April 21, 2005

ecclesia



Bento XIV... que falta de imaginação, escolher um nome que outros quinze antes já adoptaram. Porque não "Álvaro I"? ou "Ladislau I"? Qualquer coisa original. Pior só João, que já houve pelo menos 23.
Mas a Igreja Católica nunca primou muito pela originalidade. Ou pela abertura a novas ideias. É assim há dois mil anos, quando teve a primeira e última ideia original - aceitar o Messias como tal - e ficou-se por aí. A partir desse ponto é conhecida a sua posição a ideias novas, tendo sublinhado muito eficazmente essa posição através de engenhosos instrumentos de tortura e outros argumentos de peso. Pela vontade da Igreja Católica o mundo seria ainda hoje plano, situado no centro do Universo, a mulher teria um lugar subalterno na sociedade e a Itália só seria independente após a segunda vinda do Messias.
A eleição de alguém como Razinger para bispo de Roma só reforça esta postura, dizendo a todos que a vontade de mudança da Igreja é a mesma de sempre: nula. Provavelmente é uma forma de garantir a sua própria sobrevivência, declarando a defesa dos valores eternos, e que estes não mudam lá porque os séculos vão mudando, arrastando o mundo consigo. E não importa que o Papa que agora aquece o trono de Pedro tenha sido em tempos nazi, a ser verdade aquilo que li no Votem nas Putas. Isso é apenas um pequeno detalhe, numa instituição autista, virada apenas para os seus interesses e para a manutenção do seu poder político.
O Papa deveria de representar aquilo que a Igreja tem de melhor: a caridade, a bondade e todas essas coisas que a Igreja sempre defendeu e nunca praticou. Deveria de as representar e, simultaneamente, pô-las em prática. Mas os cardeais esqueceram-se desse pormenor e elegeram alguém do aparelho, que garanta o imobilismo. Deviam realmente ser fechados em Conclave, mas devia-se ter deitado a chave fora.

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