Segundo o Diário de Notícias (não me apetece pôr o link), a nossa Ministra da Educação teve uma ideia brilhante. Passo a citar:
"Os conselhos pedagógicos das escolas terão o poder de fazer passar de ano, numa 'avaliação extraordinária', estudantes repetentes que se encontrem em vias de voltar a reprovar. A medida (...) vem definir um conjunto de estratégias para combater o insucesso e o abandono escolar no ensino básico, que leva a que, anualmente, entre 15 e 17 mil alunos deixem a escola sem terminarem o 9.º ano."
Como disse, uma brilhante ideia. Uma ideia polidinha, bonitinha, feita à medida da limpeza das estatísticas que demonstram o país de broncos que somos. Prosseguindo este brilhante raciocínio, talvez fosse melhor passar todos os alunos administrativamente até ao 12º ano ou, melhor ainda, assim que uma criança nasce o Registo Civil oferece a Cédula Pessoal e o Diploma dos Liceus, ficando Portugal visto como o país com a melhor instrução do mundo inteiro (e arredores).
O problema é que Portugal padece, na realidade, de uma falta de Educação confrangedora. Falta de Educação essa que nos coloca atrás do Burkina Faso em termos de competitividade e que faz com que sejamos preteridos sempre que uma multinacional se deseja estabelecer nas redondezas, fazendo também com que as empresas portuguesas tenham uma capacidade de crescimento e internacionalização idênticas às empresas do Butão.
Esta falta de Educação, além daquilo que implica em termos empresariais, tem consequências civilizacionais bem mais graves, fazendo com que poucos cidadãos compreendam um texto escrito - seja notícia ou programa eleitoral - ou um simples discurso de político-de-vão-de-escada, implicando uma democracia coxa e pouco participativa.
Isto simplificando o problema.
Aquilo que a Sra. D. Ministra devia de fazer é exactamente o inverso: subir o grau de exigência do ensino, formar professores dignos desse nome, criar mecanismos de assistência a alunos com dificuldades de aprendizagem, reformar os estabelecimentos de ensino a nível de equipamentos, avaliar com rigor professores e escolas... mas tudo isto é difícil, leva tempo a concretizar e, muito honestamente, as estatísticas iriam ficar na mesma durante mais algum tempo.
Algo me diz que a ministra também passou administrativamente no curso...
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