Há dias em que a rotina é quebrada por pequenas surpresas. A minha rotina pós-laboral habitual é relativamente simples (e provavelmente comum a muitos portugueses): chegar a casa abrir a porta largar as tralhas sentar no sofá suspirar de alívio carregar no botão do telecomando e "zappar" entre os canais informativos da têvê. Mas ontem ou anteontem a minha rotina foi interrompida por uma notícia que corria no Sky News. Tal era a enormidade do relato que o meu dedo congelou sobre o botãozito do telecomando. A coisa era mais ou menos assim: na M40, auto-estrada britânica permanentemente congestionada (mais ou menos com o mesmo fluxo de tráfego da IC19 às 3 da manhã), há determinadas zonas que são perigosas em certas situações de tráfego e metereológicas. Solução da Polícia lá da barbárie: agarrar em meia-dúzia de carrinhas policiais, dotá-las de radares e controlar os prevaricadores súbditos de sua majestade. Pareceria solução semelhante à nossa se não fosse um pequeno pormenor, que faz toda a diferença do mundo. Em vez de se esconder a carrinha atrás da verdejante moita, vem-se a todos os media de monta anunciar o local preciso onde vão ser estacionadas as ditas, de modo a que o súbdito condutor saiba de antemão que naqueles locais não é realmente permitido exceder o limite de velocidade permitido por lei (75 mph, creio). Evitam-se assim aquelas travagens bruscas à portuguesa sempre que o condutor detecta o radar e regula-se efectivamente o trânsito, procurando não a caça à multa mas sim salvar vidas.
Para cúmulo, as autoridades forneceram aos gestores de produtos GPS as ditas localidades, de modo a estas serem introduzidas nos programas de navegação dos automóveis, não vá o incauto condutor esquecer-se da localização precisa do controlo policial, sendo avisado automaticamente pelo computador de bordo.
Miséria a nossa, que nem com os outros aprendemos.
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