November 27, 2004

xmas



E pronto. É agora. Já só tenho um mês. Menos até: faltam 26 dias para decidir quais são as inúmeras prendas de Natal que tenho de comprar.

Segundo as estações de televisão, as escolhas são múltiplas: Poison, Transformers, Sérgio Godinho espalmado em DVD, Barbie Cell Phone, Acqua di Giò, Macintosh iPod, Nokia, Hot Wheels, Notebooks, Harry Potter em 2D 3D Playstation Gameboy Advance ou Livro...
A minha vontade é comprar seja o que for e oferecer aleatoriamente, ficando a sogra com os Hot Wheels e o filho com o Sérgio-Godinho-em-DVD-ou-cassete (coitado).

O natal transformou-se numa sucursal da feira do relógio, em que todo o acontecimento culmina naquele momento em que terminam as doze badaladas do dia 24, e miúdos e graúdos se atiram selvaticamente para a base do pinheiro de plástico feito no Vietname, tentando agarrar o maior número de pacotes embrulhados em fita e papel de mau-gosto. Depois vêm os murmúrios do costume: "meias? outra vez?" ou "ó mãe! eu tinha dito pónei! não era burro com chapéu de palha!". Segue-se a fase dos negócios: "ficaste com o talão? sabes que detesto camisas amarelas às bolas"; "Filipa, se quiseres troco o meu canhão supersónico da guerra do golfo pelas tuas carta Yugi-Oh... queres?". Por fim, enquanto as crianças berram porque o Saddam de plástico já perdeu uma perna, os adultos atiram-se de novo ao Raposeira Meio-Doce e às rabanadas com um suspiro de alívio - "Finalmente... 365 dias de descanso até ao próximo...".

O Natal deveria de ser uma festa familiar, onde todos se reunem para pôr a conversa em dia, comentar as últimas da tia Luísa que fugiu para o Brasil com a amante ou pura e simplesmente estarem juntos, fazendo aquelas coisas pequenas que realmente fazem uma família (normalmente discussões intermináveis sobre temas mesquinhos, mas isso não vem ao caso). As prendas deveriam ser apenas uma graça, uma recordação da tradição do Natal e dos três Reis Magos, os primeiros a sentir a angústia do Natal: "ó Belchior, o que achas? Dou-lhe Mirra?", "Ah não, Baltasar! Mirra dou-lhe eu! Se quiseres dá-lhe aqueles coisos de cheiro... tu sabes... os pauzinhos indianos. Ou então faz o que fez o Gaspar... dá-lhe ouro e o puto que compre o que quiser...".

Pela minha parte, já sei o que vai acontecer: vou andar a adiar até dia 23 às oito da noite, indo depois completamente desesperado para o centro comercial, disposto a comprar quaquer coisa a qualquer preço. Se bem que este ano já não caio na asneira de comprar o monociclo - as pessoas não têm nenhum sentido de humor.

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