A Europa aprovou a entrada da Turquia na União. Parece-me bem por diversas razões, umas mais prosaicas que outras.
A primeira razão é egoísta mas válida: onde mais puder ir sem ter de enfrentar a Loja do Cidadão para tirar o passaporte, melhor.
As outras razões são um bocadito mais sérias. Por partes, vamos lá a isso.
A Turquia é, aparentemente, um país democrático, com uma economia em franca recuperação. Está, neste aspecto, a par da Polónia, da Hungria ou da Eslovénia. Se estes países foram aceites pela União, porque não seria a Turquia elegível? A História da Turquia está ligada, para o bem e para o mal, com a História da Europa Ocidental. Como todos os estados da bacia mediterrânica, andou à pancada e estabeleceu alianças com todos os outros. É membro de pleno direito da NATO. O que é que lhe falta, ou tem de diferente, que justifique uma recusa por parte da UE para se juntar ao clube?
A única diferença, ou especificidade, deste país é ser de maioria muçulmana. É a única diferença. A União Europeia é um sortido de diferentes etnias - Germanos, Latinos, Eslavos... - portanto juntarem-se-lhes os turcos otomanos, curdos e outros não vai complicar mais a coisa. As únicas reticências que podem haver residem no facto dos seus cidadãos professarem uma religião diferente. Mesmo os Ortodoxos dos países balcânicos pertencem ao clube dos amigos de Cristo. Mas os turcos não - são Muçulmanos, infiéis.
O sinal que a Europa dá, ao permitir a um país muçulmano juntar-se-lhe de forma plena, para o resto do mundo é de uma importância enorme: a Europa diz desta forma que cor e religião não são de todo assuntos importantes; apenas a estabilidade, a democracia e a capacidade de sustentação económica.
É o mesmo que dizer que, pelo menos para uma parte do "Ocidente", a etnia e a religião não são assunto que interesse. O contraste com a atitude dos EUA é imenso.
Este simples acto de admissão da Turquia no "Ocidente" faz muito mais pelo combate ao terrorismo que qualquer invasão do Afeganistão ou do Iraque. Principalmente quando esta admissão é feita quando é um radical islâmico (Recip Tayyip Erdogan) que ocupa a cadeira do poder em Ancara.
Para consumo interno a mensagem também é importante: não somos um clube exclusivo ou uma elite.
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