December 23, 2004

pequeno momento de frustração

Sou, infelizmente, daquelas pessoas que trabalha com um computador o santo dia inteiro. Podia ser uma enxada ou carrinho de mão, um pára-quedas ou uma Montblanc de aparo. Mas não, calhou-me o computador.
Como sou por natureza calão (praticamente sou a epítome da preguiça), uso a coisa mais próxima que existe de um computador para deficientes mentais: um Apple Macintosh. O rato só tem um botãozito para não baralhar o neurónio, o sistema operativo ou lá que é está escondido debaixo de uma capa reluzente chamada desktop e o teclado só tem as teclas das letras e pouco mais. O básico.

O primeiro computador em que trabalhei era giríssimo: um Philips em que se introduzia a disquete de sistema, ligava-se e esperava-se que o bicho arrancasse eventualmente; depois punha-se a disquete do programa (processamento de texto, invariavelmente) e lá íamos nós trabalhar que nem doidos, depois desligando o PC, suados de tanto mourejar; a seguir praguejávamos todos que nem uns maníacos porque nos tínhamos esquecido de introduzir a terceira disquete para guardar o trabalho.

A seguir deram-me um outro, muito mais evoluído: o processador era a 10 MHz ou a 20 MHz em Turbo (a sério) e tinha um disco rígido com uma capacidade imensurável... 20 MegaBytes. Aprendi neste PC as bases do MS-DOS e decidi aplicá-las da pior forma: digitei o comando "del *.*" na directoria de raíz e, pimba, o bicho faleceu-me nos braços.

Farto de desenhar brochuras e logotipos, fui para uma agência de publicidade "à séria" e aí apresentaram-me ao Macintosh. Fiquei maravilhado. Não só não conseguia estragar nada (e garanto que comigo isso é muito difícil), como de regras de computadores, só tinha de me lembrar em que raio de pasta tinha enfiado o trabalho que era para estar pronto há meia-hora atrás.

Fiquei cliente.

Continuo a afirmar que é o Personal Computer feito a pensar em mim. Os vários programas que uso (mais que processamento de texto, agora) funcionam bem e rápido, o design do caixote e do monitor é espectacular e, nunca é de mais sublinhar, o rato só tem um botanito. É mais caro que o PC-linha-branca-com-o-windows-e-o-word-da-loja-dos-trezentos mas vale a pena.
Só tem um senão: apesar de haver todo o software para Mac que há para PC, continua a ser uma maquineta minoritária. E isso nota-se aqui no coiso-de-fazer-blogs que se farta: queres itálico? Vai à procura do código HTML que te lixas; queres pôr imagens? vai à procura de quem faça o hosting porque a solução do Blogger só para os amigos do Clube Microsoft.

É por isso que às vezes fico frustrado. Mas vou continuar a teimar em usar o Mac: o rato só tem um botão.

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