Morreu Slobodan Milosevic. Faz três anos que se deu a invasão do Iraque. Hugo Chavez, presidente da Venezuela, mimoseou Bush com uns epítetos divertidos: bêbedo, cobarde, assassino, genocida, etc.
Estes factos parecem não ter relação nenhuma, a não ser que se tenha uma mentezinha turtuosa como a minha. Milosevic estava sentadinho no banco dos réus por genocídio e outros crimes menores, entre os quais o roubo de chupa-chupas às crianças da Bósnia. Na verdade, estava em tribunal por ter iniciado uma guerra e a ter perdido, pura e simplesmente. Se formos olhar com atenção, todos os lados dessa guerra cometeram atrocidades do mesmo tipo. Talvez em escalas diferentes, mas idênticas na forma.
A guerra é isso mesmo: um conjunto mais ou menos regulamentado de atrocidades. Morre-se à patada de um lado e do outro; as populações de ambos os lados são torturadas, violadas e dizimadas. A consequência da guerra é sempre a mesma e não há volta a dar a isso. A Europa "civilizada", que há 67 anos gerou o maior morticínio da História, parece ter-se esquecido deste pormenor.
Não estou, obviamente, a tentar justificar ou menorizar os crimes de Milosevic. Pelo contrário: a Sérvia tentou, através de uma guerra injustificada, travar o desmembramento da sua federação, atacando todos os povos que quiseram sair e obter a independência.
Por outro lado, olhando pelo mesmo prisma, a guerra desencadeada pelos EUA contra o Iraque é igualmente injustificada e criminosa. Todos os pressupostos enunciados por Bush y sus hermanos para justificar a invasão do Iraque se provaram ser uma mentira pegada. Nem armas de destruição maciça, nem ameaça regional, nem o raio que os parta. Nada. Nicles. Zerinho. O governo dos Estados Unidos invadiram o Iraque porque sim. Porque podiam. Porque havia lá petróleo (pensavam) fácil. Porque o papá Bush tinha falhado da primeira vez.
Ainda olhando pelo mesmo prisma, Bush é tão criminoso como Milosevic e só não está sentadinho no mesmo banco onde este esteve apenas porque ganhou. E porque a Europa é hipócrita, acomodada e fraca.
Chavez pode ser um demagogo perfeito, e o seu discurso é para consumo interno mas... pode ter uma pontinha de razão.
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