September 08, 2004

Dietas


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Originally uploaded by joaoserpa.



Este cartoon, retirado da New Yorker, faz-me pensar o seguinte: porque é que raio nos preocupamos com a nossa a aparência? e com a dos outros?
Tendo em conta que meço 1,80m e peso 66 Kg, o termo "Adónis" não se me aplica - "fio de azeite", "pau-de-virar-tripas" e outros mimos do género talvez, mas o primeiro é que não. Mas para quê preocupar-me com isso? Valho mais, acho eu, pelo conteúdo da minha caixa craneana do que pela embalagem que apresento. Mas a sociedade exalta a aparência como se fosse a única coisa que interessa. Claro que não é de hoje: as senhoras do tempo de Rubens só eram consideradas interessantes se pesassem tanto como um pequeno elefante marinho (e com as mesmas pregas); nos anos 90 as mulheres queriam-se tão magras que qualquer relacionamento com elas só poderia durar cerca de 3 dias, até morrerem de inanição (se calhar era essa a ideia). Os mesmos exemplos aplicam-se aos homens: essa estória do homem só ser homem a cheirar a cavalo sempre foi uma treta. Desde o sapatito de fivela e salto alto à là D. José I aos cremes esfoliantes da perfumaria do Colombo, há de tudo.
É certo que a aparência exterior dá alguns indicativos de saúde, de qualidade genética e outros atributos importantes quando se está a considerar a hipótese de acasalar, sejamos pavões ou seres humanos. Mas será que o ideal é pensar vir a ter uma filha linda, loira e a pintar o monitor com corrector, ou ser medianamente atraente (como a maior parte de nós) e capaz de seguir o enredo d' O Primo Basílio sem gastar a ponta do dedo indicador?

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