August 21, 2006

cultura


O Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Cascais e, principalmente, o Arqº Souto Moura criaram as condições para uma parte das obras de Paula Rêgo ficarem cá pelo burgo. Tal como o que se passou com a colecção Berardo, esta é uma iniciativa a aplaudir com as mãozinhas e os pézinhos, como bons primatas que somos.

Este é o tipo de intervenção que o Estado deve ter na Cultura: não só conservar o património existente - castelos, museus e tascas que sirvam cozido - mas também adicionar e enriquecer o mais possível esse mesmo património. É muito bonito apoiar um, dois ou três realizadores de cinema, meia-dúzia de companhias de teatro e coisas desse tipo mas, a longo prazo, é inútil. Se o Estado se concentrar em criar espaços museológicos ricos em conteúdo, estimulando assim a criatividade artística, se restaurar e suportar os custos inerentes a ter um teatro "em pé", permitindo que as companhias se instalem com custos apenas inerentes à produção, se criar espaços para ópera, música ou qualquer outra expressão artística acaba por resolver mais de metade dos problemas culturais da santa terrinha e, mais importante ainda, acaba com o clientelismo existente nos meios culturais e com a tendência para a "pedinchice" dos artistas autóctones.

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