March 04, 2005

sociedade pírulas

Li no Cromossoma X números divulgados no DN sobre a utilização da Pílula do Dia Seguinte (parece o título de um filme de série B), a percentagem de mães precoces e assim sucessivamente.

Parece-me, pelos valores, que estes números não têm nada a ver com a realidade: não é um assunto, neste país de brandos costumes, que se discuta naturalmente ou que se confesse abertamente. Os números reais devem ser muito maiores e se os juntarmos aos valores correctos de abortos tornam-se assustadores.
Isto só se passa porque temos uma sociedade autista, beata e conservadora, onde o assunto do sexo é escamoteado na relação pais/filhos e sendo abordado nas escolas de forma envergonhada - como se fosse um assunto sujo.

Como bons atrasados sociais que somos, continuamos a considerar que há o "sexo bom" e o "sexo mau", ou seja, o sexo dentro e fora do matrimónio. Já deveríamos ter percebido, enquanto sociedade, que tal distinção não faz sentido; já deveríamos ter percebido também que, por diversas razões - sociais, hormonais e outras que tais - qualquer jovem, assim que pode, começa a praticá-lo. E não está nem aí para medir as consequências. Sexo é bom logo pratica-se e prontos.
Depois temos as mães de 13 anos, os abortos ainda na adolescência, o recurso a medicamentos abortivos ou outros, as doenças sexualmente transmissíveis e o crescimento alarmante dos casos de SIDA.

Quando evoluirmos enquanto sociedade haveremos de compreender que é inútil tentar impedir os jovens de se divertirem como querem, que é prejudicial tentar disfarçar em nome dos bons costumes e que o que é realmente natural e útil é falar em casa de sexo como quem fala do Iraque ou dos Teletubbies, e que o sistema de ensino deve ter um papel fundamental na educação sexual, explicando como deve ser como é que a coisa funciona, e que é impossível engravidar através de sexo oral.

Até lá vamos continuar a disfarçar e a assobiar para o ar, como fazemos em relação a quase todos os problemas.

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