January 11, 2005

pópós



Hoje vi um Ferrari. Vermelho como mandam as regras.
Já não é tão raro como isso, nos dias que correm, ver Ferraris nas nossas estradas. Ferraris e Porches (pelo nome, parecem ser fabricados no Barlavento algarvio). E Mercedes SLK. E BMWs XPTO. Para não falar dos jipes Range Rover, BMW, Porsche e Volkswagen que pululam nas nossas ruas de metro e meio de largura como se fossem cogumelos.

Para quem tem um chaveco com 14 anos de idade, e não liga pevas ao bólide que conduz, esta obsessão lusa pelo espada novito em folha e ostentatório é um bocado estranha. Normalmente, quem não tem dinheiro para comprar um topo de gama opta pelo Peugeot 206 ou Renault Clio e artilha-o com tudo o que pode deitar a mão, fazendo com que a maior parte dos pobres carritos pareçam os burros de carga do filme Sierra Madre com o Humphrey Bogart.

Quando assistimos áquelas séries do Odisseia sobre alces suecos, vemos que nas estradas se passeiam carrinhas Volvo de 1956 ou de 1980. Orgulhosamente. Normalmente amarelas, mas eles também comem arenque portanto a cor explica-se.
Quando estive em Inglaterra há três anos vi nas auto-estradas deles desde Morris Minor a Rovers de 1985. Aos pontapés e todos a guiar do lado errado da estrada.
Se formos aqui à terra dos nuestros hermanos até Talbots vemos, marca que já faleceu há mais de uma década.

Então porque é que nós, pobres e depauperados europeus como nenhuns outros, gastamos tanto dinheiro numa carroça-sem-cavalos? Só porque fica mal andar com um carro antigo?
Se os nossos pater familias gastassem menos dinheiro no fogoso corcel que lhes permite enfrentar a IC19 a dez à hora e investissem mais na educação da prole, talvez tivéssemos menos problemas socias e outros que tais.

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