May 06, 2005

calões

Confesso. Tenho andado com uma calanzice extrema. Tão extrema que nem me apetece nem escrever nem "postar". Mas a minha preguiça, dentro dos seus limites, é perfeitamente inofensiva e não prejudica absolutamente ninguém.

Há outros tipos de preguiça que afectam muita gente.
Aqui há uns dias, o nosso PR-em-presidência-aberta foi dar umas voltitas de carro-patrulha. Como normalmente habita um planeta muito próprio ficou boqueaberto com aquilo que viu nas estradas portuguesas: ele era excesso de velocidade; ele era manobras perigosas: ele era velhinhas a atravessar a rua em contramão. Tendo descido à realidade conhecida pelos outros 9 999 999 portugueses fez uma declaração estonteante, digna de um intelecto superior: já que os carros-patrulha andam à paisana, os seus ocupantes também deviam de andar à paisana (ou em plain-clothes como proferiu no seu sotaque digno de qualquer pescador algarvio no engate) para os condutores não detectarem a brigada e não se tornarem milagrosa e repentinamente em cidadãos cumpridores da lei.
Aquilo que o PR esqueceu por completo foi a verdadeira função das forças da ordem: proteger os cidadãos, e não castigá-los. É muito mais útil ter os carritos da brigada devidamente assinalados, e os seus ocupantes devidamente fardados, patrulhando com regularidade os locais onde se dão mais acidentes e obrigando pela sua presença a que a lei seja respeitada, do que ter os guardas disfarçados de drag queens só para caçarem mais uns papalvos que ainda não sabem a marca nem a matrícula do carro-patrulha.

Eu posso ser preguiçoso, mas o Estado não. Tomar estas medidas, fáceis, não ajuda ninguém nem resolve nenhum problema. Além de que vai concerteza aumentar em muito os lucros da Multiópticas, com o pessoal todo a esforçar-se para topar a Priscilla-a-rainha-do-deserto e o seu carro-patrulha na A1.

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