Claro que me estou a referir ao congresso do PSD. Desculpem lá o trocadilho de mau-gosto.
Há cinco anos atrás, quando concorreram ao lugar de Presidente do PSD, num congresso não sei onde, Marques Mendes, Durão Barroso e Santana Lopes, caí na asneira de dizer em voz alta que o candidato que me parecia melhor era Marques Mendes... caiu-me tudo em cima: "o gajo é anão, pá!", "não tem carisma nenhum!", "não sabe falar! parece um boneco monocórdico!".
À parte o anão, os comentários são verdadeiros. E mesmo que fosse anão, os Homens não se medem aos palmos. É verdade que Marques Mendes tem tanto carisma como um ornitorrinco e o seu discurso não entusiasma absolutamente ninguém, chegando a ser um perfeito soporífero. Mas, do meu ponto de vista, aquilo que faz um político não é apenas o seu carisma ou dotes oratórios. Aquilo que é necessário a um político é - principalmente neste período da nossa História - seriedade e eficiência. Basta olhar para Santana Lopes, que todos dizem escorrer carisma, e ver no que deu. Marques Mendes parece-me sério, pelo menos por tudo aquilo que tem feito na sua actuação política desde os tempos de membro dos governos de Cavaco Silva. parece-me simultaneamente um bom aglutinador de tendências, alguém que sabe gerir as várias influências e "poderes", criando depois uma direcção clara e definida. Foi o que o fez um excelente líder de bancada parlamentar e um bom ministro dos assuntos parlamentares. E é, em parte, isso que se pede a um primeiro-ministro: que defina um rumo, que conheça os problemas e que se saiba rodear das pessoas competentes para cada uma das áreas governativas.
Parece-me que o PSD conseguiu, para já, eleger um bom líder. Não percebo é como é que 44% do partido pensou sequer em votar em Luís Filipe Menezes: é uma espécie de Santana Lopes de 2ª.
Pequeno à-parte. Apesar do actual governo anunciar medidas a torto e a direito, ainda não fez absolutamente nada. Apesar de tudo uma das medidas anunciadas parece-me excelente: a limitação do número de mandatos permitidos aos governantes. Talvez permita acabar com o caciquismo.
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