A propósito da Semana da Mobilidade está, na secção de fóruns do Expresso Online, a ser colocada a questão do que custa trocar o automóvel particular pelos transportes públicos, referindo a perda de utentes (80 milhões!) que os vários serviços perderam entre 2001 e 2005.
A questão é velha e tem, quanto a mim, três respostas.
A primeira é óbvia: os nossos transportes colectivos são maus. Muito maus. Principalmente os das periferias das grandes cidades, onde se concentra a maior parte da população.
A segunda é igualmente óbvia: não há, junto aos terminais dos vários transportes públicos, o número suficiente de estacionamento para os automóveis. Como nem todas as pessoas moram ao lado da paragem de autocarro ou da estação de comboio, desistem e vão de carro até ao local de trabalho.
A terceira é óbvia, também, mas mais delicada: o tuga médio é um perfeito anormal. Prefere "mostrar o pópó" e gramar com duas horas de bicha que andar de comboio. A falta de educação e o comodismo determinam a utilização dos transportes públicos cá no burgo.
Há uma quarta razão, menos óbvia mas tão determinante como as anteriores: as autoridades - nomeadamente a PSP - é tão útil como penas numa vaca malhada. Se o Código diz expressamente que é proibido estacionar em cima do passeio, porque é que Lisboa tem mais carros nos passeios do que a circular na Avenida da República às sete da tarde? Falta de reboques? de blocos de multas? Ou pura e simplesmente laxismo e "deixa-andar"?
O que é certo é que é inútil, para resolver o problema do trânsito, alargar a IC19, a A5, fazer mais duas ou três pontes sobre o Tejo, construir uma VCI2 ou colocar portagens à entrada das cidades, como queria o anormal Presidente da Câmara que se tornou Primeiro Ministro.
Agora por isso... ele ainda anda por aí?
1 comment:
Eu acrescentaria uma outra razão, difícil de perceber para quem mora nas cidades ditas grandes:
- não há transportes que cubram o percurso das pessoas, nem sequer parte dele. é o meu caso, que moro numa terrinha pequenina, e da qual não há transportes para o local onde trabalho... excepto se quiser fazer 4 kms de carro para chegar à estação de metro, e andar quase 2h de metro e depois comboio para chegar ao destino...
Ou seja, para algumas pessoas, não há mesmo alternativa válida ao respectivo automóvel!
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