September 25, 2004

descobriram o que eu sou

Já não sei como, fui dar ao Political Compass, um site que tenta definir, de uma forma simplista, a que espectro político se pertence. Claro que a mim calhou-me "Esquerdista Libertário". Claro que o site, e o teste, são americanos, logo não podia dar outra coisa. Se o Francisco Louçã lá for têm, provavelmente, de redesenhar o gráfico todo.

O mais engraçado disto tudo é que não me considero "de esquerda". Nem "de direita". Como a maioria dos portugueses, estou bem no "centrão", sem nunca saber muito bem em quem votar nas eleições legislativas (em relação às outras a minha atitude é diferente: nas presidenciais não voto por uma questão de princípio e nas autárquicas voto na pessoa, não no partido). O problema se calhar é meu, que não me revejo completamente nem nos ideais socialistas ou sociais democratas, nem nos liberais (muito menos nos comunistas ou neo-liberais). Mas, de certo modo, o problema não é só meu: os partidos políticos, de modo a garantirem o mais possível a sua permanência no poder (olhó tacho), esquecem-se hoje de defender ideais e princípios, tentando apenas apresentar ao eleitor promessas de circunstância que permitam o maior número de votos nas próximas eleições. A triste consequência disto é que ninguém tem uma ideia para o país. Séria. A longo prazo. Vivemos, politicamente, em pequenos ciclos quadrianuais que tentam cumprir o mínimo para garantir o voto da reeleição. Parece que não temos partidos políticos, mas sim associações de pedintes.

Enquanto isto temos a Saúde que temos, a Educação que (não) temos, o Défice que temos (e de que maneira!) e a Desorganização que temos - esta podíamos exportar; seria, em conjunto com a cortiça, o produto mais famoso de Portugal. Teria, evidentemente, de ser exportada em pequenas porções, talvez em latas como as sardinhas e o atum, porque para os outros países, levarem com doses grandes poderia ser fatal. Imaginem a latita verde-rubra com grandes letras douradas a dizer "Dis-organization - The Genuine Product from Portugal - valid through December 2008". Acabava de vez com o défice comercial crónico.

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