August 22, 2006

praxis

Aqui há uns anos uma caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros foi praxada, diz ela, de forma violenta e humilhante. Agora avança com um processo contra o dito instituto.
Nem vale a pena saber quais foram as praxes praticadas, porque o fim da praxe é sempre a humilhação do caloiro. Todos os rituais iniciáticos têm essa função e a praxe é apenas mais um deles. Não sei se os iniciados da Maçonaria têm de simular actos sexuais com um poste eléctrico ou não (alguns se calhar gostariam), mas a ideia é a mesma. Após a praxe, ritual ou seja lá o que for, o iniciado passa a pertencer ao Clube dos Amigos Disney e no ano seguinte chateia o crânio ou qualquer outra peça anatómica a um novo desgraçado neófito.

Antes de continuar devo dizer que nunca fui praxado: no meu estabelecimento de ensino - o IADE - não havia essa tradição e na única vez em que corri o risco de o ser - ao ir a Farmácia ter com uma amiga - resolvi o problema explicando aos "praxadores", com auxiliares visuais, que se tentassem alguma gracinha iriam passar o resto da vida a corar sempre que vissem um pepino ou uma beringela.
Esclarecido o detalhe, continuemos.

Se na Maçonaria ou na Opus Dei podem fazer o que quiserem aos candidatos a idiotas terminais, no Ensino a coisa é ligeiramente diferente. Os primeiros aderem ao Clube voluntariamente. Os segundos são obrigados a educar-se para terem um futuro.
Para além disso, o hábito da praxe num estabelecimento de ensino público é mais grave ainda, tendo em conta que o Estado supostamente deveria dar o exemplo do tipo de sociedade e de comportamento quer para o país.
Para aqueles que dizem a plenos pulmões "...mas a praxe é uma tradição" é bom relembrar que a pena de morte, as vergastadas a bordo, os autos-de-fé e o Carlos do Carmo também eram, e não é por isso que devam ser aceites hoje em dia (principalmente o Carlos do Carmo).
Espero que a ex-caloira tenha sucesso no seu processo, e espero que um dia o disparate da praxe desapareça de vez.

1 comment:

FFreitas said...

Acredito na praxe como meio de integração! No estabelecimento de ensino por onde passei a praxe é uma tradição realizada com respeito: não há praxes individuais, o grupo de caloiros está sempre junto, andam juntos de um lado para o outro, cantam umas canções...
Há sempre coisas que os praxados não gostam... faz parte! Eu tb não gostei de algumas coisas!
Mas sei, com certeza, que não conheceria nem metade das pessoas que conheci na faculdade se não fosse a praxe!

Mas tudo tem de ser feito com peso e medida! E em respeito pelos valores dos outros!
Se assim não for, se não for possível controlar as coisas para que assim seja, então que acabem com a praxe!