December 08, 2004

os infantes

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


Segundo o estudo PISA, publicado hoje no Público, a maior parte dos infantes portugueses seria incapaz de interpretar o Poema de Fernando Pessoa, O Infante, que plantei a abrir o post. Pelo que habitualmente vejo, a maioria dos infantes não consegue sequer interpretar as instruções de abertura de um pacote de lenços de assoar, escrita no mais corrente português.
Para não destoar das classificações dos níveis de Leitura, em Matemática e Ciências estamos na mesma. Até um pouco pior. O que augura um futuro brilhante para a "nação".

Uma das conclusões do estudo indica que ... tanto os alunos como as escolas obtêm melhores resultados num ambiente que se caracterize por expectativas elevadas, apoiadas em relações fortes entre professores e alunos, estudantes esforçados e motivados, que mostrem interesse pelas matérias e com baixos níveis de ansiedade. Na maioria dos países que apresentam bons desempenhos, as autoridades locais e os estabelecimentos de ensino têm uma responsabilidade pelos conteúdos educativos e gestão de recursos. Tal e qual o que se passa em Portugal: a responsabilidade do poder local sobre a escola é nula, os professores são colocados a trouxe-mouxe pelo país fora, um aluno em três anos conhece dezoito professores diferentes para a mesma disciplina, o ambiente nas escolas é tão bom que até os professores apanham pancada... et cetera.

Não me parece que os responsáveis pela Educação, nos últimos 30 anos, tenham tomado as opções mais acertadas. Mas pode ser apenas uma cisma minha...

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