March 22, 2006

choque civilizacional

(ainda relacionado com o post anterior, o choque tecnológico, o acesso à web e essas tretas todas)

Por muito que o primeiro-ministro discurse, por muito que Mariano Gago se torça, ainda não percebi para que serve o Choque Tecnológico e a quem se dirige. Aos Particulares? Às Empresas? A todos? Aos ingleses (para verem)?

Um Programa (com Pê Grande) deste tipo dirigido às empresas é um disparate: as empresas quando têm de investir em tecnologia fazem-no quando podem, quando devem e quando lhes apetece. O governo só tem de garantir uma carga fiscal (IRC, IVA, Taxa Social Única) baixa, que permita às empresas criarem reservas de capital que possam ser reinvestidas - seja em tecnologia, em recursos humanos ou em qualquer área necessária num dado momento da vida de empresa. Ponto. Não tem de fazer absolutamente mais nada. Criar incentivos (fiscais ou outros) para este tipo de investimento é em grande medida, como se provou no passado, premiar a incompetência e o oportunismo. Se um qualquer empresário quiser investir os ganhos da sua empresa em Ferraris ou disparate do género, fá-lo-à com ou sem incentivos e levará a empresa à falência de qualquer modo. O inverso é igualmente verdade.

O mesmo Programa (também com Pê grande) dirigido aos particulares menos sentido faz. O tuga médio fará com o PC novinho em folha e acesso à net em banda larga o mesmo que faz com o PC de 1984 com um modem a 56k: ignora o Word, o Excel e o Powerpoint e navega direitinho ao site pornográfico mais próximo. Não deixa o miúdo lá de casa procurar documentação de estudo na net, não vá o filho sair ao pai e navegar na mesma direcção, nem procura informar-se nem educar-se.
Porque o problema do tuga médio não é a dificuldade de acesso à tecnologia ou à informação (como se vê pela profusão de telemóveis), mas sim um problema de Educação. Ao Estado cabe, de novo, ter uma política fiscal eficaz e moderada (reduzindo o IVA, efectivando a colecta fiscal, etc.) e, através dos mecanismos reguladores da concorrência e do mercado, obrigar os operadores a praticar preços de acesso à internet razoáveis e acessíveis à realidade económica nacional. Por outro lado deve acabar com a total ineficácia do nosso sistema educativo, para que o tuga, esse estranho mamífero, navegue em direcções mais proveitosas.

Não vejo, sinceramente, onde é que está a falha no meu raciocínio. Por isso acho que o Choque Tecnológico não passa de mais uma das muitas medidas para (preencher com nacionalidade preferida) ver.

No comments: