December 06, 2004

arbóreo

Este fim-de-semana decidi pegar nos crianços e ir ver os Incredibles (filme perfeito para a minha idade mental).
Como qualquer amante de cinema, recuso-me a ver um filme dobrado e como os filhotes percebem inglês (e lêem legendas também), metemos na cabeça ver a versão original do filme. Tendo em conta que moro na área de Sintra, meti a família no chaveco e dirigimo-nos ao incontornável CascaiShopping.

Pimba. Incredibles só se se chamarem Incríveis, porque só temos o filmito dobrado em quatro com vozes de Songóku.

Não desesperando, dirigi-me ao cinema mais próximo - Beloura Shopping - e... tahdah! dobrado no nosso português, senhores. Ainda não desesperando mas um pouco frustrados, eles aí vão para outro templo do consumo - Oeiras Parque - e... bolas!

Bom, dissemos, só se fôr em Lisboa... e lá foi o chaveco com o nariz apontado à urbe, enquanto se consultava a net por GPRS para saber onde estava a ser exibido o filme - que nesta altura, pelo périplo, se passou a chamar Maquiavel. Em versão original, com as vozes do outro lado do atlântico, só duas hipóteses: ou Colombo ou Amoreiras. Como não tenho inclinações sado-masoquistas votei Amoreiras.

(Só para abreviar: depois de muitas aventuras, conseguimos realmente ver o filme como queríamos, às dez da noite, é certo, mas orgulhosos como Diogo Cão depois de descobrir o Congo).

Trânsito à parte - que é Natal e andamos todos num frenesi para gastar o ordenado-mais-o-décimo-terceiro-mais-o-que-sobrou-das-férias - lá conseguimos entrar em Lisboa pelo lado do rio onde nos deparámos com um espectáculo delirante: em Belém (não onde apareceu o menino), frente ao CCB, vimos em todo o seu esplendor a maior árvore da Natal da Europa. Ena.

É uma estrutura fantástica em metal retorcido com luzinhas cintilantes. Segundo dizem já lá esteve uma árvore a sério mas foi roubada pelo pessoal de Alcântara. Como não é coisa que se veja todos os dias disse à prole para olhar com atenção e expliquei-lhes que era a maior árvore de Natal da Europa; quando perguntei se queriam que parasse para podermos ver com atenção, levei com a resposta nº 3: não vale a pena pai... ainda chegamos tarde ao filme.
O mais engraçado foi quando estávamos parados no trânsito (again) em frente à Rocha Conde de Óbidos, se ouviu de lá de trás a vozinha da minha filha dizendo ao irmão: "Gui... olha..."; dentro de uma entrada de um prédio estava um pinheiro simples, verdadeiro e um bocado desasado como todos os pinheiros reais, muito bem decorado com luzes coloridas, fitas e bolas. E os miúdos estavam fascinados com aquilo (e calados dentro do carro, o que é no mínimo milagre). A árvore megalómana foi olimpicamente ignorada, mas o pinheiro não. Engraçado, não é?

Não me apetece retirar algum moral da história, mas parece-me interessante notar que, pelo menos para uma criança, maior não quer dizer melhor. Talvez não valha a pena gastarmos o pouco dinheiro que temos em disparates espalhafatosos (e saloios) deste tipo, como a árvore ou os estádios de futebol (dez senhores dez), e talvez seja preferível fazermos as coisas à nossa escala, um pouco mais pequena, mas bem feitas.

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