Um artigo do suplemento 'Computadores' do Público revela que novas tecnologias permitem que as ecografias aos fetos tenham muito mais definição. Isto é uma excelente notícia para todos os pais, principalmente aqueles que têm uma imaginação demasiado activa, como eu.
Tendo já passado por pai duas vezes, lembro-me perfeitamente de ir ao ginecologista ver as ditas filmagens e fotografias e, sinceramente, não via nada do que o sôdotôr dizia serem aquelas manchas. O senhor lá punha sonda em cima da barriguita inchada da mãe, devidamente besuntada de gel, dizendo "vêm o pé?... aquilo é um olho... vê-se perfeitamente que é um menino (saiu menina)" e eu lá via umas manchas difusas a lembrar a televisão em 1972, quando a antena caía para trás do aparelho.
Já anteriormente, quando amigas minhas apareciam inchadas que nem o Hidenburg com as fotografiazitas nas mão, babadas de orgulho, a afirmarem a pés juntos que ali se viam perfeitamente os braços, as costas e a cor dos cabelos do infante, eu só via uma imagem semelhante a um teste de Rorschach - aquele teste psiquiátrico em que as manchas parecem sempre borboletas mas onde nos filmes os criminosos vêem sempre coisas delirantes, na maior parte das vezes mulheres nuas, o cão da vizinha ou a vizinha nua e o cão em actos pouco próprios. Como não sei ficar calado, saía-me sempre uma alarvidade do género "coitado do puto... parece um peixe fora d'água... vê-se mesmo que sai ao pai", o que me custou uma série de jantares à borla (por outro lado, safei-me duma enormidade de baptizados, portanto o saldo é a meu favor).
Não pretendo diminuir a importância destes desenvolvimentos tecnológicos, que permitem detectar malformações do feto cada vez mais cedo, ou quaisquer outros problemas para a criança ou para a progenitora, mas por outro lado também faz um pouco de falta aquela surpresa após nove meses de espera - um pouco como a expectativa das prendas de Natal para os miúdos (e para mim).
Pena não podermos ter o melhor dos dois mundos.
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