Agosto é, sem dúvida, o melhor mês para trabalhar. A IC19 e a A5 têm tanto trânsito como a estrada municipal 256B (Marmeleja-Cinfães Velho); os poucos cafés abertos nas zonas empresariais têm como funcionários apenas licenciados nas melhores escolas de boas-maneiras da Suíça, tal é o desespero para arranjar um clientezito; os funcionários públicos em serviço são aqueles do Bloco de Esquerda que acham que Férias - com Fê Grande - a sério são no Nepal em pleno Solstício de Inverno e que o Serviço Público - também capitalizado - é quase uma Profissão de Fé.
A maralha, essa, vai a toda a brida para o Algarve a partir de dia 1, de preferência para as zonas nobres do distrito, como Armação de Pêra, Quarteira e Albufeira, armados de chapéu de sol, putos gritões, Fiat Punto e túnicas às bolinhas idiotas.
Parece-me sempre que Lisboa (e arredores) fica mais simpática em Agosto. Apesar do calor insuportável, das moscas, melgas e outros insectos irritantes como o Francisco Louçã, as pessoas parecem mais cordatas, mais sociáveis.
Será a que a solução para o país passa por pagar umas férias em Ibiza, com bilhete de ida, a toda a maralha, e depois invocar uma qualquer lei de fronteiras para impedir o seu regresso?
2 comments:
E ficavamos com o quê? um pais para eruditos?
Tambem odeio a migração de Agosto, e adoro não haver transito na IC19, no entanto não me leves a mal mas parece-me um pouco conversa de quem gostaria de estar de férias e não está. Quanto ao encanto de Lisboa em Agosto, fico sempre com a sensação que aconteceu algum cataclismo e eu não fui avisada. A cidade fica sem vida, fica sem graça. Desculpa não concordar
Não, não me sinto invejoso das férias dos outros. Infelizmente todos os anos sou obrigado a tirar pelo menos uma semana de férias neste mês desgraçado, por causa das crianças, mas de resto gosto de tirar férias fora da época balnear.
Quanto ao país de eruditos... a maior parte dos "eruditos" do país está neste momento na Praia dos Tomates ou coisa do género... e esperemos que por lá fiquem durante muito tempo. O resto é uma questão de gosto, e por isso indiscutível: eu sinceramente prefiro uma cidade sem multidões e sem confusão.
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