Lá vamos nós, Domingo, a uma hora confortável e de preferência com pouco tráfego, cumprir o ritual velhinho de trinta anos de introduzir uns pedacitos de papel dobrados em quatro numa caixita com uma ranhura no topo.
A partir das 19:00h do dito dia, uns senhores com ar solene vão abrir a dita caixinha e contar os papelitos (convém dizer que, apesar da caixita se chamar "urna", os senhores não são coveiros), ver a posição das cruzinhas nos papelitos, anunciar os resultados mesa de voto a mesa de voto, freguesia a freguesia, concelho a concelho, distrito a distrito. As televisões, cansadas de tufões, terramotos e explosões, vão acompanhar sofregamente este contar passo-a-passo, indicando valores de sondagens e estudos, questionando técnicos, políticos e outros personagens apropriados, vão fazendo previsões e projecções, analisar cenários e no fim de tudo, anunciar o que mais importa:
Quem afinal ganhou o tacho!
Pela minha parte, tendo em conta que ambos os candidatos à direcção do Concelho já foram autarcas (um o vigente, o outro em Lisboa), tenho a tarefa facilitada em relação à escolha. Assim, irei atirar o meu papelito para dentro da caixita a meio da tarde, e a partir daí é um Domingo como os outros: brincadeira com os miúdos, bezerrar, boa música e um bom livro e, acima de tudo, nada de TV sem ser o Canal Disney. No dia seguinte irei saber quem é o novo presidente da CMS, com a mesma indiferença que saberei qual é o valor do barril de petróleo. Ambos os dados são irrelevantes: o último porque é a gasolineira que decide o preço da gasolina e não a OPEP, e o primeiro porque sei à partida que qualquer que seja o candidato vencedor a incompetência será a mesma, a má gestão idêntica ao mais ínfimo pormenor, os interesses a defender serão os pessoais e não os da comunidade e, por fim, que nada mudará na gestão autárquica nos próximos quatro anos como não mudou nos últimos quarenta.
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