Europa

O Público de hoje publica um artigo bastante interessante, intitulado "Os Dois Lados do Atlântico Estão Cada Vez Mais Distantes" (http://jornal.publico.pt/2004/09/09/Mundo/I06.html), revelando alguns factos que, apesar de não serem grande novidade, fazem no entanto levantar um pouco as sobrancelhas.

Em primeiro lugar, creio que mostra que, apesar das semelhanças aparentes, as sociedades americana e europeia evoluiram de uma forma divergente, principalmente a partir de 1945, sendo hoje difícil encontrar hoje pontos em comum que não sejam apenas superficiais.

De seguida, creio haver sinais de que a "Europa", para os europeus, começa a deixar de ser apenas um espaço geográfico mais ou menos abstracto, ou uma associação económica de nações estanques, começando a surgir uma "identidade europeia" no cidadão comum, pelo menos naquilo que toca às relações com os outros, sejam americanos, chineses ou filipinos.

Demonstra também que, apesar de haver alguma nostalgia quanto ao poderio passado das diversas nações, para os europeus o futuro passa por uma Europa forte, exercendo uma alternativa de poder (político e não só) em relação à superpotência vigente. Não sei é se as pessoas se apercebem que este desejo leva a uma perca ainda maior das suas independências nacionais (será que ainda há alguma?), pois isto obriga a transferir para a "Europa" muitas competências que ainda estão nas mãos dos estados, como a Defesa e os Negócios Estrangeiros.
Talvez os europeus, na sua generalidade, se tenham curado dos traumas causados pelas duas Guerras Mundiais. Apesar de, quanto a mim, o declínio europeu não se ter iniciado com a guerra de 1914/18 mas sim uma década antes, quando os EUA se tornaram o maior produtor de aço no mundo, o efeito devastador das guerras do séc. XX deixou marcas profundas nas sociedades europeias, que só agora, passados 60 anos, começam a desaparecer.

Aquilo que mais me surpreende no artigo é o que está implícito do lado americano: há algum receio destes perante o crescimento europeu - de repente somos 400 milhões, mais maltês menos maltês - e que este crescimento acabe por relegar a América para uma posição secundária.

Olha se fossemos chineses...

No comments: