November 24, 2004

quarenta

Ena! Agora que passa da meia-noite, tenho oficialmente quarenta anos. Quatro décadas. Oito lustros.

Nunca pensei cá chegar. Com os péssimos hábitos alimentares, a quantidade de cigarros fumados, pais e mães ultrajados e quilómetros de mota feitos de maneira completamente inconsciente, é um perfeito milagre ainda existir. Talvez agora devesse começar a ter juízo, mas depois dos hectolitros de vinho bebidos, dos mais de 219 000 cigarros fumados, dos inúmeros cozidos à portuguesa, bacalhaus cozidos com grão (é horrível pensar que se é, sozinho, responsável pela extinção de uma espécie inteira) e mousses de chocolate e dos vários lares desfeitos em lágrimas, o hábito - e o prazer - é forte demais para parar. Além disso, sem estes prazeres a vida deve ser uma seca desgraçada.

Sinceramente, não sou muito diferente de há 10 ou 15 anos atrás: continuo o mesmo inconsciente de sempre, na mesma infantil e irresponsável. Evidentemente que me sinto diferente. Vejo o mundo e as pessoas de forma diferente, o meu sentido de humor deixou de ser tão infantil, tornando-se mais mordaz e cínico, tenho menos paciência para a estupidez reinante, ou seja, sou menos ingénuo. Mas de resto, desculpem-me a sinceridade, cresci muito pouco.

Pelo menos até agora o saldo geral é bastante positivo: plantei umas quantas árvores e fiz dois filhos. É certo que não escrevi nenhum livro, mas devorei centenas. Principalmente, aprendi umas coisitas. Daqui para a frente, como sempre, é o desconhecido. Só espero plantar mais umas árvorezitas, filhos não me parece que caia nessa outra vez mas espero ler mais umas valentes resmas de livros e chacinar mais uns quantos bacalhaus. E, acima de tudo, aprender mais umas coisas porque aquilo de que mais me apercebi até hoje é das proporções olímpicas da minha ignorância.

Cheers.

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