October 15, 2004

zoo



Quando era miúdo adorava ir ao jardim zoológico. Enquanto tirava o curso, fui obrigado a ir ao zoo por diversas vezes, para desenhar leopardos, elefantes, girafas e outros animais - os desgraçados nunca paravam quietos: deitavam-se, levantavam-se, rugiam, faziam xixi (garanto-vos, ver um rinoceronte a fazer xixi é traumático) e outras animalidades do género. Acabei muitas vezes a desenhar árvores... eram bem mais sossegadas.

Mais tarde, continuei a ir ao jardim zoológico, não só para ver os bichos, mas também para observar outro bicharoco: o ser humano. As reacções das pessoas perante os outros animais são divertidissimas: riem, gritam, atiram comida, chateiam, apontam e por vezes ignoram. A maior parte das vezes comportam-se como se fossem os reis da Criação, dando-se ares de superioridade asinina. Essa é a parte que me deprime nas idas ao zoo.
É divertido ver o ar de segurança completa que lhes dá uma vala ou uma grade: encostam-se onde não se devem encostar, esticam-se para tentar agarrar os bigodes de um felino qualquer ("Ó Maria, é só um gatito, pá! Dá aí o nougat pr'ó gajo abrir a boca"), sem respeito nenhum pelos animais. De vez em quando apanham uns sustos valentes, como a abençoada mãezinha do miúdo da fotografia, que foi da calma absoluta à histeria completa em menos de 3 segundos.

Ainda hoje lá vou, agora com as minhas crias, para estas poderem sentir o cheiro e, por vezes, o toque daquilo que só normalmente vêem no Odisseia ou no Discovery. E ainda hoje me faz confusão ver os chimpanzés, com o seu olhar inteligente e quase humano. Lembram-me sempre que a linha que nos separa deles é demasiado ténue, que é apenas por um acaso da bendita Evolução que somos nós que estamos do lado de cá das grades.

No comments: