August 23, 2005

tomates

A última palavra do post anterior deixou-me na dúvida... deveria ter usado "tomates"? porque não azeitonas? ou uvas? ou qualquer outro fruto ou vegetal que não desse azo a duplo sentido?

Mas, a ser honesto, aquilo que eu quis dizer com aquela palavrinha não foi nenhuma alusão à plantação de qualquer fruto ou vegetal (nesse campo - e noutros - sou um ignorante fantástico), mas sim uma referência directa a um dos orgãos reprodutores masculinos. Os tomates. Em español huevos. Inglês balls. Em suevo concerteza impronunciável. Mas seja qual for a língua ou a vulgaridade da expressão, creio que é pacífico dizer o seguinte: os políticos portugueses não os têm. Nem os políticos nem a maior parte dos portugas.

É preciso tê-los para tomar as medidas difíceis de que o país precisa, custem ou não custem um lugar de poleiro. É preciso havê-los no sítio para tomar as decisões certas nas empresas, muitas vezes recusando favoritismos ou amiguismos e gerir as mesmas com cabeça, tronco e... membros, por vezes arriscando tomar a decisão difícil de crescer dentro e fora do país, em vez de tomar o caminho fácil de vender ao primeiro estrangeiro que aparece. São necessários os ditos pretos para enfrentar o polícia despótico, o funcionário público corrupto ou a administração ineficiente e reclamar em alto e bom som que não se irá compactuar com a situação A, B ou C.

Não sou sociólogo, nem sequer antropólogo, para descortinar a razão que faz do povo luso um povo "destesticulado", mas há séculos que somos assim, pelo menos desde que morreu o Marquês de Pombal. Suspeito que, desde o final do século XVIII, assim que começou a Revolução Industrial e se revelou necessário instruir a populaça, Portugal foi lentamente permitindo que os ditos mirrassem, como se entrássemos na água do Moledo em pleno Novembro.

Continuando a analogia, sem tomates não há continuação da espécie. Não há evolução. Ou mudamos de atitude e criamos condições para os tomates florescerem (darão flor?), através do investimento na Educação e na Justiça, na desburocratização e no combate eficaz à corrupção, ou então não há futuro possível para o país.

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