August 26, 2009

no news...


Quanto mais vejo as notícias ditas "sérias", mais aprecio este senhor.

August 18, 2009

porque sim?


Uma das promessas da campanha de há quatro anos era criar 150 000 novos postos de trabalho. Outra era acabar com o défice "escandaloso" do Estado. Nenhuma destas promessas foi cumprida. A primeira viu-se que não seria cumprida muito antes da tão falada crise se ter estabelecido; a segunda, apesar de ter sido parcialmente cumprida, foi de tal forma executada através dos meios errados que, vinda a crise, estamos em pior situação do que estávamos. São apenas dois exemplos que suscitam questões interessantes.

A questão óbvia que se põe é porque é que os portugueses consideram votar de novo num partido que obteve tais resultados governativos?.

A questão que mais me interessa é menos óbvia, mas talvez mais pertinente nos dias que correm: como é que um primeiro-ministro que teve uma incapacidade tão patente para governar o país tem a coragem de se candidatar de novo?

August 17, 2009

descubra as diferenças


O nosso PM anuncia o fim da crise. Talvez por decreto. A Chanceler Merkel discorda, afirmando não ser sério apostar em datas para o final da recessão.

Chego a duas tristes conclusões:
a) entre os dois, creio poder confiar mais na Chanceler alemã;
b) os alemães têm políticos minimamente sérios e os portugueses, não.

August 12, 2009

a brincar, a brincar...


A piada do 31 da Armada na varanda da CML veio, claro, reacender os argumentos monarquia versus república. As vozes que se levantam normalmente preferem, em vez de pensarem, lançar as atoardas do costume: a república é melhor que... em 100 anos a república não fez... a monarquia não passa de...

A verdadeira questão não é essa. A mais antiga - e mais eficaz - democracia da Europa é, ainda, uma monarquia; alguns dos mais violentos regimes totalitários do mundo eram repúblicas. Houve péssimas monarquias e excelentes repúblicas. E vice versa. A questão centra-se noutro ponto, completamente diferente. Os verdadeiros valores a defender são os da democracia e do parlamentarismo, esses sim garantes do bem-estar e da estabilidade da sociedade. Se depois temos uma república ou uma monarquia é de todo indiferente.

Há no entanto uma diferença abissal entre os dois regimes: Monarquia das Bananas não soa nada bem.

August 11, 2009

inveja

dúvida existencial

Não sei se este blog vai reacordar. Não faço a mínima ideia. Como vem aí a verdadeira silly-season, as eleições, talvez valha a pena voltar a escrever aqui. Talvez não.

ribbit

Estou a tentar criar um blog no Sapo. Por piada. Está no entanto a perder a piada toda: o serviço é lento, confuso... chato.

Porque é que somos sempre assim?

que grande 31


Uns rapazes (ou raparigas) do 31 da Armada hastearam a bandeira albiceleste da monarquia nos Paços do Concelho em Lisboa.
Provocação infantil, dirão uns; acto de guerrilha, dirão outros. Eu cá - como ignorante que sou - digo que teve piada e demonstrou como as nossas instituições são completamente vazias de sentido de humor.

Não adianta nada à discussão de regime, mas que teve piada, teve.

October 24, 2008

magellan


O Magalhães - o computador e não o sr. da Mercearia Fina - é, a meu ver, um erro disparatado, desnecessário e evitável. Não porque as crianças do Ensino Básico não necessitem de adquirir conhecimentos na áreas das tecnologias de informação, mas porque têm de aprender coisinhas bastante mais importantes que, infelizmente, não dão uma boa cobertura no telejornal, nem um bom spin nem votos. A tabuada, o abecedário, as contas de somardividirsubtrairemultiplicar, os pronomes, predicados e toda a restante parafernália que os vai dotar da capacidade futura de pensar. Têm de aprender línguas a ler, escrever e a contar sem muletas, processadores de texto com corrector ortográfico, calculadoras ou PCs de meia tigela.

Qualquer criança de 10 anos aprende a navegar na web em 10 minutos; ou a teclar num telemóvel em mau português; ou a programar a porcaria do DVD melhor que o pai. Só um total infoexcluído (lindo neologismo) pensa que alguma destas coisas é difícil. Aquilo que é difícil é saber que raio de fórmula se usa no Excel sem saber peva de matemática. Ou aprender os inúmeros sinónimos da palavra "dactilografar" para não usar sempre o mesmo no Word.

Apesar de ter iniciado o meu contacto com o PC aos vinte e muitos anos - se não contar com o ZX Spectrum da minha adolescência - hoje uso o Office, o Photoshop, o Illustrator, o Freehand, o Quicken e dezenas de outros programas sem sequer ter de me esforçar, provavelmente porque a minha professora primária sacava imediatamente do apagador em madeira e feltro sempre que me via a contar pelos dedos.

Seria interessante que o currículo do Ensino Básico incluísse uma disciplina de TI, onde as crianças aprendessem o básico como dactilografar com mais de dois dedos e com a língua de fora (como eu) ou utilizassem programas simultaneamente educativos e lúdicos que os preparassem para uma utilização futura mais séria da ferramenta. Agora, um PC por criança permanentemente na sala de aula? Para quê?

September 11, 2008

o silêncio, por enquanto, é de ouro

Não percebo a procupação dos comentadores políticos, e dos media em geral, com o silêncio de Manuela Ferreira Leite enquanto líder do PSD. A sério que não percebo. Depois de três anos com líderes tão verborreicos como Santana Lopes e Menezes - que, para mal dos nossos pecados, voltou a falar - o silêncio é bem-vindo. Ainda não conheço as ideias que MFL tem para o país ou para solucionar a nossa contínua crise, mas desde já agradeço o seu silêncio de propriedades calmantes. Até há alguns meses atrás qualquer afirmação do presidente do PSD ou de sus muchachos era causa de sobressalto e de gemer entredentes "mas que raio vem agora ele dizer..." ou "oh não! lá vem o gajo outra vez!"; os líderes falavam por falar, para terem tempo de antena, e não porque aquilo que tinham a dizer fosse pertinente ou importante. Era uma espécie de corrida ao microfone. Ao fim de um mês já ninguém lhes ligave nenhuma, principalmente o PS. Agora, se Ferreira Leite falar, escuta-se. Presta-se atenção. O PS já percebeu isso, de tal forma que já surgem hipóteses de coligações, de cenários eleitorais menos favoráveis para 2009 e alguns sinais de nervosismo.

Luís Filipe Menezes não percebeu nada disto. E como quer a ribalta política a todo o custo, fala.

August 27, 2008

Tendo em conta o clima de insegurança, o desemprego elevado, a falta de competitividade das empresas, a falta de produtividade dos trabalhadores, a falta de competência dos governantes, a falta de idoneidade dos me(r)dia, a falta de educação, de justiça, de saúde e de capacidade para resolver qualquer problema social, haverá ainda solução para este país?

Aceitam-se sugestões.

August 06, 2008

zai jian beijing


Talvez seja por ser idealista, ou por estar totalmente removido da realidade, mas há um pequeno pormenor sobre as olimpíadas de 2008 que me faz urticária:

as olimpíadas clássicas eram uma forma de competição saudável entre as cidades-estado gregas para evitar os conflitos entre estas;

Pierre de Coubertin lançou as olimpíadas modernas com o mesmo princípio, isto é, promover o encontro de culturas de modo a haverem menos conflitos entre as ditas.

Tendo em conta estes valores basilares como é que se entrega a organização do evento a um país onde os Direitos Humanos são considerados uma piada de mau gosto, onde a liberdade de expressão é praticamente inexistente ou onde o acesso à informação é limitado de todas as formas possíveis e imagináveis, para citar apenas os problemas menores do Império do Meio. Se tivessemos apenas em conta o espírito olímpico a China nem poderia participar nas olimpíadas, quanto mais organizá-las. Mas, como tudo, também esse espírito está à venda.

méi wèn tí.

August 02, 2008

richard avedon

July 30, 2008

annie leibovitz

soube bem rever geoffrey rush

July 16, 2008

allgarve


Pela primeira vez blogo - ou posto - fora de Lisboa. Estou plantado em pleno Algarve, para mal dos meus pecados mas para bem da minha cabeça e dos meus laços familiares. Nada senão praia, piscina e alegre ronronar ao sol. A estada faz-se em pleno centro de Vilamoura, coração do dito "turismo de qualidade", onde estou acompanhado de ingleses com sotaque das Midlands, espanhóis que tentam ganhar aos americanos no concurso de obesos e meia-dúzia de alemães que devem ter deixado o Audi a lavar e trouxeram o Fiat Punto do jardineiro.

Não estou a ser mauzinho ou elitista, mas sim a tentar demonstrar um ponto de vista:

O Allgarve não existe, nem sequer o Algarve como destino turístico de jeito. Da minha varanda de 4 estrelas vejo um mar azul imenso e uma Quarteira imensa, que me permite não ter saudades da linha de Sintra, a recordar desta forma o glorioso Cacém. Ontem dei uma saltada a Albufeira e senti-me completamente em casa... na Amadora. Aposto que com um bocadinho de esforço encontro aqui Sto. António dos Cavaleiros.

Evidentemente que eu estou aqui em pleno Allgarve porque não tenho dinheiro para ir para mais lado nenhum; quanto aos turistas de qualidade, já para lá foram. Talvez os encontre para o ano... longe do Cacém.

June 19, 2008

homo sapiens? ha!

Sempre que há um campeonato da bola fico boquiaberto com os portugueses. Um campeonato, não... todo o fenómeno da bola: primeiro era o Figo que era o melhor jogador do mundo; depois veio o Special Mourinho One, o maior treinador do mundo; depois o Cristiano Ronaldo, o melhor "artista da bola" do mundo. Já para não falar do Benfica de 60, do Porto de 90 ou do Eusébio de sempre.

O que é que raio tem de tão especial um jogo de pontapé na bola e no adversário para criar tal fervor primário no Homo Lusitaniensis? Há uma tal de Vanessa Fernandes que corre, nada e pedala que nem um demónio e... pouco se fala. Há um senhor Obikwelu que corre como quem quer apanhar uma chita para o jantar e... nada. Há uns quantos físicos, psicólogos, matemáticos e astrónomos que se destinguem pelo mundo fora e parece que temos vergonha deles. Há poetas, romancistas, pintores e músicos que todo o mundo conhece e cá, coitados, são obliterados por todos. Há um senhor que escreve frases enormes sem vírgulas pontos finais ou travessões que ganhou um prémiozito dado pelos suecos bem-hajam esses herdeiros dos barbáricos viquingues e só se discute a sua filiação no PCP ou a sua vidita pacata numa ilha que é só cinza tomem lá para aprender seus castelhanos velhacos.

Quando é que finalmente aprendemos que o país, a vida e o futuro não andam para a frente a pontapé na bola, mas sim com esforço e trabalho?

fim

Acabou-se. Portugal perdeu com a Alemanha nos qualquer-coisa-de-final do Euro 2008. Acabou-se a festa. Com sorte, acaba-se também a dormência que se tem vivido nesta terrinha graças a 11 macacos e uma bolita redonda.
Talvez o tuga agora perceba que o futebol não interessa. Nada mesmo. As pequeninas alegrias oferecidas pelo esférico dissipam-se rapidamente, efémeras, e a realidade nua e crua volta à ordem do dia: um mau governo, a inflação, o desemprego, a taxa de juro e o barril do petróleo.
Se se dedicasse tanto tempo a discutir e a resolver estes problemas - pelo menos aqueles que ainda estão nas nossas mãos resolver - como se dedica a escalpelizar a táctica do 4-4-2 ou o passe de Deco, talvez fossemos mais parecidos com a Finlândia: não vão ao Euro, mas vivem decentemente.

May 16, 2008

às vezes m'avergonho


O senhor Tyler Brulé - criador de duas revistas que provam que a imprensa está bem viva, a Monocle e a Wall Paper - escreve no Financial Times o seguinte sobre a inefável campanha de publicidade "Portugal, Europe's West Coast":

Portugal recently attempted to fashion itself as 'Europe's West Coast'. I'm not sure what the Irish and Norwegians made of this claim, but it left me wondering whether Portugal was selling itself as the potential home of a Euro-Google/Nike/Microsoft or a land that might soon be filled with malls and washed-up celebrities. The ad campaign never delivered much of an answer.

Enquanto publicitário, reconheço que a última frase do texto é correctíssima: a campanha afirma mas não justifica, o que faz com que a sua eficácia seja nula.

Enquanto português, infelizmente tenho que reconhecer que o restante texto acerta em cheio. Quando um americano se refere à West Coast refere-se normalmente ao estado da Califórnia, o mais rico, populoso e considerado o melhor para viver em todos os EUA. Vêm normalmente à ideia Silicon Valley, a IBM, a Apple, a Microsoft ( a Oeste mas a Norte, em Seattle), Hollywood, o estilo de vida descontraído de São Francisco ou o glamoroso de Los Angeles.
A única semelhança entre Portugal e a Califórnia é a posição relativa nos respectivos continentes: a Oeste. De resto estamos nos antípodas, sendo um país pobre, pouco inovador, mental e socialmente conservador, sem produções tecnológica e artística relevantes no continente europeu.

Claro que somos gozados.

em bom português, vão à merda


O Parlamento aprovou hoje o Acordo Ortográfico, ignorando todos aqueles que se expressaram contra ele. O que não me espanta de todo, dada a característica autista deste governozito.

Aparentemente agora vamos todos passar a escrever uma nova língua por decreto, não tendo em conta aquilo que é fundamental na evolução de qualquer língua: os hábitos e costumes dos seus falantes. A desculpa é que há que harmonizar a língua com o país com maior número de utilizadores, o Brasil, por questões de peso internacional do português, por questões económicas e editoriais e, para meu espanto, para adaptar a língua ao modo como esta se fala. Se formos adaptá-la à forma como o português é falado no Brasil, ficamos com tantas grafias como aquele país tem Estados. E vamos ter tantas grafias como quantos países falam português - pelo menos oficialmente.
Segundo este ponto de vista vou poder escrever "Cê acha?" se acordar sertanejo ou "Qué isto?" se me der para o lado de Huambo. Aquilo que não vou poder fazer é dizer "faCto" (porque eu digo o C) ou escrever "correCtamente".

A língua internacional com maior importância no mundo é o inglês e eu não vejo estes disparates acontecer no seio dos países que a falam: qualquer inglês percebe que "aluminum" é "aluminium" e todos os australianos - aborígenes e tudo - sabem que "colour" e "color" é muitas vezes uma questão racial. Estas diferenças ortográficas não impedem que um autor inglês tenha sucesso no mercado americano ou vice-versa, porque aquilo que importa realmente fazer para vender livros é feito pelos editores de ambos os lados do Atlântico (atlantico?): promoção das obras, esforço de marketing, etc.
O facto de agora todos irmos escrever mal português não vai criar um mercado de 200 milhões de leitores para os nossos editores, porque estes vão continuar a não gastar um cêntimo no esforço de venda de uma obra, vão continuar a não procurar parcerias do outro lado do oceano e assim sucessivamente.

Pelo que me diz respeito, vou continuar a escrever português correCtamente, a procurar edições anteriores ao acordo dos autores portugueses e a refugiar-me na leitura de autores estrangeiros na língua original ou, se não a entender, a traduções noutra língua que não a minha, o que é pena.


PS: este acordo não me surpreende de todo, vindo de um governo cujo Primeiro Ministro tem um vocabulário de 200 palavras, a mor das vezes mal aplicadas.