O futuro ministro das finanças iniciou as declarações oficiais. Infelizmente não sei ainda o nome do homem. É sempre a mesma história em todas as legislaturas: quando finalmente decoro os nomes dos energúmenos, Pimba! Remodelação!
Quanto à declaração em si, não augura nada de bom. A começar por ser vaga, do género se-calhar-vou-aumentar-os-impostos-mas-ainda-não-sei-porque-não-pensei-no-assunto-logo-se-vê, o que não é bom num titular duma pasta que necessita de medidas drásticas e com certezas, que denunciem um plano a longo prazo para endireitar a terriola. Mas também porque, como medida, aumentar os impostos não serve para nada. O país já não é suficientemente competitivo relativamente às outras economias em desenvolvimento da UE devido à carga fiscal exagerada, o cidadão médio já paga impostos até pelas orelhas (muitas vezes sem retorno absolutamente nenhum) e as empresas nacionais literalmente agonizam com a quantidade disparatada de impostos que têm de pagar. Parece que os sucessivos ministros se esquecem que a maior parte das empresas portuguesas são micro-empresas, que não conseguem gerar dinheiro suficiente para manter as suas obrigações com fornecedores e funcionários, e ao mesmo tempo cumprirem as suas obrigações fiscais com as taxas disparatadas de IVA e IRC que se praticam. Restam-lhes, portanto, duas hipóteses: ou fechar as portas ou borrifarem-se para o estado e inventarem esquemas para não pagar impostos.
Como são estas empresas, na sua maioria, que geram postos de trabalho em Portugal, aliviando os números do desemprego e criando deste modo mais contribuintes, não percebo como é que qualquer economista digno desse nome pense sequer em aumentar mais ainda os impostos.
Aquilo que há a fazer é exactamente o oposto. Fazer aquilo que é difícil mas não impossível: diminuir a carga fiscal para revitalizar o tecido empresarial e gerar postos de trabalho (150.000, lembram-se?), e diminuir a despesa pantagruélica do Estado, acabando com mordomias, cargos políticos inúteis, fechando institutos e serviços desadequados, organizar a Justiça de modo a que seja possível cobrar o crédito mal-parado efectivamente - principalmente ao Estado, o maior devedor do país - e investir seriamente onde é realmente necessário - na Educação e Formação, para criar uma força de trabalho moderna, informada e, principalmente, útil.
Só que isto leva tempo e não dá votos.
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