Domingo lá vamos cumprir o dever de cidadania, colocar a cruz no quadrado de eleição, dobrar o papelito em quatro e depositá-lo na urna.
Das vinte e quatro palavras escritas no páragrafo anterior, a que me parece ser usada com maior propriedade é a última: urna.
Urna porque o português quando vota já sabe, depois de trinta anos de hábito, que votar é um acto morto, praticamente sem objectivo. Os candidatos prometem tudo a todos, indescriminadamente, apenas para "caçar" o voto, sem pensarem por um minuto se há a menor possibilidade de cumprirem a promessa. Fê-lo Sócrates. E Durão. E Guterres. E assim sucessivamente. Fazem-no SoaresCavacoAlegreJerónimoeLouçã. Sem se preocuparem com aquilo que disseram a partir do primeiro minuto após a investidura. Fizeram-no todos (que me lembre) os políticos desde que há eleições.
Urna também porque, fossem quais fossem as aspirações dos portugueses (se é que as têm), as suas escolhas eleitorais não têm permitido que o país se desenvolva de acordo com as suas potencialidades. Não me venham os apoiantes de Cavaco gritar que durante o seu consulado o país cresceu como nunca: Cavaco fez o mínimo dos mínimos, apesar desse desenvolvimento comparativo, e ainda por cima apostando em quase todos os sectores errados, revelando uma estreiteza de vistas digna de um muar.
Domingo vamos votar em quatro ou cinco candidatos, dos quais pelo menos três - já que Alegre é deputado há trinta anos - são enormemente responsáveis pelo estado (lastimável) em que está o país.
Andamos 10 milhões a carregar a urna.
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