April 25, 2006

vinte-e-cinco


Devo confessar que nunca celebro o 25 de Abril. Quando o evento se deu era demasiado pequeno para perceber a sua dimensão (se bem que adorava colocar bombinhas de um escudo debaixo do Action Man para simular aquilo que se via nos filmes), agora sou demasiado cínico para ir em conversas.
Não gosto daquilo em que o "25 de Abril" - a expressão - se converteu, seja numa frase gasta do PCP (as conquistas do...), seja enquanto representação terminal da liberdade e democracia - estas ou se conquistam, e merecem, todos os dias ou correm o risco de morrer à míngua. Não sou apreciador da pompa e, principalmente, circunstância com que o dia é celebrado oficialmente: um discurso vazio e redondo do Presidente, uma parada empobrecida das Forças Armadas (a relembrar o Fevereiro soviético) ou as poses ridículas do Parlamento.

Gozo o feriado e já vou com sorte.

Mas há afirmações de um determinado personagem que me irritam particularmente. Alberto João Jardim, o soba da Madeira, tem o mau hábito de vilipendiar o dia da forma mais baixa, apesar de celebrar o feriado e dar ponte aos seus funcionários. Jardim esquece-se que, apesar de tudo, foi essa revolução que insulta que lhe permite ser o dirigentezinho que é, que lhe permite dizer as alarvidades que diz e ter os comportamentos que tem. Falasse ele ao poder do "contenente" desta forma no tempo da Outra Senhora e teria concerteza direito a um bilhetito de ida até ao escritório mais próximo da DGS, seguido de uma viagem gratuita a um qualquer Spa na Guiné ou em Angola.

É fácil ser demagogo e falar de barriga cheia.

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