Fez cinco anos que Amalia Rodrigues morreu. Não sabia. Soube-o pelo Acidental. Por muito que se diga de Amália, não creio que se possa dizer o que é dito nesse blog: que Amália foi o único génio (génia?) da música portuguesa.
Amália foi uma excepcional intérprete de fado. Como foi Hermínia Silva. E Alfredo Marceneiro. Talvez neste campo tenha sido genial. Mas noutros campos musicais, houve outros intérpretes e compositores geniais: Carlos Paredes, Marcos Portugal, José Afonso, Freitas Branco, etc.
Não sei se o que define um génio é apenas a sua universalidade ou o seu reconhecimento generalizado, mas se formos comparar os nossos génios musicais com os verdadeiros génios reconhecidos como tal, como Beethoven ou Mozart, Wagner ou Bach (para falar só nos clássicos), temos de ter a humildade de reconhecer que os nossos são-no apenas à nossa escala. "Génios", por estes padrões, poderemos tê-los na literatura, como Camões ou Pessoa, ou na pintura com Vieira da Silva e Almada, mas é só. Não temos nem nunca tivemos cultura e educação musical para produzir verdadeiros génios.
Nada impede, no entanto, de afirmar que Amália foi, realmente, excepcional.
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