February 14, 2006

maniqueismo

Há dois ou três posts atrás utilizei a palavra "pretos" para definir pessoas de uma determinada raça. Anátema! Houve logo um amigo meu que me fez o reparo, rotulando-me de bárbaro: "Ao menos 'negros', João".
Confesso que nunca penso antes de definir alguém como "preto" ou "branco". Não o considero um insulto, nem muito menos uma forma simples de catalogar as pessoas. É pura e simplesmente um termo enraizado na nossa língua, como qualquer outro. Tal como não me considero "branco" - posso ser rosado, arroxeado com frio, beige, amarelado depois de uma valente comezaina, acastanhado no Verão, etc. - também não considero os pretos... pretos. São na melhor das hipóteses castanhos. Alguns mais claros, outros mais escuros, uns de traços fisionómicos típicos da raça mais carregados, outros menos, e pronto. Basicamente são pessoas. E como pessoas que são não tenho de estar com subterfúgios linguísticos "politicamente correctos" para os definir rapidamente, numa frase.
Por outro lado desconfio de termos como "negro", ou o muito americano "african american", ou qualquer outro que revele condescendência e algum sentido de superioridade encapotada. Um preto é um preto, tal como um branco é um branco, e isso não é motivo de orgulho ou pesar. É apenas um tom de pele que revela, no máximo, a adaptabilidade do ser humano ao meio ambiente. O resto é racismo. E semântica.

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