January 18, 2005

senadores

Ontem vi televisão. É quase um acontecimento digno de ser noticiado na CNN, tão raro que é. Assisti a a um programa chamado PEC, que não tem nada a ver com o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que tinha como intervenientes quatro figuras do nosso passado político, os chamados senadores Mário Soares, Freitas do Amaral, Pinto Balsemão e Adriano Moreira. Intervieram também Miguel Cadilhe, um senhor das sondagens da Católica que nunca vi mais gordo (ou mais magro) e o director do Público, José Manuel Fernandes.

Começo logo por embirrar com o título de senadores, não só porque não temos Senado, mas também porque não consigo imaginar aqueles homens de toga.
Mas embirrações à parte, soube bem ver quatro (ex) políticos debater os problemas reais do país sem se insultarem, sem recorrerem a argumentos fáceis ou demagógicos e utilizando uma linguagem articulada, apesar de simples para todos perceberem as questões em causa. É certo que, não estando na corrida para nenhum lugar elegível, é fácil não ser populista ou facilitista. Mas mesmo assim cada um deles conseguiu defender os seus pontos de vista e apoiar os seus respectivos partidos ou preferências políticas sem cair no ridículo tão comum à "nova geração" de aspirantes a governantes.
Também soube bem ver quatro pessoas (cinco com Cadilhe) de diferentes quadrantes políticos identificar com clareza os problemas do país e apresentar, por vias diferentes é certo, soluções comuns e exequíveis.

Se ainda temos estes exemplos na nossa sociedade - e é certo que enquanto governantes cometeram inúmeros erros - porque é que a dita "nova geração" não aprende com esse exemplo? Aquilo que falta na nossa sociedade neste momento - principalmente nestes momentos de conjuntura difícil - são políticos com visão e capacidade de liderança, que digam com clareza aos portugueses que temos de fazer sacrifícios para atingir determinados objectivos a médio / longo prazo. E que se não os fizermos agora hipotecamos definitivamente o nosso futuro. Não é a afirmar que se vai baixar o imposto x ou aumentar a taxa z (ou refazer a co-incineração ou seja lá o que fôr) que se vão resolver os nossos problemas. É necessário apresentar um diagnóstico claro da nossa sociedade a nível social e económico, apresentar um modelo de sociedade pretendido e, finalmente, apresentar as medidas para alcançar esses objectivos num determinado prazo (5, 10 ou 15 anos).

A "nova geração" ainda tem muito para aprender. Custa-me dizê-lo, porque é a minha.

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